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domingo, 1 de janeiro de 2012

Promoção 150 Seguidores do Além da Contracapa

Nada melhor do que começar o ano com um bom livro, não é mesmo? E aqui no Além da Contracapa nós resolvemos começar com uma promoção. Mas essa não é uma promoção qualquer: é a primeira promoção do blog!

Claro que, para a nossa primeiríssima promoção, não poderíamos escolher qualquer livro. Deveria ser um livro especial e o que seria mais especial do que uma de nossas autoras preferidas? Claro que estamos falando da incomparável Agatha Christie. Mas como escolher, dentre a extensa e excelente obra da autora, um livro significativo para marcar o nosso primeiro sorteio? Fácil. Vamos sortear aquele que foi o primeiro livro da Agatha a ser lido por ambos: “A Casa do Penhasco”, uma aventura de Hercule Poirot.

Eu, particularmente, tenho uma historia muito especial com “A Casa do Penhasco”. Acredito que eu já tenha deixado transparecer aqui no blog que meu gênero favorito de leitura é o policial e o suspense e isso teve inicio quando, por volta dos doze anos, encontrei na casa do meu avô dois livros da Agatha Christie. “A Casa do Penhasco” não apenas foi o livro que me introduziu a obra de Agatha Christie, que se tornou minha escritora favorita, como me introduziu ao suspense policial, gênero que eu adoro ler e escrever (para os que não sabem, sou aspirante a escritora), então eu costumo, um pouco exageradamente, dizer que este foi o livro que deu origem a tudo.
Por essas, e por outras, dizemos o seguinte: se você é fã da Agatha e ainda não leu “A Casa do Penhasco” você sabe que não pode deixar de conferir mais uma obra de autora, e se você ainda não é fã ou nunca leu nada da Dama do Crime, dizemos por experiência própria que esse é uma ótima escolha para começar. Pode confiar.

SINOPSE
“Uma semana de férias no ensolarado litoral da Cornualha... Esse parecia ser o cenário perfeito para coroar o fim da brilhante carreira do detetive Poirot, ao lado de seu inseparável companheiro, o capitão Hastings. No entanto, o clima de tranquilidade é quebrado quando eles conhecem a srta. Buckley, uma jovem de ar rebelde e herdeira da Casa do Penhasco, que diz ter escapado da morte diversas vezes nos últimos dias. Seriam meros acidentes? Ou haveria alguma explicação sinistra por trás disso? Empolgado, Poirot decide abandonar os planos de aposentadoria e volta à ativa para mais um intrigante caso que testará todas as suas habilidades.”

“Acidente Número Um: o quadro pesado que despenca na cama de Miss Buckley. Acidente Número Dois: a pedra grande que se solta perto dela, numa trilha do penhasco. Acidente Número Três: os freios do carro que falham numa encosta íngreme. Acidente Número Quatro: a bala que por um triz não lhe atinge a cabeça. Mas, finalmente, o atacante desconhecido comete um erro fatal: há uma testemunha. Hercule Poirot está em cena...”

PROMOÇÃO ENCERRADA. RESULTADO EM BREVE!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Especial de Final de Ano - Parte 7 (final): Top 5 Livros Mais Desejados para 2012, Lista da Mari

Para um leitor voraz, não importa quantos livros estejam em estoque, guardados na prateleira a espera de serem lidos, sempre existem muitos outros em mente para serem adquiridos. Eis a lista de cinco livros que espero ter em minha coleção no próximo ano.

5 – O Inocente – Scott Turow

Recentemente tive uma experiência bastante satisfatória com o livro “Acima de Qualquer Suspeita” de Scott Turow (veja resenha AQUI) e quando a gente gosta de um livro, nada mais natural que querer que a experiência se prolongue, certo? Por isso agora estou curiosíssima para ler “O Inocente”, que relata os eventos na vida de Rusty Sabich vinte anos depois do primeiro livro.






4 – Livros de Georges Simenon (para citar alguns títulos: “A Velha Senhora”, “Maigret e o Matador”, “O Mistério das Jóias Roubadas” e “As Férias de Maigret”)

Quem gosta de literatura policial pelo menos já ouviu falar de Simenon. Esse ano li pela primeira vez um livro do autor “A noite da encruzilhada” (veja a resenha AQUI) e não me decepcionei. Pelo contrario. Em 2012 pretendo ler outros e conhecer mais do clássico personagem Maigret.
Alias, vou aproveitar a oportunidade para demonstrar a minha indignação como consumidora: recentemente estive tentando comprar mais um livro do autor, e digo tentando porque não obtive sucesso na empreitada. Explico: Fiz algumas comprinhas literárias no site Submarino e quando a encomenda chegou, surpresa! Cadê o meu Maigret? Esclarecimento do Submarino: o livro que eu comprei e que aparecia no site como disponível para realizar tal compra, não estava disponível no estoque. Indignante, concordam? Lógico que o meu dinheiro foi devolvido, mas ainda assim fica o sentimento de que sequestraram o meu Maigret. O resgate ficará para 2012.


3 - Cemitério de Praga – Umberto Eco

Uma trama com complôs e assassinatos normalmente me atrai (em livros, deixo bem claro), mas isso aliado a mistura de personagens reais com personagens fictícios em lugares misteriosos e umas lições de história me parece muito promissor.
Nunca li Umberto Eco então não sei o que esperar do autor, mas confesso que as expectativas são altas, tanto em termos de criação literária como em termos de linguagem e narrativa. Enquanto não compro, ou ganho, “Cemitério de Praga” outro livro do autor está a minha espera sob empréstimo da biblioteca “O Pêndulo de Foucault”. Mas essas são cenas dos próximos episódios...digo, comentários para outros posts.

2 – A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Há tempos tenho vontade de ler esse livro e depois que li “Marina” (veja resenha AQUI) me apaixonei pela narrativa de Zafón não vejo a hora de me aventurar novamente pelo mundo criado pelo autor.









1 – A Casa Torta - Agatha Christie (entre muitos outros da Dama do Crime)

Dizem que pai e mãe nunca escolhem um filho como predileto entre os outros, mas os que tem irmãos muitas vezes dizem que isso não é bem verdade. No caso da Agatha Christie, aparentemente, não é mesmo. Esse ano descobri que a autora tinha predileção por dois de seus livros (que podem ser considerados um pouco como filhos também, porque não?). São eles “Punição para a Inocência”, que eu li há muitos anos e achei fantástico, diga-se de passagem, e “A Casa Torta”. Nem é preciso dizer desde o momento em que soube disso, o livro foi em disparada para o primeiro lugar da minha wishlist, né? Afinal, se ela diz que é um dos melhores que escreveu quem sou eu para duvidar, não é mesmo? E lógico, também não preciso dizer que pretendo comprar vários títulos da autora esse ano, não apenas aqueles que ainda são inéditos para mim, mas também aqueles que li e ainda não fazem parte da minha coleção. Eis aí uma boa meta literária para 2012: completar minha coleção Agatha Christie.

Menção honrosa para “O Caso dos Dez Negrinhos” de Agatha Christie (que eu vou ter que encontrar em um sebo, graças a abominável mudança do título para “E não sobrou nenhum”) e “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë que são meus livros preferidos, mas que ainda não fazem parte da minha coleção.

E chegamos ao fim do nosso Especial de Final de Ano. Esperamos que tenham gostado. Não deixem de comentar e nos contar quais foram os livros adorados e odiados por vocês em 2011 e quais os livros que estão ansiosos para ler em 2012. Até lá!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Especial de Final de Ano - Parte 5: Top 5 Melhores de 2011, Lista da Mari

Sem mais delongas, apresento os cinco livros eleitos para a minha lista de melhores do ano. Ótimos livros ficaram de fora, mas esses foram escolhidos por serem mais do que leituras e sim experiências literárias que me marcaram por apresentar algo novo, inusitado ou único. São eles:

5. Incidente em Antares – Érico Veríssimo

Desde que eu me entendo por gente ouço minha mãe dizer que eu PRECISO ler “O Tempo e o Vento” de Érico Veríssimo. Vontade eu tenho, mas sempre que penso que são sete livros de 400 e tantas folhas cada bate a preguiça. Explico: eu sei que se começar a ler, vou querer ler os sete livros na sequência e é justamente a idéia de ficar uns dois ou três meses com os mesmos personagens, sem intercalar com outra história, que me desanima. Mas eu estou fugindo do assunto. O que eu queria dizer é que foi por essa razão que eu escolhi outra obra de Erico Veríssimo para ler e devo dizer que “Incidente em Antares” foi uma ótima escolha. Veríssimo mistura ficção e realidade, dando uma aula de história enquanto conta a trajetória das famílias Campolargo e Vacariano, aliando tudo à comédia para contar uma trama absurda em um livro escrito com maestria. “Incidente em Antares”, além de ser um livro divertidíssimo, é literatura de qualidade.



4. Marina – Carlos Ruiz Zafón (RESENHA)

São tantos os elementos que fazem de “Marina” um livro único que é preciso ler para entender e para aqueles que leram não é preciso dizer mais nada. São poucas páginas, mas repletas de acontecimentos e sentimentos que me envolveram da primeira à ultima palavra. Para mim, que nunca havia lido Carlos Ruiz Zafón, foi o suficiente para me apaixonar pela narrativa e o mundo criado pelo autor.





3.A Estrela do Diabo – Jo Nesbo (RESENHA)

A trama é boa e a maneira como o autor a conduz também, mas o maior mérito do livro do Jo Nesbo é o seu personagem principal, o detetive Harry Hole, que parece saltar das páginas e ganhar vida. Com seus defeitos e qualidades, Hole me conquistou, garantiu um lugar à mesa no jantar do mês de novembro (veja AQUI) e é devido a ele que “A Estrela do Diabo” está nesta lista.





2. Os Homens que não Amavam as Mulheres – Stieg Larsson

Há uns dois anos eu havia lido o primeiro livro da trilogia millenium e, confesso, não havia gostado muito. Na época estava com pouco tempo para dar ao livro a atenção merecida e não conseguia ler muitas páginas por dia, o que prorrogou a minha leitura, me deixando com a impressão de que se tratava de um livro enrolado e lento, apesar de conter uma boa história. Mas algo me dizia que esse era um livro que merecia uma segunda chance e por isso, esse ano, quando o reli, mudei drasticamente muito de opinião. A trama do livro é de uma violência brutal, porém extremamente fascinante, e os personagens principais são impares e inesquecíveis. Arrisco dizer que qualquer um que leu “Os homens que não amavam as mulheres” concordaria comigo quando digo que este é um livro memorável.

Em breve, uma resenha especial sobre a trilogia Millenium.


1. Os 4 grandes – Agatha Christie (RESENHA)

Sabe a sensação de voltar para casa? De saber o que está esperando por você e ter a certeza que você vai se sentir bem ao chegar lá? Ler Agatha Christie é assim para mim. Eu sei o que vou encontrar ao abrir o livro: uma trama bem elaborada e construída em volta de personagens interessantes, repleta de pequenos detalhes importantes que, na maioria das vezes, passam despercebidos (porque ninguém sabe camuflar uma pista melhor que a Agatha) e tudo dosado da maneira ideal, contado sem enrolar o leitor e amarrando todas as pontas nas últimas paginas. Mesmo tendo essas altas expectativas, eu nunca me decepciono ao ler um Agatha Christie.
O top da minha lista de tops, a medalha de ouro, é para “Os 4 grandes” porque a Dama do Crime é insuperável e pronto!



Amanha, na reta final do nosso especial de final de ano, a parte 6: Top 5 livros mais desejados para 2012, Lista do Alê.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Especial de Final de Ano - Parte 4: Top 5 Melhores de 2011, Lista do Alê

Se os dias anteriores eram destinados a concessão da “Framboesa de Ouro” para os piores do ano do mundo literário, os dias de hoje e amanhã são destinados a entrega do Oscar. Quem terá sido o melhor autor? Quem terá criado a trama mais elaborada? Quais foram os personagens que conquistaram nossos corações? Ou os que despertaram um ódio intenso? Tudo isso na quarta e quinta parte, deste especial de fim de ano.

Em quinto lugar, O Poeta, de Michael Connelly (resenha em breve).
Confesso que estava na dúvida se incluía este livro na lista de melhores do ano. Em breve, a resenha será postada e destacarei mais especificamente os pontos positivos e negativos da trama. Porém, devo reconhecer duas qualidades marcantes no livro de Connelly: uma estória fascinante, somada ao fator tensão/adrenalina que se desenvolve do início ao fim da estória. Ou seja, você simplesmente não tem vontade de parar de ler o livro.
Some-se a isso: personagens bem construídos, um protagonista cativante, e uma boa narrativa, que faz com que você sinta como se participasse das investigações policiais. Contudo, algumas falhas, as quais serão esclarecidas na resenha, impediram um melhor posicionamento do livro, mas que, contendo tais qualidades, garantiu o seu lugar entre os melhores do ano.
Para Connelly, o prêmio de melhor autor da literatura policial na atualidade.

Embora apresente uma versão mais ligth (e até mesmo romântica) da Revolução Farroupilha, o livro é excelente. Seja pelos “personagens” que, embora reais, foram muito bem explorados; seja pela originalidade em contar uma estória conhecida por um prisma novo. Os capítulos alternados entre a narrativa da estória e trechos do diário da protagonista fazem com que a estória flua em um ritimo único, além de ter o condão de envolver o leitor ainda mais profundamente com os personagens. Na verdade, alguns personagens foram tão bem construídos que o leitor consegue, até mesmo, prever seus pensamentos, ações e emoções. Em suma, trata-se de uma estória cativante, além de interessante pelo conteúdo histórico, e que conseguiu demonstrar, senão todo, uma boa parte do talento da autora.
Para Letícia, o prêmio de melhor romance histórico.

terceiro lugar fica com Punição para a inocência, de Agatha Chrsitie (resenha em breve).
Creio que este livro seja uma das especialidades da Dama do Crime: fazer com que o leitor suspeite de todos os personagens, ao mesmo tempo, pois todos tem um motivo plausível para cometer o crime, sendo que, ao final da estória, a autora nos mostra sua genialidade: o verdadeiro culpado sequer perpassou por nossas mentes.
Neste livro a autora já parte de uma premissa interessante: se no seio familiar há um assassino, responsável por matar a matriarca, como discernir entre culpados e inocentes? Pois, mesmo que indiretamente, o inocente, tachado de possível criminoso, é indevidamente punido, seja pelos próprios familiares, seja pelos vizinhos fofoqueiros, seja pelos amigos.
Como mencionei na coluna "Quem vem para o jantar? # 04", Agatha Christie é a prova viva de que livros policiais não precisam de quinhentas folhas (vide Prazer de Matar) para ser bem contadas. Em Punição para a inocência encontramos mistério, suspense e uma reviravolta de tirar o fôlego, dosados na medida certa, nem mais, nem menos.
Para Agatha, o prêmio de melhor autora de livros policiais.

Em segundo lugar, Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.
Se não disse antes, digo agora: sou fã confesso e incondicional de Jane Austen (muito embora ainda não tenha lido a totalidade de sua obra, algo que deverá ser corrigido em 2012).
Muitas pessoas dizem que a linguagem da autora é arcaica, maçante e cansativa, porém, discordo profundamente: Austen escreve com uma classe e requinte que dificilmente é encontrado em outros autores. Não sei explicar essa “sofisticação”. Talvez seja oriunda da estrutura da frase, ou da escolha das palavras, ou ainda da pontuação. De qualquer forma, sua técnica perfeita gera livros com uma profundidade sem comparação.
Muito embora o pano de fundo seja semelhante com o de outros livros de sua autoria, Orgulho e Preconceito comprova o talento de Austen, que criou uma estória, além de universal, apaixonante, com uma trama criativa, e com personagens inesquecíveis. Trata-se de uma clássica estória de amor, que merece ser lida e relida.
Para Jane Austen, o prêmio de melhor clássico.

And the Oscar goes to... Digo, o melhor livro do ano é A Guerra dos Tronos, de George Martin.
Um resumo em duas palavras? Muito simples: épico e magistral. Queres mais palavras? Vamos a elas: sete reinos e um rei, cavaleiros e lordes, bastardos e mercenários, intrigas e conspirações, batalhas e disputas.
Destaque para os personagens, construídos e explorados com maestria, fazendo com que o leitor os conheça profundamente, além de amá-los ou odia-los. Com tais personagens, impossível permanecer indiferente. Embora sejam muitos os personagens, nenhum deles está ali por acaso. Todos foram criados com um propósito específico, e não somente para enrolar o leitor. E sendo uma saga, os personagens não permanecem estáticos, mas crescem, evoluem e amadurecem ao longo da trama, mas de uma forma natural. Por fim, embora seja um tanto quanto injusto escolher os melhores personagens, vamos a eles: o bastardo (John), o anão (Tyrion) e a rainha (Cersei). Acho suas estórias pretéritas tão interessantes quanto seus futuros são prometedores.
Além dos personagens, merece destaque a trama: embora o início do livro apresente uma gama imensa de personagens e estórias paralelas, a partir de certo momento o leitor percebe como todas elas irão se cruzar, algumas delas nos próximos capítulos, enquanto outras somente nos próximos volumes da saga.
As Crônicas de Gelo e Fogo são exatamente isso: uma saga, épica e magistral.
Para Martin, o prêmio de melhor revelação e de melhor criação (estória, trama e personagens).

Amanha, a quinta parte do nosso especial de final de ano: Top 5 Melhores de 2011 - Lista da Mari.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Quem vem para o jantar? # 04

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Foi o apito do forno que me alertou que era hora de desligar o fogo e retirar o prato principal, sendo que os demais acompanhamentos também já estavam prontos. Ouvi uma voz vinda da sala de jantar, perguntando-me se precisava de auxílio. Respondi que não, afinal, não colocaria meus convidados para trabalharem.

Imagino que neste momento você esteja a se perguntar quem são estes convidados. Então vamos a eles. A primeira é (que rufem os tambores): Agatha Christie, também conhecida como Dama do Crime. Ok, sei que você deve estar pensando que convidá-la para um jantar é quase como encomendar um crime. Mas devo informá-lo que ela recebeu o convite com extrema simpatia e, além disso, se prestou para trazer uma torta de sobremesa. Ok, agora sei que as más línguas devem estar murmurando que a torta, no mínimo, deve estar envenenada.

Agora, permita-me explicar o que ensejou o convite: Agatha Christie é autora de inúmeras obras primas da literatura policial e cito, a título exemplificativo e não exaustivo, O caso dos dez negrinhos, O assassinato de Roger Acroyed, Cai o pano e Punição para a inocência. Ela é a prova viva de que estórias policiais não precisam de quinhentas folhas para serem bem contadas, fazendo jus ao título de Dama do Crime. Ou seja, sua obra é leitura obrigatória para aqueles que se consideram fãs do gênero.

Depois que coloquei o prato na mesa, percebi, sem conter um leve sorriso, que surpreendi aos meus convidados, pois creio que o quê os motivou a comparecer foi a presença uns dos outros, e não as minhas aptidões culinárias. Mas, deixando os detalhes de lado, vamos aos demais convidados? O segundo deles é Raphael Draccon.

Dedicado como é com seus leitores, Rapahel também não recusou a este singelo convite, fazendo um esforço para abrir um espaço em sua tumultuada agenda. Vocês, caros leitores do blog, já sabem como conheci a este expoente da literatura fantástica no Brasil (será que foi o Destino? Ou teria sido o Acaso?). Muito me surpreendi com o primeiro volume da série Dragões de Éter, e pude perceber que devemos aguardar grandes feitos deste jovem autor. Criatividade, ousadia e muito talento são apenas algumas características que você irá encontrar em seu primeiro livro, Caçadores de Bruxas.

O jantar foi ótimo. Obviamente que a conversa resumiu-se a somente um assunto: literatura. Viajamos pelas obras de Edgar Alan Poe, J.R.R. Tolkien, Patrícia Highsmith, Machado de Assis, Isaac Asimov, George Martin, Érico Veríssimo, C.S. Lewis, Raymond Chandler, Clarice Lispector, Stephen King, entre tantos outros. Sim, como você pode deduzir, a noite foi longe. Mas, imagino que você deve estar se perguntando quem é o terceiro elemento que participou deste jantar, certo?

Jane Austen recebeu o convite com o comedimento característico dos ingleses. Não deixei de notar que ela estava um tanto quanto receosa, porém, ante a possibilidade de ofender colegas tão estimados, optou por comparecer a este auspicioso jantar.

Creio que os livros escritos por Jane Austen podem ser, verdadeiramente, considerados literatura universal, pois transcendem ao tempo, comovendo leitores de todas as partes do mundo, independentemente de idade, etnia, sexo ou religião. Acrescento que, entre os livros que li, somente os escritos por Austen podem ser vistos como clássicas estórias de amor, sem banalizar o título.

Servida a sobremesa, a torta trazida pela Dama do Crime, a qual, registre-se, não possuía nenhum gosto amargo ou estranho a meu paladar, demos o jantar por encerrado.

Naquela noite, nem mesmo o tempo ou o espaço foram capazes de impedir o encontro de três autores fascinantes em um jantar mágico e inesquecível.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Resenha: Os Quatro Grandes

“- É um duelo mortal, mon ami. De um lado, você e eu. Do outro, os Quatro Grandes. Eles venceram o primeiro round; mas falharam no plano de me tirar do caminho. Em breve vão ter que acertar as contas com Hercule Poirot” (CHRISTIE, 2010, p.22).



Eu já mencionei aqui no blog que sou fã confessa e incondicional da Agatha Christie? Se não, eu digo agora: sou fã confessa e incondicional da Agatha Christie! E não se preocupe. Caso você perca essa declaração hoje, eu garanto que voltarei a afirmar isso nas muitas outras resenhas que ainda farei de livros da eterna Dama do Crime.

“Os Quatro Grandes” é mais um caso do incomparável Hercule Poirot, por quem eu já expressei todo o meu carinho no meu primeiro post aqui no blog (se você perdeu, pode conferir AQUI), em companhia do adorável Capitão Hastings. Para quem não está familiarizado com a obra de Agatha Christie, Arthur Hasting é amigo de Poirot e personagem recorrente em algumas aventuras. Leal e inocente, é sempre um toque especial nos livros em que participa. Em “Os Quatro Grandes” os dois enfrentam uma organização criminosa internacional formada pelo número 1, um chinês poderoso, conhecido como o cérebro do oriente; o número 2, um americano rico; o numero 3, uma mulher francesa; e o número quatro, que vem a ser o grande inimigo de Poirot nessa aventura: um mestre nos disfarces conhecido como “Destruidor” (o apelido dispensa explicações). Na aventura, Poirot e Hastings contam ainda com a participação do inspetor-chefe Japp, detetive da Scotland Yard que também é conhecido dos fãs de Agatha, e se deparam com diversos casos que tem os Quatro Grandes como responsáveis.

O livro é ótimo e tem tudo o que se pode esperar: revelações surpreendentes, suspense e um ótimo desfecho. É o tipo que você começa a ler e não quer largar porque a leitura flui deliciosamente (e porque o imenso ego do Poirot sempre rende momentos divertidos e ótimas risadas. Destaque para o momento da queda da árvore. Deixei você curioso? Era essa a idéia). Os capítulos curtos e a trama em constante evolução contribuem para essa ânsia de continuar lendo até chegar a ultima página. Em nenhum momento você se sente enrolado pela autora ou desestimulado pelo rumo dos acontecimentos. Tudo, até mesmo os mais insignificantes comentários, tem uma função na corrida contra a quadrilha e uma explicação que, quando revelada, parece até mesmo óbvia, mas que até aquele momento não nos ocorria.

Assim como nenhum criminoso é páreo para as células cinzentas de Hercule Poirot, nenhum escritor policial é páreo para Agatha Christie. “Os Quatro Grandes” é ótimo como todos os livros da autora e posso dizer que é o melhor dela que eu li nesse ano.

Título: Os Quatro Grandes
Autora: Agatha Christie
Nº de páginas: 204
Editora: L&PM

sábado, 24 de setembro de 2011

Quem vem para o jantar?

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Para iniciar minha participação aqui no blog decidi fazer algo diferente. Não é uma resenha, não discorre sobre um livro específico ou mesmo sobre um autor ou gênero literário. A idéia partiu de algo que li há certo tempo (uma crônica ou uma reportagem, não lembro ao certo) que fazia a instigante pergunta: “Se você pudesse jantar com um personagem da literatura qual seria?” Difícil, não? Eu pensei muito, mas leitora ávida que sou desde criança, me deparei com inúmeras lembranças de personagens que me marcaram, nas mais diferentes épocas e pelas mais diferentes razões, e não consegui me decidir por um único apenas, escolhendo dois que, curiosamente, saíram da literatura e foram para o cinema. São eles Hercule Poirot e Hannibal Lecter.


Começando com a mais inusitada das minhas escolhas e com o espanto que possa causar, e possivelmente com a vergonha que eu deveria ter de dizer, arrisco confessar que a-do-ro o doutor “Canibal” Lecter. Nascido da imaginação do escritor Thomas Harris e protagonista de três livros “Dragão Vermelho”, “O Silêncio dos Inocentes” “Hannibal” e posteriormente um quarto onde é narrada sua juventude “Hannibal – A Origem do Mal” o psiquiatra mais brilhante e assustador da literatura foi imortalizado no cinema pelo magnífico Anthony Hopkins.
Para aqueles que conhecem o Dr. Lecter não deve ser tão difícil de entender porque esse personagem me provoca certo fascínio. Elegância, inteligência e brilhantismo são apenas algumas das características dele que me ocorrem. A fineza aliada à frieza com que ele age me confunde e me causa admiração, ao mesmo tempo. Psiquiatra, profundo conhecedor da natureza humana, com gosto refinado e desprezo por toda e qualquer demonstração de falta de educação, seu único problema é o alternativo gosto que tem para alimentação. A maldade se confunde ao pensamento de que, na verdade, está prestando um serviço para a sociedade com sua atividade canibal e assusta leitores e platéias em todo o mundo há trinta anos (se considerarmos a publicação do primeiro livro), além de assombrar Clarice Starling em seus sonhos, tenho certeza.
Para aqueles que não conhecem a trajetória do médico canibal eu aconselho que se deixam assustar, e encantar, a começar pelo filme “O Silêncio dos Inocentes” que, para mim, continua sendo o melhor filme da série mesmo depois de acompanharmos Lecter nas adaptações cinematográficas de outros livros. Em relação ao livro, confesso que minha experiência não foi, nem de longe, tão interessante. Thomas Harris tem uma narrativa lenta que não me agradou na ocasião da leitura e não me estimulou a ler mais do que um capítulo por vez (o que é estranho e vergonhoso para mim). Ainda assim, pretendo dar mais uma chance ao escritor e, um dia, ler mais algum de seus livros e das aventuras do Dr. Lecter. De qualquer forma, Harris merece reconhecimento por ter criado um personagem único e complexo, capaz de provocar reações das mais diversas.


Andando agora em terras menos sombrias, mas tão interessantes quanto, falo sobre meu grande herói: o perfeccionista detetive belga Hercule Poirot.
O mais famoso personagem criado pela eterna Rainha do Crime Agatha Christie é um detetive baixinho que usa um bigode inconfundível, trajes sempre impecáveis, é extremamente detalhista, não tem nada de modéstia e soluciona os mais intrigantes crimes. Porém engana-se quem pensa que Poirot é o tipo de detetive “cão buldogue” como ele mesmo fala. Aquele que se ajoelha no chão com uma lupa à procura de pistas e pegadas, muito semelhante ao imortal Sherlock Holmes criado por Arthur Conan Doyle. A principal ferramenta de Poirot são suas “células cinzentas” com as quais trabalha, de preferência no conforto de sua casa, muitas vezes montando castelo de cartas, buscando encontrar uma explicação para as pistas obtidas pelos “farejadores” da polícia.
Adepto da “ordem e método” e dotado de uma mente atenta a todos os detalhes, nada passa despercebido a Poirot e nada além da verdade e do encaixe perfeito de todos os fatos lhe satisfaz. Meu herói desde a adolescência, o detetive belga traz elegância e humor aos inteligentes livros de Agatha Christie (de quem sou fã incondicional, como os que me conhecem bem sabem), presente em mais de 40 livros da escritora, entre eles alguns de seus maiores sucessos como “O Misterioso Caso de Styles”, “O Assassinato de Roger Ackroyd”, “Morte no Nilo” e “Assassinato no Expresso do Oriente”.


Difícil escolha de companheiro de jantar, não é mesmo? Ambos elegantes e inteligentes. Ambos fascinantes e prometem grandes ensinamentos. Sendo assim, convido os dois distintos senhores para jantar com a condição que o Dr. Lecter aceite minha tradicional refeição com carne animal e Monsieur Poirot não a recuse caso não esteja disposta simetricamente no prato. Alguém se habilita a jantar conosco?
 

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