Li a sinopse de Budapeste há alguns anos e o livro imediatamente entrou na minha lista de leituras, embora nem lembre exatamente o que me atraiu. Além dos inúmeros elogios, a obra ganhou importantes prêmios da literatura nacional, de modo que minha expectativa estava em alta.
José Costa é um talentoso ghost-writter que, após terminar de escrever a biografia de um empresário alemão, embarca rumo a Budapeste. Em sua jornada, Costa divide-se entre cidades, amores e palavras, enquanto enfrenta uma crise criativa e até mesmo existencial.
Inicialmente, a narrativa de Chico Buarque me pareceu absolutamente singular e incomparável com a de qualquer outro autor. Porém, a partir de certo momento, fiquei com a impressão que a narrativa em si era mais importante do que a estória, o que de fato fez sentido no contexto da obra, mas ao findar da leitura fiquei com uma sensação de vazio.
Em sendo narrado em primeira pessoa, é esperado que o texto esteja em consonância com o espírito do narrador-protagonista. O problema é que José se vê em um impasse existencial e seus pensamentos se mostram confusos e, muitas vezes, desconexos. Outra coisa que estranhei é a ausência absoluta de "diálogos tradicionais" (leia-se: marcados com travessão ou aspas), os quais foram inseridos na narrativa.
Há uma dualidade que permeia todo o livro, a qual foi, inclusive, muito bem representada na capa. Budapeste e Rio de Janeiro. Húngaro e Português. Kriska e Vanda. Pisti e Joaquim. Porém, fiquei com a sensação de que esta dicotomia apenas está presente, mas que nada agrega a obra.
"Tenho esse ouvido infantil que pega e larga línguas com facilidade, se perseverasse poderia apreender o grego, o coreano, até o vasconço. Mas o húngaro, nunca sonhara em apreender." (BUARQUE, 2011, p. 08).
Admito que cheguei ao final do livro sem entender exatamente o que havia acontecido, sendo que foram necessários alguns dias para que eu entendesse a moral do livro, ou para, pelo menos, criar uma teoria que a explicasse.
Apesar de extremamente bem recebido pela crítica, Budapeste me soou pretensioso e audacioso. Mesmo contando com uma estória relativamente simples, o autor, de alguma forma, a complicou desnecessariamente, com a intenção de criar um livro cult e profundo. Tenho dúvidas se funcionou.
Autor: Chico Buarque
N.º de páginas: 113
Editora: Companhia das Letras



