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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

RESENHA: Bem-vindo à Casa dos Espíritos

bem vindo a casa dos espiritos
Andrew é um alcoólatra que está longe das bebidas há dez anos e também um bruxo. Anos atrás, ele roubou relíquias magicas da antiga União Soviética e as escondeu em sua casa. Com suas habilidades, conseguiu tornar sua residência invisível, além de protegê-la com inúmeros feitiços. E com o passar dos anos, sem sofrer nenhuma ameaça, Andrew se sente seguro e confortável. Até que um infortúnio coloca ele no radar de pessoas que ele deveria evitar. 

Confesso que comecei a leitura de Bem-vindo à Casa dos Espíritos um pouco receoso, pois imaginava que seria uma obra mais voltada ao terror. Entretanto, para minha surpresa e deleite, encontrei uma estória que vai mais para o lado da fantasia do que do terror propriamente dito. É claro que em algumas partes da estória há momentos de tensão, que deixam o leitor com o coração na mão, mas em nenhuma ocasião fiquei com medo. 

Um dos pontos altos da leitura certamente foi decifrar o sistema de magia criado pelo autor. Em Bem-vindo à Casa dos Espíritos encontramos uma magia mais dark, que conta com demônios, pessoas mortas e outras criaturas. Um dos fatores que mais me decepciona ao ler livros de fantasia é ver autores preguiçosos, que se limitam a fazer mais do mesmo. Buelhman certamente não está nesta categoria, pois criou um sistema mágico original e criativo

“A primeira regra de um combate mágico é Seja a coisa mais perigosa na luta.
Acredite e será verdade.”
(BUEHLMAN, 2018, p. 254)

Outro aspecto que me chamou atenção foi a apropriação da mitologia russa pelo autor. Confesso que não conhecia muito a respeito dos mitos utilizados por Buehlman, e inclusive acredito que alguns deles poderiam ter sido melhor explicados. Entretanto, achei genial a forma como o autor se apropriou do folclore russo para a composição da estória. 

A narrativa de Buehlman é extremamente fluida e me surpreendi com a quantidade de páginas que li no primeiro dia, mesmo já estando cansado e sem ânimo para a leitura. Além disso, o texto do autor é muito visual — mas sem ser descritivo em excesso —, de modo que o leitor acaba sendo tragado pelo cenário, sentindo estar ao lado do protagonista. 

Andrew é um protagonista interessante e multifacetado, mas que não tem aquele brilho a mais e creio que por isso não me conectei tanto com a estória quanto gostaria. Ainda assim, é preciso dizer que os personagens foram bem desenvolvidos e que fogem do lugar-comum e dos clichês do gênero. 

O desfecho conta com alta doses de adrenalina e com embates de tirar o fôlego. O autor caprichou nas cenas de ação, transportando o leitor para dentro das cenas de modo que é impossível interromper a leitura. Também é preciso dizer que existem algumas reviravoltas bastante surpreendentes na reta final. 

Bem-vindo à Casa dos Espíritos foi uma boa leitura, que conseguiu inovar no gênero e contar uma boa estória. Não digo que tenha se tornado o melhor livro de fantasia que já li, mas certamente leria outros livros do autor. 

Título: Bem-vindo à Casa dos Espíritos
Autor: Christopher Buehlman
N.º de páginas: 
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

RESENHA: Calamidade

Calamidade Brandon Sanderson
Na minha opinião, a trilogia Executores é uma das melhores séries de fantasia da atualidade e eu estava com expectativa em alta para conferir Calamidade, o último livro da saga. E o mais impressionante de tudo é que Brandon Sanderson não apenas atingiu minhas expectativas, mas conseguiu superá-las

ATENÇÃOa sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS do livro anterior. O restante da resenha é spoiler free. 

Os Executores estão sem recursos, sem aliados e sendo perseguidos por um Alto Épico. Mas David acredita que descobriu como impedir que os Épicos sejam corrompidos por seus poderes. E para testar a teoria, eles vão para Ildithia, uma cidade de sal, com um plano ousado e com potencial de sobra para dar errado. 

Já mencionei diversas vezes como acho a série Executores original, criativa e genial. Mas dessa vez, Sanderson me surpreendeu ainda mais do que eu esperava, pois é impossível não ficar impressionado com a inteligência do autor, que pensou em absolutamente todos os aspectos desse universo. É incrível ver como o autor consegue explorar todo o potencial do universo que criou, fornecendo as respostas que o leitor esperava. 

A evolução do protagonista é palpável ao longo da saga. No início vemos um David mais irresponsável e consumido por vingança, mas desta vez vemos ele está agindo de forma mais racional e “pé-no-chão”. Suas responsabilidades entre os Executores também aumentam, fazendo com que ele assuma um papel de destaque no grupo. 

“Era um sentimento comum; tentar explicar Épicos com ciência era enlouquecedor, no melhor dos casos. Quando os Estados Unidos aprovaram o Ato de Capitulação, que declarou os Épicos isentos do sistema jurídico, um senador explicou que não deveríamos esperar que leis humanas fossem capazes de subjugá-los quando eles não obedeciam nem mesmo as leis da física.
Mas, tolo ou não, eu ainda queria entender. Eu precisava que fizesse sentido.”
(SANDERSON, 2018, p. 59)

Como esperado, Calamidade é o tipo de livro que te faz emergir completamente na estória e que você simplesmente não sente as páginas virarem. Além do ritmo intenso, o livro conta com altas doses de ação e adrenalina, fazendo com que o leitor fique sem fôlego do início ao fim. Nem é preciso dizer que o desfecho é uma verdadeira montanha russa de emoções, que me deixou com o coração na boca. 

Inicialmente, eu imaginava que a série Executores se enquadraria apenas no gênero da fantasia. Porém, em Calamidade vemos que o autor flertou com elementos da ficção-científica e acertou em cheio, criando uma mistura exótica e deliciosa. Outro aspecto que merece destaque é o domínio de Sanderson sobre a estória, pois vemos como elementos do primeiro e segundo livros são relevantes para a conclusão da saga. 

A meu ver, Sanderson é um dos poucos autores que tem a habilidade necessária para escrever uma série. É incrível ver como cada livro da saga tem estória própria, mas também faz parte de algo maior. Enquanto isso, a maioria das séries que vejo por aí contam com estórias ralas, desnecessariamente estendidas, e que só foram escritas em mais de um volume por fins comerciais. 

Calamidade fechou uma série incrível com a chave de ouro e que colocou definitivamente Brandon Sanderson entre os meus autores favoritos. Uma obra com um universo riquíssimo e bem elaborado, e que ainda conta com personagens construídos com esmero, uma trama impecável e uma estória eletrizante. Sem a menor sombra de dúvidas, Executores foi a melhor série de fantasia que li nos últimos anos. 

Título: Calamidade
Autor: Brandon Sanderson
N.º de páginas: 381
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

RESENHA: O Ladrão de Raios

O Ladrão de Raios Percy Jackson
Começo esta resenha dizendo que sim, tenho consciência de que estou alguns anos atrasados. Após anos de muita curiosidade, consegui vencer o meu receio em iniciar mais uma série e finalmente conferi o primeiro volume da série Percy Jackson e os Olimpianos.

Percy Jackson é um garoto de doze anos com dislexia e déficit de atenção, que passou por seis escolas nos últimos seis anos. De alguma forma, ele é um imã para problemas e enrascadas improváveis. É então que ele descobre que os deuses gregos não são apenas mitos, sendo ele mesmo filho de um deles. E pior: sua primeira missão será recuperar o raio-mestre de Zeus, antes que uma guerra entre as divindades coloque a humanidade em risco. 

O Ladrão de Raios é narrado em primeira pessoa pelo protagonista, e o texto de Riordan é extremamente fluído e bem humorado. Além disso, o livro é dinâmico e conta com um bom ritmo, o que deixa o leitor envolvido com a estória do primeiro ao último capítulo. 

Percy é aquele herói improvável com o qual todos se identificam. Longe de ser perfeito, mas com o coração no lugar certo, sempre pronto para agir, mesmo que muitas vezes por impulso e sem pesar as consequências. Além de esbanjar carisma, a narrativa em primeira pessoa foi a chave para que o leitor criasse uma conexão quase que instantânea com o protagonista

Eu trouxe você para um destino de herói, e um destino de herói nunca é feliz. Não passa de um destino trágico.” (RIORDAN, 2014, p. 356)

Um dos aspectos que sempre me chamou atenção nos livros escritos por Riordan era a abordagem da mitologia com pano de fundo de suas obras. E tendo lido O Ladrão de Raios, reconheço que é preciso tirar o chapéu para o autor por sua criatividade: Riordan explora a mitologia grega, mas também a mescla com elementos do século XXI.

Como esperado de um livro infanto-juvenil de fantasia, O Ladrão de Raios conta com alguns clichês do gênero: um grupo de amigos, a figura do mentor, a missão do escolhido, os poderes do antagonista, e assim sucessivamente. Entretanto, tais clichês não ofuscam a originalidade da estória. 

Admito que já havia assistido ao filme há alguns anos, e mesmo sabendo quais seriam os rumos da estória, não perdi o interesse na leitura em nenhum momento. Creio que por causa deste fator também achei o final do primeiro livro um pouco previsível. 

Também é preciso dizer que O Ladrão de Raios não apenas tem uma estória própria, com início, meio e fim; mas também serve como um excelente livro introdutório para a série, apresentando não apenas personagens, cenário e universo, mas também deixando ganchos promissores para as continuações. 

Minha expectativa era encontrar uma leitura leve, divertida e descompromissada, e foi exatamente isso que encontrei em O Ladrão de Raios

Título: O Ladrão de Raios (Percy Jackson e os Olimpianos)
Autor: Rick Riordan
N.º de páginas: 385
Editora: Intrínseca

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sábado, 7 de julho de 2018

RESENHA: A Bússola de Ouro

a bússola de ouro philip pullman
Lyra é uma criança órfã de doze anos que vive na Faculdade Jordan. De lá ela acompanha os rumores sobre o Pó, as expedições para o norte, os pesquisadores mortos e as crianças desaparecidas. Mas quando seu amigo, Roger, desaparece, ela decide que irá encontra-lo. E para isso contará com a ajuda de feiticeiras, ursos e de um poderoso instrumento que responde a qualquer pergunta com a verdade. 

O grande acerto de A Bússola de Ouro é a apresentação de sua protagonista. Lyra é uma garota destemida, ousada, teimosa, aventureira e fiel aos seus amigos, sendo impossível não se apegar a ela logo nos primeiros capítulos. Os demais personagens também são bem desenvolvidos, merecendo destaque o urso Iorek, o lorde Asriel e a sra. Coulter. 

A narrativa é em terceira pessoa, mostrando, principalmente, o ponto de vista de Lyra. O texto de Pullman é mediano, não contando com grandes atributos, tampouco defeitos. Porém, registro que em alguns momentos a narrativa me pareceu muito descritiva, o que é um fator que sempre me desagrada. 

Também preciso admitir que o livro demorou a me envolver. O início da estória parece patinar, dando a impressão de que nada de relevante está acontecendo. Foi apenas na reta final que a trama ganhou um novo fôlego e prendeu minha atenção. Aliás, tenho dúvidas se de fato eram necessárias as mais de trezentas páginas para o desenvolvimento da estória. 

Mas não se pode mudar o que a gente é, só o que a gente faz.” (PULLMAN, 2017, p. 271)

Apesar de ser um livro infanto-juvenil, achei a trama relativamente complexa e fiquei com a impressão de que o autor não tinha total domínio sobre a estória. Isso por que durante vários momentos da leitura me parecia que a trama não estava completamente amarrada e que a estória perdia o rumo. 

O universo criado pelo autor é muito criativo e original, ficando claro que sua obra, inclusive, serviu de inspiração para outros escritores. Porém, fiquei com a sensação de que este mundo tinha mais potencial a ser desenvolvido, o que provavelmente ficou reservado para os demais livros da série. 

Ao findar a leitura de A Bússola de Ouro, fiquei com uma curiosa sensação: há muitos aspectos positivos e poucos defeitos a serem apontados, entretanto, a estória não me impactou, nem me deixou com vontade de continuar a leitura da série, apesar dos inúmeros e promissores ganchos deixados para a sequência. No fim das contas, talvez o maior pecado do livro é que ele seja absolutamente introdutório. 

A Bússola de Ouro é o primeiro livro da série Fronteiras do Universo

Título: A Bússola de Ouro
Autor: Philip Pullman
N.º de páginas: 341
Editora: Suma
Exemplar cedido pela editora

sábado, 19 de maio de 2018

RESENHA: Todos os Pássaros no Céu

Todos os passaros no ceu Charlie Jane Anders
Todos os Pássaros no Céu me chamou atenção pela promessa de mesclar fantasia com ficção científica. E embora o livro conte com os elementos destes gêneros, a estória não entregou exatamente o que eu esperava. 

Quando crianças, Patrícia descobre a magia, enquanto Laurence a tecnologia. Ambos são crianças excluídas e ignoradas na escola, de modo que aos poucos eles se aproximam e se tornam amigos. A amizade não resiste, mas dez anos depois eles se reencontram e o mundo está prestes a terminar em uma batalha entre a ciência e a magia. E cada um deles está de um lado do tabuleiro. 

O primeiro aspecto a ser destacado são os protagonistas. Ambos contam com famílias desestruturadas, além de enfrentarem bullying nos corredores da escola. Assim, tanto Patrícia quanto Laurence convivem com essa pesada carga emocional e buscam um futuro melhor por vivenciarem e se desenvolverem neste cenário adverso. 

Durante as primeiras cento e setenta páginas, acompanhamos os protagonistas durante sua infância/adolescência, e a sensação que tive durante esta parte da leitura foi de “mal necessário”. Ou seja, fiquei com a impressão de que para entender o cerne da estória, precisávamos conhecer tais eventos, mesmo que eles não fossem muito interessantes. O problema é que além dessa parte ser um pouco entediante, ela também peca por transmitir a ideia de um livro extremamente juvenil, sendo que posteriormente a estória assume um tom mais adulto, causando uma discrepância perceptível de estilos narrativos. Creio que se a autora tivesse optado por utilizar flashbacks, estes problemas poderiam ter sido evitados. 

“— Sabe ... não importa o que você faça, as pessoas sempre vão esperar que você seja alguém que não é. Mas se for esperta, sortuda e se ralar de trabalhar, vai se cercar de pessoas que esperam que você seja a pessoa que gostaria de ser.” (ANDERS, 2017, p. 211)

Mas o que realmente me incomodou é que, mesmo após o “mal necessário”, a estória continuou a dar a impressão de que estava patinando. Por um lado, vemos uma evolução dos personagens, sendo interessante ver como suas vidas voltam a se cruzar tantos anos depois e o impacto que causam um no outro. Entretanto, a leitura se tornou maçante por que parecia que nada estava acontecendo, inexistindo um senso de progressão da estória. Além disso, outros aspectos da estória não são convincentes o suficiente, porém, não vou entrar em detalhes para evitar spoilers. 

Outro aspecto um pouco frustrante foi a ausência de um melhor desenvolvimento do sistema mágico. Não entendemos por que, em determinados momentos, Patrícia consegue evocar magia e em outros não. Posteriormente, depois que ela frequenta a escola de magia, recebemos algumas explicações sobre o assunto, mas as mesmas são extremamente superficiais. 

No fim das contas, quando encerrei a leitura, cheguei à conclusão de que a autora não tinha uma ideia clara de qual seria a estória que desejava contar, de modo que optou por atirar para todos os lados e, evidentemente, não acertou em nenhum alvo. 

Todos os Pássaros no Céu é o típico caso de uma ideia promissora que teve uma execução fraca

Título: Todos os Pássaros no Céu
Autora: Charlie Jane Anders
N.º de páginas: 474
Editora: Morro Branco

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

RESENHA: Prince of Thorns

Prince of Thorns Trilogia dos Espinhos
Quando criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato de sua mãe e irmão mais novo. Entretanto, em vez de vingança, o rei selou um acordo comercial com os responsáveis pela morte da rainha e do filho. Tomado por ódio e desejo de vingança, Jorg foge da corte e passa a liderar uma irmandade de mercenários. Na estrada, o príncipe descobre o mundo e a guerra, perdendo os últimos vestígios de sua inocência. 

A narrativa de Prince of Thorns é em primeira pessoa, a partir do ponto de vista de Jorg, sendo que somos jogados dentro de sua mente sedenta por vingança e poder. Em um primeiro momento, me causou certo estranhamento a personalidade quase psicopática do protagonista, porém, com o desenvolver da estória entendemos quais são seus motivos e como ele se tornou uma pessoa tão fria. 

Como esperado, o primeiro livro da trilogia tem a tarefa de introduzir personagens e cenário, de modo que senti que a estória demorou um pouco para começar de verdade. De toda forma, o texto de Lawrence é fluido, sendo que a leitura não se torna cansativa em momento alguma. E quando a ação propriamente dita começa, esteja preparado para prender o fôlego. 

O cenário de Trilogia dos Espinhos é bastante criativo, porém, o leitor não recebe grandes explicações sobre este universo. Alguns pontos — que foram essenciais para o desenvolvimento da estória no primeiro livro — permaneceram bem “nebulosos” e imagino que serão esclarecidos nos próximos livros. 

“Quando estiver em dúvida, deixe o ódio dominá-lo. Normalmente eu rejeitaria esse conselho. Ele faz um homem ser previsível. Mas ali, naquele salão miserável de ossos, era tolice se preocupar. O ódio era o que eu tinha para me aquecer.” (LAWRENCE, 2017, p. 146)

Quanto ao desfecho, fiquei bastante surpreso com um plot twist que chegou na hora certa para apimentar a trama. Entretanto, fiquei incomodado que o protagonista tenha dependido da sorte para conseguir alcançar seu objetivo, o que me pareceu uma escolha preguiçosa por parte do autor. 

Admito que também esperava ver mais magia ao longo da estória. Ela aparece em alguns momentos, mas ainda não entendemos como funciona, havendo apenas insinuações sobre a forma que os magos conquistaram este tipo de poder. 

Prince of Thorns foi um início promissor e certamente irá agradar aqueles que gostam de livros sobre jogos de poder. Seguindo a jornada de um anti-herói inescrupuloso e que faz de tudo para alcançar seus objetivos, Lawrence criou uma obra de fantasia diferente de tudo o que já vi neste gênero.

Esta edição (caprichadíssima, diga-se de passagem) conta com os três livros da Trilogia dos Espinhos: Prince of Thorns, King of Thorns e Emperor of Thorns

Título: Trilogia dos Espinhos Omnibus
Autor: Mark Lawrence
N.º de páginas: 925
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

RESENHA: Um Encontro de Sombras

Um encontro de sombras - V.E. Schwab
Há muito tempo eu não me aventurava em uma boa fantasia. Quando li “Um tom mais escuro de magia” acreditei ter em mãos uma saga promissora, com bons personagens e um mundo cheio de conflitos interessantes. Cabia a “Um encontro de sombras” desenvolver o que havia sido apresentado no primeiro livro. 

Há quatro meses, Kell escolheu unir sua vida a do seu irmão, Rhy, a fim de salvá-lo, mas desde lá o clima não está muito bom entre a família real na Londres Vermelha. Na mesma noite, Delilah Bard se afastou do Antari para continuar suas aventuras e descobrir a sua relação com a magia. Agora, com a aproximação de um torneio de magia - Os Jogos Elementais – os perigos podem se intensificar e os caminhos se cruzar novamente. Enquanto isso, na Londres Branca, um novo rei surge disposto a tudo para reconstruir o reino.

Quando terminei “Um tom mais escuro de magia”, eu não tinha a menor ideia do que esperar do segundo livro, principalmente porque os três grandes vilões estavam mortos. Isso só aumentou as minhas expectativas. Afinal, se o autor tem coragem de matar grandes personagens no início é porque ele sabe que sua história sobrevive sem eles e que há muito mais para ser explorado. O mundo criado por V.E Schwab sem dúvida é promissor a esse ponto. As quatro Londres e suas relações com a magia, o relacionamento dos irmãos Kell e Rhy, a misteriosa (e cheia de atitude) Lila e seus poderes adormecidos eram ingredientes que a autora poderia manipular como o melhor dos Antari e construir uma grande saga. Mas infelizmente, seu segundo livro se mostrou preguiçoso.

Durante as primeiras trezentas páginas (que correspondem a mais da metade do livro), a autora move as peças a fim de dar início aos Jogos, criando expectativa para a importância destes. Isso não só começa a se tornar cansativo a partir de certo ponto, como se mostra uma total decepção quando vemos que os jogos nada mais são do que algumas batalhas que não têm consequência nenhuma para a história. O único aspecto relevante dos jogos é mostrar a evolução da relação de Lila com a magia (que de fato é algo importante e o mais interessante desde segundo livro), mas isso é algo que poderia ser feito de inúmeras outras formas, enquanto o torneio pareceu uma solução preguiçosa em uma história que, sem ter praticamente trama, tenta usar de cenas de batalhas para empolgar seu leitor.

“Todos estamos aqui por uma razão, Bard. Apenas acontece que algumas razões são maiores do que outras. Então acho que eu não tenho medo de quem você é ou mesmo do que você é. Estou com medo da razão por que você está aqui.” (SCHWAB, 2017, p. 237)

Aliás, essa demora em engrenar a trama foi algo que também comentei sobre o primeiro livro, mas lá era totalmente justificado, já que a autora precisava de tempo para apresentar esse mundo para o leitor, algo que não se aplica ao segundo livro.

E o que aconteceu com o mistério que cerca Lila? Sim, neste livro ela começa a explorar a magia, mas não é o fato de a personagem ter poderes que é interessante e sim o seu histórico e as consequências de ela desenvolver esse poder em um mundo que respira magia (sendo que outros mundos foram consumidos por ela).

Quanto a Kell, o Antari também me decepcionou. Sim, ele continua uma alma atormentada, mas neste livro seus conflitos deixaram de ser seus e passaram a estar ligados apenas a Rhy. Tanto o personagem foi engolido que inclusive a sua função como Antari e mesmo as suas atividades ilícitas foram totalmente eliminadas para dar lugar ao torneio.

Mas o que mais me incomodou é que tudo que acontece em “Um encontro de sombras” poderia acontecer em qualquer mundo (afinal, a trama desde livro se resume a uma série de batalhas e um vilão se aliando a alguém para destruir o mocinho), enquanto o que é específico das quatro Londres criadas por Schwab é desperdiçado pela autora. O renascimento da Londres Branca é, sem dúvida, um aspecto interessante que não ganha espaço nenhum a não ser pelas últimas 30 páginas para as quais a autora reserva um cliffhanger previsível.

Um encontro de sombras” usa dos personagens que nos conquistaram no livro anterior, mas sem saber o que fazer com eles, entregando uma história quase vazia que se estende por muito mais páginas do que o necessário. A típica Maldição do Segundo Livro.

Título: Um encontro de sombras
Autora: V.E Schwab
N° de páginas: 558
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora 

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

RESENHA: Tormenta de Fogo

Tormenta de Fogo Executores Brandon Sanderson
Coração de Aço foi uma das melhores leituras que fiz em 2016 e, por isso mesmo, Tormenta de Fogo se tornou uma das maiores expectativas literárias para esse ano. E o segundo livro da série Executores provou mais uma vez que Brandon Sanderson é um dos melhores autores de fantasia da atualidade.

ATENÇÃOa sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS do livro anterior. O restante da resenha é spoiler free. 

A obsessão de David virou realidade: o épico Coração de Aço foi derrotado. Mas, e agora? Se sentindo perdido e assombrado por perguntas que não consegue responder, David acompanha Prof para Babilônia Restaurada, antigamente conhecida como Manhattan. Lá ele encontra uma cidade que foi alagada e que é governada pela poderosa Realeza, uma épica que consegue controlar a água de formas inimagináveis. Além disso tudo, David tem seu próprio plano: reencontrar Tormenta de Fogo. 

Se no primeiro livro o que havia se destacado era a originalidade da premissa, desta vez fiquei impressionado com a genialidade do autor. O mundo criado por Sanderson se mostrou ainda mais complexo, e percebemos que as informações que sabíamos em Coração de Aço eram apenas a ponta do iceberg. Assim, fica claro que o autor planejou absolutamente tudo nos mínimos detalhes, o que lhe permitiu explorar a fundo as possibilidades deste universo. 

Outro aspecto que merece destaque é o aprofundamento psicológico dos personagens. David passou anos estudando os épicos, tentando descobrir formas de derrota-los a fim de colocar um ponto final em seus domínios. Mas em Tormenta de Fogo o protagonista percebe que a linha que separa os Executores — grupo destinado a matar épicos tiranos — dos próprios épicos é extremamente tênue.

“Meu estômago se revirou. Atirar na cabeça de alguém enquanto a pessoa dormia? Não parecia muito heroico Mas eu não disse nada, e mais ninguém disse também. No fundo, éramos assassinos, e fim de história.” (SANDERSON, 2017, p. 125)

A narrativa é viciante e extremamente envolvente, apesar de contar com um ritmo mais lento em alguns poucos momentos. Também merece destaque os momentos de humor que permeiam o texto, funcionando como uma válvula de escape para o clima de tensão que cresce ao longo da estória. Apesar da coragem e determinação em deter os épicos, David é uma pessoa completamente sem noção em algumas situações, o que gera momentos hilários e que arrancam gargalhadas do leitor. 

A trama foi perfeitamente amarrada, o que revela o completo domínio do autor sobre a estória. Aliás, chama atenção a habilidade do autor em inserir diversas informações relevantes ao longo do texto, mas que passam batidas. Assim, quando as peças do quebra cabeça começam a ser juntadas, percebemos que as pistas estavam na nossa frente. 

O final é frenético, ganhando doses extras de ação e adrenalina. Preciso registrar que o autor optou por um rumo completamente inesperado, deixando o leitor com o coração na mão nas últimas páginas do livro. E como esperado, os ganchos para o próximo livro são absurdamente promissores. 

Mais uma vez Sanderson entregou um livro com uma trama inteligente, personagens bem construídos e uma estória que prende a atenção do leitor do início ao fim. E depois de mais uma experiência de leitura inesquecível, posso afirmar com convicção que Executores se tornou minha série de fantasia preferida da atualidade. E por isso mesmo, mal posso esperar para conferir Calamidade, o terceiro e último livro da série.

Título: Tormenta de Fogo
Autor: Brandon Sanderson
N.º de páginas: 374
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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sábado, 9 de setembro de 2017

RESENHA: Noturno

Noturno Scott Sigler DarkSide Books
O detetive Bryan Clauser começa a ter pesadelos vividos sobre assassinatos brutais. Porém, para sua surpresa, os pesadelos são reais e as pessoas foram mortas exatamente da mesma forma que em seus sonhos. Assim, Bryan e Pookie, seu parceiro, começam a investigar as mortes e descobrem segredos sombrios da cidade de São Francisco. Porém, quanto mais tentam desencavar a verdade, mais resistência encontram. 

Noturno começa como um típico livro policial, com cena do crime, autopsias e investigações. Mas quando a trama começa a se desenvolver, elementos fantásticos vão sendo adicionados. E quando a investigação de Bryan e Pookie os leva a acreditar em uma conspiração, o livro ganha contornos de thriller em virtude da busca alucinada dos detetives pela verdade. A mistura de policial, fantasia e thriller foi inédita para mim e Sigler soube mesclar todos os gêneros com maestria. 

Um aspecto interessante da obra — mas que talvez frustre alguns leitores — é que não temos respostas completas sobre o mundo sobrenatural de Noturno. Isso por que enquanto a investigação se desenrola, vamos formando um grande quebra-cabeça, porém, nem mesmo os detetives encontram respostas para todas as questões. Entretanto, cabe salientar que tais aspectos são meros detalhes, pois a essência deste mundo é bastante complexa e foi habilmente desenvolvida

Admito que, durante o início da leitura, demorei para me envolver com a estória. E mesmo que os acontecimentos fossem interessantes, parecia que pouca coisa estava efetivamente acontecendo. Mas em determinado ponto, quando as primeiras peças começam a se encaixar, Sigler consegue atiçar a curiosidade do leitor e, como se não bastasse, o ritmo da estória se torna mais intenso, prendendo a atenção. 

Quanto aos personagens, confesso que não simpatizei muito com Bryan, especialmente quando demonstrou reações exageradas para um evento que não me pareceu tão relevante assim. Já Pookie compensou no carisma, além de ser o alívio cômico da estória, me levando a gargalhar por diversas vezes. O antagonista da estória foi muito bem construído e entendemos exatamente o que motiva suas ações.

“‘Não sou’, disse Bryan. ‘Não sou um assassino.’
Pookie ergueu as sombrancelhas.
‘É? Tem certeza disso?’
Bryan abriu a boca para responder, mas não saiu som nenhum.
Porque quando parou para pensar, não tinha certeza alguma.” (SIGLER, 2017, p. 78)

O texto do autor é bastante fluído, entretanto, preciso registrar que houve uma certa repetição de ideias que poderia ter sido evitada. Por exemplo, se um personagem estava com raiva ou arrependido, o autor insistia neste ponto, afirmando e reafirmando tais sentimentos em diversos capítulos. Creio que se não fossem essas repetições, o texto teria ficado ainda mais dinâmico e envolvente. 

O final, apesar de um ou outro clichê, conta com uma dose extra de ação e adrenalina, fazendo com que o leitor fique sem fôlego. Além disso, o autor consegue amarrar todas as pontas da trama, criando um desfecho plausível e coerente com o desenvolvimento da estória e com a evolução dos personagens. 

Noturno foi uma leitura que demorou a engrenar, mas, depois que engrenou, me envolveu completamente e não consegui mais largar o livro. Com uma trama complexa, bons personagens e texto envolvente, Noturno se mostrou uma ótima forma de ser introduzido a obra de Scott Sigler. 

Título: Noturno
Autor: Scott Sigler
N.º de páginas: 499
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

RESENHA: Um tom mais escuro de magia

“Kell sempre se pegava falando com a magia. Não comandando, mas simplesmente conversando. A magia era algo vivo, isso todos sabiam. Mas ele sentia algo mais, como se ela fosse uma amiga, alguém da família. Afinal, era parte dele (muito mais do que da maioria das pessoas), e Kell não conseguia evitar a sensação de que a magia sabia o que ele estava dizendo, o que estava sentindo. E não apenas quando a invocava, mas o tempo inteiro, em todas as batidas de seu coração e a cada respiração.” (SCHWAB, 2016, p.34)

Desde o surto ocorrido na Londres Preta, e que levou ao isolamento desta, Kell é um dos últimos Antari, magos com a capacidade de viajar entre as Londres fazendo a troca de correspondências entre as realezas de cada uma. A sua é a Londres Vermelha, onde a magia corre pelas ruas, mas há também a Londres Cinza, sem magia, e a Londres Branca, governada por dois irmãos ambiciosos onde nem sempre a magia é usada para o bem. Nas horas vagas, Kell também é um contrabandista que consegue mercadorias para colecionadores e entusiastas de mundos mágicos que eles nunca poderão conhecer. Em uma dessas transações, um artefato perigoso vem parar nas mãos de Kell: uma pedra que carrega o tipo de poder típico da Londres Preta. Um tipo de magia que se fez de tudo para que fosse destruída. Para evitar que a pedra faça mal a alguém ou caia em mãos erradas, Kell decide que o melhor a fazer é levar o artefato de volta ao seu lugar de origem, mesmo que isso seja uma missão praticamente impossível. No caminho, ele encontrará Lila, uma ladra da Londres Cinza que fará de tudo para viver uma grande aventura.

A magia presente no mundo de “Um tom mais escuro de magia” se aplica também as suas páginas. De que outra forma é possível explicar que o livro cative imediatamente nas primeiras linhas antes mesmo de a história começar? São os seus personagens que ainda nem conhecemos? São os seus quatro mundos paralelos que ainda nem entendemos? É a narrativa fluida que ainda mal tivemos oportunidade de experimentar? Se a resposta não for magia, então é a deliciosa combinação de todos esses elementos.

É verdade que a história em si demora um pouco a começar (eu diria que isso acontece mesmo por volta da página 300), mas é perfeitamente compreensível visto que a autora precisa de tempo para apresentar a mitologia deste mundo. É preciso tempo para entendermos as peculiaridades de cada Londres, entendermos a relação que cada uma delas tem com a magia (na Londres Preta, a magia se tornou mais forte que as pessoas; na Branca, magia é sinônimo de poder e domínio; na Vermelha, a magia é uma coisa maravilhosa; e na Cinza a magia é um sonho, algo que se imagina como é, mas não se tem como saber ao certo).

Também é preciso tempo para que sejamos apresentados aos nossos protagonistas e como é bom conhecer personagens promissores como Kell e Lila. Kell tem sua lealdade definida, mas ao mesmo tempo é um solitário. Ele é um dos únicos que pode estar em todos os lugares, mas sente que não pertence a lugar nenhum. A sua é a Londres Vermelha, onde ele é respeitado e reverenciado, mas mesmo lá ele se sente um forasteiro já que, quando criança (quando foi descoberto que era um Antari), ele foi levado a viver com a família real que o criou como a um filho, mas ele nunca se sentiu de fato parte da família, apesar de todos fazerem o possível para isso. Neste núcleo surge também outro personagem carismático: Rhy, o príncipe que tem Kell como um irmão, que é amado pela população e que dedica boa parte do seu tempo a curtir a vida e encontrar novas (e novos) envolvimentos amorosos.

Lila é ainda mais promissora. Pouco sabemos sobre o seu passado e, neste primeiro livro, fica no ar a sensação de que há muito mais para se descobrir do que a própria personagem sabe sobre si mesma. Além disso, Lila é aquele tipo de personagem cheia de vida. Audaciosa, corajosa, atrevida e irônica são alguns dos adjetivos que podem ser aplicados a ela.

Ainda sobre os personagens, outra coisa que me agradou foi a autora não forçar um romance entre os protagonistas, embora deixe no ar que isso possivelmente irá acontecer nos próximos livros. Aqui não temos paixões fulminantes que surgem do nada e roubam desmerecidamente o espaço que deveria ser dedicado à aventura e à fantasia. Aqui temos uma relação que está nascendo em meio a uma situação perigosa e que poderá, ou não, tomar rumos românticos, mas que se manterá em segundo plano diante  da missão que os dois personagens tomaram para si. Ao menos é o que parece e é o que eu espero. 

Mas talvez o aspecto mais interessante seja a maneira como a autora aborda o poder da magia. Não se trata apenas do poder para realizar feitiços e encantamentos, mas sim do poder que a própria magia tem. Nessas Londres, a magia tem vontade própria e se não for bem controlada pelos humanos poderá assumir o comando e controlá-los.

Na Bienal do Livro do Rio de Janeiro deste ano, a editora Record fará o lançamento do segundo livro da trilogia, contando com a participação da autora. Eu estou bastante curiosa para ver os rumos que a história irá tomar, já que vejo este livro (como quase todo o primeiro livro de uma trilogia) mais como uma introdução a este mundo e não exatamente como o desenvolvimento de uma trama. Também fico extremamente curiosa para finalmente sentir um gostinho da Londres Preta (confesso que esse isolamento me trouxe lembranças do Distrito 13 de “Jogos Vorazes”) e para ver quais serão os desafios dos protagonistas agora que três maravilhosos vilões foram postos fora da jogada (foram mesmo?). “Um tom mais escuro de magia” é, certamente, uma saga promissora.

Título: Um tom mais escuro de magia
Autora: V.E. Schwab
N° de páginas: 418
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

RESENHA: Belas Maldições

“Isso era o que alguns humanos achavam difícil de entender. O Inferno não era um grande reservatório de maldade, não mais do que o Céu, na opinião de Crowley, era uma fonte de bondade; eles eram apenas lados no grande xadrez cósmico. Onde se encontrava a coisa em si, a verdadeira graça e a verdadeira treva da maldade, era bem no interior da mente humana.” (PRATCHETT, GAIMAN, 2017, p. 80) 

***

O mundo está chegando ao fim. Mas o demônio Crowley e o anjo Aziraphale, que vivem na Terra desde o início da criação, acham o Armagedom um evento inconveniente. Para impedir o fim do mundo, eles precisam localizar o anticristo, uma criança de onze anos. No caminho deles, encontrarão Anathema Device, a descendente da bruxa Agnes Nutter, que escreveu o único livro com profecias precisas sobre o fim do mundo. 

A primeira observação que preciso fazer é sobre a originalidade da premissa de Belas Maldições. Pratchett e Gaiman subvertem absolutamente tudo o que já ouvimos falar sobre o apocalipse, criando não apenas uma estória engraçada, mas também repleta de reflexões sobre a religião.  

A improvável amizade entre Crowley e Aziraphale também merece destaque, sendo que as interações entre eles eram hilárias. A meu ver, eles eram os personagens mais interessantes da estória, porém, não ganharam tanta atenção quanto eu imaginava. Isso por que a estória é bastante pulverizada, contando com vários núcleos e inúmeros personagens, alguns com pouca importância para o desenvolvimento da trama. 

"As Justas e Precisas Profecias" escritas por Agnes Nuter eram, para dizer o mínimo, bastante inusitadas. A verdade é que Agnes, uma mulher do século XVII, tinha vislumbres de um futuro que ela não entendia e o interpretava de acordo com seu conhecimento. Assim, os autores deixam clara a crítica sobre as mais variadas interpretações que podem ser feitas de qualquer texto religioso. 

O núcleo liderado por Adam, o anticristo, foi de longe o mais insosso. Isso por que Adam é apenas uma criança, sendo que ele e seus amigos ocupam-se de atividades eminentemente infantis, como esperado. Até é compreensível por que os autores optaram por fazer do anticristo uma criança, porém, não me pareceu necessário tanto enfoque neste núcleo. 

Apesar das situações inusitadas e do bom humor constante que permeia o texto, admito que a estória me pareceu subaproveitada, pois seus melhores aspectos tiveram que dividir espaços com outros elementos menos interessantes. Por causa disso, a leitura teve altos e baixos, o que acabou afetando meu envolvimento com a trama.  

Belas Maldições é um livro com uma premissa original e inusitada e que entrega uma leitura leve e despretensiosa, além de interessantes reflexões.

Título: Belas Maldições
Autores: Terry Pratchett e Neil Gaiman
N.º de páginas: 349
Editora: Bertrand Brasil
Exemplar cedido pela editora 

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terça-feira, 6 de junho de 2017

RESENHA: Deuses Americanos

— [...]. Pouco tempo depois, nosso povo nos abandonou, passou a nos tratar apenas como criaturas do Velho Mundo, como algo que não os havia acompanhado até sua nova vida. Nossos verdadeiros fiéis morreram ou pararam de acreditar, e nós, perdidos, assustados e desemparados, fomos obrigados a sobreviver com qualquer resquício de adoração e fé que encontrássemos. E a sobreviver da melhor forma possível.” (GAIMAN, 2016, p. 140). 

***

Neil Gaiman é um dos autores mais renomados da atualidade e suas obras colecionam prêmios, além de encantar público e crítica. Neste ano, um de seus livros mais aclamados, Deuses Americanos, deu origem ao seriado American Gods e o trailer me deixou com a convicção de precisava ler a obra o quanto antes. 

Shadow está prestes a ser libertado da prisão e tudo o que deseja é reencontrar sua esposa, Laura. Porém, ela se envolve em um acidente de carro e por causa do funeral, Shadow é solto com antecedência. A caminho de casa, ele conhece Wednesday, um homem misterioso que lhe oferece um emprego. Assim, os dois partem em uma viagem pelos Estados Unidos, na qual Shadow descobrirá que deuses são reais e que uma batalha pelo poder de não ser esquecido está para começar. 

A premissa do livro é fantástica, original e extremamente criativa. Gaiman nos mostra novas facetas de deuses conhecidos da mitologia e também nos faz perceber quais são os deuses do século XXI: a televisão, o dinheiro e a tecnologia. O embate entre eles poderia ter sido épico, mas infelizmente não foi. Isso por que nem só de uma boa premissa é feito um livro e, a meu ver, Gaiman falhou na execução. 

O primeiro ponto que me causou muito estranhamento foi a apatia do protagonista. Sim, eu entendo que Shadow passou por um evento traumático e que ele tem dificuldade em lidar com seus sentimentos. Mas seu envolvimento com Wednesday o leva por uma estrada repleta de ocorrências sobrenaturais e o personagem parece aceitar todos elas, por mais bizarras que sejam, sem o menor sinal de descrença ou dúvida. 

Mas o calcanhar de Aquiles de Deuses Americanos certamente é a falta de acontecimentos. Shadow e Wednesday partem em uma espécie de road trip para aliciar deuses para a batalha e mais da metade do livro se limita a isso: Shadow conhecendo e interagindo com deuses, porém, não há um efetivo desenvolvimento da trama. Assim, por páginas e mais páginas, Gaiman apenas patina na estória, prometendo uma batalha épica mas nunca chegando lá. E quando um livro tem mais de quinhentas páginas, a ausência de agilidade não apenas é sentida com intensidade, mas também torna a leitura monótona e frustrante. Sinceramente, creio que a estória de Deuses Americanos não precisava de mais de trezentas páginas para ser contada. 

Outro fator que me incomodou foi o fato de Gaiman dedicar alguns capítulos para apresentar deuses antigos e mostrar como eles levam suas vidas no novo mundo. Tratam-se de estórias interessantes e de personagens riquíssimos, os quais, todavia, não são explorados, visto que seus caminhos não cruzam com o do protagonista. Então, se eles não fariam parte da estória, exatamente qual a necessidade de introduzi-los? 

O desfecho é previsível de um lado, mas extremamente surpreendente de outro. É preciso admitir que a trama criada por Gaiman é absolutamente genial, sendo que nunca passou pela minha mente o caminho que o autor iria seguir. Entretanto, após uma leitura tão arrastada, não houve genialidade que pudesse salvar o livro. 

Deuses Americanos foi uma leitura frustrante. Isso por que Gaiman tinha absolutamente tudo em mãos: uma premissa incrível, bons personagens e uma trama inteligente. Porém, pecou ao focar a maior parte da estória naquilo que era menos interessante. Uma escolha sem justificativas e que, por mais que eu me esforce, não consigo entender. 

Título: Deuses Americanos
Autor: Neil Gaiman
N.º de páginas: 574
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 28 de maio de 2017

[Fantasia] para quem não gosta de [fantasia]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou uma nova coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

1. Harry Potter

Sim, a série Harry Potter é a primeira da minha lista de indicações para quem não gosta de fantasia. Isso por que a saga do bruxinho mais famoso da literatura não é apenas uma estória sobre feitiços, poções e magia. J.K. Rowling criou um mundo fantástico — extremamente complexo e repleto de possibilidades, diga-se de passagem — que serve de pano de fundo para discutir questões muito mais importantes, tais como amizade, amor, ódio, integridade, preconceito, justiça, e tantos outros. Então, muito mais do que um mero livro juvenil ou de fantasia, vejo Harry Potter como a saga de três jovens amigos que crescem em um cenário conturbado e que optam não apenas por resistir ao mal, mas combatê-lo com todas as suas forças. Sinceramente, se eu tivesse que fazer uma aposta sobre qual livro da nossa geração tem mais chances de se tornar um clássico, meu dinheiro certamente estaria na obra-prima de J.K. Rowling. Isso por que Harry Potter fala de temas universais, com os quais todos podem se identificar, e tenho certeza que as aventuras desse trio continuará inspirando e emocionado leitores por muito tempo.

A premissa de pessoas comuns que descobrem superpoderes e fazem enormes sacrifícios pessoais para garantir a segurança do mundo já foi usada tantas vezes que me surpreendo em continuar vendo livros, séries e filmes explorarem esta ideia. Felizmente, Brandon Sanderson inverteu o clichê: e se as pessoas comuns que recebessem superpoderes se tornassem ditadores maquiavélicos e não se importassem com nada além da satisfação de suas vontades? Como se não bastasse a lufada de originalidade, o primeiro livro da série, Coração de Aço, mescla ação, aventura e suspense com muito humor, uma narrativa extremamente fluída e envolvente, além de personagens extremamente bem construídos. A literatura fantástica sempre me empolgou por ser um mundo de infinitas possibilidades, mas, infelizmente, o que eu estava encontrando nos últimos tempos era mais do mesmo. Creio que justamente por isso apreciei ainda mais a obra de Sanderson, que conseguiu explorar todo o potencial que sua estória tinha a oferecer. E a boa notícia é que o segundo livro da trilogia, Tormenta de Fogo, tem previsão de lançamento para junho. 

Também não poderia deixar de citar a obra épica de George Martin, embora seja a série que indico com reservas. Sim, Martin é audacioso, cria tramas complexas, nos surpreende com reviravoltas empolgantes e não tem medo de um banho de sangue. Mas seus livros são densos, alguns são extremamente descritivos e chegam a ser monótonos, então não irão agradar a todos. Mas por que indico estes calhamaços para quem não gosta de fantasia? Por que a meu ver As Crônicas de Gelo e Fogo são, acima de qualquer outra coisa, uma estória sobre os jogos de poder e os elementos fantásticos apenas fazem parte daquele mundo, mas não constituem o cerne da obra. Eu li apenas os quatro primeiros livros e achei que os elementos fantásticos foram explorados de forma bem superficial até o momento, o que apenas reforça minha teoria. Então, se você não tem medo de livros grandes e gosta da temática de jogos de poder, creio que As Crônicas de Gelo e Fogo é uma boa pedida. 



sábado, 6 de maio de 2017

RESENHA: Abominação

Abominação Gary Whitta
Em Abominação, somos levados para o reino de Wessex, o único da Inglaterra que não sofreu com as invasões vikings, pois seu rei, Alfredo, negociou um acordo de paz com os nórdicos. Porém, com medo de que eles rompessem o pacto, Alfredo autoriza o arcebispo da Cantuária a experimentar feitiços que encontrou em velhos pergaminhos e que podem criar um exército invencível. Mas quando tudo sai de controle, o rei convoca o único cavalheiro em quem confia, Wulfric, para executar o plano de contingência.

A primeira observação que preciso fazer diz respeito a própria sinopse, que apresenta apenas a premissa da primeira parte da estória, que correspondem a cerca de cem páginas. Não é possível falar mais sem correr o risco de dar spoilers. Entretanto, acrescento que é a partir do desenvolvimento destes elementos que Whitta chega ao verdadeiro cerne da estória. 

A narrativa de Whitta é envolvente, e logo emergimos no mundo de Abominação. E como prometido, de fato há muito sangue na estória: são batalhas e perseguições de tirar o fôlego e que fazem o coração bater mais rápido. Whitta é um roteirista premiado e isso fica claro em seu texto, que é extremamente visual e poderia ser facilmente adaptado para as telonas.

“Foi então que percebeu. A garota lhe parecia tão estranha, tão perturbadora porque falava uma língua que quase havia esquecido. Da empatia. Da tolerância. Da compaixão. Esteve em território inexplorado por tanto tempo que se sentia deslocado, ainda que a compulsão pela redescoberta fosse um anseio ancestral, arraigado, algo mais poderoso que o instinto que lhe dizia para fugir.” (WHITTA, 2017, p. 238). 

Porém, um aspecto do texto me desagradou e não sei se atribuo a responsabilidade ao autor ou ao tradutor. Ao longo da obra, há diversas palavras que destoam da narrativa por serem rebuscadas demais, tais como “carbúnculo”, “bazófia”, “rubicundas” e “cambaia”. O problema é que estas palavras causavam tanto estranhamento que interrompiam a fluidez do texto. 

Para quem é fã do seriado Vikings e espera encontrar sacrifícios, menções a Odin e Thor e quem sabe uma águia de sangue, sinto desapontá-los. A verdade é que Abominação se passa no mesmo período histórico das invasões nórdicas, as quais servem de pano de fundo à estória, mas não representam um elemento significativo para o desenvolvimento da trama. 

Quanto à magia, ela basicamente se limita aos feitiços descoberto pelo arcebispo, os quais são utilizadas como pontapé inicial da estória. Ao longo da obra há algumas menções à magia, mas não a vemos em prática com muita frequência. Apesar de entender a opção do autor, e até mesmo concordar com ele, confesso que gostaria de ter visto um cenário um pouco mais desenvolvido. 

Apesar de ser previsível em alguns momentos, Whitta me surpreendeu com a parte principal da estória. Mesmo que tenha resvalado em alguns clichês, o autor conseguiu desenvolver seus personagens, indo muito além da dicotomia “mocinhos” versus “vilões”. Aliás, é através de seus personagens que o autor consegue provocar diversas reflexões acerca da natureza e do caráter do ser humano. 

Abominação é uma obra original e, principalmente, repleta de ação. Embora não tenha chegado ao patamar de uma obra memorável, certamente é um prato cheio para quem gosta de fantasia

Título: Abominação
Autor: Gary Whitta
N.º de páginas: 313
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora.

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domingo, 8 de janeiro de 2017

RESENHA: No Limite da Loucura

“Eu tinha poder, literalmente. Precisava me lembrar. Eu era maior e mais forte que qualquer fantasma que cruzasse meu caminho. Isso ainda não havia me ocorrido. Eles deveriam me temer. E eu nunca tinha sido amedrontadora para ninguém.” (JOHNSON, 2016, p. 95). 

***

O primeiro volume da série Sombras de Londres se mostrou como uma inusitada e surpreendente mistura de young adult, fantasia e policial, de modo que mal podia esperar para conferir a continuação. Entretanto, No Limite da Loucura não conseguiu repetir a formula bem sucedida de seu antecessor.

ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS de O Nome da Estrela, primeiro volume da série Sombras de LondresO restante da resenha é SPOILER FREE.

Depois de seu exílio em Bristol, Rory retorna a Londres e volta a frequentar Wexford, onde aconteceu seu último encontro com o imitador de Jack, o Estripador. Além do trauma, Rory precisa lidar com seus novos poderes e ainda ajudar na investigação de uma nova onda de crimes que atormenta a cidade. 

O primeiro ponto que chama atenção é o fato de que a trama se encontra extremamente dispersa. O livro conta não apenas conta os ganchos deixados pelo livro anterior, mas também introduz novos arcos, de forma que falta não apenas unicidade, mas um fio condutor que guie a estória. Assim, a impressão que eu tinha era de que muita coisa estava acontecendo ao mesmo tempo em que estória parecia não estar avançando. 

Johnson também falha no desenvolvimento do suspense, pois as opções que tomou ao longo da estória se mostraram as mais previsíveis, de modo que não consegue surpreender o leitor. Me pareceu que a autora notou tal deslize e, para apimentar a obra, recorreu a reviravoltas desesperadas, que além de forçadas, tampouco surpreenderam. 

O envolvimento romântico da protagonista também não convence. Me causou muito estranhamento a forma como esse romance surgiu do nada, ficando claro que a autora optou por tal recurso apenas para que determinado evento causasse um impacto maior. 

Apesar de todo o desenvolvimento da estória ter parecido como um carro desgovernado, no desfecho Johnson pareceu ter retomado o controle. Foi apenas nas últimas páginas que a autora conseguiu amarrar algumas pontas da trama e ainda encerrar a obra com um promissor desfecho. 

A verdade é que No Limite da Loucura sofreu da “maldição do segundo livro” e se tornou o que costumo chamar de “livro ponte”, cujo objetivo é tão somente fazer a ligação entre o primeiro e o terceiro livro da série, pois conta com uma estória vazia, não tendo elementos suficientes para se manter por conta própria. 

Assim, No Limite da Loucura é um livro que apenas promete, mas que não entrega. A verdade é que Johnson deu o passo maior do que a perna e, ao tentar atirar para todos os lados, conseguiu a façanha de não acertar nenhum alvo. Sinceramente, tenho dúvidas se terei ânimo para ler os próximos volumes da série. 

Título: No Limite da Loucura (exemplar cedido pela editora)
Autora: Maureen Johnson 
N.º de páginas: 304
Editora: Fantástica Rocco

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

RESENHA: Coração de Aço

Coração de Aço Executores Brandon Sanderson
Brandon Sanderson é um dos autores de fantasia mais aclamados da atualidade, tanto pelo público, quanto pela crítica. Há anos desejava ler alguma obra de sua autoria para confirmar se os elogios eram merecidos e a premissa de Coração de Aço, primeiro livro da série Executores, logo me chamou atenção.

Alguns seres humanos foram agraciados, por motivos desconhecidos, com poderes incríveis. Conhecidos como Épicos, eles se tornaram uma força incontrolável e passaram a dominar cidades, obedecendo apenas a própria vontade e subjugando os demais. David, com apenas oito anos de idade, viu seu pai ser assassinado por Coração de Aço — um Épico capaz de transformar tudo o que não é vivo em aço —¸ e desde então deseja se vingar. Mas, para isso, precisará da ajuda dos Executores, um grupo rebelde especializado em matar Épicos.

É impossível não começar essa resenha sem elogiar a originalidade da premissa: superpoderes que dão origem a supervilões (e não a super-heróis), os quais derrubam governos e se tornam ditadores. Sanderson também acerta em cheio na criação do complexo universo da série, mostrando criatividade de sobra e mantendo distância dos clichês do gênero. 

A narrativa é extremamente envolvente, sendo que em poucos capítulos o leitor já está imerso na estória e rapidamente se vê cativado por David, o protagonista e narrador. Além do senso de humor que se reflete no texto — e que me levou as gargalhadas diversas vezes —, David é um personagem denso, que apresenta diversas camadas e evolui a olhos vistos ao longo do desenvolvimento da trama.

“Eu sei, melhor do que qualquer outra pessoa, que não há heróis vindo nos salvar. Não há Épicos bons. Nenhum deles nos protege. O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.” (SANDERSON, 2016, p. 21). 

Apesar da sinopse poder dar a impressão de que a série se trata de uma releitura da “batalha do bem contra o mal”, ressalto que Sanderson vai muito além disso, criando nuances e dando profundidade ao que poderia ser um clichê, mas ficou muito longe disso. Apesar de não ser o foco principal da obra, o autor também consegue fazer o leitor refletir sobre alguns temas, como justiça, vingança e poder. 

O desfecho é de tirar o fôlego, contando com uma combinação perfeita de reviravoltas, ação e adrenalina e ainda amarra perfeitamente todas as pontas soltas da trama. Chama atenção o fato que Sanderson já fornece diversas respostas, o que deixa o leitor refletindo sobre os possíveis caminhos que a estória pode tomar. Além disso, os ganchos para a continuação são promissores. 

Quando comecei a ler Coração de Aço, esperava encontrar uma leitura fácil e despretensiosa, mas Sanderson entregou muito mais do que isso e me impressionou a cada capítulo. Personagens bem construídos, universo original e uma trama concatenada com maestria provam que o autor faz jus a cada elogio. E depois dessa montanha russa de emoções, tudo o que tenho a dizer é que mal posso esperar para conferir os próximos livros da série Executores

Além de Coração de Aço, a série Executores é composta por Tormenta de Fogo e Calamidade

Título: Coração de Aço – livro 1
Autor: Brandon Sanderson
N.º de páginas: 375
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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