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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

RESENHA: Will Gallows e o Troll Barriga de Serpente

“— Você é doido, garoto. Volte para a escola, antes que eu chame o goblin gazeteiro!
— Tenho catorze anos — respondi, engrossando a voz. — Não vou mais à escola. 
— Desistiu de estudar para ser um matador de aluguel.
— Tipo isso, mas prefiro ser chamado de caçador de recompensas. Como eu disse, não sou assassino.” (KEILTY, 2014, p. 09).

***

Will Gallows e o Troll Barriga de Serpente foi enviado ao blog em uma ação do Grupo Editorial Record e assim que li a sinopse fiquei interessado, afinal, qualquer livro que se proponha a misturar gêneros diferente ganha minha atenção imediata. 

Will é um adolescente meio elfo e meio humano, filho do xerife suplente de Minerópolis que foi assassinado pelo troll Noose Wormworx. Decidido a fazer justiça, Will e sua égua, Raio Lunar, irão até Fenda Mortal, onde o troll se esconde. 

A primeira coisa que chama atenção em Will Gallows e o Troll Barriga de Serpente é como o autor soube mesclar os elementos de fantasia, faroeste e aventura. Apesar de gêneros distintos, a mistura se mostrou criativa e extremamente original.

A narrativa de Keilty é dinâmica e ágil, e sendo um livro relativamente curto, é possível lê-lo de uma só vez. O primeiro volume da série consegue introduzir tanto os personagens e o ambiente, quanto desenvolver a estória propriamente dita. As ilustrações feitas por Jonny Duddle são um diferencial da obra. 

Will Gallows e o Troll Barriga de Serpente é claramente um livro juvenil, tanto pela simplicidade dos personagens e da trama, quanto pela linguagem mais acessível. Apesar disso, admito que me surpreendi com algumas reviravoltas que a estória sofreu, sendo que os ganchos para a continuação da série se mostraram promissores.

Aproveito para ressaltar que alguns livros juvenis conseguem transcender seu público, como é o caso de Extraordinário com sua incrível lição de vida. Embora Will Gallows e o Troll Barriga de Serpente tenha um público mais limitado, creio que aqueles que desejam uma leitura leve e descontraída também apreciarão a obra. 

Título: Will Gallows e o Troll Barriga de Serpente (exemplar cedido pela editora)
Autor: Derek Keilty
N.º de páginas: 213
Editora: Bertrand Brasil

quarta-feira, 4 de junho de 2014

RESENHA: O Lírio Dourado

"Quando se passa a maior parte do tempo vivendo entre vampiros e meio-vampiros, transportando-os para que consigam sangue, e ocultando a existência deles do resto do mundo... bem, isso meio que dá uma perspectiva diferente da vida. Já havia presenciado batalhas sangrentas entre vampiros e visto proezas mágicas que desafiavam todas as leis da física que eu conhecia. A minha vida era uma luta constante para reprimir meu medo do inexplicável e tentar, desesperadamente, encontrar uma maneira de explicá-lo." (MEAD, 2013, p. 07/08). 

***

Após a leitura de Laços de Sangue, estava curioso para ver como Richelle Mead daria sequência a saga da alquimista Sydney Sage, e mesmo conhecendo o potencial da autora, admito que me surpreendi da primeira a última página. 

ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS de Laços de Sangue, primeiro volume da série BloodlinesO restante da resenha é SPOILER FREE.

Sydney permanece em Palm Springs, sendo responsável por manter Jill Dragomir, a princesa Moroi,  a salvo de qualquer perigo a fim de evitar uma guerra civil entre os vampiros e suas nefastas consequências. Além disso, Sydney igualmente dá suporte a uma equipe que busca descobrir uma forma de impedir a transformação em Strigoi, uma raça de vampiros cruéis e imortais.

Para aqueles que acompanham muitas sagas ao mesmo tempo ou que não possuem a melhor das memórias (ou, ainda, os que se encaixam em ambas as hipóteses, como este que vos fala), trago uma boa notícia. Nos primeiros capítulos a autora tem a sensibilidade de relembrar os principais eventos do livro anterior, o que situa o leitor no contexto da série.

A primeira coisa que salta aos olhos em O Lírio Dourado é a narrativa extremamente envolvente, ponto este que sempre destaco nas resenhas das obras da autora. Porém, neste livro Mead conseguiu se superar, me obrigando a ler mais de duzentas páginas no primeiro dia de leitura e admito que apenas a interrompi porque não consegui vencer o sono para ler mais.

Creio que uma das razões que tornou a narrativa de Mead ainda mais viciante foi o ritmo da estória. Ao contrário do primeiro livro da saga, O Lírio Dourado conta com doses muito maiores de ação e reviravoltas, as quais não se concentram apenas no final da obra. Além disso, o desenrolar da trama se dá numa cadência crescente, aumentando a expectativa do leitor a cada capítulo. 

Ainda me espanta a facilidade com que a autora mescla inúmeros elementos distintos. Apesar da obra ser eminentemente de fantasia, Mead consegue temperá-la com aventura, suspense, humor e romance, entretanto, sem forçar tais elementos para dentro da estória. 

Sydney continua sendo uma protagonista ímpar. Sua mente extremamente analítica consegue perceber todos os fatos que se passam ao seu redor, mas ela se mostra ignorante no que diz respeito as interações sociais. O crescimento da personagem também chama atenção, principalmente quando as situações que ela vivencia em virtude de sua missão colocam em xeque valores e princípios dos alquimistas, nos quais ela acreditou por toda sua vida. 

Fica claro que Mead demonstra ter completo domínio sobre a estória. A linha mestra da série está em franco desenvolvimento, mas, paralelamente a isso, também há uma linha mestra para o livro em si. Como sempre podemos esperar da autora, os ganchos deixados para as sequências são dos mais promissores e aumentam ainda mais a expectativa para o próximo volume da série, O Feitiço Azul

Minha única crítica se resume a insistência da autora em deixar pistas sobre algo que eu já suspeitava que iria acontecer desde o primeiro volume. Não que tais indicativos não fossem necessários mas, ao errar na dosagem, Mead "estragou" a surpresa.  

Nunca estive tão convencido de que Richelle Mead é o tipo de escritora que sabe o que faz. Muitos criticam as temáticas que a autora aborda ou a alta quantidade de sua produção literária (em 2013, Mead publicou três livros), mas a verdade é que seus personagens são cativantes, seu texto é viciante e sua imaginação não tem limites. E isso é mais do que suficiente para fazer um leitor feliz. 

Título: O Lírio Dourado – Bloodlines 2 (exemplar cedido pela Editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 418
Editora: Seguinte

sexta-feira, 16 de maio de 2014

RESENHA: A Corte do Ar

" Mas e o amor?  perguntou Molly. 
 Essa é a maior mentira de todas.  retorquiu Fairborn.  Um comichão biológico que a avisa que chegou a hora de começar a fazer pequeninas cópias de você. Além de enfraquecer o seu corpo, devasta a sua beleza. Acredite no que digo a você, Molly, se alguma vez houve um príncipe encantado à nossa espera em um cavalo, deve ter se perdido em alguma parte do caminho. O amor é como a gripe de inverno: desaparece gradualmente depois da estação." (HUNT, 2013, p. 59). 

***

Estava decidido a não dar início a leitura de novas séries até não terminar as pendências constantes na minha estante. Todavia, abri uma exceção para A Corte do Ar pois sua sinopse prometeu uma fusão de inúmeros elementos promissores. Infelizmente, ficou só na promessa. 

Após Molly testemunhar um brutal assassinato, a garota foge para salvar sua vida. Mas seus perseguidores estão decididos a não deixá-la escapar, o que levanta a pergunta: por que ela é tão importante? Por sua vez, Oliver é acusado de ter assassinado seu tio, seu único parente, e para não ser enviado para prisão ou manicômio, só lhe resta fugir na companhia de um infame agente da Corte do Ar. 

O maior problema de A Corte do Ar é que o autor simplesmente joga o leitor em um mundo desconhecido, sem explicar absolutamente nada. Paradoxalmente, Hunt despeja informações, todavia, estas são muito avançadas se consideramos que o leitor nada sabe sobre Chacália (o local onde se passa boa parte da estória). É como esperar que uma criança recém alfabetizada consiga ler Shakespeare. Não estou dizendo que seja necessário mastigar tudo para o leitor ou que não seja válido segurar algumas revelações para um momento posterior, mas a sensação de estar "perdido" me seguiu até o findar da leitura. 

O início é eletrizante, mas algumas páginas depois a estória já começa a derrapar. Os protagonistas vão de um lugar a outro a esmo e sem o menor propósito, o que me deixou com a impressão que o autor não sabia para que lado deveria conduzir a estória ou como unir os diversos arcos que a trama apresentava. E até que o autor não revele o motivo pelo qual Molly e Oliver estão sendo perseguidos, a monotonia é o lema de ordem. 

Felizmente, os órfãos são personagens interessantes, com personalidades fortes e que cativam o leitor. Entretanto, estranhei que os dois mal se conhecem durante todo livro, sendo que tal relação não merece ser caracterizada nem mesmo de amizade. Outro fato que também me causou estranheza foi a repentina evolução dos protagonistas, que se deu de uma hora para a outra e não em um processo. 

A narrativa de Hunt é enfadonha e parece andar em loop perpétuo. O autor se atém a detalhes insignificantes ao invés de dar seguimento a estória, o que faz com que o leitor logo perca o interesse pela leitura e se distraia facilmente. 

O desfecho não empolgou, tampouco respondeu a maioria das minhas indagações. Ou, se respondeu, não entendi, o que não é de todo improvável se considerado que achei este um dos livros mais confusos que li nos últimos tempos. 

Se partirmos da premissa que o primeiro volume de uma saga serve para introduzir o leitor a seu mundo, apresentar seus personagens e, sobretudo, mantê-lo interessado na sequencia da estória, é meu dever alertá-lo que A Corte do Ar falha quase que completamente em todos os aspectos. 

Admito que este foi meu primeiro contato com o gênero steampunk, e não saberia precisar se meu problema foi com a obra em si, com o gênero ou se com ambos. Segundo o jornal The Time, Hunt revolucionou o steampunk, então, se você gosta do gênero, talvez consiga apreciar a obra.

Título: A Corte do Ar (exemplar cedido pela Editora) 
Autor: Stephen Hunt 
N.º de páginas: 537
Editora: Saída de Emergência

sexta-feira, 21 de março de 2014

RESENHA: A Tormenta de Espadas

“— Mantenha sempre seus inimigos confusos. Se nunca estiverem seguros de quem é ou do que quer, não podem saber o que é provável que faça em seguida. Às vezes, a melhor maneira de confundi-los é fazer coisas que não tem propósito, ou que parecem prejudicar você. Lembre-se disso, [...], quando começar a jogar o jogo.
— Que ... que jogo?
— O único jogo. O jogo dos tronos.” (MARTIN, 2011, p. 630)
***


Procrastinei a leitura de A Tormenta de Espadas por mais de dois anos em virtude do tamanho do livro. O primeiro e o segundo volume levaram, em média, três semanas para serem lidos, e quando se é blogueiro isso é muito tempo por dois motivos: o blog precisa ser atualizado, sendo quase imprudente investir tanto tempo em apenas um livro; e além disso, livros que recebemos de parceria tem preferência sobre os demais. Admito que comecei a ler A Tormenta de Espada por impulso, sem pesar as consequências, por que se pensasse demais iria adiar a leitura mais uma vez. Hoje só me arrependo de não ter agido por impulso antes.

ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS. O restante da resenha é SPOILER FREE.

A guerra pelo trono continua. Um rei foi derrotado, mas Joffrey, Robb e Stannis continuam com a espada na mão, prontos para continuarem as batalhas, e neste momento fazer alianças se mostra ainda mais fundamental. Enquanto isso, a Patrulha da Noite está determinada a enfrentar os selvagens e a proteger a Muralha de quaisquer invasores; e do outro lado do mar Daenerys se prepara para retornar a sua terra natal.

Na resenha de A Fúria dos Reis mencionei que George Martin deveria ser um exímio jogador de xadrez, pois demonstrava uma habilidade fora do comum ao montar as estratégias de cada rei. Mais uma vez usarei tal metáfora, mas com um enfoque diferente: o terceiro volume da saga é como um jogo de xadrez, começa um pouco lento, mas quando chega a seu ápice cada jogada o torna ainda mais emocionante.

Atribuo o “problema” da primeira metade do livro a narrativa com múltiplos pontos de vista. Enquanto algo muito interessante está acontecendo com um personagem, a narrativa é interrompida e o “rodízio de narradores” nos leva para outro canto do reino, onde algo menos significante acontece. Não é que tais capítulos sejam ruins, mas apenas mais lineares, contando com doses modestas de ação e poucas surpresas.

Todavia, a partir da segunda metade do livro esse ritmo mais lento é deixado de lado. Cada ponto de vista se apresenta melhor do que o anterior, e muitas vezes se complementam, revelando diferentes facetas do mesmo acontecimento. Não seria exagero afirmar que as últimas trezentas páginas viram sozinhas, pois além de muitos eventos de tirar o fôlego, não faltam intrigas e manipulações.


Impossível falar sobre
As Crônicas de Gelo e Fogo sem mencionar a construção dos personagens. Martin sabe como criar personagens reais e profundos, que agem por motivos plausíveis, e que geram a empatia ou a repulsa do leitor. E não apenas isso: o autor não mantém os personagens inertes, mas os faz evoluir em consonância com o decorrer da estória. 

A narrativa é fluída e envolvente, mas nela também reside minha única crítica: em alguns momentos ela se torna descritiva em excesso. Afinal, por que razão eu teria interesse em saber qual é o estado de uma estalagem, em uma aldeia saqueada e incendiada, pela qual os personagens estão apenas de passagem?

Também comentei nas resenhas do livro anterior ter sentido falta da fantasia em si. Neste volume os elementos fantásticos estão mais presentes, mas não chegam a permear toda a estória. Na verdade, cheguei a conclusão que o verdadeiro cerne da obra sejam os jogos de poder e o quê as pessoas estão dispostas a fazer para alcança-lo. A fantasia é utilizada apenas como um meio para que as batalhas pelo domínio do reino sejam ainda mais acentuadas.

Para mim, A Tormenta de Espadas é o melhor livro da saga. O primeiro volume é mais introdutório, enquanto o segundo parece ter menos ação e um ritmo mais lento. Iniciei a leitura do terceiro livro com receio de demorar tempo demais, e no fim das contas foi o livro que li mais rápido, mesmo sendo o maior dos três.

Encerro salientando que As Crônicas de Gelo e Fogo constituem uma obra prima da literatura fantástica, e são incomparáveis a qualquer outro livro ou série do gênero. Sei que já disse duas vezes, mas sinto-me obrigado a repetir pela terceira: épico e magistral!


Título: A Tormenta de Espadas
Autor: George R. R. Martin
N.º de páginas: 840
Editora: LeYa

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

RESENHA: Jonathan Strange & Mr. Norrell

“— Vários magos — disse, gesticulando — tentaram concentrar poderes mágicos em um objeto físico. Não é uma operação difícil e o objeto pode ser qualquer coisa que o mago queira. [...]. Examinemos o caso dos anéis. Há muito consideram-se os anéis particularmente adequados a esse tipo de magia, em virtude de seu tamanho pequeno. [...] Entretanto, é raro encontrar um só mago na história que, tendo depositado parte de suas habilidade e poderes em um anel mágico, não tenha de alguma forma perdido o adorno e se metido num mundo de dificuldades para reavê-lo.” (CLARKE, 2005, p. 254).

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Todo fã de Friends deve lembrar da icônica cena do Ross cantando “I like big butts and I can not lie” para a Emma (caso não lembre, clique aqui). De minha parte, preciso admitir: “I like big books and I can not lie”. Não sei exatamente por que, mas livros grandes exercem uma atração quase sobrenatural sobre este que vos fala. E um livro com mais de oitocentas páginas, que ainda por cima é comparado a Jane Austen e J. R. R. Tolkien, é um livro que eu PRECISAVA ler.

Há muito tempo acreditava-se que a prática da magia estava extinta na Inglaterra, quando surge Mr. Norrel realizando feitos impressionantes. Tudo muda quando seu discípulo, Jonathan Strange, começa a ter opiniões contrárias a de seu mestre, ocasião em que os magos tomam caminhos distintos.

Apesar da influência dos autores citados estar presente na narrativa de Susanna Clarke, a comparação me pareceu exagerada. Austen dá vida as palavras, usando-as de uma forma cheia de significado, Tolkien, por sua vez, cria aventuras repletas de ação e perigos, transportando o leitor para seus cenários. Ambos os autores também se destacam na construção de personagens críveis e cativantes. A meu ver, afirmo que não observei nenhuma destas qualidades na obra de Clarke, que apresentou dois grandes problemas.

O primeiro foram os protagonistas, que não geraram muita empatia. Mr. Norrel é excêntrico, enfadonho e arrogante, enquanto Jonathan Strange, apesar de ser mais interessante que o outro, é um tanto insosso e sem graça. A meu ver, personagens secundários se mostraram muito mais atraentes que a dupla de magos.

Além disso, creio que qualquer autor que se disponha a escrever um livro grande deve ter em mente que é necessário manter a atenção do leitor presa do início ao fim, todavia, a leitura se mostrou arrastada e entediante a maior parte do tempo. A estrutura linear da estória, sem reviravoltas, e seu ritmo vagaroso davam a impressão que nada estava acontecendo.  

O final apresenta uma melhora significativa e a estória parece ganhar um novo fôlego, sendo que até mesmo a narrativa começa a fluir mais naturalmente. Mesmo assim, o desfecho não impressiona e ainda deixa pontas soltas, não respondendo a muitas das minhas perguntas.  

A estória de Strange e Norrell é interessante? Sem dúvidas, porém, sua pretensa grandiosidade se tornou seu calcanhar de Aquiles. Já ouviu falar que, às vezes, menos é mais? Esse era o caso. Por isso, imagino que a série inspirada na obra e produzida pela BBC, com previsão de estréia para esse ano, possa fazer jus a estória.

Título: Jonathan Strange & Mr. Norrell (exemplar cedido pela editora)
Autora: Susanna Clarke
N.º de páginas: 817
Editora: Companhia de Letras

sábado, 30 de novembro de 2013

RESENHA: Morto Até o Anoitecer

“A teoria politicamente correta — a que era apoiada publicamente pelos próprios vampiros — sustentava que este homem era vítima de um vírus que o deixou aparentemente morto por alguns dias e depois alérgico a luz do sol, prata e alho. Os detalhes dependiam de qual jornal você lia.” (HARRIS, 2009, p. 2 – tradução livre).

***

A tradução da expressão guilty pleasure seria algo como prazer com culpa. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que você gosta de algo, você sente uma pontada de culpa por gostar. Devo admitir que a minha experiência com Morto até o Anoitecer foi um guilty pleasure do início ao fim.

Como já disse, nunca gostei da temática vampiresca, porém, quando descobri que a série True Blood (inspirada na série As Crônicas de Sookie Stakehouse) misturava fantasia com suspense policial, fiquei com uma ponta de curiosidade para saber qual seria o resultado. E foi apenas Morto Até o Anoitecer que quebrou meu preconceito com estes seres tão misteriosos. 

Sookie Stakehouse é uma garçonete na cidade interiorana de Bon Temps que tem a habilidade de ouvir pensamentos alheios ou perceber suas emoções. Porém, ela se esforça ao máximo para não sentir, ouvir ou invadir a mente alheia, até que uma série de homicídios assustam a pequena cidade, fazendo com que Sookie use de seus poderes para investigar os crimes. 

Antes de tudo, preciso aplaudir Harris por sua criatividade. Em seu mundo, os vampiros “saíram do caixão” e assumem publicamente sua existência após cientistas terem desenvolvido o sangue sintético, e agora lutam para terem reconhecidos seus direitos civis. Apesar das inovações, Harris se mantém fiel a figura mais tradicional de um vampiro.

Sookie, possuidora de um dom tão incontrolável e causador de inúmeros problemas, poderia ser uma protagonista amargurada que reclama sobre seu infortúnio o tempo todo. Felizmente, ela limita-se a aceitar a telepatia, lidando da melhor maneira possível, e geralmente mantendo o bom humor.

O envolvimento entre Sookie e o vampiro Bill, apesar de ser óbvio desde o início, não deixou de ser verossímil, não soando forçado em momento algum. Apesar de não caracterizar Morto Até o Anoitecer como um livro hot, esteja preparado para algumas cenas mais "calientes", de modo que não recomendo a obra para menores de dezoito anos. 

A resolução para os assassinatos é surpreendente e inesperada, porém, sem deixar de lado uma motivação plausível e coerente com o desenvolver da trama. Não é por menos que a obra foi uma das candidatas na categoria Melhor Romance de 2001 do Agatha Award, prêmio destinado a escritores de mistério que escrevem no mesmo estilo da Dama do Crime.

Com uma narrativa envolvente e personagens carismáticos, Charlaine Harris comprova que é possível misturar sobrenatural, suspense e romance em um livro de tirar o fôlego, estreando a saga com o pé direito. 

Dados da edição brasileira
Título: Morto Até o Anoitecer - As Crônicas de Sookie Stakhouse 
Autora: Charlaine Harris
N.º de páginas: 316
Editora: Ediouro 

sábado, 16 de novembro de 2013

RESENHA: Wayne de Gotham

“Batman franziu o cenho. Havia muito ele passara a acreditar que coincidência era apenas a desculpa do idiota para um padrão ainda não compreendido.” (HICKMAN, 2013, p. 119-120).

***

Meus conhecimentos sobre Batman resumem-se, basicamente, aos filmes Batman Begins e Batman: O Cavaleiro das Trevas. Tendo por parâmetro os excelentes filmes, minha expectativa para o livro, infelizmente, não foi alcançada. 

Quando Batman se depara com um antigo diário de seu pai ele descobre um lado mais sóbrio do admirável Thomas Wayne, um médico disposto a realizar mutações genéticas para combater a criminalidade. Para descobrir a verdade, o Cavaleiro das Trevas terá que confrontar Alfred, investigar os estranhos acontecimentos que ocorreram no asilo Arkham e ainda enfrentar o Coringa.

Durante a leitura, senti uma constante dificuldade de me envolver com o livro, o que atribuo a dois fatores principais: as frequentes alterações entre passado e presente que interrompiam o fluxo da narrativa somado a um protagonista que foi deixado em segundo plano.

Apesar de o autor conseguir destacar um lado mais humano de Bruce, me pareceu que o foco da estória centrou-se muito mais no passado de Thomas Wayne. E para ser o sincero, o passado de Thomas — repleto de mistérios e intrigas — era muito mais interessante do que o monótono e confuso presente de Bruce.

Acho que esta foi a primeira vez que vi o uso de onomatopéias (Chuff, Ping, Clang, Crack, entre outras) em um livro, o que achei um tanto quanto estranho. Talvez a ideia do autor tenha sido tentar reproduzir uma experiência mais próxima a das HQs, onde o uso de tal recurso é mais comum.

O final não deixa pontas soltas, respondendo a todas as perguntas que o leitor se fez no decorrer da obra, entretanto, não foi o suficiente para surpreender ou empolgar, em virtude de seu alto nível de previsibilidade.

Por conta dos filmes, esperava encontrar um livro com mais ação, suspense e adrenalina, todavia, Hickman criou uma estória mais introspectiva e linear, tendo por objetivo desvendar a brutal verdade sobre a família Wayne.

Para aqueles que são fãs do Cavaleiro das Trevas a leitura certamente será válida. Se você não for fã, mas estiver interessado em fazer a leitura, apenas aconselho-o a não esperar por um versão em papel dos filmes estrelados por Christian Bale e dirigidos por Christopher Nolan.

Título: Wayne de Gotham (exemplar cedido pela editora)
Autor: Tracy Hickman
N.º de páginas: 270
Editora: Fantasy Casa da Palavra

terça-feira, 15 de outubro de 2013

RESENHA: Visão do Além

“Com uma agenda de trabalho tão imprevisível, tínhamos que estar prontos para pegar a estrada a qualquer momento. Os mortos poderiam esperar uma eternidade, mas os vivos estavam sempre com pressa.” (HARRIS, 2011, p. 38)

***

Após ter uma boa experiência com o livro Morto Até o Anoitecer, primeiro livro da série Sookie Stackhouse e que inspirou a série True Blood, fiquei bastante interessado na combinação entre fantasia e suspense criada por Charlaine Harris. Em Visão do Além a mistura deu liga mais uma vez.

Harper Connelly tem um dom peculiar: além de conseguir encontrar os corpos de pessoas desaparecidas, ela descobre qual foi a causa da morte. Tendo transformado o dom em emprego, ela e seu irmão, Tolliver, viajam de cidade em cidade, e é assim que chegam em Sarne, onde descobrem o que aconteceu com uma adolescente. Porém, antes que consigam terminar os negócios na pequena cidade, outra pessoa é assassinada.

A narrativa em primeira pessoa é bastante envolvente, sendo que consegue mesclar momentos tensão com cenas hilárias e até mesmo com um pouco de romance. Ressalto que mesmo partindo de uma premissa um tanto dark, o enfoque dos livro está mais nos mistérios, e não tanto no sobrenatural. Então, não se preocupe se desejar ler o livro na calada da noite.

Visão do Além é um legítimo “whodunneit”, sub gênero policial em que o objetivo é descobrir qual é a identidade do vilão. Embora a resolução do caso não seja um intricado quebra-cabeça, reconheço que Harris fez um bom trabalho, pois as pistas que deixa no caminho apontam para vários personagens, de modo a deixar o leitor em dúvida a todo instante.

Minha única crítica ao livro resume-se a motivação do assassino, pois não me pareceu o suficiente para que agisse da forma que agiu. Não estou dizendo que o vilão não tinha motivos, ou que estes não fizeram sentidos, mas apenas que poderia ter sido algo melhor trabalhado. Certamente teria sido a cereja do bolo.

Apesar de algumas semelhanças com a série Sookie Stackhouse, Harris não se limitou a fazer mais do mesmo. Visão do Além é uma leitura leve e despretensiosa, que combina mistérios com um toque de sobrenatural na medida certa. Mesmo não se comparando a grandes livros policiais, a obra com certeza é sinônimo de diversão garantida.

Título: Visão do Além (ebook cedido pela Editora Lua de Papel)
Autora: Charlaine Harris
N.º de páginas: 182
Editora: Lua de Papel

sábado, 31 de agosto de 2013

RESENHA: Hemlock Grove

“A única coisa que assustava Peter mais do que as necessidades das pessoas era uma jaula, embora, no fim das contas, qual era a diferença?” (MCGREEVY, 2013, p. 62)

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Com tantos elogios para a série homônima produzida pelo Netflix, imaginei que o livro que a originou seria uma boa opção de leitura. E embora Hemlock Grove conte com uma premissa original, esta foi mal executada.

Quando brutais assassinatos começam a acontecer na cidade de Hemlock Grove, as suspeitas logo recaem sobre os jovens Peter e Roman, motivo pelo qual a dupla decide investigar o mistério por conta própria. 

Você já teve a experiência de ouvir uma conversa entre dois advogados? Ou, quem sabe, dois engenheiros? Ou ainda dois físicos? Se sim, sabe como tais profissionais usam e abusam de termos técnicos e você, que não possui tais conhecimentos, se torna um mero expectador da conversa (ou para usar um termo mais informal: “fica boiando”).

Esta foi a sensação que tive ao ler Hemlock Grove. Parecia que os personagens interagiam sabendo o que estava acontecendo, enquanto o leitor apenas observava sem conseguir compreender os acontecimentos (ou para usar um termo mais informal: "se sente mais perdido do que cego em tiroteio").

Isso não seria um problema caso respostas fossem dadas em algum momento ou caso a jornada valesse como um todo, mas a impressão que fiquei é que o autor foi escrevendo conforme a inspiração lhe vinha — sem saber onde queria chegar —, e que ao final não procurou ver se haviam ficado pontas soltas na trama e com isso faltou coerência.

Os personagens não são cativantes, a narrativa é confusa — sendo que sequer consegui definir se foi utilizada primeira ou terceira pessoa — e, para o seu livro de estréia, Brian McGreevy cria um final decepcionante. Você até entende vagamente o que aconteceu, mas ainda assim a explicação é insossa e sem sentido.

A dura verdade que devo admitir é que Hemlock Grove não funciona como suspense, nem como terror, podendo ser classificado em fantasia apenas por contar com seres sobrenaturais. Mas fica o aviso: de literatura fantástica não tem nada, se me permite o trocadilho.

Talvez a narrativa confusa e a ausência de respostas tenha sido proposital, com intuito de deixar o leitor definir o que realmente aconteceu. Talvez a incoerência da escrita se deva à intenção de não entregar tudo mastigado ao leitor, mas revelar os detalhes sutilmente. Talvez os personagens esquisitos foram uma tentativa de adaptar para a modernidade monstros clássicos. Reconheço que o autor foi corajoso e que sua estória tinha potencial, mas, infelizmente, isso não foi o suficiente para fazê-la dar certo.

Título: Hemlock Grove (e-book cedido pela Editora LeYa)
Autor: Brian McGreevy
N.º de páginas: 281
Editora: LeYa

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

RESENHA: Wild Cards - O Começo de Tudo

“Um vírus artificial feito sob medida, projetado para interagir com a composição genética do organismo hospedeiro, disse. Ele havia participado do grupo de pesquisa. Bem, eu estava lha dando corda. Perguntei o que aquele germe fazia. E olha só: ele fazia tudo.” (MARTIN, 2013, p. 11)

***

Imagino que qualquer leitor em sã consciência que enxergar o nome de George Martin em letras garrafais na capa de Wild Cards irá parar por um momento para ler a sinopse. E lendo a sinopse, verá que se trata de uma premissa criativa e cheia de potencial. Infelizmente, a obra não entrega tudo o que promete.

Logo após o fim da 2ª Guerra Mundial, um vírus alienígena é liberado nos Estados Unidos. Além de matar milhões no primeiro dia, o vírus denominado Carta Selvagem altera o DNA dos seres humanos, criando ases (indivíduos com poderes/habilidades sobrenaturais) e coringas (indivíduos que se tornaram aberrações).

O prólogo da obra, escrito pelo próprio Martin, é interessantíssimo. De imediato somos apresentados a premissa da trama e a sucessão de eventos que irá culminar com a liberação do vírus Carta Selvagem sobre Nova York. Infelizmente, os capítulos seguintes não mantiveram o padrão. 

O grande problema do livro foi seu número excessivo de autores, o que acabou por tornar Wild Cards uma verdadeira colcha de retalhos. Embora alguns personagens reaparecessem vez ou outra, cada capítulo contava uma própria estória, com início, meio e fim. Ou seja, o livro — que conta com quase quinhentas folhas — parece não ter continuidade.

E fiquei com a impressão de que o mestre Martin percebeu o problema, visto que quando a coisa parecia sair completamente dos trilhos, ele voltava para tentar consertar.

Outro ponto franco da obra é que, contando com tantos escritores, as diferenças entre as narrativas de cada capítulo saltam aos olhos do leitor. E embora tenha contos excelentes, sinto-me obrigado a reconhecer que alguns capítulos são extremamente confusos e mal escritos.

Além de ser bem conceituada, a série conta com vinte e dois livros, o que me leva a pensar que se teve fôlego para tudo isso é porque sua qualidade deve aumentar a certa altura do campeonato.

Embora o livro não tenha me conquistado plenamente, saliento que se você é do tipo de leitor que gosta de antologias com super heróis (e possuí uma veia nerd), Wild Cards: O Começo de Tudo é uma boa opção de leitura.

Título: Wild Cards – O Começo de Tudo (e-book cedido pela Editora LeYa)
Autor: George Martin (editor)
N.º de páginas: 497
Editora: LeYa

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

RESENHA: O Destino do Tigre


“Jamais se obtém a vitória sem primeiro tomar a decisão de partir. Cada passo que você deu, cada inimigo que você venceu, cada provação que suportou, trouxe você aqui, agora, a este momento. É a véspera do seu destino.” (HOUCK, pag. 309, 2013)

Início essa resenha confessando que não tinha boas expectativas para o quarto livro dessa série que começou tão encantadora. “A Maldição do Tigre”, livro que nos apresenta Kelsey e os príncipes amaldiçoados - Ren e Kishan -, é adorável, cheio de fantasia, magia, aventuras e um romance delicioso. Porém, nos livros seguintes - “O Resgate do Tigre” e “A Viagem do Tigre” - a autora opta por salientar um triângulo amoroso forçado, que faz com que os leitores percam o carinho pelos personagens, ao invés de investir na aventura, que é o ponto forte da saga dos Tigres, e nas relações que teriam potencial para amadurecer. Com isso, os livros 2 e 3 me fizeram lamentar o rumo que a história estava tomando e acreditar que a saga dos Tigres jamais voltaria a ser o que fora no primeiro livro. E então veio “O Destino do Tigre” e eu fico feliz de dizer que estava errada.

Kelsey, Kishan e Ren estão em um momento definitivo de sua jornada. É chegada a hora de desvendar a última profecia e buscar o último presente da deusa Durga para, enfim, quebrar a maldição e recuperar a mortalidade dos príncipes amaldiçoados. No seu caminho estão criaturas mágicas, provações, perdas, escolhas difíceis e a batalha definitiva contra o feiticeiro Lokesh, borrando os limites entre passado, presente e futuro.

Em “O Destino do Tigre”, Colleen Houck surpreende respondendo - já no penúltimo livro da série - as grandes perguntas que permeiam a história, desvendando os elos que unem os personagens e selando seus destinos. A autora (em uma decisão sábia) opta por deixar o romance ligeiramente de lado e mostra que, em termos de aventura e magia, é capaz de ainda mais do que mostrou nos livros anteriores. Repleto de ótimas cenas de batalha e trazendo respostas surpreendentes e bem elaboradas, “O Destino do Tigre” não supera o primeiro livro da série, mas sem dúvida é o melhor depois dele.

Mas, como nem tudo são flores, Kelsey continua Kelsey e Ren e Kishan continuam inexplicavelmente apaixonados por ela, protagonizando diálogos clichês e dando continuidade a um relacionamento inverossímil ao extremo. Os leitores já estão acostumados com a infundada indecisão amorosa da protagonista então isso não chega a merecer tanto destaque quanto a estranheza de momentos em que parece que não apenas os dois irmãos estão apaixonados pela mesma mulher, como a dividem - como se Kelsey fosse namorada de ambos e, apesar do ciuminho, todo mundo estivesse disposto a conviver com isso. São raros os romances fictícios que me cativam, então eu posso até estar sendo radical demais (embora, sinceramente, não acredite que esteja) e até poderia compreender um triângulo amoroso composto por dois irmãos e uma mesma mulher, mas o que decepciona é que Ren e Kishan – que em “A Maldição do Tigre” mostraram ser ótimos personagens – perderam a essência de suas personalidades. No primeiro livro, os dois estavam interessados por Kelsey, mas eram pessoas completamente diferentes. Ren era o romântico charmoso, Kishan era o bad boy arisco e atrevido. Aos poucos, as características que diferenciavam os dois e os tornavam interessantes foram se esvaindo e, além de se tornaram muito semelhantes, ambos acabaram por perder seu poder de sedução, o que é lamentável.

Com tanta coisa acontecendo em sua mágica jornada, ao final do livro a sensação que fica é de satisfação. “O Destino do Tigre” amarra as pontas, consegue que toda a sua mitologia faça sentido e leva ao leitor ao ponto que ele ansiava desde o primeiro livro, de forma que é difícil imaginar o que a autora reserva para a conclusão da saga por que o sentimento geral já é de conclusão. Novas perguntas? Novos desafios? O futuro? O passado? As possibilidades são muitas e a expectativa voltou a ser boa.

Título: O Destino do Tigre (exemplar cedido pela Editora Arqueiro)
Autora: Colleen Houck
Nº de páginas: 400
Editora: Arqueiro

sábado, 1 de junho de 2013

RESENHA:O Trono do Sol - A Magia da Alvorada

“Ele já tinha ouvido e visto muitos homens sob tortura a ponto de saber ver e ouvir a diferença entre a verdade extraída e as mentiras confessadas aos gritos na esperança de parar o tormento.” (FARREL, 2012, livro digital).

***

Tendo o aval de ninguém mais ninguém menos que George R. R. Martin, autor da aclamada série As Crônicas de Gelo e Fogo,  a leitura da saga O Ciclo de Nessântico é obrigatória para qualquer fã de literatura fantástica.

Marguerite ca’Ludovici governa a cidade de Nessântico há anos e agora, com o auxílio de Dhosti ca’Millac, o líder da Fé Concénziana, ela se prepara para passar o poder a seu filho. Porém, o nobre Jan ca’Vörl prepara uma rebelião, contando com o apoio do arqui-inimigo de Dhosti, o qual aspira assumir a liderança da Concénzia. No meio do fogo cruzado se encontra Ana co’Seranta, sacerdotisa que possui habilidades nunca antes vistas quando se trata de magia.

O início da leitura é um pouco lento. Creio que esta sensação é oriunda, em parte, da apresentação dos inúmeros personagens, assim como em virtude da quantidade de terminologias desconhecidas pelo leitor (para citar algumas: matarh, ilmodo, kraljika, cénzi, téni, entre outros). Como li no Kobo, não me dei conta que havia um glossário no final do livro.

Farrel compôs uma trama impecável, na qual seus personagens participam de um intrincado jogo de estratégia e manipulação, que envolve a famosa tríade política-religião-briga pelo poder. O grande mérito do autor foi criar uma estória onde nada é tão simples quanto parece, e saber em quem confiar neste complexo tabuleiro de ambições pessoais é o verdadeiro desafio.

Embora o elenco de personagens seja grande, não há personagens subaproveitados. Todos foram criados com esmero para desenvolver uma função específica no desenvolver da trama. A narrativa, mesmo sendo em terceira pessoa, é alternada entre o ponto de vista de diversos personagens, o que permite ao leitor conhecer as diversas facetas da luta pelo poder.

Ao findar da leitura, fiquei com a impressão que uma pergunta significativa ficou sem resposta, todavia, imagino que ela deve ter sido guardada para o próximo volume da série, A Magia do Anoitecer, com lançamento previsto para junho deste ano.

Atualmente, falar em literatura fantástica sem citar George Martin é impossível, de modo que imagino que a comparação com a saga As Crônicas de Gelo e Fogo seja inevitável. Em minha modesta opinião, creio que superar Martin seja uma tarefa árdua, todavia, Farrel merece aplausos, seja pela sua criatividade e originalidade, seja por sua trama bem construída, seja por sua narrativa cativante.

Título: O Trono do Sol – A Magia da Alvorada (ebook cedido pela Editora LeYa)
Autor: S. L. Farrel
N.º de páginas: 452
Editora: LeYa

terça-feira, 16 de abril de 2013

LANÇAMENTO: O Código Élfico

 SINOPSE:

A pequena cidade de Santo Ossário esconde muitos segredos. Entre os habitantes, Nicole, uma jovem corajosa, descobre estar ligada aos mistérios da cidade, o que a leva a uma investigação sobre o próprio passado. Seu pai foi um famoso assassino que pertencia à ordem de seguidores de uma deusa oculta, sacrificando inocentes em rituais.

Em Arcádia, um mundo paralelo governado pela deusa, vivem os elfos. Criaturas perfeitas que há milênios sonham em recuperar o poder sobre os humanos.

Finalmente veem a esperança no novo guerreiro Astarte, treinado em arquearia, que deve abrir o portal que liga os dois mundos e exercer o domínio da Rainha sobre a Terra. Astarte, no entanto, é o único que desconhece o seu destino, até o momento de cumprir com a sua sina. Avesso aos interesses do seu povo, o elfo resolve juntar-se aos mortais em Santo Ossário.

Agora, Nicole e Astarte estão ligados a um mesmo propósito: reunir os habitantes da pacata cidade e derrotar os seres místicos que ameaçam dominar o mundo.

ORELHA:

OS ELFOS SÃO BELOS E IMORTAIS, A MAIS PERFEITA DAS RAÇAS. MAS, PARA QUE HAJA UM POVO DE GUERREIROS E POETAS, É PRECISO HAVER UM POVO DE ESCRAVOS.

Astarte pensava estar destinado à glória. Como príncipe dos elfos, foi criado em Arcádia, treinado pelos maiores mestres de seu mundo. Ouvia histórias sobre a Rainha da Beleza, sua mãe, deusa e senhora.

Chega o dia em que descobre o seu verdadeiro destino: cumprir com o plano da deusa de abrir o portal que liga Arcádia à Terra para que possa escravizar os humanos. Esse portal está localizado na pequena e pacata cidade de Santo Ossário, onde mora a jovem Nicole.

Quando o elfo rebela-se contra a mãe e o seu povo, conhece a corajosa Nicole. A garota, que antes tinha uma vida comum, agora é treinada por Astarte na arquearia élfica e será responsável pelo início de uma nova era.

Então, quando os dois se unem em uma luta contra a invasão dos elfos, veem-se imersos numa conspiração de assassinos em série, cientistas do oculto, magia e morte.

Em Santo Ossário, Nicole e Astarte enfrentarão o pior dos humanos e dos elfos, contando apenas com a ancestral técnica de tiro com arco.

A doutrina da flecha, a disciplina do arqueiro.

O código élfico.

SOBRE O AUTOR:

Leonel Caldela é escritor em tempo integral e boxeador nas horas vagas. Tornou-se conhecido no mundo dos jogadores de Role Playing Game ao apresentar uma visão mais adulta do cenário de fantasia Tormenta, em uma trilogia de romances.

Hoje escreve, traduz e edita material para livros e revistas de RPG, além de romances de fantasia em seus universos próprios.

www.leonelcaldela.com
@leonelcaldela

quarta-feira, 10 de abril de 2013

RESENHA: Enigmas de Londres - Espíritos do Tâmisa

“— Pratique por duas horas e pare. — disse Nightingale. — Não faça o feitiço novamente até que pelo menos seis horas tenham passado.
— Eu não estou cansado, você sabe. — eu disse. — Eu poderia continuar durante todo o dia.
— Se você exagerar haverá conseqüências. — disse Nightingale.
Não gostei nem um pouco como aquilo soou.
— Que tipo de conseqüências?
— Derrame, hemorragia cerebral, aneurismas ...
— E como você sabe se está exagerando?
— Quando você tiver um derrame, uma hemorragia cerebral ou um aneurisma. — disse Nightingale.” (AARONOVITCH, 2011, p. 137 — tradução livre).

***
  
Desde o lançamento do livro Enigmas de Londres: Espíritos do Tâmisa pela Editora Fantasy Casa da Palavra, fiquei com uma pontada de curiosidade para conferir a mistura de magia e mistério criada por Ben Aaronovitch, e devo dizer que não me decepcionei com o que encontrei.

Tudo tem início quando Peter Grant, guarda da polícia Metropolitana, está vigiando a cena do crime de um homicídio que ocorreu em frente a St Paul’s Church, ocasião em que encontra uma testemunha ocular do crime. Todavia, a testemunha é um fantasma. É então que Peter descobre que no coração de Londres se esconde um mundo que ele jamais poderia imaginar.

Peter Grant é um protagonista carismático, irônico e que consegue cativar o leitor em poucas páginas. A narrativa, em primeira pessoa, proporciona ao leitor o privilégio de explorar este novo mundo ao lado de Peter, compartilhando de seus sentimentos e descobertas. Os demais personagens, como o inspetor Nightingale, Lesley e Beverley, também são interessantes, sendo que a interação entre eles funciona muito bem.

Londres está tão presente na obra que é quase como se fosse um dos personagens da trama. O autor constantemente menciona locais e estações de metrô, então, para aqueles que não conhecem a cidade, talvez o livro perca um pouco do seu brilho. De minha parte, confesso que me diverti fazendo um tour pelos pontos mencionados no livro, como St. Paul’s Church, Covent Garden Market e Royal Opera House.

A narrativa de Aarnovitch é leve e fluída, além de contar com um humor afiado, tanto é que perdi as contas de quantas vezes gargalhei durante a leitura do livro. O caso policial é intrigante e desperta a curiosidade do leitor facilmente, todavia não espere ter que utilizar de todas as suas células cinzentas para desvendar o mistério que envolve os crimes.

Confesso que em alguns momentos me perdi na estória, sendo que não compreendi exatamente o que ocorreu em algumas cenas, todavia, saliento ter feito a leitura em inglês.

Creio que a comparação com a saga Harry Potter seja involuntária, porém, sinto-me obrigado a destacar que Aaronovitch criou seu próprio mundo de magia e o fez com maestria. Neste quesito, vale ressaltar que este livro é destinado a um público jovem adulto, tendo em vista que possui um vocabulário mais pesado.

O primeiro volume da série Enigmas de Londres garante uma leitura despretensiosa, divertida e deixa um gostinho de quero mais ao final. A boa notícia é que a previsão de lançamento do próximo livro, Moon Over Soho, é para o segundo semestre deste ano.

Dados da edição brasileira:
Título: Enigmas de Londres – Espíritos do Tâmísa
Autor: Ben Aaronovitch
Editora: Fantasy Casa da Palavra
N.º de páginas: 368

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

LANÇAMENTO: Filhos do Fim do Mundo

O primeiro lançamento do selo Fantasy Casa da Palavra neste ano é o livro Filhos do Fim do Mundo, do autor Fábio Barreto.  

SINOPSE:

QUANDO AS CRIANÇAS DO MUNDO PARAM DE NASCER, UM REPÓRTER SE PREPARA PARA SUA ÚLTIMA MATÉRIA SOBRE O COMEÇO DO FIM DO MUNDO.
É meia-noite quando a humanidade é surpreendida pela notícia: todas as crianças nascidas nos últimos 12 meses morreram misteriosamente. Descobrem também que plantas e filhotes também morreram. Um repórter responsável por cobrir os eventos preparativos para o fim do mundo, deixa sua esposa grávida em casa, partindo para uma perigosa missão investigativa, em que terá de enfrentar grandes desafios para proteger aqueles que ama.
Em Filhos do fim do mundo, acompanhamos a saga de um repórter tentando se equilibrar entre sua função de pai e jornalista em meio ao caos pré-apocalipse. As catástrofes se misturam com a tensão psicológica do personagem em um envolvente romance que vai encantar os amantes de ficção.

SOBRE O AUTOR:

Fábio M. Barreto é escritor, jornalista e cineasta. Criado nas redações de O Estado de S. Paulo Jornal da Tarde, dedicou a carreira à indústria do entretenimento. Trabalhou e publicou conteúdo em grandes veículos de imprensa como Sci-fi NewsCNN Brainstorm #9. Entrevistou dezenas de grandes nomes da indústria de Hollywood, de J.J. Abrams a Neil Gaiman, e foi responsável pela criação da JediCon e do SOS Hollywood. Hoje é membro de um dos podcasts de cultura pop mais famosos da internet brasileira, o Rapaduracast. Atualmente, reside em Los Angeles, Califórnia.

Twitter do autor: @soshollywood

O livro já está em pré-venda na Livraria Saraiva por R$29,70.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

RESENHA: O Hobbit

“— O que foi que eu lhe disse? — disse Gandalf rindo. — O Sr. Bolseiro tem muito mais talentos do que vocês imaginam. — No momento em que dizia isso, lançou a Bilbo um olhar estranho por baixo das grossas sobrancelhas, e o hobbit ficou imaginando se ele não adivinhara a parte da história que ele havia omitido.” (TOLKIEN, 2009, p. 94). 


***

Sempre tive vontade de reler O Hobbit, e com a aproximação da data de estréia da primeira parte da adaptação cinematográfica, percebi que não haveria momento mais propício para esta leitura.

Bilbo Bolseiro vive confortavelmente em sua toca no Condado, até o dia que Gandalf e treze anões convidam o respeitável hobbit a participar de uma expedição até a Montanha Solitária, onde o dragão Smaug guarda seu tesouro.

Sabe aquela sensação gostosa de reencontrar velhos amigos ou de retornar para casa depois de um longo período? Foi exatamente isto que senti ao reencontrar personagens tão queridos como Bilbo, Gandalf e Elrond.

O livro é a brilhante introdução à saga de O Senhor dos Anéis, e nos mostra como Bilbo encontrou o Um Anel — o qual Sauron forjou a fim de dominar os portadores dos demais anéis, distribuídos entre os elfos, anões e homens —, que anos mais tarde Frodo deveria destruir, devolvendo-o às chamas da Montanha de Perdição.

A narrativa é cativante e envolvente, e faz parecer com que Tolkien estivesse ao lado do leitor narrando as aventuras de Bilbo, Thorin e Companhia. Já ouvi muitas pessoas reclamarem que a linguagem utilizada pelo autor em O Senhor dos Anéis é maçante, o que seria a causa, inclusive, de algumas pessoas desistirem da leitura. Mas asseguro que a linguagem utilizada em O Hobbit é extremamente acessível, visto que o livro foi escrito para os filhos de Tolkien.

Se pudesse resumir a obra em duas palavras, elas seriam jornada e aventura. Acompanhamos Bilbo abandonando sua vida pacata no Condado, enfrentando diversas adversidades e perigos no caminho, e amadurecendo a cada passo dado. Aliás, amadurecer me parece uma das palavras mais propícias. Creio  que se não fosse pela expedição, Bilbo nunca descobriria tudo aquilo que é capaz de fazer.

Narrativa hábil, personagens marcantes e trama sem pontas soltas somadas a uma estória magistral não poderiam resultar em nada menos do que um dos maiores clássicos da literatura fantástica. Ou seja, leitura obrigatória.

Título: O Hobbit
Autor: J. R. R. Tolkien
N.º de páginas: 297
Editora: Martins Fontes

terça-feira, 27 de novembro de 2012

RESENHA: O Resgate do Tigre

“Naquela noite sonhei com os dois irmãos. Eles estavam diante de mim e Lokesh me ordenava que escolhesse qual deles viveria e qual morreria. Ren sorriu, triste, e acenou com a cabeça na direção de Kishan. O rosto de Kishan se contraiu e ele desviou o olhar de mim, sabendo que eu não o escolheria. Eu ainda ponderava minha escolha quando a ligação do serviço de despertador do hotel me acordou com um susto” (HOUCK, p.198, 2012)

A sequencia de “A Maldição do Tigre” traz tudo aquilo que conquistou os leitores no primeiro livro: aventura, magia, romance e seres fantásticos, mas não empolga como seu predecessor. Isso porque “O Resgate do Tigre” sofre da mesma sina da maioria dos segundos livros / filmes de uma série: não é bom como o primeiro, mas serve como ponte para o terceiro.

Dessa vez, a missão de Kelsey é ainda mais complicada: Ren - seu amado tigre branco - foi capturado e ela conta com a ajuda de Kishan – o tigre negro e irmão atrevido de Ren – para ajudá-la a resgatá-lo, além de dar mais um passo para quebrar a maldição lançada sobre os dois príncipes há 300 anos.

Costurando os eventos do final do primeiro livro à história central do segundo, “O Resgate do Tigre” é enrolado no início, mas a autora é bastante feliz em fazer pequenas recapitulações, o que vem a ser extremamente útil para desmemoriados (como eu).

Embora a trama apresente essencialmente os elementos imaginados pelos leitores, o desenvolvimento dos personagens deixa a desejar. Kelsey continua sendo a narradora da história, mas, ao contrário do que se poderia esperar, não amadureceu em nada. Pelo contrário. A imaturidade da personagem atinge níveis inimagináveis nesse livro, o que a torna irritante em boa parte da história. Mesmo seu amor por Ren por vezes se parece mais com teimosia do que com amor verdadeiro e seu senso de humor, que rendia momentos divertidos no primeiro livro, some por completo. Ela pode até ser a preferida da Deusa Durga e coisa e tal, mas ao longo da leitura não pude deixar de pensar que ela não tem nada demais (para ser sincera, é até difícil entender porque dois belíssimos príncipes indianos são tão apaixonados por ela – sem contar os três caras “do mundo real” que queriam sair com ela). Dentre personagens queridos como Ren e o Sr.Kadam, Kelsey é, sem dúvida, a personagem mais sem graça.

Quando fiz a resenha de “A Maldição” mencionei que tinha grandes expectativas a respeito de Kishan e de Lokesh, o feiticeiro que lançou a maldição nos dois irmãos. Para mim, Kishan deveria ser o ponto alto de “O Resgate”, livro no qual teria chance de brilhar. O irmão atrevido, mas solitário, corroído pelo remorso e pela culpa, e que se vê prestes a cometer novamente o erro de se apaixonar pela garota de seu irmão, poderia render ótimos momentos, devido à sua intensa bagagem emocional, mas isso não acontece. Kisham se torna, simplesmente, o companheiro de aventuras de Kelsey e a terceira ponta de um triangulo amoroso um tanto forçado.

Quanto a Lokesh - o perverso feiticeiro - eu também esperava mais, tanto dele (como personagem), e também da sua primeira aparição, seu primeiro combate (algo intenso e cheio de emoção como o retorno de Lord Voldemort em “O Cálice de Fogo”), o que também não aconteceu.

Mas mesmo deixando a desejar em termos de desenvolvimento dos personagens, “O Resgate” é recheado de aventuras, perigos e novos desafios, fazendo o seu papel de ponte entre o primeiro e o terceiro livros e possibilitando que os protagonistas adquiram novas perspectivas, o que é bastante promissor e aumenta a ansiedade pelo próximo livro, “A Viagem do Tigre”. Acredito que a autora tenha várias cartas na manga e boas surpresas reservadas para os leitores. Gostei do final de “O Resgate” e das possibilidades que ele sugere. Ansiosa pela continuação e por ver os personagens renderem tudo o que podem render.

Título: O Resgate do Tigre
Autora: Colleen Houck
Nº de Páginas: 432
Editora: Arqueiro

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

ENTREVISTA: Carolina Munhóz

Autora de O Inverno das Fadas e A Fada, ambos publicados pelo selo Fantasy Casa da Palavra, a simpática Carolina Munhóz concedeu uma entrevista ao Além da Contracapa, em que revela como surgiu seu interesse por fadas, quem são os autores que lhe inspiram e quais são seus projetos para o futuro. Confira a entrevista:

Além da Contracapa: Como surgiu a ideia do livro O Inverno das Fadas
Carolina Munhóz: A ideia surgiu durante a pesquisa de A Fada. Quando vi a lenda das Leanans Sídhes já sabia o que escrever. Toda vez que acontecia uma morte estranha de celebridade culpada essa fada.

AC: Como foi o processo criativo?
CM: Estruturei toda a história antes de começar a escrever e pesquisei muito sobre a lenda das Leanans, de Keswick e a morte de diversas celebridade.

AC: Quanto tempo você demorou para escrever?
CM: Foram cerca de seis meses escrevendo e um total de nove meses trabalhando. É o que estou acostumada a gastar em uma obra.

AC: Quando e como surgiu seu interesse por fadas?
CM: Eu não escolhi as fadas. Acredito que elas me escolheram. Nunca tive uma ligação forte com esse ser mágico, mas quando percebi só estava escrevendo sobre elas. Hoje fico muito feliz de ter sonhado com uma fada quando tinha 16 anos. Foi assim que tudo começou.

AC: Quais são os autores que mais influenciam sua escrita?
CM: J.K. Rowling e Paulo Coelho. Sem dúvidas!

AC: Alguma vez você já se deparou com uma ideia que fez você pensar: “Puxa! Eu queria ter criado isso!”? Pode ser um livro, um personagem, um mundo, etc.
CM: Sempre penso isso. Existem histórias maravilhosas pelo mundo. Um livro que gostaria de ter escrito é Jogos Vorazes.

AC: Se você pudesse fazer uma pergunta para um escritor, qual seria o escritor e qual seria a pergunta?
CM: Christopher Paolini: Como você deixou estragarem Eragon no cinema?

AC: É comum vermos autores consagrados darem seu aval a autores iniciantes (como, por exemplo, Scott Turow a Tom Rob Smith sobre o livro “Criança 44”, Stephen King a Michael Connelly sobre o livro “O Poeta” e Becca Fitzpatrick a Colleen Houck sobre o livro “A Maldição do Tigre”). O aval de qual escritor você gostaria de ganhar?
CM: Adoraria ganhar o aval da minha querida J. K. Rowling.

AC: Quando e como você decidiu se tornar uma escritora?
CM: Tinha 16 anos quando comecei a escrever meu primeiro livro. Estava em uma fase muito forte de depressão e em uma das noites que chorava pendido por uma luz, sonhei com uma fada muito linda e toda uma história de amor. No dia seguinte A Fada começou a ser criado.

AC: Você já tem outros livros em mente?
CM: Claro! Tenho dois livros infantis prontos e estou escrevendo Feérica que será publicado no próximo ano.

Um livro: Dragões de Éter
Um filme: Argo
Uma música: Alicia Keys - Un-thinkable (I'm Ready)
Um sonho: Ser publicada no exterior
Um medo: Solidão
Uma mania: Sempre me machuco. “Carolices”, como diz meu marido.
Um hobby: Viajar

Agradecemos a atenção e disponibilidade da autora e lhe desejamos ainda mais sucesso.

 

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