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segunda-feira, 12 de maio de 2014

RESENHA: Diálogos Impossíveis

- A diferença é que eu escolhi o morcego como modelo. Foi uma decisão artística, estética, autônoma. 
- E estranha. - diz Drácula. - Por que morcego? Eu tenho a desculpa de que não foi uma escolha, foi uma danação genética. Mas você? Por que o morcego e não, por exemplo, o cordeiro, símbolo do Bem? Talvez o que motivasse você fosse uma compulsão igual à minha, disfarçada. Durante todo o tempo em que combatia o Mal e fazia o Bem, seu desejo secreto era de chupar pescoços. Sua sede não era de justiça, era de sangue. Desconfie dos paladinos, eles também querem sangue. (VERISSIMO, 2012, p. 11)

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Desde que li a sinopse de Diálogos Impossíveis, fiquei bastante curioso com a proposta de reunir as conversas com motes absurdos ou improváveis, como a discussão entre Batman e Drácula do quote acima. Certo dia, garimpando livros no sebo, encontro um exemplar praticamente novo do livro e não hesitei em comprar. 

Diálogos Impossíveis é uma reunião de crônicas publicadas anteriormente nos jornais Estado de S. Paulo e Zero Hora, por isso, senti que algumas das estórias destoaram um pouco do tema proposto. Além disso, como é de se esperar de toda coletânea, alguns dos textos são simplesmente geniais, outros, entretanto, não empolgam muito. 

De todo modo, Luis Fernando Verissimo escreve com leveza, bom humor, criatividade e ironia sobre os mais diversos assuntos, arrancando gargalhadas do leitor ou lhe fazendo meditar sobre tópicos mais profundos.

Por ser uma seleção contendo inúmeros textos independentes, optei por ler a obra em paralelo com outros livros, limitando-me a ler apenas duas ou três estórias por dia. Assim procedi por crer que se lesse todas as crônicas de uma só vez não aproveitaria a obra ao máximo. 

Acho extremamente difícil resenhar coletâneas. Por isso, encerro dizendo que quando se trata de um livro de crônicas, basta saber se você gosta desse tipo de narrativa e do estilo do autor. Se este for o caso, divirta-se. 

Título: Diálogos Impossíveis 
Autor: Luis Fernando Verissimo 
N.º de páginas: 175 
Editora: Objetiva

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

RESENHA: Os Espiões

“Por que não ir a Frondosa? Absurdamente, pensei: porque o meu encontro com Ariadne tem que ser o clímax dessa história, o fim do labirinto. Porque eu vou salvá-la, e me salvar, e até lá tudo é prólogo.” (VERISSIMO, p. 44, 2009)

Um editor de livros, com pouca fé na humanidade, fica absolutamente fascinado pela misteriosa autora de um manuscrito que recebe em uma certa segunda-feira. Essa é a premissa de “Os Espiões”: um livro delicioso de Luis Fernando Verissimo.

Mas aquelas primeiras páginas não eram simplesmente o início de um romance. Eram um testamento, uma carta suicida. Nelas, Ariadne – a autora que não usa vírgulas e assina seu nome com uma florzinha em cima do i – promete contar sua história e seu romance com um “Amante Misterioso” e depois se suicidar. O editor – bêbado de final de semana e fã de histórias de espionagem (principalmente as de John Le Caré) - envolve a si mesmo e a seus curiosos amigos em uma história de espionagem real na tentativa de salvar Ariadne.

“Os Espiões” é um livro que pode facilmente ser lido de uma vez só. Narrado em primeira pessoa, a voz do narrador conquista nas primeiras páginas, nas primeiras linhas, na primeira frase: “Formei-me em Letras e na bebida procuro esquecer”. Mas não pense com isso que esse é um livro para ser levado a sério. Sem abandonar o humor que lhe é característico, Luis Fernando Verissimo cria uma história misteriosa no seu absurdo, repleta de personagens memoráveis e os mais divertidos acontecimentos envolvendo esse grupo de “espiões” na cidadezinha de Frondosa que, como toda cidade pequena que se preza, tem seus tipos únicos e inusitados.

Antes de comprar o livro, tive a oportunidade de ler o que viriam a ser as quatro primeiras páginas desta edição de bolso e com elas eu já estava fisgada pela história que aquele narrador tinha para me contar. Terminada a leitura, a verdade é que eu não consigo pensar em um único aspecto que não funcione bem no livro.

Um desfile de personagens engraçados, cada um a seu modo, em situações tanto reais quanto absurdas permeiam as páginas de “Os Espiões”. Um livro leve e divertido. Entretenimento puro.

Título: Os Espiões
Autor: Luis Fernando Verissimo
Nº de páginas: 174
Editora: Ponto de Leitura
 

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