- A diferença é que eu escolhi o morcego como modelo. Foi uma decisão artística, estética, autônoma.
- E estranha. - diz Drácula. - Por que morcego? Eu tenho a desculpa de que não foi uma escolha, foi uma danação genética. Mas você? Por que o morcego e não, por exemplo, o cordeiro, símbolo do Bem? Talvez o que motivasse você fosse uma compulsão igual à minha, disfarçada. Durante todo o tempo em que combatia o Mal e fazia o Bem, seu desejo secreto era de chupar pescoços. Sua sede não era de justiça, era de sangue. Desconfie dos paladinos, eles também querem sangue. (VERISSIMO, 2012, p. 11)
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Desde que li a sinopse de Diálogos Impossíveis, fiquei bastante curioso com a proposta de reunir as conversas com motes absurdos ou improváveis, como a discussão entre Batman e Drácula do quote acima. Certo dia, garimpando livros no sebo, encontro um exemplar praticamente novo do livro e não hesitei em comprar.
Diálogos Impossíveis é uma reunião de crônicas publicadas anteriormente nos jornais Estado de S. Paulo e Zero Hora, por isso, senti que algumas das estórias destoaram um pouco do tema proposto. Além disso, como é de se esperar de toda coletânea, alguns dos textos são simplesmente geniais, outros, entretanto, não empolgam muito.
De todo modo, Luis Fernando Verissimo escreve com leveza, bom humor, criatividade e ironia sobre os mais diversos assuntos, arrancando gargalhadas do leitor ou lhe fazendo meditar sobre tópicos mais profundos.
Por ser uma seleção contendo inúmeros textos independentes, optei por ler a obra em paralelo com outros livros, limitando-me a ler apenas duas ou três estórias por dia. Assim procedi por crer que se lesse todas as crônicas de uma só vez não aproveitaria a obra ao máximo.
Acho extremamente difícil resenhar coletâneas. Por isso, encerro dizendo que quando se trata de um livro de crônicas, basta saber se você gosta desse tipo de narrativa e do estilo do autor. Se este for o caso, divirta-se.
Autor: Luis Fernando Verissimo
N.º de páginas: 175
Editora: Objetiva





