“ [...]. Se você quer liderar nações, precisa começar pela
compreensão de um único homem, de seus desejos e medos, dos segredos que ele
não admite e dois quais pode ser que nunca tenha consciência. Essas são as
alavancas que movimentam o mundo. Todo homem tem um preço. E uma vez que você descobre
qual é, você se torna dono dele, de seu corpo e de sua alma.” (QUIRK, 2013, p.
18).
***
Os 500, obra de estréia de Matthew Quirk, foi recebido pela crítica norte americana como um verdadeiro “page
turner” — expressão utilizada para designar um livro cuja leitura é impossível
de ser interrompida —, o que me deixou bastante curioso.
Após impressionar Henry Davies, o recém-formado em Direito
Mike Ford consegue um emprego no Grupo Davies, uma das maiores empresas de
consultoria de Washington. Mas consultoria é, no mínimo, um eufemismo para as
atividades da empresa. Afinal, se você precisa que uma lei seja aprovada, que
um juiz tome uma decisão, que uma empresa saia do caminho, então o Grupo Davies
tem a solução. Em plena ascensão na companhia, Mike acaba envolvendo-se em um
caso que, além de fazê-lo questionar seus valores, colocará sua vida em risco.
Construído sobre a premissa de que todo homem tem uma
alavanca de acesso, um modo de convencê-lo a fazer ou deixar de fazer algo,
Matthew Quirk cria não somente um thriller eletrizante, mas o faz
tendo como pano de fundo a importante discussão sobre a corrupção nos mais
variados ramos da sociedade.
O título do livro é uma alusão às quinhentas pessoas que detém
o poder de fato em Washington e que controlam os rumos da nação, sejam
governantes, sejam empresários. Saliento que mesmo para aqueles que não são
adeptos às teorias conspiratórias, a estória criada por Quirk não soa
mirabolante, nem destoa da realidade.
O grande destaque da obra fica para o protagonista, em virtude de sua complexidade.
Mesmo com um passado insólito, ele luta há anos para não se envolver em
atividades criminosas e viver o mais honestamente possível, mas em seu novo emprego percebe que a linha entre o
certo e o errado é ainda mais tênue.
Todavia, minha crítica também fica reservada a Mike. Mesmo
sendo um ótimo personagem, bem construído e verossímil, achei a motivação de
algumas de suas ações um tanto superficiais. Para deixar claro, há explicações
sim, porém, estas não me parecerem o suficiente para dar origem as ações do
protagonista.
Reconheço que o início do livro seja um pouco lento, devido
a apresentação dos personagens e, principalmente, pela ambientação da trama;
porém, quando o caso principal começa a ganhar contornos mais claros se torna
bastante difícil deixar a leitura de lado.
Os 500 é o melhor thriller que já li? Não. Mas como
livro de estréia, com certeza serve para demonstrar o potencial do autor. Para
aqueles que desejam uma leitura rápida, com bons personagens e repleta de questionamentos
sobre a tríade moral, ética e corrupção, o livro é uma excelente opção.
Update: Apesar dos nomes semelhantes, Matthew Quirk não deve ser confundido com Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida.
Update: Apesar dos nomes semelhantes, Matthew Quirk não deve ser confundido com Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida.
Autor: Matthew Quirk
N.º de páginas: 305
Editora: Paralela



