No décimo primeiro livro da série Harry Hole, o lendário detetive está de volta em mais um acerto de Jo Nesbø.
Um assassino que mata suas vítimas com mordidas de uma dentadura de ferro e bebe seu sangue, dando um novo sentido a expressão "sede de sangue". Um criminoso tão sem precedentes que obriga a polícia de Oslo a chamar Harry Hole para ajudar nas investigações, colocando de novo em seu caminho o único criminoso que escapou de suas mãos há anos.
Já falei muito aqui sobre como gosto de Harry Hole. Tendo lido todos os livros da série, com exceção do segundo, acompanhei a jornada do inspetor em seus tempos mais sombrios e também mais leves (aspas generosas em “leves”) e há alguns livros acredito que esta jornada esteja se aproximando do fim. Isso não tem a ver com a qualidade das tramas e sim com a história do próprio personagem que sempre foi um protagonista para a série mais do que apenas um investigador de casos policiais.
Neste livro vemos um Harry casado com a mulher que ama, sendo um pai para o menino que ele viu crescer e que hoje, homem adulto, escolhe seguir seus passos na polícia. Vemos Harry direcionar seus talentos para o ensino, se tornando professor da academia de polícia, ao invés de portar seu distintivo. Mas também vemos Harry continuar sendo Harry, atormentado por seus demônios que sempre estarão ali, não importa o que aconteça. Ainda assim, como é bom vê-lo tendo um porto seguro para voltar ao final do dia. Como é bom poder ve-lo encontrar com Rakel uma forma de serem felizes, nem que seja entre brechas de escuridão.
“É claro que perdemos todas as pessoas a quem tentamos nos agarrar, o destino faz pouco-caso de nós, nos torna pequenos, patéticos. Quando choramos pelas pessoas que perdemos não é por compaixão, porque é claro que sabemos que elas finalmente estão livres da dor. Mas ainda assim choramos. Choramos porque estamos sozinhos outra vez. Choramos por sentirmos pena de nós mesmos.” (NESBØ, 2018, p. 370)
Outra coisa que gosto na série é que, aos poucos, alguns personagens se despedem e outros surgem para ocupar lugares de destaque. É o caso, por exemplo de Trulls Berntsen (e seu eterno complexo de inferioridade e paixão impossível por Ulla Bellman), da inspetora Katrine (que agora lidera a equipe de investigação) e de Michael Bellman (o ambicioso e desprezível chefe de polícia contra quem qualquer leitor vai gostar de torcer). Todos rendem subtramas envolventes e isso acorre porque, ao criar um personagem consistente como Harry Hole, Nesbø fez dele um terreno fértil para que outros pudessem se desenvolver ao seu redor.
Quanto ao caso em si, confesso que o autor soube me conduzir direitinho, de forma que não previ a surpresa que ele guardava para o final. Os crimes, como sempre, são grotescos e Nesbø não tem medo de criar imagens fortes na mente do leitor. A condução da trama acelera o ritmo com o avançar dos capítulos, enredando cada vez mais os personagens, até colocá-los todos em um mesmo lugar para um desfecho doentio.
Três anos após os eventos de “Polícia”, a trama de “A Sede” usa o cliffhager deixado pelo livro anterior para trazer de volta o vilão Valentin Gjertsen, algo que Nesbø parece planejar fazer novamente com Svein Finne, “o noivo”. Apesar disso, as tramas dos livros são independentes e podem ser lidas fora de ordem.
“A Sede” é a décima primeira trama de uma série que não mostra sinais de cansaço. Mais uma vez, Jo Nesbø entrega uma trama bem amarrada, inteligente e capaz de surpreender o leitor.
Autor: Jo Nesbø
N° de páginas: 531
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora
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