“O ser humano é imprevisível, mas devemos pensar, antes de qualquer outra coisa, que ele é apenas isso — um ser. Um animar que ri, um animal perigoso, inteligente, assustado, mas que sempre age por uma razão — um motivo que fará com que a criatura se mova na direção de seus desejos.” (DEAVER, 2012, p. 146).
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Se não me engano, foi nos idos de 2008 que minha cara parceira de blog me indicou o fantástico filme O Colecionador de Ossos, estrelado por Denzel Washington e Angelina Jolie. Quando descobri que o filme havia sido baseado na obra de Jeffery Deaver, sabia que precisava ler o livro o quanto antes, e me surpreendi ainda mais. Desde então, tinha vontade de relê-lo, tanto é que este foi o primeiro livro que fiz questão de escrever na coluna Lista de Releituras.
Desde o acidente que o deixou tetraplégico, o brilhante criminalista Lincoln Rhyme vive isolado do resto do mundo. Tudo muda quando a polícia insiste que Rhyme os ajude a capturar um serial killer que sempre deixa na cena do crime pistas sobre seu próximo alvo. Nesse jogo de gato e rato, o criminalista irá contar com a ajuda da patrulheira Amelia Sachs, que será as pernas e olhos de Rhyme.
Desconheço qualquer outro autor que tenha um domínio tão grande sobre evidências físicas e o processamento de uma cena do crime. Jeffery Deaver sabe sobre o que está falando, de modo que o livro transborda a verossimilhança, dando a impressão de que o leitor está realmente acompanhando uma investigação policial. Mas, ao mesmo tempo em que o amplo conhecimento do autor fica claro, em nenhum momento a narrativa assume o tom de aula ou palestra.
Outro fator que merece destaque é o ritmo acelerando de O Colecionador de Ossos. Uma vez que você começa a leitura e se vê envolvido no meio de tantas pistas, o desejo do leitor em resolver o mistério é tão grande quanto o dos protagonistas. A meu ver, o livro é um verdadeiro exemplar do gênero policial, pois temos detetives empenhados em um empolgante caçada pelo serial killer, sendo que a tensão protagonista-antagonista é sentida durante toda a leitura.
E falando em protagonistas, Deaver fez um trabalho simplesmente fantástico com Lincoln Rhyme e Amelia Sachs. Eles não são apenas competentes e dedicados ao trabalho, mas também apresentam uma profunda humanidade, pois enfrentam fantasmas do passado. Ou seja, vemos não apenas a genialidade dos personagens em ação, mas também suas fraquezas.
Apesar de já ter lido o livro e assistido ao filme inúmero vezes, me surpreendi com o final, mesmo lembrando de quais eram os detalhes fundamentais para o desfecho. E, convenhamos, são poucos os autores que conseguem empolgar o leitor que já sabe qual é a resolução do mistério.
Para quem assistiu ao filme, asseguro que vale a pena conferir o livro também. Ainda que a adaptação cinematográfica tenha mantido a essência do livro, foram feitas alterações significativas no roteiro, mas que se mostraram completamente justificáveis. Ainda assim, creio que o livro é mais completo e até mesmo mais empolgante.
Contando com uma jornada eletrizante, altas doses de adrenalina e um final impactante, O Colecionador de Ossos certamente é um dos melhores livros policiais que já li.
Autor: Jeffery Deaver
N.º de páginas: 457
Editora: Best Bolso



















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