O que mais me motivou a ler A Corrente não foi a sinopse do livro, mas sim os elogios feitos por grandes autores, como Stephen King e Dennis Lehanne. Para minha surpresa, não precisei chegar ao fim do livro para perceber que todos os elogios eram exagerados e indevidos.
Rachel está se recuperando do câncer e retomando sua vida, porém, tudo muda quando sua filha é sequestrada. E além do resgate, Rachel terá que sequestrar outra criança e exigir de seus pais o resgate. É assim que a organização denominada de A Corrente montou um esquema contínuo de sequestros e resgates, transformando as vítimas em criminosos e sem precisar sujar as mãos.
A premissa do livro é interessante e bastante original. No entanto, McKinty peca na execução do livro, pois logo nas primeiras páginas minha impressão era de ter em mãos uma obra escrita por um autor amador e que não contou com o feedback de um editor. Em primeiro lugar, o ritmo do livro é instável. No início, os problemas se acumulam e não sabemos como a protagonista irá resolvê-los. No entanto, em determinado momento o autor decide correr com a estória e resolve todos os problemas com muita facilidade.
Além disso, os personagens não convencem. O livro poderia mostrar uma jornada sombria da protagonista se tornando uma criminosa, fazendo coisas terríveis para libertar sua filha. Porém, o autor foca mais na mulher fragilizada, que depende da ajuda de outros, mas que em momentos súbitos e pontuais se mostra o completo oposto.
Os personagens parecem se limitar a nomes, profissões e aos papeis a serem desenvolvidos na estória. Ou seja, eles não parecem ter vida e as atuações não são orgânicas, dando a impressão de que não passam de meros robôs, programados para agirem dessa ou daquela forma. E, sendo assim, se torna muito difícil se envolver e até mesmo se importar com a estória quando tudo parece tão artificial.
“Qualquer coisa que decida fazer é uma escolha ruim. Agir é ruim. Deixar de agir é ruim. É o clássico se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. É como saltar de paraquedas num campo minado e não ter para onde correr.” (MCKINTY, 2019, p. 260)
A narrativa é feita em terceira pessoa, mostrando diversos pontos de vista, mas não me pareceu uma decisão acertada. A meu ver, um dos grandes potenciais da estória era a jornada de Rachel, o que sugeriria o uso da primeira pessoa, a fim de mostrar de perto o pesadelo que ela vive. Porém, preso a uma narrativa dispersa em diversos personagens e focada na ação, McKinty não consegue mostrar a evolução da protagonista.
Outro aspecto que me incomodou foi que as maldades que Rachel se vê obrigada a fazer sequer são tão desprezíveis assim, no entanto, ela reage como se fosse a pior pessoa do mundo.Creio que McKinty poderia ter tornado a experiência de Rachel como vítima e criminosa muito mais perturbadora e diabólica, criando outras facetas para a protagonista.
Apesar da ideia promissora, é preciso reconhecer que A Corrente é inverossímil e mal desenvolvido. McKinty tentou criar um thriller ágil, instigante e perverso, mas não conseguiu acertar o alvo que pretendia.
Autor: Adrian McKinty
N.º de páginas: 377
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora
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