quinta-feira, 30 de novembro de 2017

RESENHA: A Cidade Solitária

A cidade solitária / Olivia Laing Solidão não tem a ver com companhia. Tem a ver com estado de espírito. É possível se sentir solitário em qualquer lugar, a qualquer momento, com qualquer pessoa. E isso não necessariamente precisa ser algo ruim. Alguns artistas utilizaram a solidão que os consumia como alimento para suas obras e é sobre isso que Olivia Laing fala no seu “A Cidade Solitária”.

Eu já havia lido outro livro da autora (“Viagem ao redor da garrafa”) cujo tema era grandes escritores e suas relações com o alcoolismo. Por isso, já sabia de antemão que a leitura não seria das mais ágeis, mas que compensaria com ótimas reflexões.

Mesclando experiências próprias de quando se mudou para Nova York, com a vida de artistas como Edward Hopper, Andy Warhol, David Wojnarowicz e Henry Darger e usando episódios destas vidas para compreender suas obras, Laing transforma “A Cidade Solitária” em um livro ímpar: misto de sua própria autobiografia, com a biografia dos artistas em questão, com livro de arte, com pinceladas de psicologia e críticas à sociedade.

A atração pelo tema veio da experiência da própria autora ao deixar sua vida na Inglaterra, se mudar para Nova York, e ainda precisar encarar o final repentino de um relacionamento. Resultado: se isolou em si mesma.

A Cidade Solitária” não é um livro bonito. É um livro que mergulha em escuridões profundas, das quais a solidão não é a causa de nada e sim a consequência. Drogas, maus tratos infantis, obsessão e até tentativa de homicídio são alguns dos temas que ganham espaço.

"É sobre querer e não querer: sobre precisar que pessoas se derramem sobre você e depois precisar que elas parem com isso, para você restaurar os limites de si mesmo, manter a separação e o controle. É sobre ter uma personalidade que tanto sente falta de outro ego quando teme ser subsumido nele; ser encharcado ou inundado, ingerir ou ser infectado pela confusão e o drama de outra pessoa, como se as palavras dela fossem literalmente agentes transmissores.” (LAING, 2017, p. 68)

Eu confesso que era pouco familiarizada com alguns dos artistas mencionados e que, apesar da popularidade de Warhol, foi Hopper que me atraiu. Há alguns anos, durante um curso de escrita criativa, um dos exercícios propostos pelo meu professor baseava-se em duas obras do pintor (“Morning Sun” e “New York Movie”) e, desde então, me encanta ver como as telas de Hopper contam histórias, como seus personagens têm vidas, históricos, e como sempre transmitem essa sensação melancólica e solitária de quem está tentando pertencer a algo. Tanto que neste ano, o autor de livros policiais Lawrence Block organizou uma antologia de 17 contos intitulada “Na luz e na sombra, histórias inspiradas nas pinturas de Edward Hopper”, da qual participam autores como Stephen King, Joyce Carol Oates e Lee Child. Ainda sobre Hopper, foi uma de sua obras que me chamou a atenção para um dos meus livros favoritos da vida: “A Verdade sobre o caso Harry Quebert”. Apesar da minha identificação com o trabalho do pintor, talvez a história de Hopper seja uma das menos intensas do livro.

Por sua vez, Andy Warhol, famoso por suas Marilyns, seus Elvis, suas latas Campbell e também por sua excentricidade, surpreende ao se revelar uma pessoa que, apesar da fama e das festas, era essencialmente solitária.

Henry Darger, que trabalhou como zelador e teve sua obra descoberta após a sua morte, surge como o autor de uma série de pinturas incômodas, protagonizadas por crianças, em cenários que podem ser tanto encantadores, remetendo a contos de fadas, como de tortura e massacre.

Temos também a história de David Wojnarowicz, pintor e fotógrafo cuja bagagem familiar o levou à prostituição ainda na adolescência.

Outra coisa: se prepare para ler com um olho nas páginas e outro no Google, pois a vontade de analisar cada detalhe das obras mencionadas surge a cada instante.

A Cidade Solitária” usa algumas histórias específicas para falar sobre um tema mundial com o qual todos podem se identificar em algum nível. Solidão tem a ver com conexão, com intimidade. É possível estar sozinho e não estar solitário e é possível estar solitário em meio a dezenas de pessoas. A solidão é sua. Totalmente sua. Esse é um livro sobre pessoas que a deixaram transbordar e virar arte.

Título: A Cidade Solitária
Autora: Olivia Laing
N° de páginas: 304
Editora: Rocco
Exemplar cedido pela editora. 

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domingo, 26 de novembro de 2017

RESENHA: Eleanor Oliphant está muito bem

Eleanor Oliphant está muito bem Gail Honeyman
Assim que li a sinopse de Eleanor Oliphant está muito bem, achei que o livro poderia contar com uma estória promissora. Mas apenas depois de descobrir a indicação de John Boyne, meu autor “queridinho” do momento, que tive certeza que encontraria uma estória marcante. 

Eleanor Oliphant sempre foi uma pessoa solitária. Ela seguia sua rotina de forma mecânica, evitando qualquer aproximação social. Porém, uma série de eventos a obriga a apreender sobre os relacionamentos humanos. Mas o que ela não esperava era que essa nova vida social a levasse a visitar os fantasmas do passado. 

Eleanor é uma protagonista muito bem desenvolvida. Ao mesmo tempo em que vemos suas constantes afirmações de que está tudo bem, de que ela gosta da solidão, percebemos nas entrelinhas da que a realidade é outra. Eleanor deseja, desesperadamente, ter um convívio social. Alguém a quem possa chamar de amigo ou de namorado, alguém que a ame de forma incondicional. 

Aos poucos a autora vai dando pistas de que por mais incomuns que sejam os hábitos e manias de Eleanor, percebemos que houve um grande trauma em seu passado. Trauma que não foi superado e que a obrigou a se fechar em si mesma, numa vã tentativa de se proteger da dor. E ao se fechar em si mesma, Eleanor se fechou para o mundo ao seu redor. Assim, o cerne do livro é este lento desabrochar da protagonista, seu retorno ao mundo que ela sempre evitou. 

“Há cicatrizes em meu coração, tão grossas e desfigurantes quanto as do meu rosto. Sei que estão ali. Espero que reste algum tecido ileso, uma área através da qual o amor possa entrar e fluir para fora. Espero.” (HONEYMAN, 2017, p. 86)


O motivo pelo qual Eleanor começa a se abrir, fazendo novas amizades e se permitindo novidades, parece ser fraco — e até mesmo adolescente — em um primeiro momento. Mas considerando o contexto da estória e o desenvolvimento da personagem, entendemos exatamente porquê Eleanor se deixou levar por algo tão banal. 

Quando descobrimos mais informações sobre o seu passado, sentimos a dor de Eleanor na mesma intensidade que ela a sente. E o pior é perceber que essa dor sufocada moldou a personalidade dela, sua forma de enxergar o mundo e de viver. É por isso mesmo que a jornada da protagonista, sua evolução e superação, é tão impactante. 

Como esperado, Eleanor Oliphant está muito bem aborda diversos temas, tais como relacionamentos, perdão, solidão, autoconhecimento, depressão, entre muitos outros. Apesar de esbarrar em alguns clichês, a autora soube abordar estes assuntos de forma bastante natural, sem tentar passar lições de vida. 

Preciso registrar que a leitura do livro ocorreu em um momento bastante turbulento da minha vida. Gostei da estória e da personagem, mas creio que em virtude destes fatores externos acabei não me envolvendo tanto quanto poderia. 

De qualquer forma, Eleanor Oliphant está muito bem é um drama sincero e honesto, fundamentando em uma protagonista desenvolvida com maestria e que não depende de reviravoltas absurdas para se sustentar. 

Título: Eleanor Oliphant está muito bem
Autora: Gail Honeyman
N.º de páginas: 351
Editora: Fábrica 231
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

[Nonsense] para quem não gosta de [Nonsense]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou uma nova coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

Que há muitos autores que abandonam a lógica enquanto escrevem, isso ninguém dúvida. Aqui no Além da Contracapa já cansamos de esbarrar em livros que parecem nem ao menos lembrar que verossimilhança existe. Porém, há algumas obras que, por mais nonsense que sejam, ainda fazem sentido.

Então, vem conferir os três livros nonsense que acabaram sendo excelentes leituras.

Por Trás de Seus OlhosPor Trás de Seus Olhos

Por trás de seus olhos é um livro intenso e hipnótico. Parece um triângulo amoroso (e é), mas está longe de ser o que normalmente associamos a isso. É um thriller psicológico com o melhor que o gênero tem a oferecer. A cada página podemos sentir o perigo dos jogos mentais e manipulações e é totalmente impossível entender (quem dirá prever) o comportamento dos personagens. Não bastasse isso, nas últimas páginas descobrimos que a trama é totalmente bizarra e desprovida de lógica. Ainda assim, o livro funciona mesmo para aqueles que prezam pela verossimilhança, porque a autora consegue fazer com que a verdade dos personagens se sobressaia. Faz sentido que aquilo aconteça? Não. Mas faz sentido que aqueles personagens se comportem assim, por isso o leitor fecha o livro satisfeito (e embasbacado).
A Metamorfose é um dos grandes clássicos da literatura mundial. Você pode nunca ter lido Kafka, mas certamente já ouviu falar de Gregor Samsa, o homem que acordou um belo dia transformado em um inseto gigante. Faz algum sentido? Nenhum! Mas isso é apenas um detalhe, já que os motivos da transformação física do personagem pouco importam. Na verdade, A Metamorfose é uma grande metáfora (e pode ser lido milhares de vezes, sempre proporcionando novas experiências) que transforma o absurdo em normal e o normal em absurdo. Pode ser uma história sobre preconceito, sobre isolamento, sobre como as pessoas se aproveitam umas das outras…pode ser milhares de coisas, dependendo da perspectiva com a qual o leitor a analisa. Um nonsense que faz muito (e muitos!) sentido e que agradará em cheio os que gostam de histórias reflexivas.

A Extraordinária Viagem do Faquir que Ficou Preso em um Armário IkeaA Extraordinária Viagem do Faquir que Ficou Preso em um Armário Ikea

Ajatashatru é um faquir fajuto que convenceu sua aldeia a pagar por uma passagem para Paris, onde ele poderia comprar uma cama de pregos na famosa loja de móveis Ikea. Mas o que ele não esperava era ficar preso dentro de um armário e ser enviado para outro país. E se você já achou isto improvável, informo que o personagem acaba visitando outros cinco países, sempre utilizando meios de transporte inusitados. Mas apesar de beirar o absurdo, o autor certamente atingiu seu objetivo: escrever um livro que arranca gargalhadas do leitor por causa das situações inesperadas e da narrativa irônica e espirituosa. Como se não bastasse, a temática da imigração ilegal também é abordada, levando o leitor a refletir sobre essa dura realidade. No fim das contas, mesmo que a estória seja nonsense, vale a pena acompanhar as aventuras inimagináveis do faquir, especialmente se você estiver procurando por uma leitura leve e descontraída.


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

RESENHA: Assassinato no Expresso Oriente

Assassinato no Expresso Oriente / Agatha Christie / Hercule Poirot
Hercule Poirot planejava tirar uns dias de férias quando recebe um chamado para voltar com urgência a Londres. O detetive embarca às pressas no Expresso Oriente, mas sua viagem é interrompida devido a uma nevasca que impede a passagem do trem. No dia seguinte, um dos seus colegas de viagem é encontrado morto, apunhalado 12 vezes.

Um caso do sempre ótimo Hercule Poirot, “Assassinato no Expresso Oriente” é um dos livros mais famosos da extensa (e recheada de grandes sucessos) obra de Agatha Christie. Isso se deve ao desfecho, absolutamente inusitado, considerado um dos mais surpreendentes propostos pela autora. E não é para menos. Ao criar a trama desse livro, Agatha deve ter pensado: “O que eu ainda não fiz? Já sei! Um caso em que o assassino…..”. Até Raymond Chandler disse (embora seu comentário passe bem longe de parecer um elogio) que nenhum leitor em sã consciência desvendaria o mistério porque a resposta não passaria pela cabeça de ninguém.

A trama se divide em três partes: na primeira, conhecemos rapidamente os personagens e os vemos em situações que antecedem o crime; na segunda, Poirot conduz os interrogatórios; e na terceira, é chegado o momento em que o detetive, tendo em mãos todas as informações, coloca suas células cinzentas para trabalhar e encontrar a resposta.

Ninguém desenvolve a premissa “um grupo de pessoas confinadas em um mesmo lugar, todas sendo suspeitas de um crime” melhor do que Agatha Christie. Nesse caso, todos estão presos no trem e Poirot não pode ao menos confirmar as informações que recebe, tendo que confiar estritamente no seu discernimento e na palavra daqueles desconhecidos.

“O impossível não pode ter acontecido, assim sendo o impossível deve ser possível apesar das aparências." (CHRISTIE, p. 213 – edição britânica) Tradução livre

Por contar com um elenco grande de personagens, o ritmo acaba se tornando um pouco mais lento já que boa parte do desenvolvimento da história consiste nas entrevistas que o detetive faz (o passageiro chega, é entrevistado, o passageiro sai, entra outro e assim por diante), mas Agatha consegue manter o interesse do leitor.

Além do desfecho, outra coisa inusitada em “O Assassinato no Expresso Oriente” é a posição que Poirot se encontra ao desvendar o crime. Pela primeira vez o detetive se pergunta o que fazer diante da verdade e se deve, ou não, deixar que o criminoso fique impune. A decisão, de um jeito ou de outro, lhe parecerá errada.

Eu já havia lido “O Assassinato no Expresso Oriente” há muitos anos e dessa vez aproveitei a oportunidade para reler em inglês. Foi a primeira vez que li um texto de Agatha Christie no original e embora ler em outro idioma seja sempre um processo mais lento, ainda é possível encontrar nele a fluidez que costumamos encontrar no texto traduzido.

Além de ser um ótimo entretenimento, fica de “O Assassinato no Expresso Oriente” a satisfação de constatar, mais uma vez, que uma autora que conta com uma obra que ultrapassa os 80 livros, consegue sim ser muito original.

“Quanto a mim, eu suspeito de todo mundo até o último minuto.” (CHRISTIE, p. 78 – edição britânica) Tradução livre

Em 1974, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica considerada a mais bem sucedida adaptação de uma obra de Agatha Christie. No elenco, nomes como Lauren Bacall, Jacqueline Bisset, Sean Connery, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Ingrid Bergman e Albert Finney (os dois últimos vencedores do Oscar na categoria melhor atriz coadjuvante e melhor ator, respectivamente, por suas atuações no longa). Assisti o filme há alguns anos, mas não tenho condiçõess de comentar sua fidelidade à obra original já que assisti muito após minha primeira leitura e muito antes da segunda.

Na TV, a série "Agatha Christie's Poirot" (que traz o nada menos que perfeito David Suchet no papel do detetive Belga) também apresentou sua versão do livro. E se nunca comentei aqui antes, comento agora: o adjetivo perfeito não é um exagero para Suchet. Não só o ator adota os trajeitos, a maneira afetada falar, de andar, as obsessões de Poirot em cada gesto, como parece ter saído fisicamente da mente da Dama do Crime. Com exceção dos olhos verdes, é incrível que até a cabeça em formato de ovo Suchet tenha. Aliás, fica a dica: “Agatha Christie’s Poirot” é um pouco difícil de encontrar, mas vale a pena conferir (em especial a partir da quarta temporada quando os episódios passam a ser como filmes de 90 minutos de duração, cada um apresentando um livro). Todos os casos de Poirot foram contemplados pela série.

Em 2017, Kenneth Branagh assume a direção e o papel de Hercule Poirot, com direito a um bigode indescritível e a companhia de um elenco de peso que conta com Johnny Depp, Judi Dench, Michele Pfeiffer, Penélope Cruz e Williem Dafoe. O filme chega aos cinemas no final de novembro.

Título: Assassinato no Expresso Oriente
Autora: Agatha Christie
N de páginas: 248
Editora: L&PM

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

RESENHA: Caçando Carneiros

Caçando Carneiros Haruki Murakami
Haruki Murakami é um dos autores japoneses mais aclamados da atualidade, contando com uma legião de fãs ao redor do mundo. E foi com o livro Caçando Carneiros que o autor se tornou conhecido no cenário internacional. 

O sócio de uma empresa de publicidade leva uma vida comum e banal até que utiliza a foto de carneiros em um trabalho. Por causa disso, ele é confrontado por um misterioso homem, que representa um poderoso grupo político, o qual exigirá um serviço diferente: que ele encontre o carneiro da foto. Assim, ele parte em uma jornada pelo Japão, seguindo pistas como se fosse um detetive. 

Em minhas experiências anteriores com as obras do autor, sempre me impressionei com a fluidez do texto. Porém, em Caçando Carneiros senti o oposto: a narrativa conta com um ritmo lento e monótono, de modo que não conseguia ler muitas páginas por vez. Além disso, a estória demora para engrenar, visto que a jornada do protagonista tem início apenas depois da metade do livro. 

Outro problema para meu envolvimento com a estória foi a ausência de uma conexão com o protagonista. Não fui cativado por ele, mas tampouco o odiei. E a meu ver, não existe sentimento pior que a indiferença quando estamos falando sobre o personagem que deve conduzir a estória. Registro também que os demais personagens foram tão insossos quanto o protagonista. 

A obra, de certa forma, aborda temas como amizade, relacionamentos, obsessão e identidade. Entretanto, creio que tais reflexões pareceram um pouco vazias, visto que partiam de personagens com os quais o leitor não se identifica, nem se importa. Ou seja, as reflexões, embora até fossem interessantes, não causam um impacto verdadeiro. 

“— Todo mundo tem uma ou duas coisas que não deseja perder. Isso vale também para você — disse o homem. — E nós somos profissionais em matéria de descobrir as referidas coisas. Em todo ser humano existe um ponto sensível, que se situa entre o desejo e o orgulho, isso é infalível.” (MURAKAMI, 2014, p. 153)

Mas o calcanhar de Aquiles do livro é outro: quanto mais avançava a leitura, mas sentia que não havia estória alguma para ser contada. No fim das contas, trata-se apenas de uma jornada que parece não ter propósito, nem sentido. Algumas resenhas que li afirmavam que o cerne do livro é a jornada de autoconhecimento do protagonista, porém, não vi nenhuma evolução significativa no personagem para que eu pudesse concordar com tal afirmação. 

O final do livro me deixou com um gosto amargo, pois a estória sequer parece ter um desfecho coerente. Assim, encerrada a leitura, fiquei com a impressão de que o Murakami não sabia o real cerne da estória que tinha para contar, de modo que atirou para todo os lados e falhou em acertar um único alvo. 

Do autor já li o conto Sono e o livro Após o Anoitecer, sendo que gostei de ambas as leituras, embora nenhuma delas tenha sido particularmente marcante. Mas depois da experiência catastrófica que tive com Caçando Carneiros, tenho dúvidas se terei coragem para ler outros livros do autor

Título: Caçando Carneiros
Autor: Haruki Murakami
N.º de páginas: 331
Editora: Alfaguara
Exemplar cedido pela editora

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

RESENHA: Tormenta de Fogo

Tormenta de Fogo Executores Brandon Sanderson
Coração de Aço foi uma das melhores leituras que fiz em 2016 e, por isso mesmo, Tormenta de Fogo se tornou uma das maiores expectativas literárias para esse ano. E o segundo livro da série Executores provou mais uma vez que Brandon Sanderson é um dos melhores autores de fantasia da atualidade.

ATENÇÃOa sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS do livro anterior. O restante da resenha é spoiler free. 

A obsessão de David virou realidade: o épico Coração de Aço foi derrotado. Mas, e agora? Se sentindo perdido e assombrado por perguntas que não consegue responder, David acompanha Prof para Babilônia Restaurada, antigamente conhecida como Manhattan. Lá ele encontra uma cidade que foi alagada e que é governada pela poderosa Realeza, uma épica que consegue controlar a água de formas inimagináveis. Além disso tudo, David tem seu próprio plano: reencontrar Tormenta de Fogo. 

Se no primeiro livro o que havia se destacado era a originalidade da premissa, desta vez fiquei impressionado com a genialidade do autor. O mundo criado por Sanderson se mostrou ainda mais complexo, e percebemos que as informações que sabíamos em Coração de Aço eram apenas a ponta do iceberg. Assim, fica claro que o autor planejou absolutamente tudo nos mínimos detalhes, o que lhe permitiu explorar a fundo as possibilidades deste universo. 

Outro aspecto que merece destaque é o aprofundamento psicológico dos personagens. David passou anos estudando os épicos, tentando descobrir formas de derrota-los a fim de colocar um ponto final em seus domínios. Mas em Tormenta de Fogo o protagonista percebe que a linha que separa os Executores — grupo destinado a matar épicos tiranos — dos próprios épicos é extremamente tênue.

“Meu estômago se revirou. Atirar na cabeça de alguém enquanto a pessoa dormia? Não parecia muito heroico Mas eu não disse nada, e mais ninguém disse também. No fundo, éramos assassinos, e fim de história.” (SANDERSON, 2017, p. 125)

A narrativa é viciante e extremamente envolvente, apesar de contar com um ritmo mais lento em alguns poucos momentos. Também merece destaque os momentos de humor que permeiam o texto, funcionando como uma válvula de escape para o clima de tensão que cresce ao longo da estória. Apesar da coragem e determinação em deter os épicos, David é uma pessoa completamente sem noção em algumas situações, o que gera momentos hilários e que arrancam gargalhadas do leitor. 

A trama foi perfeitamente amarrada, o que revela o completo domínio do autor sobre a estória. Aliás, chama atenção a habilidade do autor em inserir diversas informações relevantes ao longo do texto, mas que passam batidas. Assim, quando as peças do quebra cabeça começam a ser juntadas, percebemos que as pistas estavam na nossa frente. 

O final é frenético, ganhando doses extras de ação e adrenalina. Preciso registrar que o autor optou por um rumo completamente inesperado, deixando o leitor com o coração na mão nas últimas páginas do livro. E como esperado, os ganchos para o próximo livro são absurdamente promissores. 

Mais uma vez Sanderson entregou um livro com uma trama inteligente, personagens bem construídos e uma estória que prende a atenção do leitor do início ao fim. E depois de mais uma experiência de leitura inesquecível, posso afirmar com convicção que Executores se tornou minha série de fantasia preferida da atualidade. E por isso mesmo, mal posso esperar para conferir Calamidade, o terceiro e último livro da série.

Título: Tormenta de Fogo
Autor: Brandon Sanderson
N.º de páginas: 374
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

PROMOÇÃO: Tartarugas até lá embaixo


Depois de muitos anos de espera, finalmente, John Green lança um novo livro, dessa vez colocando os seus leitores na pele de Aza, uma adolescente que sofre de TOC. O Além da Contracapa se juntou a Editora Intrínseca para presentear um leitor com exemplar de "Tartarugas até lá embaixo". Confira as regras e participe. 

Regulamento:

A promoção terá início no dia 13 de novembro e término no dia 03 de dezembro 

Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebook e ter um endereço de entrega no Brasil.

As demais entradas são opcionais

Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog e a editora no twitter. 

O resultado será divulgado no blog e nas redes sociais até três dias após o encerramento da promoção, sendo que o sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 48 horas para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. 

Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

O vencedor ganhará um exemplar do livro "Tartarugas até lá embaixo"

O livro será enviado pela Editora Intrínseca. 

A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

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