domingo, 31 de dezembro de 2017

Especial de Fim de Ano - Parte 2

Está no ar mais um Especial de Fim de Ano no Além da Contracapa. Quem acompanha o blog há mais tempo, já sabe o que vem por aí. Para quem nunca viu os nossos especiais, eis uma breve explicação: todo ano, fazemos um especial dividido em três partes. Na primeira, comentamos como foram as leituras dos livros que, no especial do ano anterior, elegemos como as nossas maiores expectativas para esse ano. Na segunda, vocês ficam sabendo quais foram as nossas melhores leituras de 2017. Por fim, contamos para vocês quais os livros que estão no topo da nossa lista de desejados para 2018

Na segunda parte do especial deste ano, vocês podem conferir o nosso Top 3 Melhores Leituras de 2017.

Tormenta de Fogo Brandon Sanderson3º lugarTormenta de Fogo 


E pelo segundo ano consecutivo, Brandon Sanderson emplacou um livro nas minhas melhores leituras do ano. O que mais se destacou em Tormenta de Fogo, o segundo livro da série Executores, é como o autor conseguiu explorar todo o potencial do universo que criou, o que me deixou abismado com a complexidade da estória e com a genialidade de Sanderson. Mais uma vez preciso elogiar a narrativa que é envolvente a ponto de ser impossível largar o livro, especialmente no final, quando o ritmo se torna ainda mais acelerado. Já disse e repito: a série Executores certamente é uma das mais originais que tenho acompanhado nos últimos anos e Tormenta de Fogo provou que Sanderson é um dos mais relevantes autores de fantasia da atualidade. (Alê)

3º lugar: A Lógica Inexplicável da Minha Vida


Uma das minhas grandes expectativas literárias para 2017 (sobre a qual eu nem sabia muito a não ser o nome do autor) se revelou um livro sensível, por vezes melancólico, por outras engraçado e totalmente adorável sobre uma fase da vida em que nos questionamos sobre quem somos e quem queremos ser. Muito mais do que um Young Adult sobre autodescoberta e amadurecimento, “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” envolve temas como amor, amizade, família e luto em uma história repleta de personagens cativantes passando por momentos com os quais qualquer leitor é capaz de se identificar. Por ter me feito, literalmente, abraçar o livro em alguns momentos, mereceu o terceiro lugar. (Mari)


Os Miseráveis Victor Hugo2º lugar: Os Miseráveis


Há anos eu desejava ler a obra-prima de Victor Hugo, sendo que o livro até mesmo entrou na minha lista de mais desejados de 2016. Por causa do tamanho, só consegui ler Os Miseráveis este ano e certamente foi um dos clássicos mais marcantes que já li. A estória de Jean Valjean, um homem que ficou preso por dezenove anos por roubar um pedaço de pão, mexeu comigo de uma forma que poucos livros conseguiram. Victor Hugo não poupa o leitor e testemunhamos a miséria dos personagens de perto, vendo como suas vidas vão degradando e como perdem sua humanidade. As vidas e estórias que se entrelaçam em Os Miseráveis são intensas e também nos fazem refletir sobre a sociedade em que vivemos, pois a pobreza e a miséria continuam sendo uma realidade. Entretanto, preciso fazer um registro: a partir da metade do livro, com a introdução de novos personagens e um novo pano de fundo, confesso que não senti a mesma conexão com a obra. Mas mesmo não tendo apreciado o livro em sua totalidade, a estória de Os Miseráveis é inesquecível, um verdadeiro “tapa na cara” e que certamente merece ser reconhecido com uma obra-prima da literatura universal.  (Alê)


2º lugar: Foi Apenas um Sonho


Um casal em crise. Essa é basicamente a premissa de “Foi Apenas um Sonho”, o que prova, mais uma vez, que não é uma premissa sensacional que dá forma a um livro sensacional e sim bons personagens e uma boa narrativa. E isso o livro de Richard Yates tem de sobra. O mais incrível é que tanto Frank quanto April não são personagens aos quais nos afeiçoamos. Não só nenhum deles é carismático o suficiente para isso como seus problemas são cotidianos demais. E é esse detalhe a chave para o brilhantismo do livro: Frank e April são pessoas comuns, com problemas comuns. Seus questionamentos, angústias e tristezas já estiveram em todos nós. Eles são um desastre como casal porque são, individualmente, desastrosos como pessoas - infelizes e frustrados – e não por grandes eventos. Isso não só dá aos personagens profundidade como dá intensidade e cada frase do livro parece ferver e transbordar. Por ter sido a leitura mais intensa e humana do ano, levou o segundo lugar. (Mari)

1º lugar: O Pacifista


A estória de Tristan — um jovem de 21 que sobreviveu ao front de guerra e não consegue enfrentar o passado — foi uma das mais emocionantes que já li, a ponto de me levar às lágrimas quando terminei a leitura. A trama é relativamente linear e não conta com grandes reviravoltas, mas os conflitos entre os personagens são tão reais e verossímeis que prendem totalmente a atenção do leitor. Boyne aborda com delicadeza a temática LGBT, porém, é impressionante sua capacidade de mostrar sentimentos de forma sútil. Vemos a todo o instante a culpa, o preconceito e a falta de aceitação, mas em nenhum momento o autor precisa verbalizar tais elementos. Outro aspecto que me chamou atenção é como o livro dialoga com a dualidade coragem/covardia, mostrando que todos são capazes de expressar tais atitudes. Em resumo, digo que Boyne acertou em cheio em todos os aspectos: dos personagens bem desenvolvidos a narrativa sensível e envolvente, além de uma trama bem amarrada. O Pacifista foi uma estória comovente e que certamente lembrarei por muitos anos. (Alê)


1º lugar: O Livro dos Baltimore


Com que frequência um livro corresponde a todas as nossas altas expectativas sobre ele? Mas aqui está: minha maior expectativa de 2017 se tornou, de fato, a minha melhor leitura do ano e me deixou sonhando com o próximo livro de Joël Dicker. Assim como os outros livros que entraram nesse top, “O Livro dos Baltimore” não tem uma premissa fantástica. É basicamente um drama familiar que flerta com o suspense, mas Joël Dicker tem o poder de construir suas tramas de um jeito que você simplesmente não sabe dizer porquê elas são tão boas, mas simplesmente não consegue desgrudar do livro (e mesmo quando desgruda, leva os personagens com você e fica pensando neles, porque eles se tornaram reais a esse ponto). A história da família Goldman, em especial dos primos Marcus, Woody e Hillel, e o misterioso Drama (assim mesmo, com D maiúsculo) que mudou a dinâmica da família é completamente envolvente, cheia de nuances e perspectivas. Um verdadeiro quebra-cabeças que é um prazer montar aos pouquinhos, entre idas e vindas do passado para o presente. Por ser, de longe, a leitura mais envolvente do ano, “O Livro dos Baltimore” ganha o primeiro lugar da minha lista.  (Mari)


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Especial de Fim de Ano - Parte 1.2

Está no ar mais um Especial de Fim de Ano no Além da Contracapa. Quem acompanha o blog há mais tempo, já sabe o que vem por aí. Para quem nunca viu os nossos especiais, eis uma breve explicação: todo ano, fazemos um especial dividido em três partes. Na primeira, comentamos como foram as leituras dos livros que, no especial do ano anterior, elegemos como as nossas maiores expectativas para esse ano. Na segunda, vocês ficam sabendo quais foram as nossas melhores leituras de 2017. Por fim, contamos para vocês quais os livros que estão no topo da nossa lista de desejados para 2018

Na primeira parte do especial deste ano, vocês podem conferir a lista do Alê sobre as maiores expectativas literárias de 2017

Generation One Pittacus Lore5 - Generation One

Infelizmente, o primeiro livro do spin off de Os Legados de Lorien não foi publicado no Brasil. O segundo livro da série, Fugitive Six, já está confirmado para junho de 2018 nos Estados Unidos.








O Apanhador no Campo de Centeio4 - O Apanhador no Campo de Centeio

A obra-prima de J.D. Salinger é um clássico da literatura norte-americana, sendo aclamada pelo público e crítica. Infelizmente, encerrei a leitura sem entender o porquê de tanto hype. Sinceramente, O Apanhador no Campo de Centeio se limita as reclamações incessantes de um adolescente que se acha o espertalhão, mas que só faz bobagem. Um livro completamente sem estória, que dá voltas e mais voltas para chegar a lugar nenhum. No fim das contas, a decepção foi proporcional a expectativa. 



Cem Anos de Solidão3 - Cem Anos de Solidão

Me dói confessar que não li Cem Anos de Solidão. Infelizmente,  meu tempo de leitura esteve bastante reduzido neste ano e não consegui encaixar a leitura entre os livros que solicitei para nossas editoras parceiras. Porém, o livro certamente será prioridade para o ano que vem. 







Tormenta de Fogo Brandon Sanderson2 - Tormenta de Fogo

Ano passado, Coração de Aço foi uma das melhores leituras do ano e me deixou ansioso pela continuação. E eis que Tormenta de Fogo conseguiu me surpreender ainda mais, pois Brandon Sanderson mostrou completo domínio sobre a trama e o universo que construiu. Além dos personagens bem construídos, merece destaque a narrativa envolvente e absolutamente viciante, que me impediu de ter vida social por alguns dias.




As Terras Devastadas A Torre Negra1 - Série A Torre Negra

A promessa era grande: ler os seis livros restantes da série. E falhei miseravelmente, pois li apenas dois livros da série.

Se O Pistoleiro serviu para apresentar Roland, A Escolha dos Três se resumiu a busca do protagonista por seus parceiros de jornada. É claro que King sempre sabe o que faz e as estórias dos novos personagens são bem desenvolvidas, entretanto, a estória como um todo parece não evoluir, o que me frustrou.

As Terras Devastadas (resenha em breve) me surpreendeu do início ao fim e ganhou o posto de melhor livro da série até o momento. Isso por que King começa a dar respostas sobre a Torre, além de deixar mais claro a complexidade do universo que criou. E o mais importante: foi com o terceiro livro que senti que a jornada rumo à Torre Negra efetivamente começa. E que jornada foi essa. Dessa vez King acertou em cheio, criando um livro de tirar o fôlego e que deixa o leitor com vontade de começar o volume seguinte assim que encerra a leitura. 

Infelizmente, não consegui terminar de ler a série, mas os quatro livros restantes são leitura garantida para 2018.



terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Especial de Fim de Ano - Parte 1.1

Está no ar mais um Especial de Fim de Ano no Além da Contracapa. Quem acompanha o blog há mais tempo, já sabe o que vem por aí. Para quem nunca viu os nossos especiais, eis uma breve explicação: todo ano, fazemos um especial dividido em três partes. Na primeira, comentamos como foram as leituras dos livros que, no especial do ano anterior, elegemos como as nossas maiores expectativas para esse ano. Na segunda, vocês ficam sabendo quais foram as nossas melhores leituras de 2017. Por fim, contamos para vocês quais os livros que estão no topo da nossa lista de desejados para 2018

Na primeira parte do especial deste ano, vocês podem conferir a lista da Mari sobre as maiores expectativas literárias de 2017

5 - A Lógica Inexplicável da Minha Vida

Quando você se apaixona pelo primeiro livro de um autor e se pergunta se tudo que ele escrever dali para a frente terá o mesmo encanto. Era nessa situação que eu me encontrava a respeito de “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” depois de ter me apaixonado por “Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo”. A expectativa não foi em vão. Benjamin Alire Saénz entrega neste segundo livro uma história tão encantadora quanto a da sua estreia literária e que, se deixa de lado um pouco da áurea poética daquele livro, compensa com uma história universal com a qual qualquer leitor é capaz de se identificar.


4 - O Bazar dos Sonhos Ruins


Impossível se dar mal com um livro que conta com 20 histórias curtas escritas por Stephen King. É verdade que a qualidade não é uniforme, nem era de se esperar que fosse. Há contos melhores e contos mais fracos, mas de um jeito ou de outro “O Bazar dos Sonhos Ruins” é um verdadeiro mostruário do Universo Stephen King, do seu jeito de contar uma história, dos personagens que cria e das situações em que os coloca (por vezes tão estapafurdias que só ele seria capaz de fazer funcionar). Não é o melhor dos seus livros de contos (“Escuridão Total Sem Estrelas” é imbatível), mas certamente é o que mistura mais temáticas.


3 - O Morcego

Já disse e repito: Jo Nesbø não erra nunca. Seu livro de estreia, “O Morcego” é um ótimo cartão de visitas, bem sucedido em mostrar o tipo de histórias que a série Harry Hole trará e, acima de tudo, em apresentar seu protagonista. Não é o melhor livro da série e poderia ter conduzido a sua trama de maneira mais eficaz em alguns aspectos, mas já é capaz de mostrar o quanto o autor e o personagem são promissores (resenha em breve).





2 - O Labirinto dos Espíritos

Apaixonada que sou pelos livro de Carloz Ruiz Zafón, uma das minhas grandes expectativas para esse ano era conferir o encerramento da série Cemitério dos Livros Esquecidos. Mas, infelizmente, não consegui ler o livro a tempo de comentá-lo neste post. Confesso que, por motivos de compromissos profissionais, meu ritmo de leitura diminuiu bastante em 2017 e por “O Labrinto dos Espíritos” se tratar de um livro longo (quase 800 páginas) preferi deixar para ler quando tivesse tempo de me dedicar à leitura, para poder aproveitá-la ao máximo. Agora no recesso de final de ano, Zafón e eu temos um encontro marcado.

1 - O Livro dos Baltimore

Mais um caso de: “Será que esse autor é capaz de fazer eu me apaixonar por um livro da maneira como me apaixonei pelo outro que ele escreveu?”. Depois de encontrar em “A Verdade sobre o caso Harry Quebert” uma das minhas grandes paixões literárias da vida, eu mal podia esperar para ter outra obra de Joel Dicker nas mãos. Já havia lido “Os Últimos Dias de Nossos Pais” (seu livro de estreia) e constatado a evolução do autor deste para o seu segundo livro que tanto me conquistou. O que viria a seguir? A resposta não me desapontou em nada. “O Livro dos Baltimore” é um drama familiar envolvente que flerta com o suspense e entrega personagens que pulam do papel. Havia razão de sobra para ser a minha maior expectativa de 2017 e cumpriu cada uma delas.


domingo, 24 de dezembro de 2017

RESENHA: Ultra Carnem

Ultra Carnem Cesar Bravo
De alguns anos para cá tenho buscado ler mais livros de terror e um dos nomes mais reconhecidos no cenário nacional é Cesar Bravo. Assim, não podia deixar de conferir seu livro de estreia na editora mais caveirosa do Brasil. 

Em uma noite chuvosa, um menino cigano é deixado em um orfanato católico. Mas Lester é um prodígio, apresentando uma aptidão espantosa para a pintura. Mas, de onde virá tanto talento? E por que sua tribo preferiu abandoná-lo? Anos depois, as obras de Lester continuarão encantando e seduzindo pessoas, que estarão dispostas a tudo para mudar de vida. 

Ultra Carnem é uma coletânea de quatro estórias. Digo estórias — e não contos — por que elas não são independentes, embora também não sejam a continuação direta uma da outra. A verdade é que as estórias dividem um mesmo fio condutor e acabam formando uma colcha de retalhos. 

Como esperado, as estórias contam com elementos sobrenaturais, além de muito suspense e terror. Entretanto, confesso que esperava encontrar um terror que me deixasse com mais medo, a ponto de não ter coragem de ler o livro depois do pôr do sol. Ainda assim, algumas cenas são bastante tensas e causam aquele frio na espinha. 

“— E a senhora nunca pediu nada?
— Se eu pedisse, teria recebido. Só que o preço seria caro demais. Tudo que vem de baixo puxa a gente pra baixo depois de um tempo. É como um pântano.” (BRAVO, 2016, p. 263)

O livro dialoga abertamente com a religião e com a relação do homem com Deus e o diabo, mostrando os mais diversos interesses que motivam a aproximação com um ou com outro. A fé, no sentindo de acreditar em alguma coisa, também ganha espaço na discussão. 

Outro aspecto interessante é que Bravo não se limitou a mostrar o inferno como retratado na Bíblia ou até mesmo na mitologia. Pelo contrário, o autor criou outras camadas e até mesmo uma hierarquia, mostrando como os “negócios” são conduzidos na Terra. Porém, registro que foi um pouco difícil aceitar que seres tão poderosos quanto demônios fossem tão limitados, chegando ao ponto de depender de humanos para a concretização de seus planos. 

A narrativa é dinâmica, embora em alguns momentos tenha me deixado a impressão de que o autor se esforçou demais em descrever os cenários e outros aspectos de pouca relevância para o desenvolvimento da obra, o que acabou por diminuir o ritmo da estória

Os personagens são interessantes e bem desenvolvidos, porém, por ser uma coletânea de estórias, não há alguém que possa ser chamado de protagonista. Assim, senti falta de um personagem com quem pudesse estabelecer uma conexão maior. 

Para quem gosta de estórias sobrenaturais, que flertam com a discussão sobre o bem e o mal, tenho certeza que Ultra Carnem irá agradar em cheio. 

Título: Ultra Carnem
Autor: Cesar Bravo
Nº de páginas: 376
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelo link acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

RESENHA: Breaking Bad - o livro oficial

Breaking Bad / David Thomson / Darkside Books
É inegável que Breaking Bad é uma das maiores séries dos últimos anos, seja você um fã ou não. Eu, particularmente, não sou, mas há poucas séries que respeito assim. Na verdade, tive uma relação estranha com a produção de Vince Gilligan, estrelada por Bryan Cranston e Aaron Paul. A premissa (um professor de química que ao se descobrir com câncer decide produzir metanfetamina) nunca me atraiu, mas os elogios eram tantos que quis arriscar. Resultado: empurrei até os primeiros episódios da segunda temporada e desisti. Achei lenta, monótona e nada cativante. Anos depois, quando a série chegava ao final e os fãs elogiavam mais do que nunca, decidi dar uma nova chance. Incrível como alguns anos bastaram para que eu já visse o piloto com outros olhos e reconhecesse milhares de aspectos interessantes não só na construção dos personagens, como também na maneira como aquela história era contada. E é sobre esse aspecto desta série genial que o livro trata: a produção de Breaking Bad. “Yeah, bitch”

É evidente que essa leitura é para quem já assistiu a série. Não só porque é preciso estar familiarizado com aquele mundo, mas também porque o livro não se preocupa em não dar spoilers. Inclusive, nas primeiras páginas é feito um apanhado geral sobre o que acontece com cada personagem ao longo das cinco temporadas. Isso é algo realmente interessante porque repassa toda linha temporal da série de acordo com o que foi significativo para cada personagem.

David Thomson, o organizador deste livro, é escritor e historiador de cinema, mas sua narrativa é de fácil acesso para qualquer leitor, mesmo que a temática não seja familiar. Porque o livro é basicamente isso: todos os aspectos que compõem a produção sendo analisados sob a visão dos produtores, mas sem se tornar enfadonho em nenhum momento. As paletas de cores, cenários, figurinos, objetos de cena, veículos, trilha sonora...tudo ganha destaque e a leitura se torna fascinante porque Breaking Bad é uma série em que, claramente, tudo foi pensado para provocar um efeito, para ter um significado. Eu me lembro de, diversas vezes, interromper os episódios apenas para ficar admirando a beleza de um determinado enquadramento.

Outra coisa fundamental é que muito do conteúdo vem das palavras do próprio Vince Gilligan (a mente por trás de tudo) e é incrível descobrir como algumas coisas que se tornaram icônicas na série surgiram sem planejamento ou mesmo por falta de ideias, recursos ou pela impossibilidade de se executar o plano A. Por exemplo, o fato de que Jesse deveria morrer no último episódio da primeira temporada, mas foi salvo pela greve dos roteiristas que limitou essa temporada a sete dos nove episódios previstos, quando o próprio Vince confessa que eles já não tinham mais ideias e (ainda bem!) a greve lhes permitiu repensar a história. O elenco não faz parte da construção do conteúdo do livro, apenas a equipe de produção. “Better Call Saul”.

“E assim começa a espiral descendente que leva um homem simples a se tornar uma força do mal complexa e poderosa – e a transformação de Walt finalmente afeta a todos que têm contato com ele.” (THOMSON, 2017, p.37)

Quanto à edição, o livro está de encher os olhos. Na tradicional capa dura da Darkside, em um formato quadrado que valoriza as imagens que acompanham o texto em todas as páginas.

Eu disse no primeiro parágrafo desta resenha que não sou uma fã de Breaking Bad. E não sou mesmo. Isso porque a história e os personagens nunca me cativaram profundamente (embora um determinado momento da quarta temporada fez com que eu quisesse que o mundo parasse para que eu pudesse assistir um episódio atrás do outro até o derradeiro Series Finale e assim me mantive fissurada até que esse episódio chegasse). Não tenho com Breaking Bad a relação emocional que tenho com outras séries como Bloodline, 24 Horas, The OC, Friends, Friday Night Lights, Damages, Suits (apenas para citar algumas), mas a admiro de uma forma que admiro poucas.

Breaking Bad tinha uma história única. Uma história pesada destinada, desde o primeiro momento, a ter um final trágico. Uma série que, apesar de sua popularidade, não é para todos. Não só porque nem todos terão estômago para acompanhar o tal professor de química com câncer e sua jornada no mundo das drogas, como nem todos vão apreciar os momentos de silêncio, as amplas tomadas, a beleza da paisagem árida, a complexidade das relações entre homens que estão muito longe de serem heróis.

E é isso que me encanta: ver que, do primeiro ao último episódio, a série foi exatamente o que ela deveria ser, sem se preocupar em atingir um público maior ou a estender sua história de forma a ganhar mais dinheiro (você deveria ter aprendido essa lição, Dexter. Aí você teria entrado naquela listinha que fiz ali em cima). Breaking Bad soube contar sua história como ela deveria ser contada, sem amenizar, e encerrá-la no momento certo. “Say my name”

Poucas séries surgidas nos últimos anos colecionam uma base tão grande e fervorosa de fãs como Breaking Bad. Poucas séries foram tão ousadas, tão criativas e tão corajosas como Breaking Bad. O livro de David Thomson exalta cada um dos aspectos que a tornaram um ícone. Um livro para ser lido com o mesmo respeito que se teria por Heisenberg. “I’am the one who knocks.”

Título: Breaking Bad: o livro oficial
Organizador: David Thomson
N° de páginas: 224
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon - Submarino
Gostou da resenha? Então compre o livro pelo link acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

RESENHA: Um Encontro de Sombras

Um encontro de sombras - V.E. Schwab
Há muito tempo eu não me aventurava em uma boa fantasia. Quando li “Um tom mais escuro de magia” acreditei ter em mãos uma saga promissora, com bons personagens e um mundo cheio de conflitos interessantes. Cabia a “Um encontro de sombras” desenvolver o que havia sido apresentado no primeiro livro. 

Há quatro meses, Kell escolheu unir sua vida a do seu irmão, Rhy, a fim de salvá-lo, mas desde lá o clima não está muito bom entre a família real na Londres Vermelha. Na mesma noite, Delilah Bard se afastou do Antari para continuar suas aventuras e descobrir a sua relação com a magia. Agora, com a aproximação de um torneio de magia - Os Jogos Elementais – os perigos podem se intensificar e os caminhos se cruzar novamente. Enquanto isso, na Londres Branca, um novo rei surge disposto a tudo para reconstruir o reino.

Quando terminei “Um tom mais escuro de magia”, eu não tinha a menor ideia do que esperar do segundo livro, principalmente porque os três grandes vilões estavam mortos. Isso só aumentou as minhas expectativas. Afinal, se o autor tem coragem de matar grandes personagens no início é porque ele sabe que sua história sobrevive sem eles e que há muito mais para ser explorado. O mundo criado por V.E Schwab sem dúvida é promissor a esse ponto. As quatro Londres e suas relações com a magia, o relacionamento dos irmãos Kell e Rhy, a misteriosa (e cheia de atitude) Lila e seus poderes adormecidos eram ingredientes que a autora poderia manipular como o melhor dos Antari e construir uma grande saga. Mas infelizmente, seu segundo livro se mostrou preguiçoso.

Durante as primeiras trezentas páginas (que correspondem a mais da metade do livro), a autora move as peças a fim de dar início aos Jogos, criando expectativa para a importância destes. Isso não só começa a se tornar cansativo a partir de certo ponto, como se mostra uma total decepção quando vemos que os jogos nada mais são do que algumas batalhas que não têm consequência nenhuma para a história. O único aspecto relevante dos jogos é mostrar a evolução da relação de Lila com a magia (que de fato é algo importante e o mais interessante desde segundo livro), mas isso é algo que poderia ser feito de inúmeras outras formas, enquanto o torneio pareceu uma solução preguiçosa em uma história que, sem ter praticamente trama, tenta usar de cenas de batalhas para empolgar seu leitor.

“Todos estamos aqui por uma razão, Bard. Apenas acontece que algumas razões são maiores do que outras. Então acho que eu não tenho medo de quem você é ou mesmo do que você é. Estou com medo da razão por que você está aqui.” (SCHWAB, 2017, p. 237)

Aliás, essa demora em engrenar a trama foi algo que também comentei sobre o primeiro livro, mas lá era totalmente justificado, já que a autora precisava de tempo para apresentar esse mundo para o leitor, algo que não se aplica ao segundo livro.

E o que aconteceu com o mistério que cerca Lila? Sim, neste livro ela começa a explorar a magia, mas não é o fato de a personagem ter poderes que é interessante e sim o seu histórico e as consequências de ela desenvolver esse poder em um mundo que respira magia (sendo que outros mundos foram consumidos por ela).

Quanto a Kell, o Antari também me decepcionou. Sim, ele continua uma alma atormentada, mas neste livro seus conflitos deixaram de ser seus e passaram a estar ligados apenas a Rhy. Tanto o personagem foi engolido que inclusive a sua função como Antari e mesmo as suas atividades ilícitas foram totalmente eliminadas para dar lugar ao torneio.

Mas o que mais me incomodou é que tudo que acontece em “Um encontro de sombras” poderia acontecer em qualquer mundo (afinal, a trama desde livro se resume a uma série de batalhas e um vilão se aliando a alguém para destruir o mocinho), enquanto o que é específico das quatro Londres criadas por Schwab é desperdiçado pela autora. O renascimento da Londres Branca é, sem dúvida, um aspecto interessante que não ganha espaço nenhum a não ser pelas últimas 30 páginas para as quais a autora reserva um cliffhanger previsível.

Um encontro de sombras” usa dos personagens que nos conquistaram no livro anterior, mas sem saber o que fazer com eles, entregando uma história quase vazia que se estende por muito mais páginas do que o necessário. A típica Maldição do Segundo Livro.

Título: Um encontro de sombras
Autora: V.E Schwab
N° de páginas: 558
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora 

Compre: Amazon - Submarino
Gostou da resenha? Então compre o livro pelo link acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

RESENHA: Vidas Muito Boas

Vidas Muito Boas J.K. Rowling
Vidas Muito Boas consiste na transcrição do discurso de paraninfa de J.K. Rowling aos formandos da Universidade de Harvard. Tendo me tornado um leitor assíduo por causa das aventuras do bruxinho mais famoso da literatura, estava ansioso para conferir as lições da autora. 

Falando a partir de sua experiência, Rowling compartilha por que considera o fracasso que vivenciou como uma experiência enriquecedora. Afinal, foi o fracasso que lhe deu forças e determinação para focar naquilo que mais lhe era caro: escrever. Segundo a autora, o fracasso é inevitável. Mas apesar do sofrimento, são estes momentos que nos fazem crescer e que testam a força dos nossos relacionamentos. 

“Então, por que falo das vantagens do fracasso? Simplesmente por que fracassar significa se despojar do que não é essencial. Parei de fingir para mim mesma que eu era qualquer outra coisa além do que eu realmente era e comecei a direcionar toda a minha energia para a conclusão do único trabalho que me importava. [...]. E assim, o fundo do poço tornou-se a base sólida sobre a qual reconstruí minha vida.” (ROWLING, 2017, p. 34/35)

Além disso, Rowling também destaca o importante papel que a imaginação desempenha na sociedade, e não apenas por que foi uma ferramenta na reconstrução de sua vida. A imaginação, na verdade, é algo muito maior: é a porta para a empatia. Afinal, é através dela que podemos nos colocar no lugar dos outros e sentir o que eles sentem. E assim, temos a obrigação de ser a voz daqueles que não tem voz por estarem em meio a situações críticas. 

“A imaginação não é apenas a capacidade exclusivamente humana de idealizar o que não existe e, portanto, a fonte de toda a invenção e inovação; em sua capacidade seguramente mais transformadora e reveladora, é o poder que nos permite sentir empatia pelas pessoas cujas experiências nunca partilhamos.” (ROWLING, 2017, p. 41)

O texto é fluído e por ser um discurso breve, a leitura pode (e deve) ser feita de uma só vez. Além disso, a edição está extremamente caprichada, contando com capa dura e bela ilustrações que complementam o texto. 

Apesar de curto, Vidas Muito Boas é um livro impactante e que nos faz refletir sobre nossos próprios fracassos — e até mesmo sobre concepção de fracasso — e sobre o poder da imaginação, que é maior do que qualquer feitiço ou poção. Por fim, registro que Vidas Muito Boas é o tipo de livro que deve ficar na cabeceira da cama e relido de tempo em tempos. 

Título: Vidas Muito Boas
Autora: J.K. Rowling
N.º de páginas: 80
Editora: Rocco
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelos links acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.
 

Além da Contracapa Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger