Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.
Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou a coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles.
Não são todos os leitores que se interessam pelo campo de batalha, por cenas de luta ou pelas estratégias para vencer o adversário. Entretanto, há livros que utilizam deste elementos, mas que não se limitam a eles. Então, selecionamos três livros de guerra que podem interessar quem não se interessa por essa temática.
O Pacifista
Tristan é um jovem que se alistou para lutar na Primeira Guerra mundial e mesmo que boa parte do livro se desenvolva em pleno front de batalha, a estória de O Pacifista não diz respeito à guerra. Está é, na verdade, apenas o cenário em que vemos os personagens vivenciando profundos conflitos de identidade e onde descobrem o verdadeiro significado das palavras coragem e covardia. Apesar do contexto violento, Boyne escreveu um drama absurdamente humano e emocionante, que nos faz refletir sobre assuntos que vão muito além da guerra.
A Casa das Sete Mulheres
A Guerra dos Farrapos foi a mais longa guerra civil brasileira e embora muitos autores já tenham contando essa estória pelo ponto de vista dos generais que lideraram a revolução, Letícia Wierchowski teve a brilhante ideia de olhar para outros personagens: as mulheres que estavam longe da batalha, mas que viveram suas consequências de forma tão intensa quanto os que lutavam. E embora a guerra seja sempre um constante na vida daquelas mulheres — pois estão preocupadas com seus maridos e filhos — o cerne de A Casa das Sete Mulheres diz respeito aos dramas que elas vivenciam no isolamento e na solidão deste cenário.
O Rei do Inverno
Impossível falar em livros de guerra e não mencionar Bernard Cornwell. O autor sabe escrever sobre batalhas como poucos, narrando a ação de forma empolgante a ponto de fazer o leitor ficar sem fôlego. Mas O Rei do Inverno irá prender a atenção até mesmo daqueles que não se interessam pela adrenalina da batalha, pois Cornwell cria uma trama extremamente criativa e verossímil para recontar a estória do Rei Artur. O autor se atém ao panorama histórico do período, mas não tem medo de se apropriar dos personagens que vivem no imaginário popular e contar a estória ao seu modo. O Rei do Inverno é o primeiro volume da série As Crônicas de Artur.

















