quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

PROMOÇÃO: Carna Livros



O Carnaval está chegando e não podíamos deixar essa data tão característica do nosso país passar em branco. Por isso, o Além da Contracapa se reuniu a quatro blogs amigos para fazer uma grande festa: seis livros para apenas um ganhador. Confiram!

Participantes


Regras

- A promoção terá duração de um mês, do dia 31/01/2018 ao dia 28/02/2018;
- A opção obrigatória vale 1 ponto, enquanto as opcionais valem 5 pontos cada;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo todos os os Twitters;
- Na opção "Visitar a Página" não basta apenas passar por ela, é preciso curtir;
- Após o término da promoção, o Roendo Livros e o Ei Nati têm até sete dias úteis para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- É obrigatório residir em território nacional ou ter endereço de entrega no Brasil;
- O Roendo Livros e o Ei Nati não se responsabilizam pelos livros enviados pelos blogs parceiros;
- O Roendo Livros, o Ei Nati e os parceiros não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados nos livros. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e/ou ausência de recebedor. Os livros não serão enviados novamente;
- O Roendo Livros e o Ei Nati se reservam ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento;
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

Prêmios

Como Falar Com Garotas em Festas, Neil Gaiman
Terrível Encanto, Melissa Mar
Claros Sinais de Loucura, Karen Harrington
O Fantástico Alfabeto Lovecraft, Greg Murphy & Jason Ciaramella
O Coletor de Espíritos, Raphael Draccon
Fraude Legítima, E. Lockhart

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Porque é o leitor quem faz a leitura

Existem momentos para determinados livros. Acredito nisso porque inúmeras vezes conclui uma leitura sem a sensação de que ela havia atingido seu objetivo e que o problema estava em mim, na maneira como eu li, mais do que no livro em si.

Comecei a perceber isso há alguns anos quando, depois de me arrastar por semanas para ler “Os Homens que não amavam as mulheres”, não gostei da leitura. Na ocasião, meu parecer foi: “É uma boa história, mas o livro é chato.” Por sorte, anos depois, um passeio na biblioteca me despertou a curiosidade de conhecer a história completa. Para isso, decidi reler o primeiro livro da trilogia e qual não foi a minha mudança de opinião. Hoje digo: “O livro é ótimo! Um pouco lento, é verdade, mas ótimo.” O que aconteceu? As frases não mudaram, os personagens não mudaram, a história não mudou. Então o que fez a diferença? Simples: a maneira que eu li. Em alguns casos poderia ter havido até um amadurecimento nessa mudança, mas nesse caso em específico foi mais simples: li mais rápido. Com menos dias envolvidos na leitura, a sensação de que os eventos se arrastavam e nada acontecia se dissipou e eu consegui aproveitar a impactante jornada criada por Stieg Larsson.

Desde então aprendi a esperar pelo momento certo para certas leituras e, na maioria das vezes, tenho dado sorte com isso.

No ano passado, depois de contar os dias ansiosamente para ler “O Labirinto dos Espíritos”, eu tive o juízo de perceber que, com a rotina de trabalho que eu tinha naquele momento, não poderia me dedicar à leitura (ainda mais se tratando de um livro de 700 páginas!). O que fiz foi esperar até o recesso de final de ano e esses meses me recompensaram com uma aventura maravilhosa.

Mais algumas historinhas: um dos meus livros favoritos dos últimos anos, “Sobre meninos e lobos” ficou anos na minha estante até que um dia eu olhei para ele (talvez tenha sido ele que olhou para mim) e disse: “Vem cá. Chegou a sua vez.” Até então, tudo que eu dizia para ele era: “Um dia”. Talvez se eu tivesse lido em outro momento, o livro tivesse sido mais pesado do que eu poderia suportar, mas naquela ocasião foi um choque de realidade tão brutal e envolvente que nunca esqueci seus personagens e seus dramas (e coloquei seu autor na minha lista de favoritos). 

Posso citar também meu caso com “O Morro dos Ventos Uivantes”, que li há uns 12 anos e elegi como um dos meus clássicos favoritos da vida. Desde então tenho vontade de reler, mas nunca arrisquei fazer isso com medo de me decepcionar, de não ver mais a história com os mesmos olhos e perder o encanto, em especial porque, recentemente, o gênero “clássicos” não tem me atraído tanto.

O fato é: uma leitura se faz de mais do que apenas as frases que o autor escreveu e tem muito do leitor que a tem em mãos. Além disso, um leitor se faz da bagagem literária que carrega e os livros que você leu antes interferem no livro que você está lendo agora. Os suspenses que eu devorava há anos hoje me parecem “mais do mesmo”. Talvez o problema não esteja nos livros e sim em mim que já li tramas com os mesmos contornos muitas outras vezes. Por outro lado, posso me arriscar em uma leitura de um gênero que pouco costumo conferir e, mesmo que ele tenha a trama mais batida do gênero, pode me conquistar porque é um mundo novo para mim.

É pela mesma razão que tantas vezes somos acometidos pela tal “ressaca literária”. Às vezes, não é que o livro que você leu depois daquele livro maravilhoso-que-vai-marcar-sua-vida-para-sempre não seja tão bom. É só que você não escolheu o momento certo para a leitura. Não é que aquele outro livro seja fenomenal. É que naquele momento tudo que você queria era uma leitura leve e despretensiosa e não uma obra-prima que Hemingway gostaria de ter escrito. Resultado: o livro acertou você em cheio porque era exatamente o que combinava com o seu momento. Leitor satisfeito. Missão cumprida.

O livro não é apenas a história que ele conta. É a bagagem do leitor que se soma ao universo criado pelo autor. Por isso mesmo, o livro é mutável. Os acontecimentos podem ser os mesmos, mas a história não será a mesma caso lida em outro momento. Porque livros têm vida e quem dá isso a eles somos nós, leitores.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

RESENHA: Um de nós está mentindo

Um de nós está mentindo - Karen M.McManusUm grupo de alunos de ensino médio e um deles acaba morto. A premissa não é exatamente original, mas pode render uma ótima história quando bem executada. Quando a prova cedida antecipadamente pela Editora Galera Record chegou para nós, foi com esse pensamento que dei uma chance à leitura e, por sorte, Karen M. McManus soube executar muito bem a premissa em “Um de nós está mentindo”.

No colégio, todo mundo conhece Simon, especialmente porque a maioria já teve o azar de ter seus segredos revelados no aplicativo “Falando Nisso”, criado e editado por ele. Bronwyn é a nerd que sonha com as maiores universidades; Addy, a menina popular por ser namorada de um atleta popular; Cooper, outro dos atletas populares, que coleciona olhares de recrutadores de times de baseball; e Nate é o bad boy que está em liberdade condicional por ser pego traficando drogas. Os cinco estão longe de formar um grupo de amigos, mas se encontram um dia na detenção tendo certeza de que foram falsamente incriminados. Mas durante a detenção algo terrível acontece: Simon morre devido a uma reação alérgica (algo que todos na escola sabiam que ele tinha). Imediatamente, os quatro se tornam suspeitos e suas vidas viram de cabeça para baixo.

A história é narrada intercalando os pontos de vista de Bronwyn, Cooper, Nate e Addy e não demora para percebermos que há mais camadas nesses personagens do que julgamos à primeira vista. Conforme conhecemos suas relações familiares, seus segredos e a maneira como lidam com toda a tragédia, vamos aos poucos nos importando com eles (algo, de certa forma, angustiante já que um deles pode ser um assassino).

É claro que existem os velhos clichês das histórias de adolescentes, mas ao invés de fugir deles, McManus os abraça e extrai o melhor que podem oferecer, manipulando bem os estereótipos. Addy acaba se tornando aquela menina com quem você quer fazer amizade apenas para poder aconselhá-la; Nate é aquele de quem você sabe que deve ficar longe, mas talvez tudo o que ele precisa é que alguém não pense isso sobre ele; Cooper é aquele que quer fazer a coisa certa, mas não sabe escolher o que é mais importante; e Bronwyn se mostra forte e determinada quando necessário.

“Algumas pessoas são tóxicas demais para viver. Simplesmente são.” (McMANUS, 2018, p. 103)

Em meio a tudo isso, o desfecho se revela criativo e bastante satisfatório. Eu devo confessar que fiquei surpresa com a resolução do caso da morte de Simon e que a ideia jamais havia passado pela minha cabeça, embora todas as pistas estivessem ali para serem captadas. Esse foi outro ponto em que a autora me ganhou, pois eu adoro quando um autor consegue me fazer dizer: “Estava ali o tempo todo! Como é que eu não percebi?

A narrativa é fluida e envolvente, tanto que li o livro em apenas dois dias. Eu poderia dizer que as vozes narrativas dos personagens deveriam ser mais diferentes entre si, mas “Um de nós está mentindo” não é o tipo de livro que se lê para encontrar um grande texto e sim um bom entretenimento e esse papel ele cumpre muito bem.

Mesmo se tratando de uma história de assassinato não é só de suspense que se faz “Um de nós está mentindo”. Há ainda espaço para romance e para pensarmos sobre o quanto o que as pessoas esperam de nós é responsável por aquilo que fazemos e nos tornamos.

Usando de “lugares comuns” totalmente a seu favor, Karen M. McManus cria uma história que não vai virar a sua cabeça, mas que sabe fisgar desde as primeiras páginas e manter o leitor cada vez mais interessado e cativado. Uma deliciosa e viciante surpresa.

O lançamento do livro está previsto para fevereiro

Título: Um de nós está mentindo
Autora: Karen M. McManus
N° de páginas: 384
Editora: Galera Record
Prova cedida pela editora

Compre: Amazon
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

RESENHA: Lembra Aquela Vez

Lembra Aquela Vez Adam Silvera
Em Lembra Aquela Vez conhecemos Aaron, um garoto de 16 anos com um passado conturbado: tentou o suicídio após encontrar o corpo do pai, que se matou na banheira de casa. Para superar o passado, Aaron encontra apoio em sua namorada, Genevieve, e em sua recente amizade com Thomas. Mas quando ele se sente sufocado por sentimentos que não entende, cogita ser submetido a tecnologia do Instituo Leteo: apagar lembranças dolorosas. 

O início do livro me pareceu bastante monótono. Somos apresentados ao protagonista e aos demais personagens, bem como ao contexto da estória. O problema é que fiquei com a impressão de que o autor narrou muitos episódios comuns e de pouca importância para o desenvolvimento da estória. 

Foi somente depois das primeiras cem páginas que senti a estória engrenar de verdade, porém, outro aspecto me desagradou: Aaron parece se tornar outra pessoa de forma extremamente abrupta. Ou seja, não houve uma progressão natural nos pensamentos, sentimentos e atitudes do protagonista. 

Fui fisgado pela estória apenas na metade do livro, quando um plot twist surpreendente me fez pular da cama. Silveira teve o cuidado de planejar esta reviravolta, deixando pistas ao longo da estória, porém, admito que não consegui ligar os pontos. É partir deste momento que entendemos todo o contexto da trama e que percebemos a complexidade da estória. 

O ponto alto do livro certamente são as reflexões proporcionadas pelo cenário da estória. Vale a pena apagar memórias dolorosas? E sem elas, poderemos ser verdadeiramente felizes? Ou nos tornaríamos outras pessoas? Estaríamos apagando uma parte de quem somos? 

“Memórias: algumas nos atinges de surpresa, outras nos levam adiante; algumas ficam conosco para sempre, outras esquecemos sozinhos. Não podemos saber de verdade a quais sobreviveremos se não continuarmos no campo de batalha, com os momentos ruins disparando em nossa direção como projéteis. Mas, se tivermos sorte, teremos momentos bons o bastante para nos proteger.” (SILVERA, 2017, p. 285)

A temática LGBT também está presente e assuntos como aceitação, preconceito, identidade e autodescobrimento também são abordados. Porém, um aspecto que me incomodou durante toda a leitura foi a incapacidade de Aaron em aceitar a verdade de outra pessoa. Sou da opinião que cada pessoa tem sua verdade e ninguém tem o direito de questionar ou duvidar disso. 

O desfecho da estória também me surpreendeu e mostrou que o autor tem coragem para se manter fiel a estória que desejava contar, mesmo correndo o risco de desagradar alguns leitores. É um final que nos deixa com o coração na mão e que não coloca todos os pingos nos is, mas me pareceu a forma certa de encerrar o livro. 

Lembra Aquela Vez conta com uma premissa criativa e original, além de ótimas reflexões, porém, preciso admitir que não me conectei o suficiente com o protagonista, de modo que a leitura não foi tão marcante quanto esperava. 

Título: Lembra Aquela Vez
Autor: Adam Silvera
N.º de páginas: 331
Editora: Rocco Jovens Leitores
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
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domingo, 21 de janeiro de 2018

RESENHA: H.P. Lovecraft - Medo Clássico - Volume 1

H.P. Lovecraft / Medo Clássico / Darkside Books
Sou da opinião que todo grande nome da literatura ganhou seu status por uma razão e que alguém que se declara amante de livros deveria tentar conhecer pelo menos uma obra de cada um desses autores, independente do gênero que escrevam. H.P. Lovecraft é um deles. Por isso, quando a Darkside nos enviou de surpresa um exemplar de sua coletânea de contos, eu não perdi tempo e tratei de descobrir porquê Lovecraft se tornou um dos maiores nomes da literatura de terror, inspirando grandes autores como Stephen King.

Confesso que o tipo de terror normalmente associado a Lovecraft não é o tipo que me atrai. Gosto sim de terror – e muito! -, mas prefiro o terror psicológico a um terror com monstros. Provavelmente por isso, o conto com o qual mais me identifiquei foi “O Depoimento de Randolph Carter” , uma breve história de 9 páginas na qual o personagem título é interrogado a respeito de uma noite em que acompanhava seu amigo Harley Warren em uma pesquisa em um cemitério. O cenário é clichê, claro, mas é preciso lembrar que o conto data de 1919 quando, em muitos aspectos, o gênero ainda engatinhava.

O que faz o conto funcionar é o medo palpável de Carter. Não sabemos o que aconteceu naquela noite (nem ele mesmo sabe), mas sua narrativa não deixa dúvidas que ele ainda está aterrorizado com seja lá o que for que eles tenham testemunhado. O conto não traz respostas e essa também é uma das razões pelas quais funciona, afinal, nada mais assustador do que o desconhecido.

Lovecraft é um desses autores que, assim como Poe, parece se preocupar mais em criar uma atmosfera do que em desenvolver histórias. Talvez por isso, o texto conte com uma grande quantidade de adjetivos, algo que não funcionou para mim em muitos momentos, pois me desconectava do que estava sendo narrado. Ainda assim, é inegável que as imagens que o autor cria deixam muito para a imaginação.

“Então, com um derradeiro e intolerável toque, senti aquela corrente de ar frio, tênue e insidiosa, fluindo de um local mais baixo, próximo ao centro do enorme monte. Instantaneamente, como antes, minhas visões se esvaíram, e então vi novamente apenas a maléfica luz do luar, o taciturno deserto e os túmulos de cantaria paleógena espalhados. Agora algo real e tangível, ainda que repleto de sugestões infinitas de um mistério notívago, me confrontava.” (LOVECRAFT, 2017, p. 338) 

O livro faz parte da Coleção Medo Clássico, lançada pela Darkside Books, e que já conta com nomes como Edgar Allan Poe e Mary Shelley. No prefácio desta edição, a editora fala sobre a importância do autor dentro do gênero, sobre o desprezo que seus textos sofreram na época em que Lovecraft era vivo, sobre o estilo do autor e ainda sobre alguns contos selecionados para este primeiro volume. Impossível não ficar morrendo de vontade de conferir o que vem a seguir. A edição conta ainda com reproduções de materiais originais (entre eles anotações do autor) e textos sobre as comparações entre Lovecraft e Poe e ainda sobre a influência de Lovecraft na cultura pop.

Título: H.P.Lovecraft – Medo Clássico Volume I
Autor: H.P. Lovecraft
N° de páginas: 384
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

RESENHA: Belas Adormecidas

Belas Adormecidas Stephen King
Quem acompanha o blog sabe que somos fãs assumidos de King e eu particularmente gosto de seus livros mais extensos, como Sob a Redoma e Novembro de 63. E Belas Adormecidas não apenas era um livro grande, mas também contava com uma sinopse promissora. 

Um estranho fenômeno deixa o mundo em pleno caos: as mulheres que adormecem são envolvidas por um casulo. E aquele que tentam libertá-las se tornam alvo de uma reação violenta e brutal, e se sobrevivem ao ataque apenas testemunham as mulheres voltarem a dormir. Em poucos dias, a maioria da população feminina está envolta em casulos, mas na pequena cidade de Dooling uma mulher desafia a lógica: ela é a única que consegue dormir e acordar.

Mais uma vez, King parte de uma premissa sobrenatural para explorar ações e reações tipicamente humanas. E mesmo que a situação em si seja inimaginável, o contexto criado pelos autores transborda verossimilhança. 

Preciso registrar que Belas Adormecidas me lembrou bastante a dinâmica de Sob a Redoma: além de ambas se desenvolverem em cidades pequenas e contarem com disputas de poder, as duas situações são maiores do que seus personagens. E embora até existam personagem de maior destaque, nenhum dos livros conta exatamente com um protagonista, pois acompanhamos diversas pessoas e como suas vidas são influenciadas por esse contexto inesperado. 

Ainda sobre os personagens, fico pasmado com a maestria com que os autores desenvolveram cada um deles. King sempre consegue ir além da divisão heróis e vilões, mostrando a complexidade das relações humanas em um nível que poucos escritores conseguem. Já disse por aqui que King faz um excelente trabalho na construção dos antagonistas, e dessa vez não foi diferente: mais uma vez encontramos uma personagem que consegue ser detestável, mas ao mesmo tempo entendemos suas motivações. 

A trama da estória é extremamente audaciosa e costura a vida de diversos personagens em uma reação em cadeia explosiva. Apesar do início da estória ser um pouco mais vagaroso — em virtude da necessidade de apresentação dos personagens e do contexto em vivem antes da chegada da epidemia —, a narrativa se torna viciante quando a situação começa a escalar. 

“Havia mulheres ruins e homens ruins; se alguém podia alegar o direito de fazer essa declaração, Lila, que havia prendido muitos dos dois, sentia que era ela. Porém, os homens brigavam mais; eles matavam mais. Essa era uma das coisas em que os sexos nunca tinham sido iguais: eles não eram igualmente perigosos.” (KING & KING, 2017, p. 507)

Confesso que o livro me pareceu um pouco extenso demais. Tenho dúvidas se as mais de setecentas páginas eram realmente necessárias para o desenvolvimento da estória, especialmente na primeira metade, quando o leitor já consegue prever o que acontecerá a seguir. 

Belas Adormecidas é o tipo de livro que diz respeito a jornada. Os autores exploram o que aconteceria em um mundo sem mulheres e quais seriam as reações dos que ficaram, sendo que os porquês da situação em si recebem pouca ênfase. Assim, leitores que necessitam de explicações detalhadas podem se sentir frustrados. 

Para quem tem um pé atrás com livros escritos a quatro mãos, saliento que pai e filho souberam como trabalhar juntos, pois em nenhum momento foi possível sentir uma mudança no estilo narrativo. 

Apesar de não ter se tornada minha obra favorita de King, Belas Adormecidas conta com todos os elementos que fazem do autor um dos meus queridinhos: trama bem amarrada, personagens habilmente desenvolvidos e uma estória viciante

Título: Belas Adormecidas
Autor: Stephen e Owen King
N.º de páginas: 724
Editora: Suma
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

[Livros de guerra] para quem não gosta de [livros de guerra]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou a coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

Não são todos os leitores que se interessam pelo campo de batalha, por cenas de luta ou pelas estratégias para vencer o adversário. Entretanto, há livros que utilizam deste elementos, mas que não se limitam a eles. Então, selecionamos três livros de guerra que podem interessar quem não se interessa por essa temática. 

O Pacifista

Tristan é um jovem que se alistou para lutar na Primeira Guerra mundial e mesmo que boa parte do livro se desenvolva em pleno front de batalha, a estória de O Pacifista não diz respeito à guerra. Está é, na verdade, apenas o cenário em que vemos os personagens vivenciando profundos conflitos de identidade e onde descobrem o verdadeiro significado das palavras coragem e covardia. Apesar do contexto violento, Boyne escreveu um drama absurdamente humano e emocionante, que nos faz refletir sobre assuntos que vão muito além da guerra. 



A Casa das Sete Mulheres

A Guerra dos Farrapos foi a mais longa guerra civil brasileira e embora muitos autores já tenham contando essa estória pelo ponto de vista dos generais que lideraram a revolução, Letícia Wierchowski teve a brilhante ideia de olhar para outros personagens: as mulheres que estavam longe da batalha, mas que viveram suas consequências de forma tão intensa quanto os que lutavam. E embora a guerra seja sempre um constante na vida daquelas mulheres — pois estão preocupadas com seus maridos e filhos — o cerne de A Casa das Sete Mulheres diz respeito aos dramas que elas vivenciam no isolamento e na solidão deste cenário. 


O Rei do Inverno

Impossível falar em livros de guerra e não mencionar Bernard Cornwell. O autor sabe escrever sobre batalhas como poucos, narrando a ação de forma empolgante a ponto de fazer o leitor ficar sem fôlego. Mas O Rei do Inverno irá prender a atenção até mesmo daqueles que não se interessam pela adrenalina da batalha, pois Cornwell cria uma trama extremamente criativa e verossímil para recontar a estória do Rei Artur. O autor se atém ao panorama histórico do período, mas não tem medo de se apropriar dos personagens que vivem no imaginário popular e contar a estória ao seu modo. O Rei do Inverno é o primeiro volume da série As Crônicas de Artur. 

 

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