Quem acompanha o blog sabe que a leitura de O Pacifista foi o suficiente para me tornar fã de John Boyne, sendo que o livro conquistou a primeira posição na minha Retrospectiva Literária de 2017. Por isso mesmo, uma das minhas maiores Expectativas Literárias para esse ano era O Garoto no Convés.
John Jacob Turnstile é um jovem que vive de pequenos furtos nas ruas de Portsmouth, até que um dia é flagrado roubando um relógio. A polícia o conduz para o tribunal e a sentença a ser enfrentada é de doze meses. Porém, para sua surpresa, é a vítima do crime que vem em seu auxílio e lhe propõe que trabalhe no navio Bounty por dezoito meses como criado do capitão. Turnistile aceita a proposta e acaba embarcando em uma vida repleta de aventuras e lições.
O livro é narrado em primeira pessoa por Turnstile, sendo impossível não se afeiçoar ao jovem que teve uma vida difícil, mas que mesmo assim não perdeu a inocência, nem a ingenuidade. A meu ver, O Garoto no Convés é um romance de formação, pois vemos como os episódios vividos a bordo do Bounty moldam o caráter do protagonista.
Não apenas por ser um romance de formação, mas também por contar com a Marinha britânica como pano de fundo, temas como honra, lealdade, dever e responsabilidade são uma constante, sendo que aparecem de forma natural na estória. Além disso, o autor também aborda assuntos como sobrevivência, amadurecimento e amizade, provocando diversas reflexões.
“Nada melhor que o arrependimento e pedidos de desculpa, mas certas coisas que acontecem na vida de uma pessoa ficam tão impressas na memória e tão gravadas no coração que é impossível esquecê-las.” (BOYNE, 2013, p. 99).
Mais uma vez, Boyne me surpreendeu como sua capacidade de construir personagens extremamente complexos. Já nas primeiras páginas conseguimos ter uma ideia clara sobre a personalidade de cada um deles, até mesmo dos personagens secundários. E é justamente por causa disso que entendemos como o Bounty se tornou um terreno fértil para um motim.
Entretanto, preciso admitir que uma parte do livro — que é dividido em cinco partes — me pareceu um pouco monótona e demasiadamente longa. Isso por que havia poucos acontecimentos a serem narrados, de modo que fiquei com a impressão de que a estória não estava chegando a lugar nenhum.
Apesar de não ter sido tão marcante ou intenso quanto O Pacifista, O Garoto no Convés foi uma excelente leitura e mostrou que Boyne é um autor talentoso e multifacetado, que consegue escrever com a mesma delicadeza e ternura para públicos diferentes.
Título: O Garoto no Convés
Autor: John Boyne
N.º de páginas: 323
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora














