Existem alguns temas que sempre despertam meu interesse. A máfia é um deles. Além dos filmes e livros de ficção, já li alguns livros sobre a trajetória real de organizações criminosas, tanto na Itália quanto nos Estados Unidos. Por isso, quando descobri “Os Últimos Mafiosos” fiquei imediatamente interessada, embora tenha deixado o livro parado por anos na minha estante, esperando que o momento para a leitura chegasse.
Escrito pelo jornalista John Follain, o livro conta os eventos que levaram à ascensão e à queda dos Corleoneses, o maior clã da Cosa Nostra, surgido na cidade de Corleone, na Itália, após a Segunda Guerra Mundial.
Sem pressa, o autor nos conduz de 1905 (ano de nascimento do médico Michele Navara que deu início ao clã) até 2006, quando foi preso o último dos grandes chefões, Bernardo Provenzano. Nesse intervalo, alguns nomes se destacam, principalmente os do juiz Falcone (que pagou com a própria vida pelo seu trabalho contra a organização criminosa) e o de Salvatore Riina (o mais violento dos chefões).
No livro de Follain fica claro que toda a atuação da máfia está relacionada a uma maneira peculiar de enxergar o poder. Não tem a ver apenas com o dinheiro proveniente das ações criminosas (do tráfico, dos subornos, dos pagamentos por proteção...), mas também com status. Não tem a ver apenas com se manter fora das grades, mas também com preservar uma reputação que vem sido construída ao longo de décadas.
“Mate os inimigos um a um, sempre que surgir uma oportunidade favorável para eliminá-los. E faça tudo de uma maneira ‘formalmente’ correta, de modo que nem sequer os amigos mais íntimos da vítima possam reagir, pois supostamente estão errados.” (FOLLAIN, 2010, p. 122)
A lealdade e a família estão acima de todas as coisas para um mafioso. Por isso, casos extra-conjugais são mal vistos e um homem deve proteger sua família acima de tudo. Traidores não serão poupados, assim como aqueles que se atravessarem no caminho e atrapalharem os planos da organização. Assim, a violência acaba sendo o meio de limpar a sujeira que se espalha onde as operações acontecem e o medo um dos seus principais instrumentos de trabalho. É um código de honra que sobrevive através do medo, do respeito e do silencio e não é à toa que os mafiosos se consideram “Homens de Honra”.
“Se um homem de honra tem que matar, ele mata. Sem questionar a si mesmo ou a quem quer que seja. Sem demonstrar compaixão. Se você hesitar entre matar ou não matar, também será um homem morto.” (FOLLAIN, 2010, p.99)
Embora o tema seja extremamente interessante, me estendi bastante na leitura e em alguns momentos perdi o folego (não no bom sentido). Isso porque, para mim, o calcanhar de Aquiles do livro foi seu gigantesco elenco. Claro que isso é de se esperar em um livro que narra eventos reais ao longo de um século, mas confesso que em alguns momentos eu me perdia sobre quem era determinado “personagem”, como ele havia surgido naquele cenário e qual sua ligação com os acontecimentos prévios. Citar tantas pessoas é inevitável em um livro como esse e também não é possível detalhar a jornada de cada um que aparece ao longo dessa trajetória, mas talvez a confusão pudesse ter sido resolvida com uma espécie de “Lista de Personagens”.
De um jeito ou de outro, não tira o mérito do livro de John Follain.
Para mim, o que mais fica da leitura não são os episódios e acontecimentos em si (os golpes, atentados, delações, assassinatos...), mas sim a maneira de pensar desses homens e das mulheres que os cercam. Para quem gosta do tema, “Os Últimos Mafiosos” é uma leitura fascinante.
“Você deve me perdoar pela distinção que faço entre a máfia e o crime comum, mas é importante para mim. É importante para todo mafioso. Nós somos mafiosos, os outros são apenas ralé. Nós somos homens de honra. E não tanto porque fizemos um juramento, e sim porque somos a elite do crime. Somos extremamente superiores aos criminosos comuns. Somos os piores de todos!” (FOLLAIN, 2010, p.33)
Título: Os Últimos Mafiosos: a ascensão e queda da família mais poderosa da máfia.
Autor: John Follain
N° de páginas: 367Editora: Larousse
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