Foi com a leitura de Perdão, Leonardo Peacock que Matthew Quick entrou na lista de autores que eu confiava cegamente. Porém, quando li Quase Uma Rockstar, minha confiança no autor despencou. Foi por causa deste livro que mantive distância dos últimos lançamentos do autor, mas fiquei intrigado quando li a sinopse de Todas as Coisas Belas e resolvi dar mais uma chance para o autor.
Nanette é uma aluna exemplar e filha comportada. Mas tudo muda quando seu professor preferido lhe presenteia com um exemplar do livro "O Ceifador de Chicletes". Nanette logo se identifica com a estória e acaba se tornando amiga de seu recluso autor, Nigel Booker. É através dele que Nanette conhece Alex, e encontra neles dois a força que precisava para ser quem realmente é.
Todas as Coisas Belas é narrado em primeira pessoa por Nanette. A narrativa de Quick é extremamente envolvente e o leitor se apega a protagonista rapidamente. Fazia tempo que eu não sentia uma identificação tão forte com um personagem e creio que isso se explique por que Nanette está em uma fase da vida pela qual todos já passamos ou passaremos.
A jornada da protagonista é inspiradora. Vemos que ela, em um primeiro momento, não sabe quem realmente é e não tem o controle sobre a própria vida. É no seu relacionamento com Booker e Alex que ela começa a descobrir suas verdadeiras aspirações e para de tentar satisfazer as expectativas alheias. Outro aspecto interessante e original é que Nanette, nessa busca intensa por si mesma, acaba se perdendo (por mais paradoxal que isso possa soar).
“Eu soube que tinha chegado ao fim da infância quando percebi que os adultos na minha vida não conheciam mais do que eu sobre a vida — então, como um flash, entendi que tudo o que havia se passado até aquele exato momento era uma espécie de jogo organizado pelos supostos adultos, que piscavam uns paro os outros quando ninguém estava olhando...” (QUICK, 2018, p. 123)
Alex também é um personagem interessantíssimo. Ele não é apenas alguém insatisfeito com a injustiça do mundo, mas também está decidido a agir e a fazer a diferença. O mais interessante é perceber que esta sua paixão por mudar as coisas, por mais bem intencionada que seja, revela traços de egoísmo. A relação entre os dois adolescentes é muito complexa e vital para a jornada de autodescobrimento e amadurecimento de Nanette.
Em determinado momento, a narrativa muda de primeira pessoa para terceira pessoa. E apesar de haver um motivo incrível para esta alteração, preciso reconhecer que na prática está não foi uma boa opção. Não sei explicar exatamente o porquê, mas a narrativa em terceira pessoa me soou estranho e, para mim, não funcionou. De certa forma, fiquei com a impressão de que a estória perdeu força com essa mudança.
Ainda assim, Todas as Coisas Belas foi uma leitura incrível, que conta com personagens bem desenvolvidos, uma trama bem amarrada e uma estória com a qual todos os leitores irão se conectar. Encerrei a leitura com um sorriso no rosto e feliz por ter dado uma nova chance ao autor. Felizmente, fizemos as pazes e mal posso esperar para ler outros livros de sua autoria.
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
N.º de páginas: 270
Exemplar cedido pela editora
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