Em Um Cavalheiro em Moscou conhecemos o Conde Aleksander Ilitch Rostov logo após a Revolução Russa. O membro da aristocracia é julgado e condenado à prisão perpétua, passando de hóspede a detento no luxuoso Hotel Metropol em Moscou.
O que me chamou atenção em Um Cavalheiro em Moscou foi a premissa extremamente original e criativa: como seria a reação de um Conde, acostumado luxo, quando não apenas perdesse sua liberdade, mas também a vida que conhecia? Imaginava que veríamos não apenas o Conde vivendo em um novo círculo social — os empregados do hotel —, mas que também compartilhasse suas lembranças de antigamente. Mas não foi isso que encontrei.
Infelizmente, achei que Um Cavalheiro em Moscou é um livro vazio e que certamente não precisava de suas quase quinhentas páginas para o desenvolvimento da estória. É verdade que vemos as interações do Conde com diversos personagens, mas poucos deles são realmente significativos. A exceção de dois ou três personagens, eu diria que o restante estava ali apenas para fazer volume e, como consequência, temos uma narrativa muito pulverizada, que quer mostrar um pouco de tudo, mas que não se aprofunda em nada.
O Conde é um protagonista interessante, mas fiquei frustrado por não conhecê-lo mais a fundo, especialmente o seu passado. Vemos apenas alguns vislumbres, alguns eventos mais marcantes de sua vida pré-revolução, mas que não foram suficientes a meu ver. Assim, a impressão que tive é que o protagonista foi subaproveitado e o leitor fica preso a sua vida absurdamente ordinária do presente: afinal, ele é um detento, com poucos afazeres e com liberdade restrita.
“Pois os tempos, de fato, mudam. Eles mudam implacavelmente. Inevitavelmente. Inventivamente.” (TOWLES, 2018, p. 83)
Também preciso registrar que achei o texto de Towles um pouco cansativo. Perdi as contas de quantos capítulos começavam com metáforas ou digressões e o problema é que o uso excessivo de tais recursos fez com que eles perdessem seu impacto. E cabe salientar que as digressões do autor me pareciam absurdamente irrelevantes para a trama.
Creio que a passagem do tempo talvez seja o aspecto mais interessante. O livro cobre um longo período da história russa e vemos as mudanças progressivas e paulatinas em um cenário que pouco mudou, pelo ponto de vista de um homem extremamente adaptável as novas circunstâncias.
No fim das contas, Um Cavalheiro em Moscou tinha um potencial enorme, mas que não foi aproveitado. Uma leitura um pouco maçante, um pouco blasé, que não empolga, nem intriga, mas que apenas promete. E não entrega.
Autor: Amor Towles
N.º de páginas: 460
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora
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