Na minha opinião, a trilogia Executores é uma das melhores séries de fantasia da atualidade e eu estava com expectativa em alta para conferir Calamidade, o último livro da saga. E o mais impressionante de tudo é que Brandon Sanderson não apenas atingiu minhas expectativas, mas conseguiu superá-las.
ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS do livro anterior. O restante da resenha é spoiler free.
Os Executores estão sem recursos, sem aliados e sendo perseguidos por um Alto Épico. Mas David acredita que descobriu como impedir que os Épicos sejam corrompidos por seus poderes. E para testar a teoria, eles vão para Ildithia, uma cidade de sal, com um plano ousado e com potencial de sobra para dar errado.
Já mencionei diversas vezes como acho a série Executores original, criativa e genial. Mas dessa vez, Sanderson me surpreendeu ainda mais do que eu esperava, pois é impossível não ficar impressionado com a inteligência do autor, que pensou em absolutamente todos os aspectos desse universo. É incrível ver como o autor consegue explorar todo o potencial do universo que criou, fornecendo as respostas que o leitor esperava.
A evolução do protagonista é palpável ao longo da saga. No início vemos um David mais irresponsável e consumido por vingança, mas desta vez vemos ele está agindo de forma mais racional e “pé-no-chão”. Suas responsabilidades entre os Executores também aumentam, fazendo com que ele assuma um papel de destaque no grupo.
“Era um sentimento comum; tentar explicar Épicos com ciência era enlouquecedor, no melhor dos casos. Quando os Estados Unidos aprovaram o Ato de Capitulação, que declarou os Épicos isentos do sistema jurídico, um senador explicou que não deveríamos esperar que leis humanas fossem capazes de subjugá-los quando eles não obedeciam nem mesmo as leis da física.
Mas, tolo ou não, eu ainda queria entender. Eu precisava que fizesse sentido.” (SANDERSON, 2018, p. 59)
Como esperado, Calamidade é o tipo de livro que te faz emergir completamente na estória e que você simplesmente não sente as páginas virarem. Além do ritmo intenso, o livro conta com altas doses de ação e adrenalina, fazendo com que o leitor fique sem fôlego do início ao fim. Nem é preciso dizer que o desfecho é uma verdadeira montanha russa de emoções, que me deixou com o coração na boca.
Inicialmente, eu imaginava que a série Executores se enquadraria apenas no gênero da fantasia. Porém, em Calamidade vemos que o autor flertou com elementos da ficção-científica e acertou em cheio, criando uma mistura exótica e deliciosa. Outro aspecto que merece destaque é o domínio de Sanderson sobre a estória, pois vemos como elementos do primeiro e segundo livros são relevantes para a conclusão da saga.
A meu ver, Sanderson é um dos poucos autores que tem a habilidade necessária para escrever uma série. É incrível ver como cada livro da saga tem estória própria, mas também faz parte de algo maior. Enquanto isso, a maioria das séries que vejo por aí contam com estórias ralas, desnecessariamente estendidas, e que só foram escritas em mais de um volume por fins comerciais.
Calamidade fechou uma série incrível com a chave de ouro e que colocou definitivamente Brandon Sanderson entre os meus autores favoritos. Uma obra com um universo riquíssimo e bem elaborado, e que ainda conta com personagens construídos com esmero, uma trama impecável e uma estória eletrizante. Sem a menor sombra de dúvidas, Executores foi a melhor série de fantasia que li nos últimos anos.
Título: Calamidade
Autor: Brandon Sanderson
N.º de páginas: 381
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora
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