segunda-feira, 25 de agosto de 2014

RESENHA: O Inverno de Frankie Machine

“Ele caçou gente o bastante para saber que as suas próprias mentes podem ser os seus piores inimigos. Começam a ver coisas que não estão ali e, então, pior, a não ver coisas que de fato estão. Eles se preocupam sem parar e se moem por dentro até que, quando você os encontra, ficam quase gratos. A essa altura, já foram mortos tantas vezes em suas mentes que a verdadeira morte é um alívio.” (WISLOW, 2014, p. 74)

Um thriller envolvendo uma história de máfia dificilmente não irá me despertar interesse. Ainda assim, “O Inverno de Frankie Machine” não era uma das minhas prioridades de leitura. Mas bastou ler as primeiras páginas disponibilizadas no site da Editora Intrínseca para que o livro me envolvesse, o que continuou fazendo até as últimas.

Não é fácil ser Frank Machianno. Aos 60 anos, ele acorda todos os dias para lidar com seus múltiplos negócios - iscas, venda de peixes, panos para toalhas e aluguel de imóveis - além de ser surfista nas horas vagar e lidar com as três mulheres da sua vida: sua ex, que insiste em jogar cascas de batata no triturador e depois chamá-lo para consertar o estrago; sua atual namorada, sofisticada e independente; e sua filha, que acabou de entrar na faculdade de medicina e com quem há pouco retomou o relacionamento. Frank vive dias ocupados e é bem quisto por todos na comunidade, mas o que essas pessoas não sabem é que Frank Machianno costumava ser um assassino profissional a serviço da máfia, o que lhe rendeu o apelido de Frank Machine. Afastado da vida de crimes, Frank recebe a visita do filho do seu ex-chefe que lhe pede um favor (e não se pode recusar um favor ao filho do chefe). Porém, a proposta acaba se revelando uma cilada quando dois homens tentam matá-lo. O problema é que Frank não tem a menor idéia de quem pode quer vê-lo morto e descobrir não será fácil, já que quanto mais Frank analisa seu passado, mais a lista de suspeitos cresce.

Don Winslow tem uma narrativa vibrante, cheia de energia, que cativa o leitor já na primeira frase (“Dá muito trabalho ser eu.”) e o compele a só querer saber mais sobre Frankie.

As primeiras cinquenta páginas se dedicam a apresentar um dia comum na vida do protagonista e mesmo que se saiba ter em mãos um thriller, e que durante esse desenvolvimento não se tem indício nenhum de tal gênero, nada deixa a desejar. Cada aspecto da vida de Frankie se torna atraente à medida que o acompanhamos de um negócio para outro, de uma companhia para outra. Isso permite ao autor estabelecer a personalidade do personagem antes de atirá-lo em meio a uma situação de stress.

Mas esse é apenas o começo da jornada, já que logo depois entramos no mundo da máfia californiana, onde não resta dúvidas que se trata de um thriller. Deparando-se com a tentativa de assassinato, Frank rememora seu passado em busca das respostas que podem salvá-lo. Por quê e, principalmente, quem quer matá-lo? Intercalando entre os flashbacks dos tempos de Machine de Frank e a fuga no presente, Winslow constrói um suspense ágil e tão recheado de intrigas e personagens (que podem se voltar uns contra os outros a qualquer momento) que é impossível prever o que irá acontecer ou quem é o mandante do assassinato de Frank Machianno (que, conforme as páginas passam, se torna cada vez mais carismático).

Frank foi um homem da máfia, um matador profissional temido, mas não é o típico personagem desse mundo, embora faça (quase) tudo que se possa esperar que alguém envolvido no submundo do crime organizado faça. Frank tem coração e consciência. Ele é tanto Machine quanto “o cara das iscas”.

Unindo o melhor das histórias de máfia com uma perseguição e um protagonista carismático, Don Winslow conseguiu criar um thriller explosivo, cujo ritmo não abranda em nenhum momento, e cuja trama adota a forma de uma corrente com incontáveis elos que precisam ser seguidos a fim de chegar a uma resposta. “O Inverno de Frankie Machine” é eletrizante e imprevisível.

Título: O Inverno de Frankie Machine (exemplar cedido pela editora)
Autor: Don Winslow
Nº de páginas: 347
Editora: Intrínseca

9 comentários:

Hangover at 16 (contato) disse...

Eita, pra um homem de 60 anos ele tá com a vida ainda bem corrida mesmo haha adorei sua resenha, gosto muito de ler suspense, então me interessei bastante por esse livro!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
Tem review da Bienal do Livro no blog, vem conferir!

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Quero muito ler esse livro, Mari. Adoro histórias de máfia, ainda mais depois de ter visto e lido O Poderoso Chefão. E seus comentários eram o que faltava pra me convencer de vez de que preciso ler esse livro. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Camylla Carvalho disse...

Olá! Confesso que não li nada parecido com esse livro mas tenho interesse pra ver se vou gostar... Nunca se sabe ne?!
http://foreverabookaholic.blogspot.com.br/

RUDYNALVA disse...

Mari!
Livro com um enredo onde o protagonista fez parte da máfia, mesmo que não seja mafioso, deve mesmo ser eletrizante e carregado de aventura.
Difícil livros que falem sobre a máfia e esse deve ser interessante pela forma como o autor colocou carisma no protagonista.
Gostei da resenha e fiquei bem curiosa para ler.
Boa semaninha!
cheirinhos
Rudy
Blog Alegria de Viver e Amar o que é Bom!

Manu Hitz disse...

Oi, Mari
Sabe que nunca li nenhum livro sobre a máfia? Fiquei curiosa com este livro. Gostei desse início mais tranquilo, que revela o dia a dia de um mafioso do porte de Frankie, mas que depois assume um ritmo alucinante e que deixa o leitor ávido pela ação e pelo desenrolar dos fatos.
Bela resenha, me conquistou e já desejo o livro.
Beijooo!

Minhas novas resenhas, adorarei saber sua opinião:
A verdade sobre nós: Ler para Divertir
A cor do leite: As Meninas que Leem Livros

Nardonio disse...

Quando se fala em thriller, sempre imagino que eles têm que começar já na adrenalina e seguir assim até o final. No caso desse, esse início em que o autor "prepara" toda sua trama, apresentando a personagem é muito legal. Isso nos deixa cada vez mais por dentro da história e faz toda a diferença. Ainda não li nada desse autor, mas fiquei com vontade de ler esse.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Pah disse...

Oi Mari, tudo bem?

Eu olho essa capa e não consigo ver um thriller, rsrs. Achei legal isso da máfia, foge um pouco do que estamos acostumados a ver por aí. Não sou tão chegada a esse gênero literário, mas achei a trama bem envolvente.

Beijos,

Pah - Livros & Fuxicos

Jamimmy Ribeiro disse...

Eu compraria só pela capa. Aliás, amo as capas e edições da intrínseca! Histórias com perseguição e suspense são sempre mais cativantes, e, pelo que percebi, isso é o que sobra nesse livro. Nem conhecia o livro até agora e minha lista já cresceu DDDD: Bjo

Liza Mikaelly disse...

Que legal! eu adoro Thriller! a capa está linda e o interessante é que a primeira vista eu não imaginaria que se tratava de uma historia deste porte porque ela é meio monótona com este barco mais parece um historia de percador e não de um assassino então achei a ideia de colocar uma capa oposta a historia legal. Gostaria muito de ler o livro. Beijos <3

Postar um comentário

 

Além da Contracapa Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger