Minha relação com Matthew Quick é um pouco conturbada, marcada por altos e baixos. Há livros que adorei, enquanto outros achei mais fracos. Este ano, fiz as pazes com o autor após ler Todas as Coisas Belas e foi então que decidi que era chegada a hora de ler sua obra mais famosa: O Lado Bom da Vida.
Pat recebeu alta de uma instituição psiquiátrica, mas não lembra o que fez para parar no “lugar ruim”, tampouco quanto tempo permaneceu internado. Sua única preocupação é reconquistar sua esposa, Nikki, que pediu um “tempo separados”. Porém, ao retomar sua vida, Pat começa a perceber que há lapsos em sua memória e, para completar, ele ainda precisa aprender a lidar com a nova dinâmica familiar.
A narrativa é feita em primeira pessoa, o que coloca o leitor em contato direto com o protagonista. Assim, sentimos toda a angústia e desorientação do personagem, ao viver em um mundo que seguiu adiante enquanto ele estava internado. Sentimos o desespero do personagem por estar longe de Nikki, como também enxergamos seu esforço para se tornar uma pessoa melhor.
“— A vida é dura, Pat, e os jovens têm de saber o quão difícil ela pode ser.
— Por quê?
— Para que sejam solidários. Para que compreendam que algumas pessoas têm mais dificuldades do que eles e que uma passagem por este mundo pode ser uma experiência totalmente diferente, dependendo de quais substâncias químicas estão ativas na mente de um indivíduo.” (QUICK, 2012, p. 116)
O meu problema, no entanto, é que Pat não se mostrou um protagonista muito carismático, de modo que não desenvolvi uma conexão com sua estória. Além disso, seus pensamentos e sua linha de raciocínio me pareceram extremamente juvenis, sendo incompatíveis com um homem de trinta anos.
Outro fator que afetou meu envolvimento com a leitura foi seu ritmo vagaroso. Durante boa parte da estória, parece que não está acontecendo muita coisa. E minha impressão era que para disfarçar esses momentos de vácuo, o autor utilizava-se dos jogos de futebol americano que, excetuando um ou outro episódio, pouco influenciaram no desenvolvimento da trama.
A estória demora a engatar, e mesmo quando engata, não surpreende. Elementos como os lapsos de memória, o passado de Pat, a instituição psiquiátrica, se encaixam de uma forma um pouco blasé, mas pelo menos mantém a verossimilhança.
O Lado Bom da Vida está longe de ser um livro ruim, porém, claramente é um livro de estreia. E mais: é um livro que está muito aquém do potencial do autor, sendo incomparável com os incríveis Perdão, Leonard Peacock e Todas as Coisas Belas.
Título: O Lado Bom da Vida
Autor: Matthew Quick
N.º de páginas: 254
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora
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