domingo, 7 de outubro de 2018

RESENHA: O Lado Bom da Vida

O lado bom da vida matthew quick
Minha relação com Matthew Quick é um pouco conturbada, marcada por altos e baixos. Há livros que adorei, enquanto outros achei mais fracos. Este ano, fiz as pazes com o autor após ler Todas as Coisas Belas e foi então que decidi que era chegada a hora de ler sua obra mais famosa: O Lado Bom da Vida.

Pat recebeu alta de uma instituição psiquiátrica, mas não lembra o que fez para parar no “lugar ruim”, tampouco quanto tempo permaneceu internado. Sua única preocupação é reconquistar sua esposa, Nikki, que pediu um “tempo separados”. Porém, ao retomar sua vida, Pat começa a perceber que há lapsos em sua memória e, para completar, ele ainda precisa aprender a lidar com a nova dinâmica familiar. 

A narrativa é feita em primeira pessoa, o que coloca o leitor em contato direto com o protagonista. Assim, sentimos toda a angústia e desorientação do personagem, ao viver em um mundo que seguiu adiante enquanto ele estava internado. Sentimos o desespero do personagem por estar longe de Nikki, como também enxergamos seu esforço para se tornar uma pessoa melhor. 

“— A vida é dura, Pat, e os jovens têm de saber o quão difícil ela pode ser.
— Por quê?
— Para que sejam solidários. Para que compreendam que algumas pessoas têm mais dificuldades do que eles e que uma passagem por este mundo pode ser uma experiência totalmente diferente, dependendo de quais substâncias químicas estão ativas na mente de um indivíduo.”
(QUICK, 2012, p. 116)

O meu problema, no entanto, é que Pat não se mostrou um protagonista muito carismático, de modo que não desenvolvi uma conexão com sua estória. Além disso, seus pensamentos e sua linha de raciocínio me pareceram extremamente juvenis, sendo incompatíveis com um homem de trinta anos. 

Outro fator que afetou meu envolvimento com a leitura foi seu ritmo vagaroso. Durante boa parte da estória, parece que não está acontecendo muita coisa. E minha impressão era que para disfarçar esses momentos de vácuo, o autor utilizava-se dos jogos de futebol americano que, excetuando um ou outro episódio, pouco influenciaram no desenvolvimento da trama. 

A estória demora a engatar, e mesmo quando engata, não surpreende. Elementos como os lapsos de memória, o passado de Pat, a instituição psiquiátrica, se encaixam de uma forma um pouco blasé, mas pelo menos mantém a verossimilhança. 

O Lado Bom da Vida está longe de ser um livro ruim, porém, claramente é um livro de estreia. E mais: é um livro que está muito aquém do potencial do autor, sendo incomparável com os incríveis Perdão, Leonard Peacock e Todas as Coisas Belas. 

Título: O Lado Bom da Vida
Autor: Matthew Quick
N.º de páginas: 254
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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7 comentários:

Monyque Evelyn disse...

Já li e já assisti o filme e amei!

http://submersa-em-palavras.blogspot.com/

O Vazio na Flor disse...

Puxa, este foi um dos livros que mais gostei na vida!rs
Sei lá, esse lado de "criança" do personagem foi o que mais me ganhou no enredo. A simplicidade e ao mesmo tempo, o turbilhão da mente dele.
Acabei vendo também a adaptação no cinema e adorei!!
Talvez seja por eu não ter lido mais livros do autor. rsrs
Mas farei isso!!!
Beijo

Nessa disse...

Oie
Uma vez tentei ler o livro e a leitura não me prendeu, achei muito parado. Já o filme eu adorei, achei muito bom e já assisti várias vezes.

Beijinhos
https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/2018/10/resenha-guerra-que-me-ensinou-viver.html

Ludyanne Carvalho disse...

Estou cada vez mais apaixonada pela escrita do Quick depois de Todas as coisas belas.
Li O lado bom da vida 2 vezes, eu gostei, mas não achei grandioso.
Faltou também a conexão entre o casal principal.
No fundo, vi Pat como um menino frágil, apesar de já ser um homem.

Beijos

Espiral de Livros disse...

Oi Alexandre! Eu não tinha lido uma resenha sobre o livro, mas já antes não me interessava muito e agora sei que não seria uma leitura tão prazerosa, porque tenho dificuldades de me apegar aos personagens/histórias quando aqueles não são carismáticos. Tentei assistir ao filme e também não gostei, então acho que para ler um livro do autor preciso apostar em outra obra.
Beijos
http://espiraldelivros.blogspot.com/

Gabriela CZ disse...

Ah eu gostei, Alê. Sei lá, pra mim essa infantilidade do Pat tem a ver com o trauma. Mas entendo sua perspectiva. Ótima resenha.

Beijos!

RUDYNALVA disse...

Alê!
Nunca li nada do autor, mas já li algumas críticas sobre o filme, porém sobre o livro, a sua é a primeira e fiquei um tanto na dúvida se devo ou não fazer a leitura.
Tinha a impressão que seria engraçado, mas pelo visto, é tedioso.
Desejo um mês abençoado !
“Se queres a verdadeira liberdade, deves fazer-te servo da filosofia.” (Epicuro)
cheirinhos
Rudy
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