Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.
Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou uma nova coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles.
Sim, a série Harry Potter é a primeira da minha lista de indicações para quem não gosta de fantasia. Isso por que a saga do bruxinho mais famoso da literatura não é apenas uma estória sobre feitiços, poções e magia. J.K. Rowling criou um mundo fantástico — extremamente complexo e repleto de possibilidades, diga-se de passagem — que serve de pano de fundo para discutir questões muito mais importantes, tais como amizade, amor, ódio, integridade, preconceito, justiça, e tantos outros. Então, muito mais do que um mero livro juvenil ou de fantasia, vejo Harry Potter como a saga de três jovens amigos que crescem em um cenário conturbado e que optam não apenas por resistir ao mal, mas combatê-lo com todas as suas forças. Sinceramente, se eu tivesse que fazer uma aposta sobre qual livro da nossa geração tem mais chances de se tornar um clássico, meu dinheiro certamente estaria na obra-prima de J.K. Rowling. Isso por que Harry Potter fala de temas universais, com os quais todos podem se identificar, e tenho certeza que as aventuras desse trio continuará inspirando e emocionado leitores por muito tempo.
A premissa de pessoas comuns que descobrem superpoderes e fazem enormes sacrifícios pessoais para garantir a segurança do mundo já foi usada tantas vezes que me surpreendo em continuar vendo livros, séries e filmes explorarem esta ideia. Felizmente, Brandon Sanderson inverteu o clichê: e se as pessoas comuns que recebessem superpoderes se tornassem ditadores maquiavélicos e não se importassem com nada além da satisfação de suas vontades? Como se não bastasse a lufada de originalidade, o primeiro livro da série, Coração de Aço, mescla ação, aventura e suspense com muito humor, uma narrativa extremamente fluída e envolvente, além de personagens extremamente bem construídos. A literatura fantástica sempre me empolgou por ser um mundo de infinitas possibilidades, mas, infelizmente, o que eu estava encontrando nos últimos tempos era mais do mesmo. Creio que justamente por isso apreciei ainda mais a obra de Sanderson, que conseguiu explorar todo o potencial que sua estória tinha a oferecer. E a boa notícia é que o segundo livro da trilogia, Tormenta de Fogo, tem previsão de lançamento para junho.
Também não poderia deixar de citar a obra épica de George Martin, embora seja a série que indico com reservas. Sim, Martin é audacioso, cria tramas complexas, nos surpreende com reviravoltas empolgantes e não tem medo de um banho de sangue. Mas seus livros são densos, alguns são extremamente descritivos e chegam a ser monótonos, então não irão agradar a todos. Mas por que indico estes calhamaços para quem não gosta de fantasia? Por que a meu ver As Crônicas de Gelo e Fogo são, acima de qualquer outra coisa, uma estória sobre os jogos de poder e os elementos fantásticos apenas fazem parte daquele mundo, mas não constituem o cerne da obra. Eu li apenas os quatro primeiros livros e achei que os elementos fantásticos foram explorados de forma bem superficial até o momento, o que apenas reforça minha teoria. Então, se você não tem medo de livros grandes e gosta da temática de jogos de poder, creio que As Crônicas de Gelo e Fogo é uma boa pedida.








































