domingo, 25 de setembro de 2016

RESENHA: Em Algum Lugar Nas Estrelas

“— Eu me perdi.
— Eu sei, mas encontrou o caminho de volta. Encontrar o caminho não significa que você sempre sabe o que está fazendo. Saber encontrar o caminho de volta para casa é que é importante.” (VANDERPOOL, 2016, p. 238). 

***

Durante a Segunda Guerra Mundial, logo após a morte de sua mãe, Jack é enviado para um internato no Maine por seu pai, um oficial da Marinha. No internato, ele conhece Early, o mais estranho dos meninos, que parece viver em seu próprio mundo. Entre consertar um barco, ouvir Frank Sinatra e partir em uma aventura em busca de um urso que apavora a região, os meninos descobrem o valor da amizade. 

É impressionante como, em poucas páginas, Jack já conquista a simpatia do leitor, sendo impossível não se afeiçoar ao garoto que não sabe como vivenciar o luto, que se sente deslocado na nova escola e que vê seu próprio pai como um estranho. Jack está à deriva e a jornada em busca do urso se torna muito mais uma busca por sua própria identidade. 

Early, apesar de não ter o carisma de Jack, é um personagem interessante e peculiar: uma combinação de inteligência, sensibilidade, companheirismo e obsessão. E entre as muitas obsessões do menino, a maior delas é o número irracional pi e a forma como o enxerga: Pi não é apenas um número, mas um jovem ambicioso que tem sua própria estória. 

Assim, Em Algum Lugar nas Estrelas divide-se em duas partes: acompanhamos a estória dos garotos pelo ponto de vista de Jack, em primeira pessoa, alternadamente com a estória de Pi, narrada em terceira pessoa. Os capítulos são curtos e dinâmicos e a autora soube integrar as partes de Pi à estória de Early e Jack, as quais mantêm um curioso e intrigante paralelismo. Também merece elogios a narrativa, não apenas envolvente, mas repleta de belas e significativas metáforas.

Vale destacar o fato de que a autora soube desenvolver ambos os protagonistas, dando-lhes inúmeras facetas. No decorrer da jornada, o leitor se apega aos meninos e sente como se verdadeiramente os conhecesse e, por este motivo, a evolução deles ao longo da estória se torna ainda mais palpável. 

Um dos fatores que mais me impressionou foi como os personagens coadjuvantes e seus dramas foram bem desenvolvidos, mesmo que fizessem participações pequenas na estória. As interações entre os protagonistas e os personagens secundários foram magistralmente orquestradas, mostrando aos meninos que todo mundo tem seus próprios fantasmas, mas que não precisamos encará-los sozinhos. 

A sensibilidade da autora para lidar com assuntos complicados também merece elogios. Vanderpool aborda temas como luto, negação, violência, sofrimento, arrependimento, relacionamentos, redenção, e muitos outros de forma sútil e honesta. 

Sem ser piegas, nem cair no lugar comum, Clare Vanderpool escreveu o tipo de livro que parece um abraço: reconfortante e revitalizador. Apesar de ser um livro infanto-juvenil, Em Algum Lugar nas Estrelas consegue transcender seu público-alvo e certamente encantará leitores de todas as idades.

Impossível não elogiar o capricho da Darkside nesta edição, que conta não apenas com capa dura e papel pólen, mas também com belas ilustrações. 

Título: Em Algum Lugar nas Estrelas
Autora: Clare Vanderpool
N.º de páginas: 284
Editora: Darkside Books

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

5 anos de Além da Contracapa

Hoje é dia de festa no Além da Contracapa porque o blog está completando 5 anos! Para celebrar a data, nós respondemos as perguntas que vocês nos mandaram ao longo do mês de setembro e, como presentinho extra, o vídeo conta também com alguns dos nossos erros de gravação para vocês darem risada com a gente.

Aos nossos leitores, blogs amigos e editoras parceiras, fica aqui o nosso agradecimento por virem Além da Contracapa conosco ao longo desses 5 anos.


Posts citados:

PROMOÇÃO: 5 Anos de Além da Contracapa


No aniversário de 5 anos do Além da Contracapa quem ganha os presentes são os nossos leitores. Para isso, nós convidamos vários blogs amigos e também as nossas editoras parceiras para fazer uma super promoção que dará 22 prêmios para 9 leitores. A todos vocês o nosso muito obrigado e aproveitem a festa! 


Regras Gerais:


A promoção terá início no dia 22 de setembro e término no dia 22 de outubro.

Para participar, basta preencher os formulários abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail, e ter um endereço de entrega no Brasil.

A promoção é dividida em duas partes: "Em parceria com blogs" e "Em parceria com editoras". Não deixe de conferir as regras específicas para cada promoção.


A mesma pessoa poderá ser vencedora de mais de um sorteio. Basta seguir as regras e ter sorte.


O resultado será divulgado no blog e nas redes sociais até três dias após o encerramento da promoção, sendo que o sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 48 horas para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. 

A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

EM PARCERIA COM BLOGS

Regras específicas:

Todas as entradas são opcionais.

Os livros sorteados são:
Além da ContracapaLoney - Andrew Michael Hurley
Artesã Literária: Mr. Mercedes - Stephen King
Balaio de Babados: A Menina Mais Fria de Coldtown - Holly Black
Casos, Acasos e Livros: Amor nas Entrelinhas - Katie Forde
Caverna Literária: Amor Infernal - Lisa Desrochers
Coisas de Diane: A Sereia - Kiera Cass
Conjunto da Obra: Esta é uma história de amor - Jessica Thompson
Livros: Ontem, Hoje e Sempre: Um Passado Sombrio - Peter Straub
Minha Vida Literária: O Hobbit e a Filosofia - Gregory Bassham & Eric Bronson 
My Dear Library: A Escolha Do Coração - Amanda Brooke 
Prefácio: Vale-presente Saraiva no valor de 30 reais
The Tony Lucas Blog: Lembrança - Meg Cabot
Roendo Livros: Desvende Meu Coração - Dominic Evans
Tô Pensando em Ler: Melancolia - Jon Fosse

primeiro sorteado poderá escolher 6 prêmios entre as 14 opções, o segundo sorteado poderá escolher 5 prêmios entre as 8 opções restantes, e o terceiro sorteado ficará com os 3 prêmios restantes. 

O prazo para envio dos prêmios é de 40 dias úteis. 







EM PARCERIA COM EDITORAS


Regras específicas:

É obrigatório curtir a página do blog Além da Contracapa no Facebook.

As demais entradas são opcionais

Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog e a editora no twitter. No sorteio de "Festa o ar livre e outras histórias" basta seguir o blog. 

Os livros sorteados são:

O Adulto - Gillian Flynn
Mr. Mercedes + Achados e Perdidos + O Último Turno - Stephen King
Sombra do Paraíso - David S.Goyer e Michael Cassut
Festa ao ar livre e outras histórias - Katherine Mansfield

Os livros "Sombra do Paraíso" e "Festa ao Ar Livre e outras histórias" serão enviados pelo blog no prazo de 40 dias úteis. Os demais livros serão enviados pelas respectivas editoras. 














segunda-feira, 19 de setembro de 2016

RESENHA: Baseado em fatos reais

“Pensei que L. havia percebido meu ponto de demência e que a recíproca era verdadeira.
Talvez, inclusive, seja isso um encontro, amoroso ou amigável: duas demências que se reconhecem e se cativam.” (VIGAN, 2016, p.96)

Após o grande sucesso de seu mais recente livro, uma história autobiográfica que explora dramas familiares, a escritora Delphine se vê diante do dilema do próximo livro. O que ela pode escrever que esteja a altura de tanta expectativa? Fragilizada pela pressão, ela enfrenta um bloqueio criativo que nunca a havia cometido com tanta intensidade antes, chegando ao ponto de nem mesmo conseguir responder um email. Para piorar, ela tem recebido cartas violentas com críticas severas sobre seu livro de sucesso. É neste contexto que Delphine conhece L., uma ghost-writer com quem desenvolve uma amizade instantânea e, aos poucos, uma relação de dependência.

Narrado em primeira pessoa por Delphine e composto em sua maioria por trechos curtos, “Baseado em fatos reais” é um livro intenso desde as primeiras páginas, graças à atmosfera de perigo criada pela autora e é um daqueles livros que funciona mais pela habilidade narrativa com a qual é conduzido do que pelos acontecimentos. Quando somos apresentados à história, todos os eventos já aconteceram e tomamos conhecimento deles a partir do relado de Delphine que agora os enxerga com um olhar muito diferente do que tinha quando de fato ocorreram. Agora ela vê as atitudes de L. com desconfiança, enxerga potencial de perigo em cada uma delas, o que faz com que o leitor veja as coisas da mesma maneira. Caso acompanhássemos os eventos enquanto eles aconteciam, com certeza a história seria muito diferente. Não conhecemos L. diretamente, mas já a vemos surgir como uma personagem perigosa e misteriosa porque é assim que Delphine a revela para nós. Por isso, a protagonista é uma espécie de narradora não-confiável que apresenta a história para o leitor através de seu olhar totalmente contaminado pelas consequências daqueles episódios.

L. é uma personagem misteriosa (e em muitos momentos lembra a perturbada Anne Wilkes de “Misery”) que deixa o leitor na expectativa, mas também ressabiado, para descobrir o que ela irá fazer. Parece que sempre temos um pé atrás com L., que devemos desconfiar de cada uma das suas ações e esperar qualquer coisa dela. Paira a sensação de que a enxergamos melhor do que a própria Delphine, mas a verdade é que é apenas pelos olhos de Delphine que a conhecemos. Por isso, certezas não existem. Por um lado, sentimos que há alguma coisa muito errada na ânsia de L. de estar disponível e ser prestativa. Por outro, parece que tudo o que ela quer é que Delphine escreva o melhor livro que é capaz de escrever. Aos poucos, testemunhamos como L. entra dentro da mente de Delphine, como se torna necessária, mas não sabemos seus motivos já que não temos acesso direto a ela.

“Baseado em fatos reais” é aquele tipo de livro envolvente que, não precisando, o leitor não larga. O curioso é que não são muitos os acontecimentos que se desenrolam e na maior parte da trama a sensação que se tem é que o território está sendo preparado para alguma coisa que eventualmente vai acontecer, mas que nada está acontecendo no momento. Ainda assim, o livro não é arrastado (e Vigan acerta em fazê-lo curto) e prende o leitor pelo magnetismo de sua narrativa e pela atmosfera de perigo que cria, provocando um efeito muito mais satisfatório do que milhares de reviravoltas (que tantas vezes soam forçadas).

Me lembrando um pouco o excelente “No Escuro” (um dos meus thrillers psicológicos favoritos), “Baseado em fatos reais” manipula muito bem seu leitor, escondendo o jogo ao mesmo tempo em que revela suas cartas. Sabemos de onde vem o perigo, sabemos que aquela situação não irá acabar bem, só não sabemos todos os detalhes do caminho.

Ao longo do leitura tentei prever o desfecho, pois me parecia que a história poderia se encaminhar para milhares de soluções diferentes, todas potencialmente interessantes. Fiquei muito satisfeita em constatar que uma das minhas teorias estava certa, mas ainda assim a autora conseguiu me surpreender. Vigan fez algo que eu aprecio muito em livros de suspense: plantou pistas muito discretas e deu as chaves para as respostas, sem se dar ao trabalho de explicar tudo para o leitor.

Em uma época em que thrillers psicológicos têm me decepcionado, “Baseado em fatos reais” foi uma grata surpresa e deixa a expectativa para os demais livros da autora.

Título: Baseado em fatos reais (exemplar cedido pela editora)
Autora: Delphine de Vigan
N° de páginas: 254
Editora: Intrínseca

sábado, 17 de setembro de 2016

RESENHA: 'Salem

“A cidade conhecia a escuridão. 
Conhecia a escuridão que cobria a terra quando o sol se escondia e também a escuridão da alma humana.” (KING, 2013, p. 235)

***

Admito que o fator determinante para que eu lesse ‘Salem foi o fato de que o livro é considerado por muitos fãs como uma leitura necessária para a saga A Torre Negra, que pretendo começar ainda este ano. Comecei a leitura apenas para riscar o livro da lista e acabei me surpreendendo com a estória empolgante e envolvente que encontrei. 

O escritor Benjamin Mears retorna a Jerusalem’s Lot (conhecida como ‘Salem) a fim de tentar exorcizar seus demônios de infância. Mas, logo após sua chegada, a pequena cidade se vê em luto quando dois garotos se aventuram na floresta e apenas um deles retorna. A situação piora quando os habitantes começam a desaparecer. Ben e seus companheiros terão que vencer a incredulidade e combater o mau que ronda ‘Salem. 

O primeiro ponto que merece destaque é o constante clima de tensão que King mantém durante toda a obra. Cada vez que eu pegava o livro, tinha a sensação de que era transportado para Jerusalem’s Lot, sentindo na pele a atmosfera sufocante e sombria que envolvia a cidade e seus moradores. Mas deixo claro que o livro tende muito mais para o gênero suspense/thriller psicológico do que para o terror, contando apenas com algumas poucas cenas mais assustadoras. 

Me impressiona o fato de que ‘Salem seja o segundo livro publicado pelo autor, pois sua evolução é palpável. Carrie, a Estranha — sua primeira obra — apresenta uma trama mais simples e linear, focando na jornada dos personagens, enquanto ‘Salem conta com uma estória mais complexa, repleta de reviravoltas, e um cenário mais rico, mas sem deixar o desenvolvimento dos protagonistas de lado. 

O livro é narrado em terceira pessoa e acompanhamos não apenas o ponto de vista de Ben, mas também de personagens igualmente importante para o desenvolver da estória. Entretanto, me pareceu que King pecou pelo excesso de personagens, pulverizando demais a trama. Como consequência, embora tenha simpatizado com Ben e os demais protagonistas, confesso que não criei com nenhum deles uma conexão mais forte. Se não fosse por este fator, tenho certeza que ‘Salem teria se tornado um dos meus livros preferidos do autor.  

O desenvolvimento da estória é impecável. ‘Salem é o tipo de livro que faz o leitor perder a noção do tempo e virar as páginas sem nem perceber. Apesar de contar com uma primeira parte mais vagarosa, referente a apresentação dos personagens e do contexto, King consegue prender a atenção do leitor desde o início. E quando a luta entre o bem e o mau tem início, se prepare para muitas emoções. O desfecho guarda altas doses de ação e adrenalina, deixando o leitor com o coração na boca. 

Apesar da premissa não parecer aquilo tudo, garanto que ‘Salem representa King em sua melhor forma: uma mistura de suspense, aventura e terror, com toques de sobrenatural. Tenha você interesse de ler a série A Torre Negra ou não, garanto que ‘Salem é uma ótima leitura.

Título: ‘Salem (exemplar cedido pela editora)
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 460
Editora: Suma de Letras 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

PROMOÇÃO: John Green


Em cinco anos de blog aprendemos muitas coisas. Uma delas foi abrir o nosso olhar para novos gêneros. Foi assim que conhecemos um autor que hoje é um dos nossos favoritos: John Green. Pensando nisso, em meio as comemorações de aniversário do blog, o Além da Contracapa presenteia um leitor sortudo com um box importado contendo os quatros livros do autor (em inglês, edição brochura). 

Regulamento:

A promoção terá início no dia 16 de setembro e término no dia 26 de outubro.

Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório seguir o blog no Facebook e ter um endereço de entrega no Brasil.

As demais entradas são opcionais

Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

O resultado será divulgado no blog e nas redes sociais até três dias após o encerramento da promoção, sendo que o sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 48 horas para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. 

Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

O vencedor ganhará um box contendo os livros "Looking for Alaska", "An Abundance of Katherines", "Paper Towns" e "The Fault in Our Stars".

O prêmio será enviado pela equipe do blog em um prazo de 40 dias úteis.

A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que aprendemos em 5 anos de Além da Contracapa


Quando começamos o Além da Contracapa há cinco anos, acreditávamos que ele seria uma espécie de registro das nossas leituras, de algo que informalmente fazíamos quando nos encontrávamos e começávamos a falar sobre os livros que estávamos lendo, sobre os personagens, os autores e as narrativas que estavam nos encantando (ou nos enlouquecendo de tédio). Aliando nosso amor pela leitura e pela escrita, nasceu o blog.

Hoje, passado esse tempo, percebemos algo que não esperávamos naquela época: o blog mudou vários dos nossos hábitos como leitores.  

Para começar, mudamos o nosso jeito de ler. Hoje, uma parte da nossa mente já lê pensando na resenha que virá em seguida, por isso marcamos quotes e até fazemos anotações de coisas que devemos comentar no post. Nos habituamos tanto a isso que quando lemos um livro que não iremos resenhar (normalmente porque o outro já resenhou), estranhamos. Estranhamos principalmente encerrar a leitura ao chegar na última página, já que a resenha acabou se tornando a nossa despedida dos livros, fazendo o fechamento de tudo que foi aquela leitura. O curioso é que, por vezes, a resenha nos ajuda a entender o que achamos do livro e já aconteceu de até nos fazer mudar de opinião sobre algumas leituras. Lemos achando o livro arrastado, um pouco decepcionante, mas ao escrever a resenha, só haviam elogios a serem feitos. O contrário também já aconteceu. Uma leitura agradável tem tantos pontos negativos a serem ressaltados que ao final nos questionamos: “Por que parece que eu não gostei? Eu gostei enquanto estava lendo”. 

O blog também influenciou o ritmo e a organização das nossas leituras porque temos um cronograma a cumprir. Assim, se sabemos que temos um post para determinado dia, encontramos uma forma de terminar a leitura em tempo hábil de escrever e postar a resenha. Isso também fez com que aumentássemos o nosso ritmo de leitura (o que, para um bookaholic, é sempre um bônus). E em virtude de lermos mais livros e esmiuçarmos os detalhes da leitura ao escrever uma resenha, nos tornamos, naturalmente, mais críticos. Hoje é mais frequente nos depararmos com livros ou sinopses que nos deixam com aquela sensação de “mais do mesmo” ou de “já vi isso antes” do que quando começamos o blog. Por um lado isso é ruim, já que é mais difícil encontrarmos livros que nos arrebatem, mas por outro lado é excelente, já que nos dispomos a buscar livros diferentes dos que estávamos acostumados a ler. Aliás, talvez essa seja uma das melhores coisas que o blog tem feito por nós: abrir o nosso olhar para outros gêneros, nos fazendo sair continuamente da nossa zona de conforto. Basta lembrar que, quando começamos o blog, ficção cientifica, young adult e drama eram gêneros que dificilmente apareciam nas nossas listas de leituras e hoje são alguns dos nossos favoritos.  

Ainda sobre a zona de conforto, pode parecer óbvio, mas quando se tem um blog não se está isolado. Se está inserido em uma blogosfera, o que nos leva a conviver com as leituras de outros blogueiros de gostos muito diferentes dos nossos. Isso também contribui para que façamos leituras que de outra forma talvez não faríamos. Quando um livro começa a ser muito  comentado, bate aquela curiosidade de  descobrir  o porquê de tantos elogios. Inclusive foi assim que conhecemos um autor que hoje é um dos nossos favoritos: John Green. A verdade é que a premissa de “A Culpa é das Estrelas” não havia nos despertado interesse, mas os elogios  eram tantos que quisemos  conferir  e nos apaixonamos pelo livro. Depois dele, lemos todos os livros do autor e hoje mal podemos esperar para o seu próximo lançamento (sério, John, escreva logo!).

O blog também nos levou a fazer coisas que jamais imaginamos que faríamos... como gravar vídeos e perder a timidez na frente das câmeras; tornar público um vídeo com nossos erros de gravação; encarar o desafio de traduzir documentários sobre nossos autores favoritos, trazendo material inédito para os fãs brasileiros e passando por alguns “sufocos” na hora da tradução; e exercitar a cara-de-pau de abordar autores e pedir para entrevistá-los, para depois passar horas conversando com eles sobre literatura.

Outra coisa que mudou foi o modo como descobrimos livros e autores. Antes de integrarmos a blogosfera literária, nossas maiores fontes eram as livrarias online, nas quais, diga-se de passagem, não perdíamos uma promoção. Com o blog, não apenas perdemos a compulsão por comprar livros apenas por causa do desconto e que, invariavelmente, ficariam acumulando pó na estante, mas também passamos a observar mais atentamente os lançamentos. Não é por menos que as nossas listinhas de desejados aumentam o tempo todo e o desespero de nunca se ter tempo para ler todos esses livros também. 

Por falar em tempo... o blog nos mostrou que simplesmente não há tempo para lermos todos os livros que nos interessam, então é preciso selecionar nossas leituras, apostar naquelas que realmente acreditamos que irão nos agradar em cheio. Mas por outro lado, foram inúmeras as vezes em que lemos no espírito de “vale dar uma chance” (principalmente porque eram apostas das editoras) e acabamos encontrando leituras incríveis que nos conquistaram completamente, como “No Escuro", “A Família Corleone, “Mentiras de Verão”, a série “Bloodlines”, “Perdido em Marte” e “A Garota do Penhasco”.

5 anos de blog nos fizeram perceber que as parcerias, que tanto ansiávamos no começo, são maravilhosas, mas que é humanamente impossível mantermos isso com todas as editoras do mercado. O ritmo intenso de leituras foi, pouco a pouco, nos mostrando que temos uma identificação maior com alguns catálogos do que com outros e que é a eles que devemos nos dedicar, mantendo o padrão das nossas resenhas e, sobretudo, lendo apenas livros que realmente nos parecem promissores. Mas, se por um lado amadurecemos, por outro ainda parecemos crianças na noite de natal, ansiosas para descobrir se renovaremos ou não uma parceria, e ficamos imensamente felizes quando vemos as editoras com as quais nos identificamos reconhecendo nosso trabalho. 

O blog começou como um registro e evoluiu ao longo desses cinco anos. Nós, evoluímos junto. Hoje, somos leitores diferentes do que éramos naquele tempo. Mais críticos, mais seletivos, mais dispostos a sair da zona de conforto. Mas uma coisa não mudou: nosso amor pela literatura. E quando começamos este blog, jamais imaginamos que este amor iria alcançar tantas pessoas, que a nossa opinião poderia realmente influenciar as leituras de vocês, que os nossos posts poderiam ser os responsáveis por apresentar aos nossos leitores livros e autores que tanto amamos. Conhecer leitores que, assim como nós, desejam ir Além da Contracapa é uma das coisas mais gratificantes que tem nos acontecido ao longo desses 5 anos. Que venham os próximos!


 

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