quinta-feira, 21 de março de 2019

RESENHA: Boy Erased - Uma Verdade Anulada

boy erased uma verdade anulada
Filho de um pastor da Igreja Batista, Garrard passou sua juventude no meio evangélico, sempre com medo de aceitar sua homossexualidade e com mais medo de ser descoberto. Ele encontra algum alívio quando ingressa na faculdade, porém, este alívio não dura muito tempo: Garrard é violentando e, logo em seguida, exposto para sua família. É então que ele tem que escolher entre submeter-se a terapia de reversão sexual ou ser abandonado por seus pais.

Boy Erased é um livro biográfico, que conta as experiências de Garrad durante o período que passou na instituição Amor em Ação, onde seria curado da homossexualidade. Assim, vemos de perto todo o sofrimento que o autor passou em uma tentativa de renegar sua sexualidade. O pior é perceber que os métodos usados pela instituição eram tão extremistas que acabavam por tolher toda a personalidade e individualidade de seus participantes, sob o pretexto de estarem revertendo seus vícios sexuais. 

Além de seu relato sobre o processo de reversão sexual, Garrard também nos conta sua história de vida, partindo de seu relacionamento familiar, seu envolvimento com a igreja e sua angústia constante por acreditar que seus pensamentos são pecaminosos. Ele vive uma vida de fachada, fingindo ser alguém que não é, chegando até mesmo ao ponto de cogitar se transar com sua namorada poderia torna-lo heterossexual. 

No fundo, a estória de Garrard acaba se revelando como uma jornada em busca de sua própria identidade, abafada por anos dentro da igreja e quase destruída na terapia de reversão sexual. E por isso mesmo, creio que o autor escreveu o livro não apenas para alertar sobre o perigo desse tipo de “tratamento”, mas sobretudo como uma forma de fazer um acerto de contas com o passado. 

“Quem era eu? Quem era aquele homem que xingava Deus? Melhor, quem era Deus? Ele havia me abandonado ou nunca tinha existido?
Ali sentando, tentando controlar minha respiração, decidi que fingiria durante toda a segunda semana, que travaria os dentes e fingiria que estava tudo bem. A terapia estava me transformando em alguém que eu não reconhecia, e eu precisava sair daquele lugar com o coração relativamente intacto.” (CONLEY, 2019, p. 260)

No entanto, admito que tive alguns problemas com o livro, principalmente da metade para o final. Em primeiro lugar, achei que o autor foi um pouco superficial em alguns momentos. Por exemplo, apesar dele citar o estupro do qual foi vitima diversas vezes, em nenhum momento ele explica exatamente quais foram as circunstâncias do evento. Entendo que deve ter sido um trauma enorme e que deve ser doloroso falar sobre o assunto, porém, achei desnecessário falar tantas vezes que o estupro aconteceu, se em nenhum momento ele se aprofunda no assunto. 

Creio que foi justamente por essa falta de aprofundamento que o livro não me pareceu tão impactante como deveria ter sido. A estória de Garrard é pesada e dramática, mas algumas revelações e momentos chaves que deveriam ser o ápice da estória não tem força narrativa suficiente para comover o leitor. E digo isso sendo uma pessoa que viveu muitos dos mesmos dramas vividos por Garrard, tendo me identificado com sua trajetória de vida. 

Em segundo lugar, alguns eventos de pouca importância para o desenvolvimento da estória recebem muita atenção. Dessa forma, páginas e mais páginas são usadas para contar em detalhes assuntos desnecessários. Além disso, também senti que alguns dos capítulos em que Garrard contava sobre sua vida pareciam lembranças aleatórias, que muitas vezes não seguiam uma ordem cronológica, e que me deixaram bastante confuso

Apesar das ressalvas, Boy Erased: Uma Verdade Anulada é um livro necessário, ainda mais em tempos de intolerância como o que vivemos. É preciso que a sociedade entenda o mal que é perpetrado contra pessoas LGBTQ neste tipo de “tratamento”, o qual apenas causa mais aflição e angústia. A verdade é que em pleno século XXI o que precisa de tratamento é o preconceito

O livro foi adaptado para o cinema, contando com as atuações de Nicole Kidman e Russell Crowe. Clique aqui para assistir ao trailer. 

Título: Boy Erased – Uma Verdade Anulada
Autor: Garrard Conley
N.º de páginas: 319
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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segunda-feira, 18 de março de 2019

[Histórias de casais] para quem não gosta de [histórias de casais]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou a coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

Histórias de amor costumam ser tema frequente de livros dos mais variados gêneros. Mas enquanto alguns leitores são atraídos pela ideia de torcer para que o casal fique junto no final, outros são repelidos (eu, particularmente, me enquadro nesta última categoria). Nesta edição da coluna, três exemplos de livros que giram em torno de história de casais, mas que têm tudo para agradar mesmo aqueles que fogem do tema.

O Grande Gatsby 

A razão pela qual O Grande Gatsby é considerado uma história de casal é porque tudo que Jay Gatsby faz em sua vida é para voltar a ter Daisy Buchanan em seus braços. Mas o livro de F. Scott Fitzgerald é tão mais do que isso que chega a ser ofensivo reduzi-lo à história do casal. Podemos dizer que “Gatsby” é um retrato dos Estados Unidos na década de 20, podemos dizer que é um livro sobre festas e opulência, podemos dizer que é um excelente exemplo de narrativa feita em primeira pessoa por um observador, mas não existe nada que brilhe em “Gatsby” mais do que seus personagens. Li o livro há uns seis anos, reli há três, assisti duas de suas adaptações cinematográficas (umas duas vezes cada) e toda a vez que entro em contato com a história, a finalizo com a mesma sensação porque nunca as ações daqueles personagens passam sem impacto para mim, não importa o quanto eu já conheça suas consequências. Por ser um livro de personagens que transbordam vida, que nos faz questionar o quanto aquilo que sabemos sobre as pessoas é verdadeiro e o quanto podemos confiar nelas e em seus sentimentos, um livro de personagens que muito fazem nas poucas páginas em que sua história se desenrola O Grande Gatsby tem tudo para agradar (e marcar) qualquer tipo de leitor.

Foi Apenas um Sonho 

Poderíamos resumir Foi apenas um sonho como sendo sobre vida conjugal de um casal infeliz e acomodado. Mas a verdade é que o relacionamento dos protagonistas só é o centro da trama porque é no casamento que todas as frustrações das vidas de Frank e April se concentraram. O problema não é o casamento e sim a bagagem que cada um deles carrega. E quanta bagagem! Frank e April são personagens intensos pelos quais não torcemos e dos quais nem mesmo gostamos, mas nos reconhecemos em suas frustrações e no comodismo de seu cotidiano. Por isso digo que o livro é sobre Frank e sobre April que, juntos, são um casal, mas antes disso são indivíduos. Um livro maravilhosamente escrito, com diálogos de tirar o fôlego e personagens que saltam das páginas, explodindo sentimentos.

O Mundo Pós-Aniversário 

Quando a história começa, temos dois casais. Deles surge um triângulo e deste triângulo, duas histórias paralelas. Tudo tem início com um beijo. Se o beijo acontecesse, teríamos uma linha temporal. Se não acontecesse, outra. “O mundo pós-aniversário é um trabalho narrativo primoroso que brinca com os “e se?” que tanto gostamos de acreditar que teriam feito nossas vidas diferentes. Para isso, ele usa dos romances da protagonista, Irina, mas vai muito além de suas possíveis histórias de amor, mostrando que nossas vidas não são moldadas por um único grande acontecimento e sim pelo somatório das pequenas decisões que tomamos todos os dias. Mais um daqueles “impossível não se identificar”.


PS: Os três livros citados nesta edição já foram eleitos Top Melhores Leituras do Ano em 2013, 2017 e 2018, respectivamente (por uma pessoa que foge de histórias de casais).




quinta-feira, 14 de março de 2019

RESENHA: Você nasceu para isso

Você nasceu para isso / Michelle Sacks / Intrínseca
Gosto muito de histórias que abordam a imperfeição dos relacionamentos. Se for em forma de thriller, melhor ainda.

Sam e Merry deixaram os Estados Unidos e se mudaram para a Suécia, onde vivem uma rotina de contos de fadas. Merry é a dona de casa perfeita e passa o dia preparando receitas, cuidando do jardim e do filho recém nascido enquanto Sam dá os primeiros passos em direção a uma nova carreira. Quando o casal recebe a visita de Frank, melhor amiga de Merry desde a infância, todos são obrigados a encarar as mentiras por trás da aparente magia de seus relacionamentos.

Intercalando os pontos de vista de Sam e Merry, a autora nos mostra a vida que ambos querem acreditar que têm. É assim que ela fisga o leitor nas primeiras páginas, afinal não somos inocentes para acreditar que aquela perfeição toda é real, o que leva a crer que justamente o oposto deva ser verdadeiro. “Tem alguma coisa muito errada com esses dois. Ninguém é assim tão feliz.” Foi meu primeiro pensamento ao iniciar a leitura de “Você nasceu para isso”.

Não demora até que comecemos a enxergar onde estão os problemas e quanto mais sabemos sobre esses personagens, mais os detestamos. Merry é falsa, invejosa, dissimulada e as mesmas características podem ser aplicadas a Frank (o que fica claro a partir do momento em que ela se torna a terceira narradora da história). Já Sam é hipócrita e mulherengo. A verdade é que os três são um verdadeiro pesadelo e despertam o que têm de pior uns nos outros.

A narrativa de Sacks é arriscada. Em alguns momentos, a autora não se preocupa com continuidade, trazendo informações soltas na forma de lembranças ou episódios isolados. Pequenas pílulas que nos mostram quem esses personagens são. Um recurso que, para mim, funciona bem.

“Faço tudo isso para que, quando ele acorde, eu esteja transformada; para que, quando me quiser, eu esteja pronta. Toda sua, digo. Sou toda sua. É mentira. Guardo uma pequena parte para mim mesma.” (SACKS, 2018, p.40)

Mas tenho uma implicância com livros que intercalam narrativas em primeira pessoa. Da maneira como eu vejo, se é o personagem quem está contando a história, é preciso que sua narrativa tenha mais do que apenas a sua versão dos fatos. É preciso que tenha sua personalidade. Isso foi algo que me incomodou muito em “Você nasceu para isso” já que os três soavam de maneira tão semelhante que muitas vezes eu tinha que interromper a leitura e verificar novamente quem era o narrador do capítulo para me situar.

Por mais que eu aprecie personagens cheios de defeitos e relacionamentos complexos e que admire um autor que não tenha medo de arriscar em sua narrativa, deixando coisas soltas para o leitor, devo dizer que achei “Você nasceu para isso” um livro bastante fraco. Uma coisa é ser disfuncional. Outra é ser estapafúrdio. A relação entre Merry e Frank é totalmente doentia e não de um jeito que nos faz pensar “bom, a realidade é imperfeita mesmo”. Já o casamento de Sam e Merry é uma farsa tão grande (por parte de ambos, cada um a seu modo) que eu não consegui identificar nada ali que se assemelhasse a amor. E quanto mais nos aproximamos do desfecho, mais absurdas as coisas ficam.

Para mim, fica claro que a intenção de Michelle Sacks era mostrar que nem tudo o que as pessoas deixam transparecer é real, que ninguém conhece verdadeiramente ninguém, que a felicidade absoluta não existe e que todos somos uma composição de diversas versões de nós mesmos (todas lembranças válidas em um mundo cada vez mais obcecado por postar e acompanhar as vidas alheias nas redes sociais). A realidade é imperfeita e na tentativa de criar um triângulo que mostrasse essa imperfeição, a autora esqueceu que ele ainda deveria soar como realidade.

Título: Você nasceu para isso
Autora: Michelle Sacks
N° de páginas: 271
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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segunda-feira, 11 de março de 2019

RESENHA: O Caso da Mansão Deböen

o caso da mansao deboen
Quando crianças, Andy, Nate, Peter e Kerri formavam o Clube dos Detetives de Blyton e solucionaram diversos casos. O último deles envolvia monstros em uma casa mal-assombrada, porém, tudo não passava de um criminoso fantasiado. No entanto, treze anos depois, todos eles continuam sendo assombrados pelos fatos que vivenciaram na mansão Deböen, exceto Peter, que morreu de overdose. Assim, para colocar um ponto final na estória, os três membros restantes do clube retornam para Blyton Hills.

O Caso da Mansão Deböen começa como um livro de mistério e aos poucos vai inserindo elementos sobrenaturais na estória. Apesar disso, não considero que seja uma obra de terror, pois em nenhum momento me deixou com aquela sensação de medo ou receio que autores como Stephen King conseguem provocar. 

Preciso admitir que o mistério do livro não me surpreendeu. Um dos personagens era o típico "red herring", aquele que está inserido na trama justamente para desviar a atenção do leitor. O problema é que Cantero só tinha um "red herring" e não conseguiu pulverizar a dúvida sobre quem seria o vilão, de modo a fazer com que o leitor suspeitasse de todos os personagens em um ou outro momento. 

Um dos fatores que mais me chamou atenção foi a narrativa espirituosa de Cantero, não apenas recheada de referências, mas também com muitas piadas inusitadas, que serviam de válvula de escape para os momentos de tensão. Além disso, o texto do autor é muito fluído e envolvente, no entanto, confesso que não entendi por que, em alguns momentos, os diálogos eram transcritos na forma de roteiro, com a sinalização do nome do personagem que falava.

O autor também acerta em cheio no desenvolvimento dos personagens, mostrando como todos eles foram afetados pelo episódio que ocorreu treze anos antes. Na prática, nenhum deles conseguia admitir os traumas que haviam sofrido e, sem isso, qualquer possibilidade de superar o que acontecera nunca existiu.

“ — Kerri, tudo o que a gente faz na vida é arrumar um jeito de lidar com as nossas questões. A forma que encontrei para lidar com as minhas foi estudar. Tipo quando você gostava de insetos aos seis anos e começou a ler tudo sobre o assunto e acabou virando bióloga. Eu fiz a mesma coisa. 
— Não foi assim que eu lidei com o Lago Adormecido — disse Kerri. — Eu só fugi.

— Eu fugi também — falou Nate, tentando confortá-la. — Estudar é uma coisa; voltar ao mesmo lugar é outra.”
(CANTERO, 2019, p. 175)

É impossível ler O Caso da Mansão Deboen e não lembrar do clássico desenho Scooby-doo, não apenas pelas semelhanças entre os grupos de jovens amigos que investigam supostos mistérios sobrenaturais, mas sobretudo por mostrar a importância da amizade e da coragem. 

O saldo final foi positivo: trata-se de uma leitura leve, despretensiosa, que certamente irá envolver o leitor e fazê-lo rir, garantindo momentos de diversão. 

O Caso da Mansão Deboën foi o quarto livro do Intrínsecos, o clube de assinatura da Editora Intrínseca. Além da edição caprichada e de brindes relacionados ao livro, a revista dessa edição contou com uma entrevista com o autor, além de um ensaio e dois artigos, os quais enriquem ainda mais a leitura. Vale salientar que também já é possível perceber o cuidado da editora em sempre selecionar livros de gêneros diferentes, de modo a desafiar continuamente o assinante a sair de sua zona de conforto. 

Título: O Caso da Mansão Deböen
Autor: Edgar Cantero
N.º de páginas: 352
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 8 de março de 2019

RESENHA: Reparação

Reparação / Ian McEwan / Desejo e Reparação
Há anos assisti o filme “Desejo e Reparação” e desde então tenho vontade de conferir este que é considerado um dos melhores livros de Ian McEwan. Uma pena já conhecer de antemão o desfecho da história.

Aos 13 anos, Briony é uma menina criativa e cheia de imaginação que sonha em ser escritora. No verão de 1935, ela está encenando com os primos uma peça de sua autoria a fim dar as boas vindas ao irmão que vem visitá-los. Entre um ensaio e outro, ela testemunha uma cena que não compreende: Cecília, sua irmã mais velha, tira a roupa e mergulha de calcinha e sutiã na fonte do jardim, na presença de Robbie, o filho da arrumadeira que foi criado junto com elas. Ao sair da fonte, Cecília parece furiosa. Por que Robbie teria obrigado sua irmã a fazer tal coisa? O episódio dá início a uma série de mal entendidos que irá marcar a família para toda a vida.

Narrado sem pressa e sempre buscando se aprofundar nos sentimentos dos personagens, “Reparação” se divide em quatro partes. Na primeira, acompanhamos o verão que irá mudar a vida de todos. Um narrador onisciente nos mostra as visões de Briony, Cecília e Robbie, de maneira que entendemos a participação de cada um nos acontecimentos e também as impressões que passam aos outros.

É ao montar esse quebra-cabeças que McEwan se revela brilhante porque não se trata de uma história sobre verdades absolutas e sim sobre versões. É incrível como o autor nos permite entender o que está acontecendo entre Cecília e Robbie, mas também compreender a linha de raciocínio de Briony e porque uma série de infortúnios acabam sendo deturpados devido a inocência da menina. É nesta primeira parte que a história de “Reparação” acontece. Aqui temos os eventos, os sentimentos intensos, as ações. O resto do livro traz as consequências.

“Não eram só o mal e as tramoias que tornavam as pessoas infelizes; era a confusão, eram os mal-entendidos; acima de tudo, era a incapacidade de apreender a verdade simples de que as outras pessoas são tão reais quanto nós.” (McEWAN, 2017, p.37)

Na segunda e terceira partes vemos dois personagens no contexto da Guerra: Robbie, que apresenta a visão do soldado, e Briony (agora aos 18 anos), a visão da enfermeira. Aqui podemos ver como os acontecimentos daquele verão foram responsáveis por trilhar o caminho que os personagens seguiram. Nestes trechos, que constituem quase metade do livro, a guerra deixa de ser um cenário e passa a ser o centro dos acontecimentos. Ataques, bombas, suturas e ferimentos passam a dividir o espaço com os conflitos dos personagens em uma abordagem que, confesso, me decepcionou.

Na quarta parte, reencontramos Briony, agora com setenta anos, ainda enfrentando as consequências das suas atitudes. Como eu já conhecia a história através do filme, é claro que o final não teve o mesmo efeito, mas ainda assim acredito que McEwan poderia ter explorado mais a carga das revelações que guarda para a última página.

Briony é uma personagem maravilhosa. Imaginativa e impetuosa, ela divide os sentimentos do leitor porque sabemos que ela é bem intencionada, mas ao interferir em algo que não lhe diz respeito ela provoca consequências terríveis. É um erro que poderia ter sido evitado, mas é um erro honesto. O que a torna ainda mais humana é a maneira como lida com suas próprias atitudes a partir do momento que tem condições de compreendê-las. Ela cresce e isso basta para que seu tormento tenha início.

“Reparação” é uma grande história, protagonizada por personagens intensos, e que gera uma série de reflexões a respeito do impacto das pequenas coisas e da influência que uma pessoa pode ter na vida da outra. Para mim, foi uma leitura de altos e baixos, mas é sem dúvida uma daquelas histórias que nunca esquecemos.

Título: Reparação
Autor: Ian McEwan
N° de páginas: 269
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

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terça-feira, 5 de março de 2019

O que vem por aí - março

Vem conferir alguns dos lançamentos previstos para março de nossas editoras parceiras.

INTRÍNSECA



GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS



DARKSIDE


domingo, 3 de março de 2019

Top Comentarista Março


No top comentarista de março, o vencedor poderá escolher o livro que quer ganhar dentre as quatro opções: "As mães", "Gabriela, Cravo & Canela", "Menina boa, menina má" e "Bruxa Akata"

Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de março e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher o livro que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
- As mães; 
- Gabriela, Cravo & Canela; 
- Menina boa, menina má; 
- Bruxa Akata.

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de abril.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de quarenta e cinco dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway
 

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