quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

RESENHA: As Viúvas

As Viúvas - Lynda La Plante
Meus instintos foram contra a leitura de “As Viúvas”. Mas ao ver que o livro já havia sido uma série de TV dos anos oitenta e tantos anos depois estava ganhando uma adaptação cinematográfica (roteirizada por Gillian Flynn e protagonizada por Viola Davis) achei que o livro merecia uma chance, afinal, devia ser uma história icônica de alguma forma para voltar a vida tantos anos depois.

Harry Rawlins sempre detalhou todos os seus planos e atividades em seus livros contábeis. Quando ele e mais dois colegas morrem em um assalto, sua esposa decide contatar as outras duas viúvas e usar os planos do marido para executar o assalto mal sucedido.

O livro é narrado em terceira pessoa, o que nos permite acompanhar as três viúvas (Dolly, Shirley e Linda), os inimigos de seus maridos e os policiais que estão no caso. Embora dê amplitude à trama, o recurso não funciona bem como poderia porque a primeira metade do livro se dedica excessivamente a explorar o entrosamento entre as mulheres, deixando o assalto para muitas páginas adiante. Além disso, a obsessão do policial é bastante irritante.

Não ajuda também o fato de as três protagonistas serem bastante caricatas (diferente do que eu esperava de um livro que atraiu Gillian Flynn a roteirizar uma história protagonizada por mulheres, já que a característica principal da autora são personagens femininas fortes). Dolly é a mais velha e esposa do chefão. Automaticamente isso a torna a chefona das mulheres. Linda é a fogosa que dias após a morte do marido se atira em cima de outro homem porque não consegue ficar sem sexo. E Shirley é a mais jovem do grupo. A bobinha linda que entra na jogada porque não sabe exatamente o que fazer da vida agora que o marido morreu.

“ - Vocês acham que Terry e Joe deixaram vocês sem nada? Não, isso não é verdade. Eles deixaram vocês comigo. Eu, os livros contábeis e o próximo trabalho. Nós nunca fomos de ficar sentadas em casa. Sabíamos o que eles faziam. E sabíamos por que faziam. Harry fez com que eu encontrasse seus livros contábeis por um motivo. E esse motivo somos nós. Ele não queria que ficássemos sozinhas nem que passássemos por dificuldades. Nós merecemos isso, senhoras.” (LA PLANTE, 2018, p. 61)

Mas o mais difícil de engolir é a premissa principal do livro (aquela que os meus instintos me alertaram a não dedicar meu tempo): em que mundo três mulheres que nunca cometeram um crime na vida vão executar um mega assalto apenas porque encontraram os planos detalhados de seus falecidos maridos? Elas nunca manusearam armas, nunca se envolveram com as atividades dos maridos e de repente decidem levar adiante uma super operação? Não consigo acreditar. E como se não bastasse, a reta final ainda guarda reviravoltas que descartam boa parte do que a trama vinha construindo. Tudo inverossímil demais.

As Viúvas” poderia ser um livro sobre um empolgante assalto (daqueles que a gente adora torcer para o bandido). Poderia ser sobre mulheres de luto. Poderia ser sobre mulheres fortes, redescobrindo quem são e o que querem fazer de suas vidas. Poderia ser sobre amizade. Mas ao tentar ser de tudo um pouco, acabou não sendo sobre nada. Meus primeiros instintos, infelizmente, estavam certos.

Título: As Viúvas
Autora: Lynda La Plante
N° de páginas: 400
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

RESENHA: Passagem para o ocidente

Passagem para o ocidente
Uma das aulas mais intrigantes que tive na pós-graduação de Relações Internacionais foi sobre o Oriente Médio, uma região com uma história riquíssima, marcada por conflitos e que é constantemente mal interpretada. Fascinado pela região, comecei a procurar livros que retratassem essa realidade que é tão desconhecida por mim e foi assim que esbarrei em Passagem para o ocidente, eleito por Barack Obama como “um dos melhores livros do ano”.

Saeed e Nadia são dois jovens que vivem em um país muçulmano e que se conhecem em um curso noturno. Atraídos um pelo outro, acabam dando início a um relacionamento em meio a um ambiente de crescente violência. Quando a guerra civil eclode, eles ouvem rumores sobre portais que levariam para outros países. Desesperados, eles decidem se aventurar por um desses portais, sem imaginar o que os espera do outro lado. 

Saeed e Nadia são o cerne absoluto da estória. Não apenas acompanhamos a evolução de seu relacionamento, mas principalmente seu desenvolvimento como pessoas em cenários extremamente adversos. Chama atenção que o autor, inclusive, não dá nomes a mais nenhum outro personagem, ficando clara sua intenção de focar a atenção do leitor no casal de protagonistas. 

Passagem para o ocidente dialoga com temas relevantes e atuais, como a crise dos refugiados. Por um lado vemos a dificuldade em abandonar sua nação, que é uma parte importante da nossa identidade, bem como de se reintegrar em um novo local, que muitas vezes é avesso a estrangeiros. Outra discussão muito interessante é a questão dos portais que levam para os mais diversos cantos do mundo e como eles, de certa forma, redefinem o conceito de fronteiras. 

“Pode parecer estranho que em cidades cambaleado à beira do abismo jovens ainda compareçam às aulas [...], mas é assim que as coisas são, seja quanto às cidades, seja quanto à vida, pois por um momento estamo entretidos com nossos afazeres habituais e no momento seguinte estamos morrendo, e nosso fim para sempre iminente não interrompe nossos começos e meios transitórios até o instante que o fim chega de fato.” (HAMID, 2018, p. 7-8)

Entretanto, apesar da originalidade e da criatividade da estória, preciso confessar que não gostei da narrativa de Hamid. A meu ver, a regra número um da literatura é o famoso “show, don’t tell”, ou seja, não me diga o que os personagens estão fazendo, me mostre eles fazendo. Infelizmente, Hamid optou por narrar os eventos que acontecem com os protagonistas, bem como seus pensamentos e sentimentos. Essa opção do autor, além de tornar a leitura cansativa, acarretou em um distanciamento do leitor com os personagens, que pareciam estéreis e sem vida

Outro aspecto que não gostei — e que está diretamente conectado com o anterior — é o excesso descritivo. Creio que uma descrição mais sucinta e precisa é suficiente para transmitir uma imagem ao leitor, enquanto que o exagero apenas tende a interromper sua conexão com a estória. Afinal, a quantidade de estímulos visuais parece colocar o desenvolvimento da trama em segundo plano.

Por fim, também achei o desenvolvimento trama um tanto simples e sem gosto, apesar de ter muito potencial. No fim das contas, fiquei com a impressão de que a Hassin tinha mais interesse em fazer o leitor refletir sobre os assuntos que a obra aborda, do que em desenvolver a trama com mais profundidade, o que iria levar a reflexões de forma mais natural. 

Encerrei a leitura com a sensação de que Hassin tinha em mãos uma ótima premissa, mas que pecou na execução. Assim, preciso dizer que achei a declaração de Barack Obama um tanto exagerada. 

Título: Passagem para o ocidente
Autor: Mohsin Hamid
N.º de páginas: 168
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

sábado, 8 de dezembro de 2018

RESENHA: O Desaparecimento de Stephanie Mailer

O Desaparecimento de Stephanie Mailer / Joel Dicker
Há meses aguardo ansiosa que a Editora Intrínseca anuncie a data de lançamento do novo livro de Joël Dicker. Qual não foi a minha alegria e surpresa quando, ao abrir a primeira caixinha do Intrínsecos (clube de leitura da editora), me deparo com uma edição linda em capa dura justamente de “O Desaparecimento de Stephanie Mailer”? Confesso que um gritinho histérico ecoou pela casa. Eu tinha em mãos o novo livro de um dos meus autores favoritos.

Em 1994, a cidade balneária de Orphea se preparava para a estreia do seu primeiro festival de teatro, mas a noite foi marcada pelo trágico assassinato de quatro pessoas, entre elas o prefeito da cidade. 20 anos depois, a jornalista Stephanie Mailer volta a investigar o caso e confronta Jesse Rosenberg, o policial “100%” que desvendou os crimes na época, afirmando que ele estava errado em suas conclusões e que o verdadeiro assassino continua solto. Quando Stephanie desaparece, Jesse reconhece que talvez houvesse um fundo de verdade em suas alegações e procura Derek, seu antigo parceiro, para que possam corrigir os erros do passado.

De todos os livros de Dicker, “O Assassinato de Stephanie Mailer” é o que mais veste as roupas da literatura policial, já que os outros incorporam um pouquinho de cada gênero. Não apenas isso, o autor também pratica a brincadeira favorita de Agatha Christie: fazer o leitor olhar para um lado quando a coisa toda está acontecendo do outro. Confesso que o truque colocou um sorriso no meu rosto porque era algo de que eu desconfiava desde o início, mas que divertido é ver o autor manipular tão bem a condução da trama.

Dividido em vários pontos de vista que alternam entre os acontecimentos de 1994 e de 2014, o livro apresenta múltiplos narradores, compondo um quebra-cabeças que inclui tantos personagens (muitos deles desempenhando um papel diferente em um momento temporal e outro) que uma lista se fez necessária (e útil!) no início da edição. A única coisa que me incomodou é que a voz de todos esses narradores soa sempre a mesma, tanto que chegou um momento em que deixou de ser importante saber quem falava.

Mistérios esses que são vários, já que uma marca registrada de Dicker é criar pontas em suas histórias de forma que nunca conseguimos ver o panorama completo até que ele queira nos mostrar e não conseguimos prever como tudo irá se conectar. “O que aconteceu na noite dos assassinatos?”, “o que aconteceu com Stephanie Mailer?”, “o que aconteceu com a ex-noiva de Jesse?”, “por que Derek, mesmo sendo um policial tão habilidoso, passou 20 anos fazendo trabalho burocrático?” são algumas das perguntas que o leitor se faz e que Dicker responde no momento certo. Nessas respostas, é preciso reconhecer que há sim alguns clichês e acontecimentos novelescos, mas isso não muda o fato de que é uma trama bem articulada e envolvente. 

“Sabe, Frank, é uma peça sobre um segredo. E um segredo, no fundo, tem mais importância no que esconde do que no que revela.” (DICKER, 2018, p.408)

Um recurso que Dicker volta a utilizar é nos mostrar, desde o início, através dos títulos dos capítulos, que algo grande está por vir. Ao invés de numerá-los em ordem crescente, ele começa no sete negativo, indo em direção ao zero para depois iniciar a ordem crescente. Ou seja, temos uma preparação, um evento principal e o que acontece a partir disso.

Outro ponto de destaque são os personagens, a começar pelo carismático trio principal Jesse, Derek e Anna (a policial de Orphea). Steven, que se envolve em um desastroso caso extra-conjugal; Alice, sua amante; Dakota, a menina rica viciada em drogas; Ostrovski, terrível crítico teatral; Kirk Harvey, ex-chefe de polícia e atual péssimo diretor de teatro são alguns dos personagens que adoramos acompanhar e que permitem ao autor dar facetas à trama e também fazer críticas, como, por exemplo, ao debochar dos egos inflados que circulam no meio artístico e até mesmo do desprezo que a literatura policial e seus autores enfrentam.

“O Desaparecimento de Stephanie Mailer” não é o melhor dos livros de Joël Dicker, mas mostra um autor que encontrou seu estilo e seu público. Uma boa história policial que carrega em si outras várias mini histórias que cativam o leitor a desvendar os seus mistérios.

O fato de a Intrínseca escolher esse livro para dar início ao clube de leitura que comemora os 15 anos da editora, mostra o quanto Dicker é um autor importante do catálogo e o quanto a editora aposta nele. Quem sabe receber em casa esse livro lindo de surpresa seja o empurrãozinho que muitos leitores precisavam para se apaixonar pelo autor de A Verdade sobre o Caso Harry QueberteO Livro dos Baltimore (eleitos minhas melhores leituras do ano em 2014 e 1017, respectivamente).

Sobre a caixinha do Intrínsecos, além da edição especial do livro (que deve começar a ser comercializado em janeiro), o kit veio ainda com um saquinho de evidências de cena de crime e uma caneta do jornal de Orphea (ambos relacionados aos acontecimentos do livro) e uma revista com conteúdo especial que inclui um texto da escritora Patrícia Mello sobre o fascínio dos romances policiais, um texto a respeito do ofício do crítico teatral, um breve panorama cultural dos 20 anos nos quais se passa a trama e ainda um texto inédito de Joël Dicker e uma entrevista com o autor.

Título: O Desaparecimento de Stephanie Mailer
Autor: Joël Dicker
N de páginas: 575
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

RESENHA: Flores para Algernon

Flores para Algernon Daniel Keys
Charlie Gordon é submetido a uma cirurgia experimental para aumentar seu QI. Aos poucos, ele deixa de ser um adulto com uma grave deficiência intelectual e passa a absorver o conhecimento como se fosse uma esponja. Mas ao mesmo tempo em que se torna um gênio no que diz respeito ao conhecimento acadêmico, Charlie ainda conta com uma capacidade emocional pouca desenvolvida. E em meio a tantos aprendizados e a flashes sobre sua vida passada, ele tenta desesperadamente descobrir quem realmente é. 

Por se tratar de um romance epistolar, ficamos restritos a visão do protagonista, o qual sofre de uma debilidade mental acentuada e que não consegue expressar todos os seus pensamentos e sentimentos no papel. O texto inclusive reflete as habilidades limitadas de Charlie, o que embora seja um recurso interessante, tornou a leitura um pouco cansativa. Porém, é incrível ver como o autor consegue fazer transparecer a evolução de Charlie por pequenos detalhes que aparecem no texto. E a partir do momento que sua inteligência começa a se desenvolver, a narrativa se torna mais fluída e envolvente.  

E falando em inteligência, vemos desde o início a obsessão do protagonista em se tornar inteligente, pois acreditava que somente assim as pessoas gostariam dele. No entanto, quando começa a recuperar memórias antigas, Charlie percebe que era alvo constante de piadas por causa de suas limitações. Desse modo, a obsessão acaba dando espaço a paranoia, em alguns momentos justificada, em outros não. 

O grande mérito de Keys é a profundidade psicológica que ele conseguiu dar para o personagem. É com dor no coração que acompanhamos as memórias da infância de Charlie, e vemos os abusos que sofreu nas mãos de sua família, que não conseguia aceitar suas diferenças e amá-lo incondicionalmente. E vemos que mesmo sem entender plenamente o que acontecia ao seu redor, Charlie carrega as cicatrizes desses traumas emocionais a vida toda

“Apesar de sabermos que, no fim do labirinto, a morte nos aguarda (e isso é algo que nem sempre soube, até pouco tempo atrás, pois o adolescente em mim pensava que a morte acontecia só com outras pessoas), vejo agora que o caminho escolhido pelo labirinto me faz quem sou. Não sou apenas uma coisa, mas também uma maneira de ser — uma das muitas maneiras —, e saber os caminhos que percorri e os que me restam vai me ajudar a entender o que estou me tornando.” (KEYS, 2018, p. 204). 

Durante a leitura de Flores para Algernon, foi impossível não lembrar de outro livro: Longe da Árvore, do jornalista Andrew Solomon. O autor escreveu um extenso trabalho sobre as identidades verticais, aquelas características que herdamos da família, e as identidades horizontais, que são estranhas a família, como síndrome de Down, surdez e transgêneros. Solomon reflete que há pais que tentam corrigir as “diferenças” do filho, enquanto existem outros que as celebram. Para alguns é doença e deve ser curada, para outros, é identidade e deve ser aceita. 

E é justamente neste aspecto que as reflexões do livro mais se destacam. Charlie tem limitações, mas seu maior problema é falta de aceitação. Em vez de incentivo, encontra ameaças. Em vez de amor, crueldade e violência. Sua forma de ser e de se expressar é apenas diferente, mas é vista por muitos como errada. E o mais triste é perceber como as pessoas parecem descartar completamente sua existência antes da cirurgia, como se apenas agora ele fosse um ser humano. 

Flores para Algernon mostra que não é a inteligência, mas sim nossas emoções e nossas relações afetivas com outras pessoas que nos tornam verdadeiramente humanos. Prepara-se para encontrar uma estória extremamente original, absurdamente profunda e um tanto quanto triste. Suas reflexões são o ponto alto e o mais interessante é perceber que mesmo passados mais de cinquenta anos de sua publicação, a obra continua atual e relevante

Título: Flores para Algernon
Autor: Daniel Keys
N.º de páginas: 284
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 2 de dezembro de 2018

Top Comentarista Dezembro


No Top Comentarista de Dezembro, o vencedor poderá escolher o livro que quer ganhar dentre as quatro opções: As Viúvas; Menina Boa, Menina Má; O Diário de Myriam Todos os Pássaros no Céu.


Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de novembro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher o livro que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
- As Viúvas
- Menina Boa, Menina Má
- O Diário de Myriam
- Todos os Pássaros no Céu

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de janeiro.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de trinta dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Conexões Além da Contracapa #33

Berhard Schlink é um escritor alemão que, além de livros de ficção, também publicou diversos livros jurídicos, já que sua formação acadêmica é em direito, assim como...

...a do autor Scott Turrow conhecido mundialmente por seus thrillers jurídicos. O principal deles, “Acima de Qualquer Suspeita”, além de ser o livro de estreia do autor, foi adaptado para o cinema tendo no papel principal o ator Harisson Ford que também protagonizou...


...o filme “Blade Runner”, adaptação de “Androides sonham com ovelhas elétricas?”, clássico de ficção científica escrito por Philip K.Dick, autor também de “O Homem do Castelo Alto”, um livro que arrisca imaginar como seria o mundo caso o Eixo tivesse ganhado a guerra. A Segunda Guerra Mundial também é o pano de fundo...

...na história de Michael Berg, um rapaz de 15 anos, que se envolve com uma mulher mais velha e analfabeta e lê para ela em “O Leitor”, livro escrito por Berhard Schlink


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

RESENHA: Uma coisa absolutamente fantástica

Uma coisa absolutamente fantástica / Hank Green
Eu estaria mentindo se dissesse que minha curiosidade de ler “Uma coisa absolutamente fantástica” veio por qualquer outro motivo além de Hank Green ser irmão de John Green. Ok, eu já tinha visto alguns vídeos de Hank e simpatizava com ele e claro que sei que ter um irmão talentoso não significa que você também o seja. Mas com os Green isso é verdade.

Nas ruas de Nova York tudo pode acontecer e April May sabe bem disso. Ao voltar do trabalho em uma madrugada, ela se depara com a escultura gigantesca de um robô de três metros de altura e chama seu amigo Andy para que faça um vídeo para o YouTube, afinal, ele está sempre em busca de um bom vídeo. Mas eis que diversas cidades do mundo têm a mesma escultura e ninguém sabe de onde elas surgiram, apenas que todas surgiram no mesmo exato momento. Tendo sido o primeiro vídeo a revelar a existência dos “Carl” - como April apelida o robô gigante - ele viraliza, catapultando a jovem e seus amigos para um mundo de fama construído inteiramente com base em redes sociais.

Quando pego um livro novo na mão, uma das primeiras coisas que faço é ler o parágrafo de abertura, mesmo que eu não esteja iniciando a leitura naquele momento. Quando fiz isso com “Uma coisa absolutamente fantástica” eu soube que se tratava de um ótimo livro.

A voz narrativa de April (que nos conta toda a história em primeira pessoa) é divertida, espirituosa e levemente irônica, do tipo que cativa já nas primeiras linhas. Não apenas isso, April é uma personagem maravilhosa porque está em um processo de construir uma identidade para si. Ela sempre foi April May, mas agora as redes sociais a tornaram “April May: a primeira pessoa a fazer contato com os Carls” e ela deve decidir o que quer fazer com isso, como quer agir e quais bandeiras quer levantar. De repente ela tem uma voz que é ouvida por milhares de pessoas no mundo todo e isso lhe dá um poder inesperado, mas também lhe torna um alvo.

A história é completamente non-sense. Robôs gigantescos, sonhos compartilhados, mãos que têm vida própria, vidas extraterrestres. Nada disso é limitação para a imaginação de Hank. O que torna “Uma coisa absolutamente fantástica” um livro especial é que dentro de uma história de acontecimentos completamente absurdos, o autor fala sobre coisas extremamente relevantes e atuais, fazendo inclusive uma crítica a nossa sociedade. É como se houvesse uma história oculta. De um lado, o assunto é leve, divertido e tem tom de brincadeira. Do outro, é sério e real ao extremo.

Você nunca pode parar de criar conteúdo, não só porque a sensação de que as pessoas te ouvem é boa, mas também porque você precisa manter a atenção delas presa. E eu tinha me acostumado a medir minha vida em curtidas.” (GREEN, 2018, p. 174)

Logo no começo, April diz que as pessoas nem olham para a estátua porque mesmo ela sendo absolutamente fantástica (e daí temos o título do livro), Nova York é a cidade das coisas absolutamente fantásticas. Cada dia surge uma diferente, então as pessoas nem enxergam mais. Todos passam por Carl agindo como se ele fosse invisível. Mas no dia seguinte, é só o vídeo viralizar no YouTube que multidões fazem fila para ver a estátua. É só April criar um perfil no twitter para falar sobre isso que milhares de seguidores surgem a cada minuto. Ou seja, Carl não era interessante quando simplesmente fazia parte da realidade, mas passa a ser a coisa mais fantástica do mundo porque apareceu no YouTube. Que realidade é essa em que as pessoas não conseguem mais decidir por conta própria o que é “absolutamente fantástico” e precisam que alguém lhes diga isso? Se está na rede social, se o vídeo tem milhares de visualizações e curtidas, então vale a pena, caso o contrário não?

Hank também usa a trama para explorar a obsessão das pessoas pelas redes sociais. A partir do momento em que April entra neste mundo, ela fica obcecada com seu número de seguidores e twittar torna-se grande parte da sua vida. Ela precisa escrever coisas inteligentes e com frequência para que continue sendo relevante.

Há espaço também para o autor criticar a cultura de celebridades (já que April vira, literalmente da noite para o dia, uma celebridade internacional) e o extremismo a que algumas ideologias levam.

Em meio a tudo isso, Hank ainda consegue inserir pinceladas a respeito da bissexualidade da protagonista e também sobre os questionamentos comuns que uma jovem de 23 anos enfrenta ao descobrir quem ela quer ser e o que quer fazer com a sua vida.

Hank Green estreia no mundo da literatura com um livro divertido e sério, absurdo e realista e completamente delicioso de ler. Talento é sim coisa de família, mas na próxima vez, leio Hank Green por ele ser apenas Hank Green.

Título: Uma coisa absolutamente fantástica
Autor: Hank Green
N° de páginas: 340
Editora: Seguinte
Exemplar cedido pela editora

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