domingo, 17 de fevereiro de 2019

[Policial] para quem não gosta de [policial]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou a coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

O Talento Ripley

Apesar de ser um dos maiores clássicos do gênero, O Talentoso Ripley foge completamente dos padrões que conhecemos quando se fala em literatura policial. Patricia Highsmith ousou contar a estória a partir do ponto de vista de Tom Ripley, um jovem brilhante e adorável, mas que aos poucos se revela um psicopata que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Além disso, o foco do livro é justamente na evolução do protagonista, mostrando sua jornada pelo mundo do crime e suas habilidades para escapar da justiça. 



Encarcerados

Já para aqueles que não gostam do gênero por causa de suas fórmulas repetitivas, a indicação é Encarcerados, uma mistura inusitada de policial e ficção científica. Uma síndrome aprisionou pessoas com mentes saudáveis em corpos incapazes,  de modo que a tecnologia foi o único recurso capaz de integrar essas pessoas a sociedade. Assim, os “encarcerados” transferem suas consciências para corpos robóticos, o que cria não apenas muitas possibilidades para os criminosos, mas também linhas de investigação inusitadas. Além do elemento sci-fi que é extremamente original e muito bem explorado, Scalzi acerta em cheio no desenvolvimento tanto do protagonista, quanto do arco policial.

Maigret e o Ladrão Preguiçoso (ou qualquer livro do Comissário Maigret)

O Comissário Maigret é um dos mais célebres detetives da literatura policial. Ainda assim, suas aventuras podem agradar os que não gostam do gênero porque nelas o crime está sempre em segundo plano. O que importa para o comissário são as pessoas. São livros lentos e reflexivos que parecem mais dramas que contam com um crime na trama do que com um livro policial em si. Eu poderia citar aqui qualquer exemplo, mas escolho “Maigret e o Ladrão Preguiçoso” por ser uma história de dois casos - um oficial que foi designado ao Comissário e outro que o intriga e que ele investiga não oficialmente - que parecem importar mais pelo efeito que provocam no protagonista do que pelas respostas dos crimes.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

RESENHA: O Milagre

O Milagre / Emma Donoghue
O Milagre” é um livro que jamais teria atraído a minha atenção se não fosse por Emma Donoghue, autora de “Quarto” que há alguns anos inspirou o triste e sensível “O Quarto de Jack”. Não tendo lido o livro, mas ficado impactada com o filme quis dar uma chance a autora.

Na Irlanda de 1859, Anna O’Donnell, uma menina de onze anos, tem provocado polêmica. Há meses ela se recusa a comer, dizendo estar sendo alimentada pelo maná dos céus. Logo começam a correr boatos de que ela seria especial e não demora até que o vilarejo, fervorosamente católico, atribua sua sobrevivência a um milagre. Para descobrir se o estranho acontecimento é resultado de fraude ou de um ato divino, uma jovem enfermeira, Lib Wright, e uma freira, irmã Michael, são contratadas para se revezarem em uma vigília à menina.

Narrado em primeira pessoa, mas com foco no ponto de vista de Lib, “O Milagre” é um livro de ritmo lento e capítulos longos. Por ser inglesa, é preciso que a enfermeira se habitue ao vilarejo ao chegar na Irlanda e essa adaptação cabe muito bem ao leitor que também se familiariza com os costumes e a mentalidade local junto com a personagem.

Embora se vista de romance histórico, vejo “O Milagre” como um suspense. “O que vem acontecendo com Anna?” e “o que irá lhe acontecer se continuar nesse caminho?” eram as principais perguntas que eu me fazia durante a leitura e cujas respostas ficam para as últimas páginas.

Os perigos do extremismo religioso são o tema central da obra. Até que ponto uma pessoa é capaz de chegar e que perigos está disposta a correr quando acredita cegamente que uma força maior a protege? Eventualmente, o corpo de Anna começa a se deteriorar e os sinais de sua fraqueza são visíveis, mas seu pensamento é: “se ela não precisou de alimento até ali, por que precisaria agora?”

“Como era possível a criança suportar não apenas a fome, mas também o tédio? O resto da humanidade usava as refeições para dividir o dia, percebeu Lib – como recompensa, como divertimento, como o badalar de um relógio interno. Para Anna, durante esta vigília, cada dia só poderia passar como um momento interminável.” (DONOGHUE, 2018, p. 69)

Anna é uma menina doce, acostumada com poucos recursos, vive com os pais e sente falta do irmão que morreu. Embora a presença de Lib signifique que há quem a veja como mentirosa, a menina recebe com carinho a enfermeira e lida com sua presença melhor que os adultos que a cercam. Porém Anna também é irritante em sua teimosia e fé absurdas, se tornando uma personagem enfadonha em muitos momentos.

Descrito pelos veículos de comunicação com palavras intensas como “desolador”, “transcendente”, “fascinante” e “magistral”, devo dizer que não aplico nenhuma delas a “O Milagre” e que a leitura não funcionou para mim. Embora o desfecho traga respostas surpreendentes e uma nota da autora no final explique que a trama foi inspirada em acontecimentos reais de pessoas que alegavam viver sem alimentos entre os séculos XVI e XVII, achei tudo arrastado demais. É compreensível, afinal, o corpo de Anna precisa tempo para se manifestar, o problema é que isso é tudo que acontece: esperamos um sinal de que a menina esteja comendo escondida ou que esteja passando mal. Para mim, foi pouco para manter a minha atenção.

Ao final da leitura há uma interessante nota da tradutora explicando as peculiaridades do texto de Donaghue e coisas que, infelizmente, eram impossíveis de serem traduzidas para o português. Uma lembrança válida da importância do tradutor na experiência de leitura e da sensibilidade que esses profissionais devem ter para preservar ao máximo a obra original, entregando o mais próximo possível do que o autor quis levar para o seu leitor (ritmo, sonoridade, duplos sentidos, poesia...) apenas em outro idioma.

Título: O Milagre
Autora: Emma Donaghue
N° de páginas: 264
Editora: Verus
Exemplar cedido pela editora

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

RESENHA: Thrawn

star wars thrawn
Em 1991, Timothy Zhan lançou Herdeiro do Império, o primeiro livro do universo expandido de Star Wars publicado com a autorização oficial da LucasFilm. Nos anos seguintes, mais dois livros foram lançados completando a trilogia e que foram considerados por muitos fãs como os episódios VII, VIII e IX da saga. E parte desse sucesso se deve ao vilão criado por Zhan: o grão-almirante Thrawn. 

Porém, em 2012, a Disney adquiriu a LucasFilm e, consequentemente, os direitos autorais de Star Wars. Assim, eles optaram por não se comprometer com as estórias contadas nas outras mídias, dando origem ao selo Legends: são lendas, que podem ou não ter acontecido. Por sua vez, as obras publicadas após a compra pela Disney fazem parte do cânone, ou seja, integram as estórias dos filmes, livros, HQs e séries em uma mesma linha temporal.

Reconhecendo o potencial do grão-almirante Thrawn, a Disney não quis deixar o personagem restrito ao selo Legends. Assim, ele foi inserido como um dos antagonistas na série de animação Star Wars: Rebels, entrando oficialmente no cânone. Posteriormente, uma nova trilogia de livros foi encomendada, permitindo que Zhan se aprofundasse nas origens de Thrawn. 

Vivendo em exílio, Thrawn é encontrado por forças imperiais e levado para Coruscant, onde jura fidelidade ao imperador Palpatine. O alienígena de pele azulada e olhos vermelhos é um brilhante estrategista militar e, apesar de seus métodos pouco convencionais, sempre alcança a vitória, o que lhe garantiu uma ascensão meteórica dentro da Marinha Imperial. Porém, sua falta de tato para as questões políticas poderá ser um problema. 

“Artistas eram indivíduos, mas também eram produtos de sua cultura, história e filosofia. O entrelace de artista e cultura era óbvio ao olha crítico. O padrão fundamental de uma espécie podia ser esboçado, depois desenhado e então preenchido completamente. Mais importante de tudo: os relacionamentos entre arte, cultura e doutrina militar podiam ser deduzidos.
E o que pode ser deduzido pode ser combatido.”
(ZAHN, 2017, p. 202)

Quando iniciei a leitura, imaginava que um dos maiores desafios de Zhan seria transformar Thrawn em protagonista. Afinal, já havia assistido a série Star Wars: Rebels e, apesar de admirá-lo por suas capacidades, ainda o enxergava como vilão, pois foi recrutado para pôr um fim aos ataques de uma célula rebelde. Porém, Zhan consegue nos mostrar que nada é preto no branco e que o mundo de Star Wars é muito mais complexo e vai muito além da dicotomia heróis versus vilões

E esse é um dos maiores méritos do livro: colocar o leitor nas fileiras do Império Galáctico, de modo que podemos ver que apesar dos muitos defeitos do Império e do Imperador, ainda existem pessoas decentes e que, do jeito delas, lutam por uma galáxia melhor. E Thrawn é uma dessas pessoas, que reconhece esses defeitos, mas que olha para o movimento rebelde com receio de que o sucesso deles implique em um novo banho de sangue, assim como foi nas Guerras Clônicas (conflito que ocorreu entre a República e o movimento separatista, que se passa entre os episódios II e III e que é retratado na série de animação Star Wars: Clone Wars)

Além de Thrawn, outra personagem da série Star Wars: Rebels ganha destaque: Arihnda Pryce. Sua jornada é tortuosa, como inúmeras idas e vindas, mas sua ambição para galgar os degraus do poder no Império é incansável. Na animação, Pryce é uma pessoa extremamente desagradável, mas no livro vemos seu lado mais humano, bem como os eventos que a transformaram naquela pessoa. 

A ascensão de Thrawn passa por inúmeras missões dentro da Marinha Imperial e muitas delas envolvem Cisne Noturno, um estrategista engenhoso e adversário à altura. Assim, o fio condutor do livro acaba sendo a perseguição do grão-almirante por esse misterioso personagem. Entretanto, confesso que achei a evolução dos personagens muito mais interessante do que a perseguição. 

O desfecho não surpreende, mas deixa um gancho promissor para o próximo livro, que unirá o grão-almirante ao icônico Darth Vader. 

Para quem assistiu Star Wars: Rebels, considero Thrawn uma leitura enriquecedora, pois mostra outros pontos de vista e acaba tornando personagens já conhecidos muito mais profundos e multifacetados. Para aqueles que não assistiram, reconheço que o livro pode não ter tanto apelo, apesar de apresentar um personagem fantástico. 

Título: Star Wars: Thrawn
Autor: Timothy Zahn
N.º de páginas: 471
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

RESENHA: Uma Estranha em Casa

Uma estranha em casa - Shari Lapena - Editora Record
Quando li “O casal que mora ao lado”, livro de estreia de Shari Lapena, encontrei a cura para uma ressaca literária. Foi com o mesmo intuito que li “Uma estranha em casa”, seu segundo livro.

Quando Tom chega em casa e a encontra vazia porém com a porta aberta, não demora até que perceba que algo está errado. Karen, sua esposa, não está em lugar nenhum, mas sua bolsa e seu celular estão no quarto. Logo ele descobre que ela sofreu um acidente de carro na região mais perigosa da cidade e agora está no hospital, sem nenhuma memória do que aconteceu naquela noite. Para piorar as coisas, um homem foi assassinado e Karen passa a ser suspeita do crime.

O livro é narrado em terceira pessoa, mas intercala os pontos de vista de Tom, Karen, Brigid (a vizinha do casal, sempre atenta às movimentações da casa) e dos policiais que estão no caso. Como cada personagem vive um lado do caso, o recurso funciona bem, mostrando a angústia de Karen por não lembrar do que aconteceu e pelas suspeitas que recaem sobre ela e também os questionamentos que invadem Tom a respeito da mulher com quem vem dividindo a vida nos últimos anos, afinal, ele a ama, mas já não tem certeza do quanto a conhece. 

Seguindo a regra dos típicos page-turners, a autora dispensa contextualizações e dá início à trama já com o acidente de Karen e a chegada de Tom em casa. O que importa é o que acontece a partir deste episódio e é assim que os problemas da trama têm início. 

Infelizmente, "Uma estranha em casa" não se sustenta e a culpa disso é dos próprios personagens. Isso porque, a partir do momento do acidente, as personalidades de Karen e Tom se anulam. Não conhecemos nada sobre ela, nem sobre ele, nem mesmo sobre eles dois como casal. São apenas estereótipos. Ela, uma mulher que perdeu a memória; ele, homem que não sabe no que acreditar e quer proteger a esposa; eles um casal que se ama, mas que está balançado pela situação.

Por mais que o mistério do que aconteceu naquela noite intrigue, é preciso mais do que isso para envolver o leitor, afinal, pouco me importa o que acontecerá com essa mulher ou os motivos dela para ter cometido (ou não) um crime se eu não sei nada sobre ela, se ao invés de se tornar tridimensional ela passa a ser apenas um rótulo. É preciso contexto, bagagem. É possível perceber que a autora quis fazer sua protagonista misteriosa, principalmente a respeito de seu passado, mas se não a conhecemos no presente, por que seu passado teria algum impacto? Além disso, os mesmos problemas se aplicam a Tom, mostrando que essa falta de profundidade é a maneira como Lapena desenvolve seus personagens e não simplesmente uma forma de fazer suspense

“Ele se sente péssimo quando pensa na policia investigando sua mulher, detesta a si mesmo pela desconfiança cada vez maior que sente. Agora esta sempre vigiando-a, imaginando o que ela terá feito.” (LAPENA, 2018, p. 86)

A trama também deixa a desejar. Os acontecimentos em si são poucos, porque não há desdobramentos nem ramificações. O caso todo é tão raso e linear que vamos das primeiras as últimas páginas exatamente com as mesmas perguntas: o que Karen estava fazendo naquele lugar? Foi ela quem matou o homem? O que ela esconde sobre seu passado?

E temos ainda Brigid, a vizinha. Ela não está no centro dos acontecimentos como Tom e Karen, o que deixa claro desde início que seu ponto de vista não é relevante e que, portanto, seu destaque na narrativa é suspeito. Seu relacionamento com o casal, suas atitudes e sua participação no suposto cliffhanger do desfecho são totalmente novelescos.

E falando em desfecho, a autora usa um artificio que já havia me incomodado em seu primeiro livro que é revelar nas últimas páginas informações que escondeu durante toda a história, apenas para tentar surpreender no final. A meu ver, não há mérito nenhum em surpreender com uma informação que ninguém poderia ter. Mérito é deixar a verdade escondida nas entrelinhas e fazer o leitor perceber que ela estava ali o tempo todo, mas que ele foi tão manipulado que nem percebeu.

Em seu segundo livro, Shari Lapena repete seus erros e deixa para trás seus acertos. Se “O casal que mora ao lado” havia sido um entretenimento eficiente, embora não um livro que marcasse, nem isso se pode dizer de “Uma estranha em casa”.

Título: Uma estranha em casa
Autora: Shari Lapena
N° de páginas: 265
Editora: Record
Exemplar cedido pela editora

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

RESENHA: Gabriela, Cravo e Canela

gabriela cravo e canela
Meu primeiro contato com Jorge Amado foi com o livro Capitães da Areia, que foi um das minha melhores leituras de 2015, e desde aquela época tinha muita vontade de conferir outras obras do autor. A escolhida da vez foi Gabriela, Cravo e Canela, um dos livros mais conhecidos de Jorge Amado, tendo sido adaptado para televisão e cinema. 

Em Ilhéus de 1925, a palavra da vez era progresso. E o jovem exportador Mundinho Falcão lidera um grupo que deseja modernizar a cidade e torna-la ainda mais próspera, porém, os velhos coronéis que mandavam e desmandavam na cidade não ficam satisfeitos com suas ideias. É nesse contexto político turbulento que se desenvolve a história de amor de Nacib e Gabriela. 

No primeiro capítulo, o narrador afirma que “foi a história dessa doida paixão o centro de toda a vida da cidade naquele tempo”, entretanto, não foi essa a minha percepção durante a leitura. A meu ver, o embate político foi mais desenvolvido ao longo da estória, sendo inclusive mais interessante

E apesar de ser a protagonista e até mesmo dar título ao livro, minha sensação foi de que Gabriela era uma ilustre desconhecida durante a maior parte da estória. Sua primeira aparição se dá por volta da página 100; ela faz participações mais constantes até a página 300, porém, sem ganhar muito destaque; e apenas nas últimas 100 páginas o relacionamento dela e de Nacib se torna o foco da estória. 

O desenvolvimento do romance entre os personagens não me convenceu. Logo que Gabriela começa a trabalhar para Nacib, eles consumam o relacionamento, mas não parece haver nada muito além de sexo, afinal, eles mal se conhecem. De repente, Nacib começa a sentir ciúmes da atenção que outros homens dão a Gabriela, para logo em seguida se dizer apaixonado por ela. E além de ser tudo muito rápido, senti que não vemos o lado de Gabriela dessa história, não vemos a evolução de seus sentimentos e, sinceramente, tenho dúvidas se havia tantos sentimentos assim da parte dela. 

“Paixão... Amor... Lutara contra aquelas palavras durante dias e dias, a pensar na hora da sesta. Não querendo medir a extensão de seus sentimentos, não querendo encarar de face a realidade das coisas. Pensava ser um xodó, mais forte que os outros, mas que logo iria passar. Mas nunca pensará tanto em um xodó, jamais sentira tais ciúmes, esse medo, esse pavor de perdê-la.” (AMADO, 2008, p. 221).  

Outro fator que me deixou extremamente incomodado é que Gabriela é praticamente a personificação de um ideal masculino. Muitas vezes ela é descrita como uma mulata, sensual e fogosa, mas também é submissa, faz todas as vontades do parceiro, temendo que a menor de suas atitudes pudesse ofender a Nacib. Esse tipo de pensamento e de atitude me deixou com a impressão de que a protagonista sofria de um complexo de inferioridade, pois sempre se rebaixava e sempre endeusava aos homens. 

Em certo trecho do livro, Gabriela argumenta em favor da liberação sexual, do direito da mulher dormir com quem quiser, o que me impressionou bastante visto que o livro foi publicado em 1958. Entretanto, logo em seguida ela fala que sendo mulher casada, nada disso é possível, que apenas o homem casado poderia trair, o que deixou escancarado o machismo da época. Depois, até fiquei me questionando se os pensamentos sobre a liberação sexual não seriam, mais uma vez, um idealização masculina acima de qualquer outra coisa. 

Como disse, a luta de Mundinho Falcão pelo progresso de Ilhéus me pareceu muito mais interessante do que o romance de Nacib e Gabriela. No entanto, apesar de tal arco da trama contar com inúmeras reviravoltas, não foi o suficiente para sustentar o livro por suas 400 páginas

Encerrei a leitura de Gabriela, Cravo e Canela bastante decepcionado. É claro que entendo que, naquela época, as pessoas viviam em outro contexto e que a dinâmica dos relacionamentos era diferente. Ainda assim, a construção da protagonista e o desenvolvimento do romance deixaram muito a desejar, mesmo que se leve em conta esse contexto. . 

Título: Gabriela, Cravo e Canela
Autor: Jorge Amado
N.º de páginas: 415
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 3 de fevereiro de 2019

O que vem por aí - fevereiro

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Top Comentarista Fevereiro


No top comentarista de fevereiro, o vencedor poderá escolher o livro que quer ganhar dentre as quatro opções: O lado bom da vidaPassagem para o ocidenteLembra aquela vez e Caçando carneiros.
Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de fevereiro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher o livro que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
- O lado bom da vida
- Passagem para o ocidente
- Lembra aquela vez e 
- Caçando carneiros.

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de março.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de quarenta e cinco dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway
 

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