segunda-feira, 17 de setembro de 2018

RESENHA: Calamidade

Calamidade Brandon Sanderson
Na minha opinião, a trilogia Executores é uma das melhores séries de fantasia da atualidade e eu estava com expectativa em alta para conferir Calamidade, o último livro da saga. E o mais impressionante de tudo é que Brandon Sanderson não apenas atingiu minhas expectativas, mas conseguiu superá-las

ATENÇÃOa sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS do livro anterior. O restante da resenha é spoiler free. 

Os Executores estão sem recursos, sem aliados e sendo perseguidos por um Alto Épico. Mas David acredita que descobriu como impedir que os Épicos sejam corrompidos por seus poderes. E para testar a teoria, eles vão para Ildithia, uma cidade de sal, com um plano ousado e com potencial de sobra para dar errado. 

Já mencionei diversas vezes como acho a série Executores original, criativa e genial. Mas dessa vez, Sanderson me surpreendeu ainda mais do que eu esperava, pois é impossível não ficar impressionado com a inteligência do autor, que pensou em absolutamente todos os aspectos desse universo. É incrível ver como o autor consegue explorar todo o potencial do universo que criou, fornecendo as respostas que o leitor esperava. 

A evolução do protagonista é palpável ao longo da saga. No início vemos um David mais irresponsável e consumido por vingança, mas desta vez vemos ele está agindo de forma mais racional e “pé-no-chão”. Suas responsabilidades entre os Executores também aumentam, fazendo com que ele assuma um papel de destaque no grupo. 

“Era um sentimento comum; tentar explicar Épicos com ciência era enlouquecedor, no melhor dos casos. Quando os Estados Unidos aprovaram o Ato de Capitulação, que declarou os Épicos isentos do sistema jurídico, um senador explicou que não deveríamos esperar que leis humanas fossem capazes de subjugá-los quando eles não obedeciam nem mesmo as leis da física.
Mas, tolo ou não, eu ainda queria entender. Eu precisava que fizesse sentido.”
(SANDERSON, 2018, p. 59)

Como esperado, Calamidade é o tipo de livro que te faz emergir completamente na estória e que você simplesmente não sente as páginas virarem. Além do ritmo intenso, o livro conta com altas doses de ação e adrenalina, fazendo com que o leitor fique sem fôlego do início ao fim. Nem é preciso dizer que o desfecho é uma verdadeira montanha russa de emoções, que me deixou com o coração na boca. 

Inicialmente, eu imaginava que a série Executores se enquadraria apenas no gênero da fantasia. Porém, em Calamidade vemos que o autor flertou com elementos da ficção-científica e acertou em cheio, criando uma mistura exótica e deliciosa. Outro aspecto que merece destaque é o domínio de Sanderson sobre a estória, pois vemos como elementos do primeiro e segundo livros são relevantes para a conclusão da saga. 

A meu ver, Sanderson é um dos poucos autores que tem a habilidade necessária para escrever uma série. É incrível ver como cada livro da saga tem estória própria, mas também faz parte de algo maior. Enquanto isso, a maioria das séries que vejo por aí contam com estórias ralas, desnecessariamente estendidas, e que só foram escritas em mais de um volume por fins comerciais. 

Calamidade fechou uma série incrível com a chave de ouro e que colocou definitivamente Brandon Sanderson entre os meus autores favoritos. Uma obra com um universo riquíssimo e bem elaborado, e que ainda conta com personagens construídos com esmero, uma trama impecável e uma estória eletrizante. Sem a menor sombra de dúvidas, Executores foi a melhor série de fantasia que li nos últimos anos. 

Título: Calamidade
Autor: Brandon Sanderson
N.º de páginas: 381
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

Comprar: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelo link acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

RESENHA: Outsider

Stephen King / Outsider
A beleza das histórias de Stephen King é que não há regras. Tudo pode acontecer. Em “Outsider”, realmente acontece.

Na pequena cidade de Flint City, o corpo de um menino de onze anos é encontrado em uma cena de crime perturbadora. Perturbador também é quando Terry Maitland, um homem respeitado na comunidade, é reconhecido por diversas testemunhas e seu DNA comprova que ele é o autor do crime. Só que Terry tem um álibi sólido que o coloca a quilômetros de distância e planta dúvidas na mente dos envolvidos na investigação, em especial do detetive Ralph Anderson. Como poderia um homem estar em dois lugares ao mesmo tempo?

Quando se trata de Stephen King, é fácil saber que uma história pode enveredar para qualquer lado. No caso de “Outsider” isso significa que pode se tratar tanto de um criminoso extremamente inteligente, quanto de uma resposta sobrenatural. Ambas as possibilidades são intrigantes e o autor segura esse mistério por boa parte da narrativa (uma pena que uma citação do Publishers Weekly na orelha do livro entregue qual o caminho que a trama segue).

Não sou fã de histórias sobrenaturais, mas gosto da maneira como King trata o tema, sempre como se o sobrenatural fosse parte natural da trama, de forma que nem questionamos se aquilo é realista ou não, fantástico ou não. Mas em “Outsider” os próprios personagens duvidam do que está acontecendo. Eles mesmos escutam uns dos outros: “Eu sei que é difícil de engolir, mas vem comigo” e essa acaba sendo a mensagem que o autor deixa nas entrelinhas para o leitor, ao alertá-lo para o quanto o que está acontecendo é fantasioso. “Ok, King. Eu vou com você”, foi a minha reação. “Mas me convença de que isso faz sentido e que não é uma solução preguiçosa.”

Sim, a trama começa como uma investigação policial e acaba virando uma caçada a um ser sobrenatural e eu não vejo nisso um problema. Mas me incomodou um pouco que o autor não guarde muitas surpresas. Na metade do livro já entendemos o que está acontecendo. Dali para a frente é só esperar o desenrolar dos acontecimentos. É ruim? Não. Mas achei um desenvolvimento cômodo para um autor capaz de tanto mais. É como se King estivesse apenas brincando de escrever um livro.

“Ela tentaria convencê-las mesmo assim. Uma pessoa fazia o que podia, fosse ajeitar lápides ou tentar convencer homens e mulheres do século XXI de que havia monstros no mundo e que a grande vantagem deles era a indisposição das pessoas racionais para acreditar.” (KING, 2018, p. 334)

Talvez, a verdadeira história que King queria contar com “Outsider” estivesse relacionada não aos acontecimentos em si, mas na consequência deles. No que o medo e a incompreensão nos fazem sentir. No fato de que não compreender uma coisa não faz com que ela não seja real e que, às vezes, é importante aceitar como possível o que parece totalmente improvável. Destaque para a família Peterson e para a mudança de mentalidade do detetive Ralph que se obriga a aceitar que existem coisas que estão além da lógica. Nisso King acerta, fazendo o que sabe fazer de melhor: trabalhando a humanidade de seus personagens.

Outsider” tem uma breve relação com a trilogia “Mr Mercedes” e traz de volta a personagem Holly Gibney. Para aqueles que não leram a trilogia, isso não é impedimento, já que a personagem é suficientemente contextualizada neste livro. Eu mesma li apenas os dois primeiros livros da trilogia e, embora a participação de Holly tenha mais a ver com os acontecimentos do terceiro livro, não senti dificuldade nenhuma.

Mesmo não sendo uma das tramas melhor desenvolvidas do autor, daquelas que ele torce o pano até tirar a última gota de água, “Outsider” é um Stephen King. O que significa que é um livro envolvente e que você facilmente lerá 100 páginas seguidas sem nem notar.

Título: Outsider
Autor: Stephen King
N° de páginas: 528
Editora: Suma
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelos links acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

RESENHA: Lobos de Calla

Lobos de Calla A Torre Negra
Confesso que achei a leitura de Mago e Vidro, o quarto livro da série A Torre Negra, um pouco cansativo e por isso mesmo não estava com muita expectativa para ler Lobos de Calla. Mas, para minha surpresa, este acabou se tornando um dos meus livros preferidos da saga. 

A cidade de Calla é atacada por cavaleiros mascarados uma vez a cada geração. Eles sequestram metade das crianças e as devolvem semanas depois, com sequelas físicas e psicológicas. Calla está prestes a ser atacada novamente quando os pistoleiros chegam na cidade e sua ajuda é solicitada pelos moradores. Como se não bastasse, os pistoleiros também precisam proteger um amigo na Nova York de 1977.

Lobos de Calla foi o livro que me fez perceber que apesar da premissa da série ser a busca pela Torre Negra, a jornada de Roland e do ka-tet é o verdadeiro cerne da saga. É incrível ver a evolução e o amadurecimento de todos os personagens, bem como o desenvolvimento de seus relacionamentos. Apesar dos protagonistas não se aproximarem muito da Torre no sentido físico, mais uma vez o livro fornece diversas respostas sobre ela. 

Antes de começar a leitura da saga, fiquei sabendo que era importante ler ‘Salem antes do quinto livro, embora não soubesse exatamente o porquê. Assim, li o referido livro sempre me perguntando como ele se conectaria com a série A Torre Negra e acabei suspeitando que um personagem, que tem um final aberto, poderia reaparecer. Dito e feito, foi exatamente isso que aconteceu. 

Este personagem acabou roubando a cena e sendo um dos fatores que mais motivou minha leitura, pois estava muito curioso para descobrir o que havia acontecido com ele depois dos eventos narrados em ‘Salem e como ele foi parar no Mundo Médio. Sinceramente, fiquei impressionado (mais uma vez) com a genialidade de King, que cruzou a vida desses personagens com tamanha naturalidade e maestria. 

“— Ninguém nunca vive feliz para sempre, mas deixamos as crianças aprenderem isso por conta própria, não é?” (KING, 2007, p. 58) 

Creio que a leitura de ‘Salem não seja absolutamente necessária para quem deseja ler A Torre Negra, porém, o livro fornece um importante background do personagem e enriquece ainda mais a experiência de leitura de Lobos de Calla.

A trama de Lobos de Calla é muito bem desenvolvida e amarrada, contando com diversos núcleos e arcos narrativos. King tem paciência para ir costurando os inúmeros fios da trama e mesmo sendo um livro longo, a leitura não se torna cansativa em nenhum momento. O desfecho é a especialidade de King, do tipo que faz o leitor prender a respiração e ficar com o coração na mão. Já o final deixa um cliffhanger e tanto para a continuação da saga. 

A meu ver, Lobos de Calla é o turning point da série. Fica evidente que a saga ganha um novo fôlego e agora já conseguimos vislumbrar a Torre se aproximando. De minha parte, tudo o que digo é expectativa em alta para o sexto e penúltimo livro da série. 

Título: Lobos de Calla - A Torre Negra vol. V
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 741
Editora: Suma

Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelos links acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

sábado, 8 de setembro de 2018

RESENHA: Se eu fechar os olhos agora

Se eu fechar os olhos agora / Edney Silvestre Há alguns anos, eu passeava por uma Feira do Livro e, por incrível que pareça, nenhuma das opções me chamava a atenção. Até que, quase indo embora, me deparei com “Se eu fechar os olhos agora”, romance de estreia do jornalista Edney Silvestre. A trama, misto de romance policial com romance de formação, e seu envolvente parágrafo de abertura, me fisgaram.

Em 1961, em uma pequena cidade do Rio de Janeiro, dois meninos, Paulo e Eduardo, encontram o corpo mutilado de uma bela mulher brutalmente assassinada. Ao irem à polícia são tratados como suspeitos, mas acabam sendo liberados quando o marido da vítima (um respeitado dentista da cidade) confessa o crime. Aos doze anos, sem nunca haverem se deparado com tamanha violência, os meninos continuam impressionados com o crime e não conseguem acreditar que um homem frágil como o dentista poderia ter cometido um ato tão brutal. Assim, eles se associam a um morador do asilo local (o único disposto a escutá-los) e dão início a uma investigação amadora que revelará um painel de violência sexual e alianças políticas.

A primeira coisa que chama a atenção é o contraste entre a densidade da narrativa e a fluidez dos diálogos. Enquanto a narrativa adota um tom sério que parece querer preencher cada lacuna com uma impressão, uma dúvida ou um sentimento, os diálogos são ágeis e coloquiais, capturando a simplicidade e a inocência dos meninos.
“O mundo em frente, as estrelas acima, os paralelepípedos a seus pés, tudo em torno dele perdeu a nitidez. Achou que já tinha passado por aquela situação, a mesma, igual, igualzinha, alguma vez no passado ou agorinha mesmo, e não entendeu o que era nem por que seus olhos tinham se enchido de lágrimas. Outra vez isso, pensou, outra vez essa...essa...o quê?, tomava conta dele como um aperto no corpo inteiro, como se algo estivesse machucado, ralado, ardendo. Mas lá. Dentro. Uma pontada. Não uma dor: pontada. Fina, fina, fininha. Doía fino. E levava tempo para passar. Ou, ao menos, amainar. Quando finalmente parecia sumir, deixava uma vontade de ficar quieto, de não rir, de não conversar, de não brincar, de não sair. (SILVESTRE, 2010, p. 63)

A trama segue uma linha detetivesca, mas mesmo que os eventos girem em torno do assassinato de Anita (nascida Aparecida) a história é tanto sobre os meninos e suas descobertas sobre a vida e o mundo que os cercam, quanto sobre o crime.

Quanto aos personagens, Paulo e Eduardo vivem realidades familiares diferentes (Paulo, um ambiente duro e agressivo. Já Eduardo, um ambiente melhor estruturado), mas que apenas conhecemos através dos diálogos entre eles, sem termos contato diretamente com as famílias (salvo raras interações entre Paulo e seu irmão mais velho). O que importa é quem os meninos são um com o outro, sua amizade, e a maneira que reagem ao que estão descobrindo. Tanto que passei a leitura toda vendo os dois mais como uma entidade única (uma dupla) do que como personagens individuais.  

Apesar de bem desenvolvido, acredito que falte calor a “Se eu fechar os olhos agora”. Apresenta uma boa narrativa, uma boa história e bons personagens, mas falta aquele algo a mais que o tornaria um livro cativante.

O livro ganhou uma minissérie em 10 episódios que estreia na TV aberta em janeiro de 2019, mas que já pode ser vista pela plataforma Now.

Título: Se eu fechar os olhos agora
Autor: Edney Silvestre
N° de páginas: 303
Editora: Record

Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelo link acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O que vem por aí - setembro

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Top Comentarista de Setembro


E para começar as comemorações de aniversário do Além da Contracapa em grande estilo, o Top Comentarista de setembro vai sortear dois livros para um vencedor, que poderá escolher entre as seguintes opções: "Leve-me com você", "Muito além do inverno", "Uma estranha em casa" e "A Bússola de Ouro". 

Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de setembro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher dois livros que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
Leve-me com você;
- Muito além do inverno; 
- Uma estranha em casa; 
- A Bússola de Ouro.

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de outubro.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de trinta dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway

sábado, 1 de setembro de 2018

7 Anos de Além da Contracapa


Mais um aniversário do Além da Contracapa está chegando! Sempre que a data e aproxima percebemos que, para nós, não importa quantos aniversários vieram antes desse: a paixão com a qual fazemos o conteúdo hoje é a mesma de sete anos atrás. Porque há sete anos criávamos algo, dando um passo novo que não sabíamos onde ia nos levar, mas hoje o blog é parte das nossas vidas de tal forma que já não conseguimos enxergar os nossos dias sem esse espaço que permite que as nossas leituras não terminem quando fechamos o livro, já que podemos vir aqui conversar com vocês sobre esse que é um dos nossos assuntos favoritos: a literatura. 

Mantendo a tradição, estamos preparando uma série de posts comemorativos, além de uma promoção com blogs amigos e editoras parceiras para celebrar essa data tão especial com muitos livros.  

Então, fiquem ligados, que as comemorações estão só começando. 


 

Além da Contracapa Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger