sexta-feira, 17 de novembro de 2017

RESENHA: Caçando Carneiros

Caçando Carneiros Haruki Murakami
Haruki Murakami é um dos autores japoneses mais aclamados da atualidade, contando com uma legião de fãs ao redor do mundo. E foi com o livro Caçando Carneiros que o autor se tornou conhecido no cenário internacional. 

O sócio de uma empresa de publicidade leva uma vida comum e banal até que utiliza a foto de carneiros em um trabalho. Por causa disso, ele é confrontado por um misterioso homem, que representa um poderoso grupo político, o qual exigirá um serviço diferente: que ele encontre o carneiro da foto. Assim, ele parte em uma jornada pelo Japão, seguindo pistas como se fosse um detetive. 

Em minhas experiências anteriores com as obras do autor, sempre me impressionei com a fluidez do texto. Porém, em Caçando Carneiros senti o oposto: a narrativa conta com um ritmo lento e monótono, de modo que não conseguia ler muitas páginas por vez. Além disso, a estória demora para engrenar, visto que a jornada do protagonista tem início apenas depois da metade do livro. 

Outro problema para meu envolvimento com a estória foi a ausência de uma conexão com o protagonista. Não fui cativado por ele, mas tampouco o odiei. E a meu ver, não existe sentimento pior que a indiferença quando estamos falando sobre o personagem que deve conduzir a estória. Registro também que os demais personagens foram tão insossos quanto o protagonista. 

A obra, de certa forma, aborda temas como amizade, relacionamentos, obsessão e identidade. Entretanto, creio que tais reflexões pareceram um pouco vazias, visto que partiam de personagens com os quais o leitor não se identifica, nem se importa. Ou seja, as reflexões, embora até fossem interessantes, não causam um impacto verdadeiro. 

“— Todo mundo tem uma ou duas coisas que não deseja perder. Isso vale também para você — disse o homem. — E nós somos profissionais em matéria de descobrir as referidas coisas. Em todo ser humano existe um ponto sensível, que se situa entre o desejo e o orgulho, isso é infalível.” (MURAKAMI, 2014, p. 153)

Mas o calcanhar de Aquiles do livro é outro: quanto mais avançava a leitura, mas sentia que não havia estória alguma para ser contada. No fim das contas, trata-se apenas de uma jornada que parece não ter propósito, nem sentido. Algumas resenhas que li afirmavam que o cerne do livro é a jornada de autoconhecimento do protagonista, porém, não vi nenhuma evolução significativa no personagem para que eu pudesse concordar com tal afirmação. 

O final do livro me deixou com um gosto amargo, pois a estória sequer parece ter um desfecho coerente. Assim, encerrada a leitura, fiquei com a impressão de que o Murakami não sabia o real cerne da estória que tinha para contar, de modo que atirou para todo os lados e falhou em acertar um único alvo. 

Do autor já li o conto Sono e o livro Após o Anoitecer, sendo que gostei de ambas as leituras, embora nenhuma delas tenha sido particularmente marcante. Mas depois da experiência catastrófica que tive com Caçando Carneiros, tenho dúvidas se terei coragem para ler outros livros do autor

Título: Caçando Carneiros
Autor: Haruki Murakami
N.º de páginas: 331
Editora: Alfaguara
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon - Submarino
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terça-feira, 14 de novembro de 2017

RESENHA: Tormenta de Fogo

Tormenta de Fogo Executores Brandon Sanderson
Coração de Aço foi uma das melhores leituras que fiz em 2016 e, por isso mesmo, Tormenta de Fogo se tornou uma das maiores expectativas literárias para esse ano. E o segundo livro da série Executores provou mais uma vez que Brandon Sanderson é um dos melhores autores de fantasia da atualidade.

ATENÇÃOa sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS do livro anterior. O restante da resenha é spoiler free. 

A obsessão de David virou realidade: o épico Coração de Aço foi derrotado. Mas, e agora? Se sentindo perdido e assombrado por perguntas que não consegue responder, David acompanha Prof para Babilônia Restaurada, antigamente conhecida como Manhattan. Lá ele encontra uma cidade que foi alagada e que é governada pela poderosa Realeza, uma épica que consegue controlar a água de formas inimagináveis. Além disso tudo, David tem seu próprio plano: reencontrar Tormenta de Fogo. 

Se no primeiro livro o que havia se destacado era a originalidade da premissa, desta vez fiquei impressionado com a genialidade do autor. O mundo criado por Sanderson se mostrou ainda mais complexo, e percebemos que as informações que sabíamos em Coração de Aço eram apenas a ponta do iceberg. Assim, fica claro que o autor planejou absolutamente tudo nos mínimos detalhes, o que lhe permitiu explorar a fundo as possibilidades deste universo. 

Outro aspecto que merece destaque é o aprofundamento psicológico dos personagens. David passou anos estudando os épicos, tentando descobrir formas de derrota-los a fim de colocar um ponto final em seus domínios. Mas em Tormenta de Fogo o protagonista percebe que a linha que separa os Executores — grupo destinado a matar épicos tiranos — dos próprios épicos é extremamente tênue.

“Meu estômago se revirou. Atirar na cabeça de alguém enquanto a pessoa dormia? Não parecia muito heroico Mas eu não disse nada, e mais ninguém disse também. No fundo, éramos assassinos, e fim de história.” (SANDERSON, 2017, p. 125)

A narrativa é viciante e extremamente envolvente, apesar de contar com um ritmo mais lento em alguns poucos momentos. Também merece destaque os momentos de humor que permeiam o texto, funcionando como uma válvula de escape para o clima de tensão que cresce ao longo da estória. Apesar da coragem e determinação em deter os épicos, David é uma pessoa completamente sem noção em algumas situações, o que gera momentos hilários e que arrancam gargalhadas do leitor. 

A trama foi perfeitamente amarrada, o que revela o completo domínio do autor sobre a estória. Aliás, chama atenção a habilidade do autor em inserir diversas informações relevantes ao longo do texto, mas que passam batidas. Assim, quando as peças do quebra cabeça começam a ser juntadas, percebemos que as pistas estavam na nossa frente. 

O final é frenético, ganhando doses extras de ação e adrenalina. Preciso registrar que o autor optou por um rumo completamente inesperado, deixando o leitor com o coração na mão nas últimas páginas do livro. E como esperado, os ganchos para o próximo livro são absurdamente promissores. 

Mais uma vez Sanderson entregou um livro com uma trama inteligente, personagens bem construídos e uma estória que prende a atenção do leitor do início ao fim. E depois de mais uma experiência de leitura inesquecível, posso afirmar com convicção que Executores se tornou minha série de fantasia preferida da atualidade. E por isso mesmo, mal posso esperar para conferir Calamidade, o terceiro e último livro da série.

Título: Tormenta de Fogo
Autor: Brandon Sanderson
N.º de páginas: 374
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon - Submarino
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

PROMOÇÃO: Tartarugas até lá embaixo


Depois de muitos anos de espera, finalmente, John Green lança um novo livro, dessa vez colocando os seus leitores na pele de Aza, uma adolescente que sofre de TOC. O Além da Contracapa se juntou a Editora Intrínseca para presentear um leitor com exemplar de "Tartarugas até lá embaixo". Confira as regras e participe. 

Regulamento:

A promoção terá início no dia 13 de novembro e término no dia 03 de dezembro 

Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebook e ter um endereço de entrega no Brasil.

As demais entradas são opcionais

Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog e a editora no twitter. 

O resultado será divulgado no blog e nas redes sociais até três dias após o encerramento da promoção, sendo que o sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 48 horas para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. 

Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

O vencedor ganhará um exemplar do livro "Tartarugas até lá embaixo"

O livro será enviado pela Editora Intrínseca. 

A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

a Rafflecopter giveaway

sábado, 11 de novembro de 2017

RESENHA: Amor sem fim

Amor sem fim / Ian McEwan
Ian McEwan é um daqueles autores que sempre me provocam interesse. São diversas as sinopses de seus livros que me atraem e diversos também os primeiros capítulos que já experimentei, mas até hoje “Amor sem fim” foi apenas o segundo de seus livros que li.

Após uma viagem, Joe está morrendo de saudades de sua esposa Clarissa. Ele a pega no aeroporto e eles decidem fazer um piquenique, mas o que era para ser um agradável passeio acaba se transformando em tragédia quando um homem cai de um balão e morre. Joe, um dos que tentaram salvá-lo, não foi capaz de fazer nada. Esse era apenas o início do pesadelo. Naquela mesma noite, Joe recebe a ligação de Jed Parry, outro dos homens que tentaram ajudar. A mensagem do estranho diz: “Eu também te amo”. A partir de então, Joe vê sua vida e seu casamento afetados pela perseguição de um homem obsessivo.

“Amor sem fim” é um livro lento, mas envolvente graças à qualidade indiscutível do texto de McEwan. O autor consegue ficar páginas e páginas falando sobre a mesma coisa, sem avançar na história, e ainda assim não entediar seu leitor. Uma narrativa densa que não deve ser lida rapidamente para que não vire um mero emaranhado de palavras.

É claro que a profundidade dos personagens é também fator fundamental para que o livro funcione. Pouco importa se tudo indica que Parry é louco e não há a menor razão para ele se sentir como se sente em relação a Joe. O que importa é o efeito que a perseguição provoca no protagonista. A situação pode ser totalmente absurda, mas isso não significa que suas consequências não serão reais. Além disso, as perguntas “até onde Parry será capaz de ir para conseguir o que quer?” e “o que Joe será capaz de fazer para se livrar dessa situação?” mantém o interesse do leitor do início ao fim.

“Todo começo é artificial, e o que torna um mais recomendável do que outros é o sentido que pode dar à sequência de eventos.” (McEWAN, 2016, p. 27)

Outro aspecto interessante são as possibilidades que se abrem pelo fato de a história ser narrada em primeira pessoa por Joe – raras exceções quando vemos as cartas que Parry envia para ele. O fato de acompanharmos tudo pelo seu ponto de vista levanta uma série de dúvidas: isso está mesmo acontecendo ou é apenas efeito do trauma? Por que Clarissa nunca vê Parry? É realmente porque ele se esconde quando ela aparece ou porque ele não está ali? E por que a caligrafia dele é tão parecida com a de Joe? É com Parry que há algo errado ou com o próprio Joe? Essas foram algumas das perguntas que me fiz durante a leitura.

Mas eu não diria que “Amor sem fim” é sobre uma obsessão e sim sobre a fragilidade das relações humanas. Sobre a fugacidade dos momentos. A história principal aqui é o – até então – feliz casamento de Joe e Clarissa, mas basta que surja um elemento externo a essa história para que ela já não seja a mesma. Parry é quem coloca a trama em movimento, mas a história é muito mais sobre o que ele provoca na relação de Joe e Clarissa do que sobre ele e suas intenções.

Apesar de ter gostado da leitura, devo confessar que “Amor sem fim” se revelou um balde de água fria em suas últimas páginas. Ao longo da narrativa, elaborei várias teorias, apenas para me deparar com uma resolução preguiçosa que pouco soou como uma resolução. Isso não o torna um livro ruim, mas não consegui evitar a sensação de “só isso?” quando o fechei após a última página. Ainda assim, não será isso que encerrará minha relação com Ian McEwan. Há muitos outros livros com os quais o autor poderá se redimir. Tenho certeza que, com algum deles, ele o fará.

Em 2005, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica (Amor para sempre) com Daniel Craig no papel principal. 

Título: Amor sem fim
Autor: Ian McEwan
N° de páginas: 291
Editora: Companhia das Letras

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Porque todo livro do John Green é o melhor livro do John Green

Quando se trata de John Green, nós somos suspeitos. Desde a primeira leitura, nos apaixonamos pelo estilo do autor. A Culpa das Estrelas foi o primeiro e a ele se seguiram outros tantos, sempre nos proporcionando bons momentos. Tanto que eleger um favorito é tarefa difícil, já que cada um é especial a seu modo. Nesse post, vamos falar um pouquinho sobre porque acreditamos que cada livro do autor tem potencial para ser o seu favorito

É difícil acreditar que este tenha sido o primeiro livro de John. Não apenas porque nele já estão presentes todos os elementos que serão sua marca registrada, mas também pela profundidade escondida atrás de uma história vivida por adolescentes. A começar pela sua protagonista: Alasca. A menina está longe de ser uma personagem cativante e, em muitos momentos, nem mesmo gostamos dela. Na verdade, Alasca é um pesadelo. O tipo de amiga que ninguém gostaria de ter. Uma pessoa realmente difícil de conviver. E é justamente isso que faz dela uma personagem tão fascinante. Alasca é complexa e, mesmo depois da última página, não conseguimos ter certeza do que realmente se passa em sua cabeça. O que realmente importa é o impacto que ela tem na vida de Miles, o menino que nos conduz pela história. O mais tumultuado dos livros de John Green.  
Quando se trata de John Green, algumas coisas são certas. Você vai se deparar com momentos emotivos, com momentos reflexivos e com momentos hilários. Muitas vezes, todos ao mesmo tempo. É um tempero que só o John tem. Mas quando se trata de seu segundo livro, tenha a certeza que o sabor da comédia irá se sobressair. Verdade seja dita, a história de Colin, um gênio da matemática que sofre com o pé na bunda que levou da sua 13 Katherine, é possivelmente a menos marcante das histórias do autor, mas isso não significa que não seja um bom livro. Aqui temos um adolescente que não sabe o que quer da vida, um amigo sem noção que não tem medo de falar verdades, uma roadtrip, uma cidadezinha pequena, uma menina e muitas notas de rodapé sobre matemática e outras coisas. Uma mistura que resulta no mais engraçado dos livros de John Green. 

Cidades de Papel John GreenCidades de Papel

Este poderia ser apenas mais um young adult, com uma premissa já explorada muitas vezes: garoto nerd apaixonado pela vizinha popular. Mas John Green nunca se limita a fazer mais do mesmo e apesar do ponto de partida parecer batido, o autor criou uma estória extremamente profunda e verossímil. Tanto Quentin quanto Margo são ótimos personagens e a jornada deles faz o leitor repensar sobre diversos aspectos da vida e da sociedade. Além deste tom mais filosófico, é claro que o autor conseguiu mesclar momentos mais leves e descontraídos e que certamente arrancam gargalhadas. Apesar da narrativa contar com um ritmo um pouco mais lento,  este é o livro mais reflexivo de John Green

A culpa é das estrelas John GreenA Culpa é das Estrelas

Difícil falar em John Green e não pensar em A Culpa é das Estrela, seu livro mais famoso e que catapultou sua carreira. A estória da jovem Hazel, diagnosticada com câncer terminal, é uma montanha russa de emoções, nos fazendo rir em uma página para chorar logo em seguida. Apesar da temática pesada, em nenhum momento o autor apela para o sentimentalismo, tampouco tenta forçar lições de vida. Além dos personagens cativantes, a leitura é extremamente envolvente e intensa, contando com uma mistura de drama e romance que deixará você com o coração apertado. Não é por menos que consideramos A Culpa é das Estrelas o livro mais emocionante de John Green

Tartarugas até lá em baixo John Green   Tartarugas Até Lá Embaixo

O recém-lançado livro do autor conta a estória de Aza Holmes, uma garota de dezesseis anos que tem transtorno obsessivo-compulsivo. John Green, que também foi diagnosticado com TOC, fala com a experiência de quem vivenciou aquelas situações e assim consegue colocar o leitor na pele da protagonista. Por isso sentimos o mesmo aprisionamento que Aza sente quando sua mente é invadida por pensamentos que não são seus, os quais lhe atormentam de formas inimagináveis. Mostrando uma realidade extremamente difícil e que é desconhecida da maioria das pessoas, este é o livro mais conscientizador de John Green. 


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

RESENHA: Quando Tudo Faz Sentido

Quando Tudo Faz Sentido Amy Zhang
Em Quando Tudo Faz Sentido, conhecemos Liz Emerson, a garota mais popular da escola. Mas apesar de sua vida aparentemente perfeita, ela está convicta de que o mundo seria um lugar melhor sem ela e por isso joga seu carro contra uma árvore. Mas o que teria levado Liz a este ato de desespero? E qual seria a reação que este acidente causaria na vida das pessoas mais próximas dela? 

Liz Emerson é uma ótima personagem. A autora conseguiu desenvolver a fundo a protagonista, de modo que entendemos exatamente quem ela é como pessoa, o que motiva suas ações e o porquê de querer colocar um fim em sua vida. Também merece destaque o fato de que ao contrário de outros livros, como Os 13 Porquês, Liz não é aluna que sofre bullying, mas sim aquela que o pratica

E por isso mesmo, Liz não é o tipo de personagem que conquista a empatia do leitor, pois ela passa por cima de tudo e de todos para alcançar seus objetivos. E o mais frustrante é perceber que Liz sabe que está errada, que está magoando pessoas e destruindo sonhos. Porém, mesmo assim, ela continua fazendo o que sempre fez, sabendo que não pode justificar suas maldades e perdendo sua humanidade a cada dia. 

E é justamente este um dos melhores aspectos do livro: Amy Zhang mostrou o outro lado da moeda. A prática do bullying para se autoafirmar ou garantir o status de “popular” não é apenas uma agressão contra a vítima, mas também contra a própria alma do agressor. A maldade desmedida e sem sentido degrada a todos os envolvidos. 

“Nunca fora punida por nada daquilo. Nunca tinha levado uma suspensão, sido expulsa ou deportada, embora provavelmente merecesse tudo aquilo. Liz Emerson tinha causado muita tristeza em sua vida curta e catastrófica, e ninguém nunca fizera nada a respeito.
Ela não percebia que a reação igual e oposta era a seguinte: todas as coisas terríveis, cruéis e escrotas que Liz fizera tinham voltado para ela.” (ZHAN, 2017, p. 270)

Porém, preciso registrar que fiquei com a impressão de que a autora se excedeu em alguns aspectos. Isso por que algumas das ações de Liz e de suas amigas eram “pesadas" demais para alunas de ensino médio, como esconder maconha no armário de outro estudante e fazê-lo ser flagrado pela polícia.

Apesar de ter gostado do desenvolvimento da protagonista e das reflexões que Zhang trouxe à tona, preciso admitir que meu principal problema com o livro diz respeito à narrativa. O livro é narrado em primeira pessoa por algum personagem onisciente e que conhece detalhadamente a vida de todos os atores da estória. Assim, a autora acabou “atirando para todos os lados”, contando a estória de vários personagens de maneira superficial, em vez de focar naqueles que eram relevantes para a estória. A identidade do narrador é revelada apenas no final do livro e me pareceu uma opção forçada demais. 

Outro ponto negativo da narrativa é que a autora não seguiu uma ordem cronológica. Assim, como são vários pequenos eventos acerca da vida de um grande número de personagens, percebi que em alguns momentos fiquei um pouco confuso, sem saber qual tinha sido a ordem dos acontecimentos. 

No fim das contas, Quando Tudo Faz Sentindo mostra adolescentes que vivem uma vida sem sentido e com prioridades completamente deturpadas e que precisam de um encontro com a morte para se darem conta disso. Um livro triste, mas necessário para ilustrar como toda ação realmente tem uma reação. 

Título: Quando Tudo Faz Sentido
Autora: Amy Zhang
N.º de páginas: 316
Editora: Rocco
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 5 de novembro de 2017

Promoção de Aniversário: Roendo Livros


O blog Roendo Livros completou quatro anos e não poderia faltar uma promoção para celebrar essa data especial. 


Parceiros Participantes 

Editora Arqueiro: A Irmã da Pérola & A Irmã da Tempestade (Lucinda Riley)
Lendo & Comentando: Amor em Jogo (Simone Elkeles)
Ei, Nati: À Primeira Vista (Nicholas Sparks)
Além da Contracapa: Deixa Comigo (Mario Levrero)

Prêmios


Regras

- A promoção terá duração de um mês, do dia 05/11 ao dia 05/12;
- As opções obrigatórias valem 1 ponto cada, enquanto as opcionais valem 5 pontos cada;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo todos os Twitters;
- Na opção "Visitar a Página" não basta apenas passar por ela, é preciso curtir;
- Após o término da promoção, o Roendo Livros tem até sete dias úteis para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito;
- Após feito o contato, o prêmio será enviado dentro de até 60 dias úteis;
- É obrigatório residir em território nacional ou ter endereço de entrega no Brasil;
- Os livros serão enviado pelos parceiros, sendo assim, o Roendo Livros não tem nenhuma responsabilidade sobre o envio dos mesmos;
- O Roendo Livros e os parceiros não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados nos livros. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e/ou ausência de recebedor. Os livros não serão enviados novamente;
- O Roendo Livros se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento;
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita. 

a Rafflecopter giveaway
 

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