domingo, 15 de janeiro de 2017

RESENHA: A Escolha dos Três

“Se pensou em abrir mão de suas emoções para só se concentrar na Torre, Roland, você já perdeu. Uma criatura sem coração é uma criatura sem amor e uma criatura sem amor é um animal. Ser animal é talvez suportável, embora o homem que se tornou um certamente acabe, no final, pagando o preço do próprio inferno, mas e daí se você alcançar seu objetivo?” (KING, 2007, p. 235)

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Após o promissor início da série A Torre Negra com O Pistoleiro e sendo esta saga minha maior expectativa literária para 2017, o ano só poderia ter começado com a leitura do segundo livro: A Escolha dos Três

ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS de O Pistoleiro, primeiro volume da série A Torre NegraO restante da resenha é SPOILER FREE.

O Homem de Preto leu nas cartas do tarô que a jornada de Roland não seria solitária, pois contaria com a ajuda de três pessoas representadas por três cartas: o Prisioneiro, a Dama das Sombras e a Morte. Assim, Roland descobre três portas ao longo do mar ocidental que o levam para Nova York de diferentes épocas, sendo que a cada viagem encontra um novo companheiro com o qual seu destino se mescla. 

A Escolha dos Três é um livro que causa um certo estranhamento por dar a impressão de ser um novo começo e não uma continuação. Apesar de se fundar basicamente na profecia do Homem de Preto, o segundo livro da série tem exatamente as mesmas características do primeiro: apresentação e desenvolvimento dos personagens. A diferença é que no primeiro livro o contexto era a busca de Roland pelo Homem de Preto, agora o contexto é a busca por aqueles que se tornarão seus companheiros em sua grande jornada. 

King mergulha fundo não apenas no desenvolvimento dos personagens, mas também na criação de relações inusitadas que surgem entre pessoas que são tão diferentes, mas cujos destinos estão entrelaçados. E apesar do autor dominar a arte da criação de personagens como poucos, a minha sensação durante boa parte da leitura era de que nada estava acontecendo, o que tornou a leitura cansativa e até mesmo monótona em alguns momentos.

Foram apenas nas últimas cem páginas do livro que realmente vi o King que tanto admiro em ação, começando a amarrar as pontas das tramas de forma surpreendente e empolgante. Entretanto, o autor ainda mantém distância de explicações mais complexas sobre o universo da saga, dando apenas respostas fragmentárias. 

Fica claro que a intenção do autor era limitar o enfoque do livro a apresentação dos novos companheiros de Roland e mostrar o choque de dois mundos, mas estaria mentindo se não reconhecesse que esperava mais. Ainda assim, creio que A Escolha dos Três seja um livro necessário a longo prazo, pois um aprofundamento tão grande nos companheiros de Roland aponta para o fato de que eles serão de extrema importância para o desenvolver da saga. 

Creio que o motivo pelo qual este livro não foi desastroso se atém ao talento de King, que é um dos poucos autores que consegue prender a atenção do leitor e mantê-lo entretido mesmo quando não há muita coisa acontecendo. 

Ainda assim, encerrei a leitura com o sentimento de que o livro poderia ter sido mais sucinto, não se atendo a tantas minúcias, e contar com mais ação. Entretanto, King mais uma vez nos fornece lampejos promissores do universo de A Torre Negra e o segundo livro certamente continua sendo uma grande promessa. Resta-me torcer para que a partir do terceiro volume as promessas comecem a ser cumpridas. 

Título: A Escolha dos Três - A Torre Negra, livro 2
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 413
Editora: Suma de Letras

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

RESENHA: Tony & Susan

“Os que acontece com Laura e com Helen depende do tipo de história que está sendo contada. Assim, enquanto Tony luta para manter a esperança, a leitura de Susan imagina Edward, que prepara algo insuportável. Todavia, mesmo enquanto tem medo, Susan o incentiva, dizendo: bom trabalho, Edward, você está indo bem. Susan está tensa não só por causa de Tony, mas por causa de Edward, imaginando como ele poderá evitar o anticlímax sem uma catástrofe.” (WRIGHT, 2016, p. 64)

Há alguns anos, “Tony e Susan” havia me chamado a atenção dentro do catálogo da Intrínseca, mas não a ponto de me convencer a fazer a leitura. Foi apenas com o lançamento da sua adaptação cinematográfica - “Animais Noturnos” - e do relançamento do livro que decidi conferir o romance de Austin Wright.

Susan não tem notícias de Edward, seu primeiro marido, há 25 anos. Por isso, é com surpresa que ela recebe um pacote contendo o manuscrito do primeiro romance finalizado por ele pedindo que ela o leia, afinal, ela sempre fora sua melhor crítica. Aproveitando que Andrew, seu atual marido, estará fora da cidade por três dias, Susan mergulha na leitura da história de Tony, um homem que ao viajar com a esposa e a filha vive o maior pesadelo de sua vida.

É estranho falar de um livro como “Tony & Susan” que, a princípio, parece ser de uma simplicidade óbvia, mas que esconde tanto nas suas entrelinhas. Nele temos uma história dentro de outra história, ou seja, a história de Susan e também a da trama do manuscrito de “Animais Noturnos”. O período temporal coincide com o período de leitura de Susan, desde que recebe o manuscrito até que termina de lê-lo. O que acompanhamos são ambas as histórias: os dias de Susan durante a leitura e também a trama de “Animais Noturnos”, ou seja, a jornada de Tony. Esse artifício faz com que tenhamos uma estranha sensação de que uma parte é fictícia e a outra é verdadeira. De que Tony é apenas um personagem de uma história inventada, enquanto Susan vive a vida real.

As duas narrativas funcionam muito bem. A trama do manuscrito (que começa leve e aos poucos se torna angustiante e sombria) cativa imediatamente e de tal forma que por vezes esquecemos que não é a história principal do romance de Wright. Isso inclusive é engraçado, porque a história de Tony se estende por mais páginas do que a de Susan. Ainda assim ele não é o nosso protagonista. Susan sim. Ao fim de cada capítulo de “Animais Noturnos”, descobrimos o que ela pensa a respeito do que leu e, por ser o mesmo que nós lemos, é como se Susan fosse uma amiga com quem trocamos ideias por estarmos lendo o mesmo livro. Por isso, “Tony & Susan” é também um livro sobre a experiência de leitura, sobre como o ato de mergulhar em um bom livro nos permite (e nos força) a deixar a nossa própria realidade de lado para vivenciarmos outra, mas também como as nossas vivências reais influenciam a maneira como encaramos o que lemos nas páginas.

Embora estejamos lendo o mesmo manuscrito, a experiência de Susan é diferente da nossa, pois ela busca na trama vestígios do homem que ela conheceu. Seus olhos não são inocentes como os nossos já que para ela cada detalhe da história de Tony está contaminado pelo que ela sabe sobre o homem que inventou Tony e pelo tanto que desconhece sobre ele dos últimos 25 anos. Isso a leva a refletir sobre sua própria vida. Sobre as escolhas que fez, sobre o início do seu relacionamento com Edward e, posteriormente, com Andrew, além de se questionar sobre aspectos incômodos da sua vida de casada e também sobre a fragilidade de certas coisas que, de uma hora para outra, podem mudar drasticamente. E é nesses momentos, nas reflexões de Susan, que a verdadeira história de “Tony & Susan” se revela. De um lado temos um manuscrito, com início, meio e fim. Do outro, temos uma mulher lendo esse manuscrito, fazendo muito pouco no seu dia a dia além de ler. No meio, quase escondido, temos todo o resto.

Escondidos também ficam alguns personagens. Em nenhum momento convivemos com Edward ou com Andrew, mas eles são partes tão vivas da trama como Susan. Eles estão ali, na maneira como ela lê “Animais Noturnos” e como processa os acontecimentos da trama, e é através dessas observações que nos é permitido conhecê-los também. Assim, é impressionante como Wright consegue dar vida a esses personagens com tão poucas informações. Essa vivacidade também se estende aos personagens do manuscrito.

Porém, para mim, pairava uma tensão durante toda a narrativa que, conforme os capítulos finais se aproximavam, comecei a perceber que não me seria entregue. Eu me perguntava se algum grande segredo seria revelado ou se Edward tinha algum motivo obscuro para fazer Susan ler “Animais Noturnos”. Assim, eu confesso que esperava mais intensidade, no sentido de tensão e suspense, e precisei de um tempo para entender que não era isso que o livro queria me entregar e reajustar as minhas expectativas. Na verdade, alguns leitores podem se decepcionar com o final aberto proposto por Wright, mas refletindo um pouco, acredito que ele seja perfeito para reforçar que a história de Susan é real e em histórias reais não temos desfechos definitivos. Temos apenas interrupções. Em “Tony & Susan” acompanhamos essa mulher durante uma leitura e o que essa experiência a leva a refletir sobre a própria vida. É isso que temos no final: uma Susan pensativa que precisará voltar para a sua rotina, deixando os dramas de Tony para trás. Não é o que acontece com todos nós leitores? Falando assim, parece que “Tony & Susan” é um livro pobre, mas está longe disso. Há profundidade e há drama. O que não há são ápices e reviravoltas. Quanto à história do manuscrito, essa sim tem um desfecho claro (e muitos momentos de tensão), de novo reforçando a sensação de que aquela é uma história fictícia para a qual seu autor precisava definir qual seria o ponto final.

“Tony & Susan” é uma leitura envolvente que deixa o leitor com uma sensação incômoda ao final, pois o faz sentir o mesmo descontentamento que Susan sente com a própria vida. Algo que só obras que nos remetem a algo verdadeiro são capazes de fazer.

Título: Tony & Susan (exemplar cedido pela editora)
Autor: Austin Wright
N° de páginas: 336
Editora: Intrínseca

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O que vem por aí - Janeiro

domingo, 8 de janeiro de 2017

RESENHA: No Limite da Loucura

“Eu tinha poder, literalmente. Precisava me lembrar. Eu era maior e mais forte que qualquer fantasma que cruzasse meu caminho. Isso ainda não havia me ocorrido. Eles deveriam me temer. E eu nunca tinha sido amedrontadora para ninguém.” (JOHNSON, 2016, p. 95). 

***

O primeiro volume da série Sombras de Londres se mostrou como uma inusitada e surpreendente mistura de young adult, fantasia e policial, de modo que mal podia esperar para conferir a continuação. Entretanto, No Limite da Loucura não conseguiu repetir a formula bem sucedida de seu antecessor.

ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS de O Nome da Estrela, primeiro volume da série Sombras de LondresO restante da resenha é SPOILER FREE.

Depois de seu exílio em Bristol, Rory retorna a Londres e volta a frequentar Wexford, onde aconteceu seu último encontro com o imitador de Jack, o Estripador. Além do trauma, Rory precisa lidar com seus novos poderes e ainda ajudar na investigação de uma nova onda de crimes que atormenta a cidade. 

O primeiro ponto que chama atenção é o fato de que a trama se encontra extremamente dispersa. O livro conta não apenas conta os ganchos deixados pelo livro anterior, mas também introduz novos arcos, de forma que falta não apenas unicidade, mas um fio condutor que guie a estória. Assim, a impressão que eu tinha era de que muita coisa estava acontecendo ao mesmo tempo em que estória parecia não estar avançando. 

Johnson também falha no desenvolvimento do suspense, pois as opções que tomou ao longo da estória se mostraram as mais previsíveis, de modo que não consegue surpreender o leitor. Me pareceu que a autora notou tal deslize e, para apimentar a obra, recorreu a reviravoltas desesperadas, que além de forçadas, tampouco surpreenderam. 

O envolvimento romântico da protagonista também não convence. Me causou muito estranhamento a forma como esse romance surgiu do nada, ficando claro que a autora optou por tal recurso apenas para que determinado evento causasse um impacto maior. 

Apesar de todo o desenvolvimento da estória ter parecido como um carro desgovernado, no desfecho Johnson pareceu ter retomado o controle. Foi apenas nas últimas páginas que a autora conseguiu amarrar algumas pontas da trama e ainda encerrar a obra com um promissor desfecho. 

A verdade é que No Limite da Loucura sofreu da “maldição do segundo livro” e se tornou o que costumo chamar de “livro ponte”, cujo objetivo é tão somente fazer a ligação entre o primeiro e o terceiro livro da série, pois conta com uma estória vazia, não tendo elementos suficientes para se manter por conta própria. 

Assim, No Limite da Loucura é um livro que apenas promete, mas que não entrega. A verdade é que Johnson deu o passo maior do que a perna e, ao tentar atirar para todos os lados, conseguiu a façanha de não acertar nenhum alvo. Sinceramente, tenho dúvidas se terei ânimo para ler os próximos volumes da série. 

Título: No Limite da Loucura (exemplar cedido pela editora)
Autora: Maureen Johnson 
N.º de páginas: 304
Editora: Fantástica Rocco

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Especial de Fim de Ano: Parte 3

Em 2016, o nosso tradicional Especial de Fim de Ano ganhará um formato diferente. Por razões externas a nossa vontade, não conseguimos gravar os vídeos a tempo de os posts irem ao ar nesta época, mas também não quisemos deixar que o especial se perdesse. Por isso, dessa vez, as duas primeiras partes serão feitas na forma de post escrito e a última na forma de vídeo.

Para quem ainda não conhecesse os nossos especiais, uma breve explicação: na primeira parte comentaremos como foram as leituras dos livros que, no especial de 2015, elegemos como as nossas maiores expectativas para 2016. Na segunda, vocês saberão quais foram as nossas melhores leituras desse ano. Por fim, vamos contar para vocês quais os livros que mais estamos desejando para 2017. 




terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Top Comentarista Janeiro


No Top Comentarista de Janeiro, o vencedor poderá escolher o livro que quer ganhar dentre as quatro opções: Silêncio, Hibisco Roxo, A Verdade e Outras Mentiras e Fique Comigo.

Confira o regulamento:

1. Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório curtir a página do blog no Facebookcomentar em todas as postagens de janeiro e ter um endereço de entrega no Brasil.

2. Para simplificar, optamos por utilizar o Rafflecopter. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais. Atenção: depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.

3. Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

4. Lembrando que somente serão válidos comentários significativos. Ou seja, comentários do gênero “interessante”, “legal” ou “ótima resenha” não serão computados. O participante poderá comentar apenas uma vez em cada post.

5. O sorteado poderá escolher os dois livros que deseja receber dentre as quatro opções disponíveis:
- Silêncio, de Richelle Mead
- Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie
- A Verdade e Outras Mentiras, de Sascha Arango
- Fique Comigo, de Harlan Coben

6. O resultado do Top Comentarista será divulgado no blog até o dia 05 de fevereiro.

7. O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 48h para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

8. O prêmio será enviado pelo blog no prazo de trinta dias úteis.

9. A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.


a Rafflecopter giveaway

sábado, 31 de dezembro de 2016

Especial de Fim de Ano: Parte 2.2

Em 2016, o nosso tradicional Especial de Fim de Ano ganhará um formato diferente. Por razões externas a nossa vontade, não conseguimos gravar os vídeos a tempo de os posts irem ao ar nesta época, mas também não quisemos deixar que o especial se perdesse. Por isso, dessa vez, as duas primeiras partes serão feitas na forma de post escrito e a última na forma de vídeo.

Para quem ainda não conhecesse os nossos especiais, uma breve explicação: na primeira parte comentaremos como foram as leituras dos livros que, no especial de 2015, elegemos como as nossas maiores expectativas para 2016. Na segunda, vocês saberão quais foram as nossas melhores leituras desse ano. Por fim, vamos contar para vocês quais os livros que mais estamos desejando para 2017. 

Especial de Fim de Ano - Parte 2.2: Retrospectiva Literária - Melhores de 2016: Lista do Alê


5º Lugar: O Livro de Memórias, Lara Avery


Decidi dar uma chance para O Livro de Memórias por causa das inúmeras resenhas positivas que li, embora não estivesse com grandes expectativas, e este acabou sendo uma das melhores surpresas do ano. Conhecemos Sammie através de suas anotações após ser diagnosticada com uma doença degenerativa que irá, progressivamente, ocasionar a perda da memória. Apesar de ser uma mescla de Young Adult com Sick Lit (uma combinação amplamente explorada, diga-se de passagem), Lara Avery conseguiu criar uma estória original e emocionante. Sammie é uma protagonista que nos encanta por sua vontade de viver e de transformar seus sonhos em realidade, mas que também tem seus defeitos. O mais interessante é que, ao registrar suas memórias, Sammie passa por um processo de aprendizagem e auto-descobrimento que muda sua forma de ver o mundo.  Apesar de alguns clichês, O Livro de Memórias é intenso e tocante, sendo impossível não refletir sobre a volatilidade da vida e a imprevisibilidade do futuro. 


4º lugar: Jurassic Park, Michael Crichton


Se você não assistiu, tenho certeza que pelo menos ouviu falar do filme O Parque dos Dinossauros. O que nem todo mundo sabe é que o filme dirigido por Steven Spielberg se baseou no fantástico livro de Michael Crichton.  Uma ilha próxima à Costa Rica é escolhida para sediar o Jurassic Park, uma audaciosa atração turística onde dinossauros são produzidos de forma artificial. Mas durante um fim de semana que serviria para testar a segurança do local, os administradores do parque perdem o controle da situação e o caos se instala. Jurassic Park conquistou seu lugar na lista de melhores do ano por ser um thriller empolgante e instigante, que faz com o leitor mergulhe de cabeça no mundo dos dinossauros. Além desse ritmo acelerado, o autor ainda conseguiu despertar reflexões acerca do papel e função da ciência e da tecnologia na sociedade, trazendo discussões que são relevantes ainda hoje. Jurassic Park certamente foi um dos melhores thrillers do ano e mal posso esperar para conferir a continuação: Mundo Perdido.


Em 2014, Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo foi uma das melhores leituras do ano da Mari e depois de ouvir tantos elogios, o livro entrou na minha lista de desejados. Li apenas neste ano e me arrependo de não ter lido antes, pois todos os elogios eram mais do que merecidos. O cerne da obra é o processo de descobrimento de identidade e de amadurecimento, tão típico da adolescência, e ver Ari e Dante evoluírem ao longo da estória é um dos pontos altos. Outro fator interessante é que Sáenz criou tramas paralelas — não se focando apenas na amizade dos protagonistas — sendo que todas elas são importantes para a jornada dos meninos. Além disso, Sáenz consegue abordar assuntos como família, amizade, justiça, amor, aceitação, e tantos outros de forma sútil, mas ainda assim reflexiva. Merece destaque a narrativa absolutamente inebriante do autor, que me envolveu tão completamente na estória que li o livro em menos de um dia. Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo é um livro simples, mas que encanta o leitor pela profundidade e singeleza de suas reflexões. 



Há anos desejava ler algum livro de Brandon Sanderson e meu primeiro contato com a obra do autor não poderia ter sido melhor. Partindo da premissa de que pessoas que ganham superpoderes se tornariam supervilões, Sanderson criou um universo complexo e extremamente original.  Além de contar com personagens profundos, o que mais impressiona é o desenvolvimento da trama e a forma como o autor consegue unir todas as pontas de forma surpreendente, mas sem deixar a coerência de lado. Quem acompanha o blog sabe como gosto de fantasia, mas nos últimos anos tenho me decepcionado bastante com este genêro, visto que a maioria dos livros que tenho lido são apenas mais do mesmo. Por isso que Coração de Aço me empolgou tanto, pois Sanderson fez um trabalho impecável em todos os aspectos que se pode analisar e iniciou a série Executores com o pé direito. 


Peguei A Resposta emprestado em um momento de impulso e bastou a leitura do primeiro capítulo para que eu soubesse que estava prestes a embarcar em uma jornada inesquecível. Em A Resposta conhecemos a jovem Skeeter, recém formada em jornalismo, que retorna para sua cidade natal e percebe que não se encaixa mais naquele mundo de preconceito velado. É por isso que se aproxima de Aibileen e Minny — duas mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas — e juntas escrevem um livro para expor a dura realidade que enfrentam. Stockett acertou ao deixar a luta por igualdade como um pano de fundo para estória, pois o que realmente faz o livro brilhar é a forma como as vidas de pessoas tão diferentes se cruza e, sobretudo, como elas impactam umas às outras. A Resposta conta com uma estória simples e poucas reviravoltas, mas vai fundo no desenvolvimento dos personagens e também consegue transportar o leitor para a Mississipi da década de 60, fazendo-o sentir na pele o preconceito em todas as suas formas. Mais do que uma estória marcante, A Resposta é uma bela lição de vida. 



 

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