quarta-feira, 7 de novembro de 2018

RESENHA: O Diário de Myriam

O diário de Myriam / Myriam Rawick / Darkside BooksUma falha no meu currículo de leitora é nunca ter lido “O Diário de Anne Frank”, o relato de uma menina judia sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial. Novos tempos, novas gerações. Agora é a vez de Myriam Rawick escrever em seu diário os dias horríveis que vive com a família na cidade de Alepo, durante a Guerra de Síria.

O livro abrange do ano 2011 a 2016. A mudança do tom da menina é notável ao longo dos anos. É triste ver como, mesmo mantendo a inocência, ela passa a se acostumar com as bombas e com as mortes. Aquilo vira o cotidiano, algo que eles não se surpreendem mais quando acontece. Quando os relatos terminam, ela tem apenas 13 anos.

É claro que a Guerra é um pano de fundo de peso, mas, por se tratar do diário da menina, o livro não é sobre o conflito e sim sobre como a vida dela muda. Como o mundo dela muda. Como os olhos dela nunca mais enxergarão a vida do mesmo jeito. E, de alguma forma, é sobre como ela consegue ainda preservar uma dose de inocência em meio à tanta brutalidade e tantas perdas.

Dessa forma, comentários sobre coisas inocentes como brincar com a irmã mais nova, desenhar para passar o tempo, se irritar com os meninos que imitam a professora na escola e sentir saudades da melhor amiga que mora longe se misturam a comentários sobre bombas, armas, racionamento e outras crianças passando por necessidades.

“Ele tem cinco anos e dá para ver bem que está triste. Às vezes, ele bate na mesa que nem em um tambor. Mamãe diz que é normal, e que é porque ele ouviu bombas demais caindo.” (RAWICK, 2018, p. 284)

E assim aquela que eu vejo como sendo uma das facetas mais relevantes de “O Diário de Myriam” transparece: as pessoas são boas. Mesmo em meio a uma situação tão drástica e tão cruel, a bondade se sobressai. São pessoas que estão sem nada, mas que sempre encontram um jeito de compartilhar com os vizinhos ou os refugiados.

Com simplicidade e verdade, Myriam nos apresenta os olhares de uma menina pequena (sua irmã), de uma pré-adolescente (ela mesma), uma mulher adulta (sua mãe) e um homem adulto (seu pai) diante de um conflito angustiante. Apesar da temática pesada, o livro é lido com tranquilidade e rapidamente, já que algumas entradas no diário são bastante breves. Que o de Myriam seja o último desses diários que precisemos conhecer.

Título: O Diário de Myriam
Autora: Myriam Rawick
N° de páginas: 319
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora

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9 comentários:

O Vazio na Flor disse...

Em primeiro lugar não acredito que você nunca leu O Diário de Anne!rs
É um dos meus livros favoritos e já perdi as contas de quantas vezes o li. Amo!!!
Agora o Diário de Myriam foi uma das minhas últimas leituras e ainda estou meio impactada com ele.
Realmente não é sobre o mal ou os danos da guerra. Mas é sobre bondade, sobre acreditar e sobre família!
Um livro maravilhoso, com uma diagramação lindíssima!
Leitura muito mais do que recomendada!!!
Beijo

Aline Nascimento disse...

Oi Mari bom dia.
O diário de Anne Frank é um dos meus livros preferidos. O diário de Myriam ainda não li mas acredito que seja parecidos, afinal duas meninas passando por guerras civis. Algo difícil e muito doloroso. Beijos

Divagando Palavras
www.divagandopalavras.com

Ludyanne Carvalho disse...

Resenha linda, Mari!
Esse livro é um dos meus desejados; será o meu 1° contato com uma leitura envolvendo a guerra na Síria. Os noticiários não captam tudo, acredito eu; mas Myriam vai nos mostrar grande parte da realidade de quem vive lá.
É de partir o coração ver uma criança perdendo a inocência cedo demais... também desejo que seja o último diário.
Ah, O diário de Anne Frank é uma leitura e tanto.

Beijos

Gabriela CZ disse...

Estou louca pra ler esse livro, Mari. Eu li O Diário de Anne Frank e Eu Sou Malala (que não é um diário mas tem esse espírito) e também espero que O Diário de Myriam seja um dos últimos desse tipo. Ótima resenha.

Beijos!

Andressa Palma Santos disse...

Livros sobre guerra é sempre triste e comovente, ja li o diário de Anne Frank, esse de Myriam ainda não. Mas sempre tem o lado bom nessas historias, sempre mostram alguém bondoso e bom no meio de tanta guerra e violência, é bem emocionante. E saber que é baseado em fatos reais então...

Adorei a resenha, bjs

Ana Lima disse...

É uma triste realidade quando acabamos acostumando com horrores da guerra ou da violência, quando passam a ser tão corriqueiras que se torna (infelizmente cotidiano), as pessoas não se impressionam com relatos de crueldade com o próximo, ainda não li O Diário de Anne Frank mas sei que são relatos dolorosos. Engraçado, mas pensei que seria um livro mais pesado, em um estilo bem triste, mas que bom que a leitura é mais tranquila e transparente, muito boa a resenha, breve e com suas impressões da leitura!
Bjs!

Vitória Pantielly disse...

Oi Mari,
Você deveria ler O diário de Anne Frank, porque sim, é uma história que tem sua beleza, mas acima de tudo, nos faz enxergar bem a maldade que um ser humano pode chegar.
Pelo que percebi, esse livro segue, mais ou menos, o mesmo estilo, e acredite, é tão triste saber que isso é real, ver isso aos olhos de uma criança, é ainda mais aterrorizante...
Espero ter a oportunidade de ler, é o tipo de história que nunca deveríamos deixar passar.
Beijos

RUDYNALVA disse...

MARI!
Livros que falam sobre guerras, é sempre importante lermos e ainda mais da Síria que quase não temos aceso, bom demais.
Bacana ver as fotos e imagens, mesmo em preto e branco.
Gostei de ver que é uma narrativa real, mesmmo escrita pelo autor.
Pois é, ajuda pelo interesse político...argh.
Só quem já passou por uma guerra é que sabe os horrores que acontecem e que eles vivem...
Deve ser dolorido, mas também tenso e intenso e precisamos de leituras assim para dar um chocalão dentro de nós.
Quero poder ler.
cheirinhos
Rudy

Atraentemente Evandro disse...

Eu li o Diario de Anne Frank, mas já faz bastante tempo, mas com certeza foi uma leitura que me marcou muito. Quero muito ler esse relato de Muriam sobre a guerra na Síria. Com certeza essa mensagem que o livro traz de que a bondade sobrevive aos horrores da guerra é muito forte e é o que nos dá esperança de que outros diários como esse não mostre momentos tão cruéis na vida de adolescentes e crianças.

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