quarta-feira, 9 de novembro de 2011

RESENHA: A Estrela do Diabo

“O elevador tinha porta pantográfica. Uma grade simples de ferro preto que se empurra para abrir e fechar depois de se entrar no elevador. O grito voltou. Aquele, mudo. Ele sentiu o suor brotar no corpo todo. O restinho de uísque não tinha sido suficiente. Nem de longe” (NESBO, 2011, pag.24)

“A Estrela do Diabo” não é simplesmente um livro policial: é um livro policial com todos os elementos que um bom livro policial deve ter: um detetive competente, um serial killer perigoso e muitos conflitos.

A trama se passa no verão de Oslo, quando a maioria das pessoas está em férias, inclusive boa parte da equipe da polícia. Com um assassinato para resolver, e sem muitas opções, o chefe da divisão de homicídios recorre ao perturbado inspetor Harry Hole que logo se vê diante de uma série de assassinatos onde as vítimas parecem ser aleatórias e são encontradas com um dedo cortado e um diamante vermelho em forma de estrela: a estrela do diabo.

Antes de dar continuidade, eu preciso reconhecer, e registrar aqui, a figura brilhante que é o detetive Harry Hole. Mais perturbado que ele, impossível: Não apenas Harry tem traumas de infância que ainda o assombram, como ainda precisa lidar com o recente assassinato de sua ex-parceira e o rompimento com a namorada que parece ter sido seu porto seguro. Com tudo isso acontecendo, Harry se rende novamente ao alcoolismo, chegando quase ao fundo do poço. Dono de uma personalidade difícil, porém profissional competente, quando se dispõe a trabalhar, é sem dúvida um dos melhores personagens com que me deparei nos últimos tempos.

Agora falando do livro em si, no início senti a trama um pouco enrolada, demorando para engrenar os acontecimentos. Isso de fato acontece, mas apenas quando analisamos sobre o ângulo da investigação, porque desde a primeira página vivenciamos junto com Harry todos os seus tormentos que são tão interessantes quanto o caso em si. Por isso digo que Harry Hole não é apenas um personagem: ele tem várias dimensões e ganha vida, quase saltando das páginas do livro.

Alguns pontos altos que preciso citar são a relação de Harry com a carismática perita Beate Lonn e as menções ao “Evangelho de Harry” que nada mais é do que ensinamentos práticos dele para a moça; e as lições do psiquiatra da policia, que fazem com que a trama ganhe um aspecto real. Outro destaque, ainda, é o inspetor Tom Waaler, que posso descrever aqui como um inimigo de Harry e uma das principais razões que me fazem querer ler os dois livros anteriormente protagonizados por esses personagens (“Garganta Vermelha” e “A Casa da Dor”) para melhor entender a relação dos dois inspetores.

Eu nunca tinha lido um livro de Jo Nesbo e em “A Estrela do Diabo” ele se revelou, para mim, um escritor que sabe como fazer suspense. Incrível como durante o livro todo ele desenha as cenas com tal maestria a ponto de nos fazer acreditar que uma grande tragédia está prestes a acontecer, quando nada é o que parece; ou como é capaz de nos deixar intrigados com a função de diversos personagens e como todos se encaixarão. Alias, isso é algo que eu não posso deixar de comentar: “A Estrela do Diabo” é aquele tipo de livro que, em algum momento, você vai ter que parar para pensar se conseguiu juntar todas as pontas e se foi capaz de entender todas as ações e relações dos personagens.

Fica claro que a intenção de Jo Nesbo é deixar leitor em constante clima de apreensão e para isso ele se vale de muitas armas que são ora a investigação, ora os conflitos pessoais dos personagens e a até mesmo sua forma de narrar. Em qualquer momento e por diversas razões, “A Estrela do Diabo” é um ótimo livro.

Título: A Estrela do Diabo
Autor: Jo Nesbo
Nº de páginas: 419
Editora: Record

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