terça-feira, 4 de setembro de 2012

RESENHA: O Caso do Hotel Bertram

“Existe um lugar formidável em Londres: chama-se hotel Bertram. É como recuar um século e encontrar a velha Inglaterra! As pessoas que se hospedam lá não se encontram mais em lugar nenhum.” (CHRISTIE, 2010, p.15)

Há quanto tempo eu não encontrava Miss Marple em uma de suas acidentais aventuras! Para quem não a conhece, vale apresentar rapidamente a segunda personagem mais famosa criada por Agatha Christie, a simpática velhinha de Saint Mary Mead que parece ter um dom especial para atrair problemas – e por problemas leia crimes e assassinatos - para suas proximidades. Miss Marple não é detetive, embora muitas vezes ajude a policia, sendo até fundamental, na resolução dos crimes. Ela é simplesmente uma pessoa atenta, que repara nos menores detalhes e é, acima de tudo, uma grande conhecedora da natureza humana – como na maioria das vezes é descrita.

Em “O Caso do Hotel Bertram”, Miss Marple hospeda-se no referido hotel para tirar uns dias de férias. Tudo o que ela quer é apreciar a atmosfera do local, que permanece a mesma desde os tempos em que ela era menina, e descansar. Mas como sempre, coisas acontecem quando ela está por perto e desaparecimentos, roubos e mortes cercam o charmoso hotel.

Agatha não tem pressa em apresentar os personagens que viverão essa aventura. Introduz cada um aos poucos na trama, dando tempo para que o leitor os conheça com calma. E quantas personalidades distintas podem ser encontradas no Bertram! O velho e desmemoriado vigário que desaparece sem deixar rastro, a jovem e rica herdeira que insiste em querer saber quem ficará com sua fortuna caso ela venha a morrer antes de se apropriar do dinheiro – algo que só acontecerá quando fizer 21 anos - e a mulher ousada, famosa por suas aventuras e indiscrições são apenas algumas das figuras que Agatha Christie coloca nesse cenário fazendo o que sabe fazer de melhor: deixar o leitor ter noção o suficiente do que está acontecendo – a ponto de se sentir inteligente – ao mesmo tempo que tem consciência de que não sabe exatamente o que está acontecendo, de forma que quando a autora revela o mistério, o leitor se surpreende. Mestre!

Pode se dizer que “O Caso do Hotel Bertram” apresenta duas histórias paralelas: os curiosos roubos, com o mistério das placas semelhantes, e o assassinato – que em se tratando de um livro da dama do crime não poderia faltar. Com tantos elementos em mãos, Agatha lança várias interrogações ao leitor e é hábil o suficiente para que chegado o momento das explicações consiga dar duas respostas plausíveis, mesmo que erradas, antes de dar a resposta correta. Tudo isso nas últimas 15 páginas. Quando você acha que sabe o que está acontecendo, a autora mostra que está tudo errado e quando você se convenceu a abandonar a primeira teoria porque, obviamente, a segunda é a correta ela vem e diz: errado de novo! Repito: Mestre!

Eu já disse, repeti e prometi continuar repetindo o quanto sou fã de Agatha Christie. Miss Marple não é a minha personagem preferida criada por ela, mas é absolutamente adorável e inteligente. Por ser calma e do tipo observadora, suas histórias sempre me parecem seguir um pouco esse rumo: são calmas, com menos urgência que outros casos policiais centrados em detetives profissionais - como Marlowe, Maigret e, claro, Poirot - e do tipo que o leitor observa para ver o que vai acontecer tendo a certeza que, mais cedo ou mais tarde – ou deveria dizer, mais páginas ou menos páginas – Jane Marple e Agatha Christie lhe presentearão com uma grande surpresa.

Título: O Caso do Hotel Bertram
Autora: Agatha Christie
Nº de páginas: 247
Editora: Best Bolso

10 comentários:

Aione Simões disse...

Oi Mari!
Eu acho que só livros da Agatha com casos do Poirot, então infelizmente ainda não conheço a famosa senhorinha! Tem um que li há muitos anos e não me recordo quem era o "detetive" da vez hehe!
De qualquer forma, concordo com você, Agatha é mestra na arte da escrita de policiais. Até hoje me pergunto como ela conseguiu escrever tantos livros, com tantas histórias diferentes e sempre surpreender!
Beijão!

Lú Miranda disse...

Sou apaixonada por essa linda escritora, li apenas três livros dela, mas pretendo de coração ler seus quarenta e pouco livros (se não me engano são mais de quarenta). Poirot é simplesmente fantástico!
Mas dentre os que eu li o meu preferido é cai o pano, que é o último livro dela.

Nardonio disse...

Apesar de só ter lido apenas dois livros da Agatha Christie ("Assassinato no Expresso do Oriente" e "Poirot Sempre Espera"), posso dizer que ela é uma das minhas autoras preferidas. Ainda não conheço a Miss Marple, mas quero conhecê-la em breve. Ou melhor, quero conhecer todas as personagens dessa diva da literatura.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Francielle Couto Santos disse...

Mari, assim como você não tenho a Miss Marple como a minha personagem favorita, mas sua personalidade astuta é realmente impressionante. O livro a primeira vista parece bastante interessante... enfim, o fato de ser escrito pela Agatha já é motivo o bastante para ser lido.
Adorei a resenha!

Um abraço!
http://universoliterario.blogspot.com

Mai disse...

Achei essa capa tão "adolescente", não chama muita atenção. Mas a história parece ser boa.

Gislaine Alves disse...

Mari, acredita que eu nunca li nada da Ágatha. Não vou negar que tenho vontade, mas não é nada urgente, entende? Esse livro pareceu interessante, a resenha me instigou e eu o coloquei na lista de prováveis leitura ;)

Gih,
jeito-inedito.blogspot.com

Eduarda Menezes disse...

Oi Mari!
Também sou mega fã da Agatha! ^^
Lembro de ter gostado do Caso do Hotel Bertram quando o li (na verdade é muito difícil algum livro da Agatha não agradar, né? Ou é bom, ou é EXCELENTE haha), mas apesar de ter me agradado como sempre, esse não entrou para a minha lista de preferidos, nem dos melhores. O mistério é legal, e realmente é quase certo que a Agatha surpreenda, a gente acha que é uma coisa, depois é outra, depois é aquela de novo, enfim, concordo com você: Mestre! Ela era uma escritora incrível, um grande gênio de sua época e de muitas seguintes.
Eu gosto de Miss Marple, mas prefiro o Poirot. Apesar de gostar desse modo informal pelo qual ela desvenda os crimes, às vezes eu acho que ela é muito coadjuvante nas investigações, em muitos livros por exemplo ela só aparece quase no final, ou vez ou outra perdida e sinto um pouco de falta da sua presença e deduções sagazes. Ela é ótima, porém. Mas ninguém se compara ao grande Hercule Poirot haha O cara é o máximo, e acho hilário o fato dele não ser nada modesto!
Adorei a resenha!
Beijos!!

Sabrina Mazzoni disse...

Um trama bem envolvente. Gostei muito!
Já ouvi falar muito bem sobre as obras da autora e só de pensar que ainda não li nenhum livro seu, me apertou o coração.
Pretendo ler um livro dela em breve. ;)

Luis Ferreira de Freitas disse...

Acabo de terminar a leitura deste O caso do hotel Bertram. Bom livro, mas o meu preferido dessa autora continua sendo Assassinato no Orient Express. Amanhã vou começar de Agatha Christie Os crimes ABC.

Luis Ferreira de Freitas disse...

Acabo de terminar a leitura deste O caso do hotel Bertram. Bom livro, mas o meu preferido dessa autora continua sendo Assassinato no Orient Express. Amanhã vou começar de Agatha Christie Os crimes ABC.

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