sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

RESENHA: Jogo de Poder

Quem poderia imaginar que a biografia de uma ex-agente secreta poderia ser enfadonha? Eu, com certeza, não poderia. Mas foi isso que encontrei em “Jogo de Poder”, a autobiografia de Valerie Plame Wilson que teve sua identidade vazada pela imprensa, tornando-a de conhecimento público.

Por se tratar de uma história cheia de ramificações – como não poderia deixar de ser em se tratando de uma história real – utilizarei aqui uma sinopse retirada no site Adoro Cinema referente ao filme homônimo baseado na história de Valerie, por acreditar que ela será mais compreensível do que uma sinopse feita por mim, ou mesmo a sinopse do livro.

O diplomata Joseph Wilson escreveu um editorial para o jornal New York Times, no qual alega que a administração do presidente George W. Bush manipulou informações de relatórios sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque, de forma a justificar a invasão. Como retaliação Valerie Plame, esposa de Wilson e agente secreta da CIA, tem sua identidade revelada intencionalmente. É o início da luta de Wilson para que os responsáveis por este ato, um crime federal, sejam punidos. Ao mesmo tempo Valerie precisa se adaptar à nova realidade, afastada do trabalho e com a vida exposta pela imprensa.

Não entrarei em detalhes sobre o que aconteceu com Valerie e seu marido porque isso tornaria essa resenha imensa e talvez até incompreensível para quem não está familiarizado com o caso. Por isso o foco desta resenha será o livro, de forma geral, que a meu ver apresenta dois problemas que tem origem na mesma fonte: o fato de ser uma autobiografia. Valerie, obviamente, não é escritora e seu texto é cansativo, cheio de detalhes desnecessários e desinteressantes. No inicio a leitura estava me agradando porque eu sabia que o seria contado ali era promissor, mas com o tempo o cansaço me venceu e eu acabei por intercalar a leitura com outros três livros, voltando a “Jogo de Poder” ao final de cada um, até conseguir terminar a leitura. Se o texto fosse mais enxuto, provavelmente meu interesse no que estava sendo contado poderia ter permanecido constante.

O outro problema que vejo é a apresentação de episódios fora de contexto, como o período após o nascimento dos gêmeos de Valerie. Esse, sem duvida, foi um momento importante na vida da mulher, mas que não interessa ao leitor. Valerie não é uma figura icônica, uma pessoa que queremos conhecer mais e saber sobre todos os momentos de sua vida (como por exemplo Steve Jobs, cuja biografia também já foi resenhada AQUI). No caso de Valerie, queremos saber sobre um episodio em especifico: o vazamento de sua identidade, o que faz com que o período de sua vida dedicado à maternidade não seja importante. Se sua biografia não fosse uma autobiografia essa época seria, provavelmente, excluída do texto ou mencionada apenas rapidamente. Outros eventos como, por exemplo, seus primeiros anos na CIA e como ela entrou na agencia, esses sim são pertinentes, pois estão intrinsecamente ligados à história principal do livro.

Outro detalhe que eu gostaria de mencionar é que, por se tratar de uma ex-funcionária da CIA, a autora precisou submeter os originais de seu livro à avaliação e aprovação da agencia, razão pela qual há vários trechos censurados. Confesso que em vários momentos eu me peguei tentando adivinhar o que poderia estar escrito por trás daquelas tarjas pretas (acho que foram os momentos mais divertidos da minha leitura).

Como citado anteriormente, a história de Valerie foi adaptada para o cinema em 2010, com Naomi Watts no papel da ex-agente secreta e Sean Penn no papel de seu marido, o ex-embaixador Joe Wilson. Como filmes tendem a ser enxutos, acredito que este possa ser bastante interessante. A biografia, infelizmente, não recomendo.

Título: Jogo de Poder
Autora: Valerie Plame Wilson
Nº de Páginas: 432
Editora: Seoman

3 comentários:

Aione Simões disse...

Oi Mari!
Que pena que foi uma leitura tão enfadonha assim! Acredito que, mesmo que ela não seja uma escritora, é papel dos editores cortar aquilo julgado como desnecessário.
Enfim, se eu quiser conhecer mais a história, optarei pelo filme!
Beijão!

Letícia Valle disse...

Sempre me interessei por histórias de agentes secretos, Mari! Eu acho que essa biografia da Valerie, concordando com você, devia conter mais da vida dela no trabalho, mas como foram censurados os trechos... A curiosidade realmente bate quando pensamos o que poderia estar escrito! Os momentos pessoais não deviam entrar na história, porque o que queremos saber é como é que age uma pessoa que trabalha para a CIA! Não assisti ainda os filmes do James Bond, mas acho que não quereríamos assistir se fosse o tempo todo, em vez de ação, instantes familiares da vida dele. :) Beijos!

Nardonio disse...

Confesso que já não sou fã de autobiografias, e sabendo que essa não é legal, nem me atrevo a coloca-la em alguma listinha de futuras leituras.
Realmente a história tinha tudo para ser ótima, mas escrito por uma pessoa que não é escritora, e ainda por cima com partes censuradas, já poderíamos imaginar onde isso ia terminar.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

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