domingo, 10 de março de 2013

RESENHA: O Caso Rembrandt

“Era uma narrativa de ganância, desapropriação e morte que se estendia havia mais de meio século e ia de Amsterdã a Zurique, passava por Buenos Aires e voltava às elegantes margens do lago Genebra. Os protagonistas eram um quadro de Rembrandt escondido havia muito tempo, uma fortuna em bens do Holocausto que fora roubada duas vezes e um homem (...) que era tudo menos santo.” (SILVA, p. 135, 2012)

À primeira vista, “O Caso Rembrandt” não me despertou interesse. Por alguma razão me remeteu ao “O Código Da Vinci” – não sei dizer exatamente porque, talvez tenha sido o nome de Rembrandt no título - e eu achei que o livro era uma tentativa – provavelmente fracassada – do autor de escrever um best-seller na linha do de Dan Brown. Mal sabia eu que Daniel Silva é um excelente autor de espionagem, que Gabriel Allon é o protagonista de uma série de sucesso e que “O Caso Rembrandt” não tem nada a ver com “O Código Da Vinci”, a não ser por ambos serem livros que prendem o leitor em sua ação.

Após o assassinato de um restaurador de arte e o roubo da obra em que ele trabalhava no momento – um quadro de Rembrandt nunca exposto – Gabriel Allon é chamado para recuperar a pintura. As razões que fazem de Gabriel o homem ideal para a missão são muitas: além de ser um restaurador de arte e de conhecer o homem assassinado há muitos anos, Gabriel é um espião. E dos melhores. Mas Gabriel está aposentado, se recuperando de uma missão que deixou cicatrizes tanto nele como em sua esposa, Chiara - outra espiã. Ainda assim, ele embarca na missão de recuperar o Rembrandt e se depara com algo muito maior do que o roubo de uma importante obra de arte: segredos e crimes que vem desde os tempos do Holocausto e que podem levar a uma catástrofe de proporções mundiais.

Pré-requisito para livros de espionagem, ação e suspense permeiam as páginas de “O Caso Rembrandt”. Daniel Silva é extremamente competente ao contar a história de modo que o leitor não queira se separar dela e consegue fazer isso sem soar forçado. “O Caso Rembrandt” não é um daqueles livros que enrolam o leitor por um capitulo inteiro para encerrá-lo com um cliffhanger forçado na intenção de faze-lo querer devorar os capítulos seguintes. É um livro em que a ação está presente constantemente porque a história move-se com rapidez e o autor sabe exatamente onde quer levar o leitor. Nada é em vão ou desperdiçado. A trama envolve tantos elementos que chega um momento em que você nem lembra mais do Rembrandt de tão longe que ela já chegou e de tantas outras coisas que já envolveu. É assim Daniel Silva se revela competente. Ele consegue extrair o máximo de cada situação de forma que o leitor se envolva em cada uma delas e nem desconfie o quanto a trama é ampla e o quanto ainda tem por vir. Não é um livro de surpresas, mas é surpreendente.

O protagonista, Gabriel Allon, é um personagem interessante por ser uma mistura extremamente curiosa: é um espião e assassino, mas também é um restaurador de arte dos mais talentosos. Convenhamos, essa não é uma mistura que se veja com frequência. Ao mesmo tempo em que podemos ver o lado implacável do personagem, também podemos ver a sua sensibilidade, seu amor pela esposa e a maneira como se importa com as pessoas ao seu redor. A investigação, que começa sendo meramente a busca por um quadro perdido, o leva a pessoas que morreram percorrendo o mesmo caminho que ele, a pessoas traumatizadas pela guerra e o coloca no rastro de um homem ambicioso e perigoso. Ver como Gabriel lida com cada uma dessas situações nos permite conhecer várias de suas facetas.

Eu adoro livros de espionagem e Gabriel Allon é um espião que desejo encontrar mais vezes. “O Caso Rembrandt” é um livro muito bem executado. Conta uma história ousada – não pelo tema que aborda, mas pela coragem de abraçar tantas coisas – que amarra suas pontas muito bem e satisfaz o leitor que gosta de ação e suspense.

Update: Embora o nome possa enganar, Daniel Silva não é brasileiro e sim americano, nascido em Michigan e criado na Califórnia. O autor é filho de açorianos.


Título: O Caso Rembrandt
Autor: Daniel Silva
Nº de páginas: 303
Editora: Arqueiro

13 comentários:

Ana Paula Barreto disse...

Tenho o livro e será uma das minhas próximas leituras. Desde que o vi pela primeira vez, fiquei curiosa e animada com a leitura. Gosto do gênero e acho que o personagem principal é realmente diferente.
Mas não tão diferente assim, porque de cara me lembrou do Neal (do seriado White Collar, que AMO!), com exceção da parte "assassino". rs
Acho que vou gostar bastante também!
bjs

GFC: Ana Paula Barreto

Manu Hitz disse...

Muito bom!
Adoro saber que um autor brasileiro escreve tão deliciosamente assim, levando o leitor a um clima real de tensão com sua história de espionagem, com aventuras e suspense na medida! Fiquei bem interessada em ler e acompanhar essa história, gostei do personagem nada clichê.

GFC: Manu Hitz

Manuela Cerqueira disse...

Fico super feliz que cada vez mais a literatura brasileira vem ganhando mais espaço e com bons livros e ótimas histórias.
E adorei o fato do protagonista ter tantas vertentes...

GFC: Manuela Cerqueira

Aione Simões disse...

Oi Mari!
É bem compreensível sua ligação com O Código Da Vinci, considerando essa mistura de ação, suspense e obras de arte.
Sua resenha e a da Duda foram as que me chamaram a atenção para o livro; a história parece extremamente bem desenvolvida e capaz de conquistar um enorme grau de envolvimento por parte do leitor, o que certamente é positivo.
Vou ver se consigo ler!
Beijão!

cristiane disse...

Eu não senti muita vontade de ler, apesar de ter achado bem bacana. Foi um desses livros que acabei deixando pra trás....É legal essa história, tem tudo pra ser boa, mas pro enquanto não vou ler...


cristiane dornelas

Gladys Sena disse...

Ainda bem que o livro não tem relação com “O Código Da Vinci"!

Curto essa temática, e quando o autor sabe desenvolver a trama, não dá vontade de largar o livro, rsrs.

GFC: Gladys.

Layse Hana disse...

Adorei a resenha o livro parece ser incrível!

Eduarda Menezes disse...

Oi Mari,
A narrativa bem construída do Silva também me surpreendeu. Não imaginava que fosse gostar tanto e amei o livro!
Ele consegue mesclar forte conteúdo histórico e entrelaçar a vida de personagens diversos de uma forma tão completa e bem amarrada que é impossível não admirar a sua habilidade como excelente escritor (e pesquisador). É daqueles livros que a gente não desgruda mesmo. Quero mais Daniel Silva na minha estante o/
Beijos!

cath´s m. disse...

Embora eu gostei da sua resenha o livro não me encantou, não me deu aquela vontadezinha de ler sabe?

cath´s_m

Jessica Lisboa disse...

Gostei bastante desse livro, a trama que ele tem foi o que me prendeu, porque a capa que é bom nao entendi o porque, mas enfim eu o coloquei na minha lista já.

Clara Beatriz disse...

Infelizmente não me interessei pelo livro, não faz meu estilo. Mas desejo sucesso ao autor e ao livro.

Andreza Galvão disse...

Nossa, jurei que esse autor fosse brasileiro! O:
Esse é um dos meus gêneros preferidos! Fiquei bastante curiosa em conhecer a escrita desse autor, que até então era desconhecido pra mim!

GFC: Andreza Galvão

Nardonio disse...

Jurava que esse autor era brasileiro.
Bem, posso dizer que sou fã de livros com muita espionagem, e com narrativa bem frenética. Me parece que esse tem de sobra. Sem falar na questão de conseguir amarrar todas as pontas da trama, e encerra-la sem deixar brechas.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

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