sábado, 4 de maio de 2013

RESENHA: Seis Túmulos para Munique

“Haviam conseguido enganá-lo todas as vezes. Só fracassaram numa coisa: não o mataram. E agora era a sua vez. Era a sua vez de materializar-se subitamente na escuridão, trazendo tortura e morte em suas mãos. A sua vez de saber e ver tudo e a vez deles de adivinharem e temerem o que aconteceria a seguir.” (PUZO, 2012, p. 123)

Ao cometer um erro durante a Segunda Guerra Mundial, Michael Rogan - um agente secreto americano - é capturado junto com sua esposa e torturado. Ela - grávida de seu filho - morre, mas ele sobrevive e agora planeja matar os sete homens que destruíram a sua vida.

Eu adoro histórias de vingança e no caso de “Seis Túmulos para Munique” esse tema aliado à assinatura de Mário Puzo (autor de O Poderoso Chefão que inspirou a magnífica trilogia de Francis Ford Coppola) me fez delirar pelo livro. Uma pena que tenha sido uma decepção.

O problema de “Seis Túmulos para Munique” não é a trama. É a narração. Corrida e com pouquíssimos detalhes, em nenhum momento eu consegui me sentir envolvida com a história e com os personagens que, por essa mesma razão, acabaram soando todos unidimensionais e seus dramas não despertaram interesse. A minha impressão foi que o autor teve uma ideia para uma história e sentou para registra-la. Apenas registra-la. Não escreve-la e transforma-la em livro.

Basicamente, o que acontece é que Rogan encontra um de seus torturadores, o mata, encontra outro, o mata, e assim por diante. Emoção, adrenalina, expectativa, reviravoltas...zero!

Além da narração atropelada, a falta de empatia dos personagens se torna um grande problema em “Seis Túmulos para Munique”. Rosalie, por exemplo (a mulher que Rogan conhece no primeiro capítulo e com quem desenvolve o romance menos cativante de todos os tempos), é uma personagem cuja função eu não compreendi. Ela não o ajuda, não trai sua confiança, nem mesmo é um interesse amoroso de efeito. Em outras palavras, ela não contribui em nada para a trama. Caso você ache que isso está relacionado ao trauma do personagem em ter perdido a esposa e ao fato de que, possivelmente, ele ainda a ame, deixe-me esclarecer que tudo que sabemos sobre história de Rogan e sua esposa é que eles se conheceram, ela engravidou, eles casaram e foi isso (o que é contado em dois parágrafos, totalizando dez linhas). Com base nisso, sinceramente, o que me importa que ela tenha morrido?

Considero “Seis Túmulos para Munique” um caso de livro mal executado. A ideia era boa e, considerando o currículo do autor, poderia ter se tornado um livro inesquecível (ou, citando Don Vito Corleone, uma oferta que não se poderia recusar). Mas não foi.

Título: Seis Túmulos para Munique
Autor: Mario Puzo
Nº de Páginas:189
Editora: Record

14 comentários:

Aione Simões disse...

Oi Mari!
É, quando vi sua resenha, o que me chamou a atenção foi o autor.
Uma pena que o livro pareça ter sido mal desenvolvido, é triste quando a leitura não funciona e não nos envolve.
Você leu a trilogia de O Poderoso Chefão? Eu quase a comprei hoje (está em oferta no submarino junto com a trilogia dos filmes), mas deixei passar. Adoro os filmes e gostaria de ler os livros, mas seria triste se eles também não fossem tão envolventes e entrassem pra lista dos filmes que superaram os livros...
Beijão!

Thielen Costa disse...

Como é ruim quando temos expectativas em um livro e ficamos decepcionados. Principalmente de um autor que tem nome, né?
Bom, acontece... infelizmente.
Já da pra percebermos que a leitura parece corrida só pelo número de páginas do livro. Livros pequenos realmente precisam ser bem escritos.

Ana Paula Barreto disse...

Quando comecei a ler a resenha estava animada, mas realmente isto mudou completamente até o final do seu texto. Pena que um livro com uma premissa interessante e muitos elementos que geralmente dão certo, não foi bem escrito e trabalhado.
É uma pena mesmo, adoro livros neste estilo, mas realmente sem empatia, pouca riqueza na personalidade e história mal elaborada, não rola.
bjs
GFC: Ana Paula Barreto

Naty disse...

Uma pena que o livro não seja tão bom, o autor me é muito indicado. Eu tenho O poderoso chefão, mas ainda não consegui tempo para ler, espero que a escrita dele nesse livro me agrade.

Thaynara ribeiro disse...

Eu gostei bastante do livro, e acho q daria um bom filme. Também gosto de livros com vingança pq da uma emoção toda especial pro livro, vc se envolve mais com o personagem. Com certeza vou ler esse!!!

Manuela Cerqueira disse...

Não gosto de livros muito detalhistas, mas também acho que é necessário na narrativa o autor detalhar algumas coisas pois isso nos ajuda a ficar mais ligados com a história.
Gostei muito do tema do livro tb curto uma trama de vingança...rsrs mais me desanimei para ler ele.

GFC: Manuela Cerqueira

Isabelle Vitorino disse...

Há algum tempo que eu não leio livros policias ou uma história cujo mote é a vingança, mas é certo que foi palpável a sua frustração com a leitura desse livro. Ademais, confesso que apesar de conhecer a franquia muito bem sucedida de O Poderoso Chefão, eu ainda não li os livros, mas ainda assim esperava que a leitura de Seis Túmulos fosse no mínimo instigante, já que o currículo do autor sugere isso. Que pena que um livro com uma premissa tão boa tenha sido tão mal trabalhado. Certamente passarei longe dele para não ser mais uma a me sentir frustrada com a leitura...

Beijos!

GFC: Isabelle Vitorino

Rossana Batista disse...

Quando li que foi assinado pelo autor de O Poderoso Chefão já fiquei na expectativa, mas ai depois você disse que foi uma decepção :(
Gostaria de conferir o livro pra ver o que acho.

GFC: Rossana Batista

Roberta Moraes disse...

Eu gosto muito de livros super detalhados porque imagino melhor as coisas. Acho que não me daria bem com esse livro por esse motivo. Mas a história parece ser boa.

GFC: Roberta Moraes

cath´s m. disse...

Eu adoro livros da Segunda Guerra, mas pelo que disse não vale a pena eu gasta o comprando. =(

Nardonio disse...

Realmente esse livro tinha tudo pra dar certo: Capa bonita, título bem instigante, e uma trama bem legal. Pena que o autor não aproveitou e acabou jogando tudo fora. Mas é aquele negócio, "cada um faz pelo menos uma burrada na vida", e pelo jeito, esse livro foi a "burrada" na vida do Mario Puzo.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Gabriela disse...

Caramba Mari é uma pena que você não tenha gostado!
Eu tbm adoro livros com tema de vingança, filmes tbm, por isso amo Kill Bill, porém quando o autor não sabe desenvolver e fica uma coisa repetitiva de achou morreu é bem maçante mesmo. É uma pena que vc tivesse expectativas com o autor, eu mesma nunca li nada dele, as piores vezes são quando esperamos demais e gostamos de menos :/

Gladys Sena disse...

Poxa quando li "autor de O Poderoso Chefão", fiquei bem animada, mas que pena que o livro foi uma decepção, :\

Tinha tudo para ser uma boa trama, mas ficou só na possibilidade...

GFC: Gladys.

Clara Beatriz disse...

Que pena que você se decepcionou, confesso que o livro não chamou a minha atenção, então não sei se o lerei.

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