sábado, 13 de abril de 2013

RESENHA: Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose

“A quantidade de detalhes da pré-produção e a intensidade com que Hitchcock mergulhava neles sugerem o quanto Psicose era um projeto que o diretor encarava como um desafio. Hilton Green comentou que ‘ele sempre estava procurando por algo novo. A coisa que mais o empolgava, sobre a qual vivia falando era que (...spoiler do filme...) ‘Isso vai dar um nó na cabeça deles’ dizia. Ele adorava enganar o público assim’ ” (REBELLO, p. 74, 2013)

É de conhecimento geral que o diretor Alfred Hitchcock costumava fazer pequenas aparições em seus filmes, normalmente em meio a multidões, como andando na rua ou sentado no banco de um ônibus. Com o tempo, a expectativa do público de encontrá-lo camuflado no filme tornou-se tão grande que o diretor passou a tomar o cuidado de aparecer nos primeiros minutos para que o público tirasse isso do sistema e não se distraísse do que realmente importava: a trama. Seguindo o exemplo do mestre, vou confessar de início algo que tenho certeza que ficaria claro nessa resenha de qualquer maneira: eu sou fã de Alfred Hitchcock. Tendo dito isso, não é surpresa que o lançamento do livro que prometia esmiuçar os bastidores de um de seus filmes mais famosos (embora não o meu favorito – que é Um Corpo que Cai, a quem interessar possa) tenha despertado o meu interesse imediatamente.

“Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” tem tom de biografia, mas é um relato fascinante de como o mestre do suspense conseguiu realizar um projeto em que ninguém acreditava e, tirando dinheiro do seu próprio bolso para financiá-lo, fez um dos filmes mais notáveis e influentes da história do cinema.

Stephen Rebello apresenta para o leitor um panorama completo do que foi Psicose, desde detalhes perturbadores do caso real do serial killer Ed Gein, que inspirou o escritor Robert Bloch a escrever o livro que viria a inspirar o filme de Hitchcock, ao interesse do diretor em fazer esse filme e todos os percalços e negociações que envolveram a sua produção, entre eles desafios técnicos e a luta contra a censura. Nada deixa de ser mencionado. A elaboração do roteiro, cenários, figurino, escolha de elenco, entre outros. Tudo é abordado pelo autor de maneira enxuta e ainda assim rica em detalhes. A cena do chuveiro, por exemplo - que se tornou uma das cenas mais memoráveis não apenas do filme como da sétima arte -, ganha um capítulo a parte, sendo analisada em todos os aspectos e deixando claro porque, vencidas todas as dificuldades de sua elaboração, esses 45 inovadores segundos foram posteriormente considerados uma aula de como fazer cinema. Mas evitarei entrar em detalhes para não tirar o foco desta resenha do livro de Rebello, direcionando-o ao filme.

Mesmo encontrando na produção de Psicose um prato cheio, o autor não se atém apenas a ela, abrangendo também detalhes sobre o genial golpe de publicidade do diretor e o badalado lançamento do filme, culminando em suas indicações (e injustas derrotas) ao Oscar. “Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” conta ainda com a filmografia completa do diretor, informações sobre o que aconteceu com todos os envolvidos na produção após Psicose, e ainda referências bibliográficas.

Para não correr o risco de não deixar claro o quanto eu gostei desse livro, eu vou dizer com todas as letras: “Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” é um dos melhores livros que li no ano. Mas antes de indicá-lo, é preciso fazer uma recomendação essencial. Se você não assistiu o filme Psicose (sinta-se envergonhado e corra assistir o mais rápido possível), não leia esse livro, pois spoilers estão em todas as páginas. Assim, assista o filme, leia o livro, assista o filme de novo (acredite, você vai querer revê-lo) e depois, assista também “Hitchcock” que é a adaptação deste livro e que traz o sempre magnífico Anthony Hopkins como o mestre do suspense e Helen Mirren como sua esposa Alma. O filme foca mais na relação de Hitchcock e sua esposa do que o livro, mas vale a pena ser conferido.

Antes de encerrar, vou usar um quote para ressaltar algo sobre Psicose - especialmente se você ainda não assistiu o filme, ou não tem o costume e o gosto de assistir filmes antigos (dica: não sabe o que está perdendo) - e que eu considero muito importante para se ter em mente ao assistir esse que é considerado por Stephen King o filme mais assustador já feito. “Intermináveis reprises, imitações e paródias tiraram um pouco do gume afiado de Psicose, principalmente para gerações que aprenderam a confundir jatos de sangue, montagens frenéticas e trilhas sonoras mecânicas com o verdadeiro suspense. Em contraste com as séries Sexta-feira 13 ou A hora do pesadelo e suas muitas crias, a comoção causada pelo filme de Hitchcock pode soar hoje tão incompreensível quanto uma velha série dos primórdios da TV ou um filme mudo.” (RABELLO, p. 209)

Eu sabia de antemão que iria gostar de “Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” - pois estava imensamente atraída pelo tema e normalmente gosto de biografias ou livros que tendem a ser biográficos - mas confesso que não imaginava que seria tanto. Sem exagero, posso dizer cada frase me fascinou e aumentou ainda mais minha admiração pelo diretor cujo brilhantismo era tanto que seus filmes muitas vezes não eram compreendidos (mesmo por atores e produtores) até não estarem prontos. Eu não li esse livro. Devorei.


Título: Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose
Autor: Stephen Rebello
Nº de páginas: 253
Editora: Intrínseca

16 comentários:

Ana Paula Barreto disse...

Estou louca para ler o livro. Sou fã desse gênio e dos filmes (assisti muitos deles, mas ainda falta um outro tanto), mas Psicose é realmente especial. Acho que o que veio depois (neste estilo cinematográfico) foi diretamente inspirado e mesmo para quem assiste pela primeira vez hoje há aquele elemento surpresa, há um diferencial no suspense, na elaboração da história e na construção dos personagens.
Eu adoro mesmo e espero ter a oportunidade de ler a obra.
bjs
GFC: Ana Paula Barreto

Aione Simões disse...

Mari, sua resenha faz qualquer um querer sair para ler o livro.
Eu já havia visto a resenha da Duda e achado interessante, a sua complementou ainda mais minha impressão.
Me sinto envergonhada porque nunca vi Psicose e, até onde me lembre, nenhum outro filme do diretor. Foi completamente falta de oportunidade, porque interesse eu tenho.
Não sabia que Hitchcock tinha esse costume de aparecer em seus filmes, achei curioso, ainda mais sobre a mudança do momento em que ele aparece para evitar que a atenção dos espectadores fosse dispersada.
Beijos!

cath´s m. disse...

Eu assisti com filme com o Viggo, devo dizer que achei bem mais ou menos, vi mais por ser tão famoso.

cristiane disse...

Nossa, esse é tenso. Queria ver esse filme, deve ser muito bom. O livro não fiquei lá muito querendo ler....achei que tem mais graça ver o filme que ler o livro, mas quem sabe um dia leio né, só que por enquanto não...

cristiane dornelas

Manuela Cerqueira disse...

Alguma vez em um documentário sobre cinema que assiti falaram deste costume dele de fazer aparições em seus filmes e que hoje em dia isto é muito copiado por alguns diretores.
Você falou tão bem sobre o livro que realmente aguçou minha curiosidade para ler ele.

GFC: Manuela Cerqueira

Naty disse...

Eu adoro Psicose e desde que esse livro foi lançado quero lê-lo. Estou esperando lê-lo para ver o filme do livro, espero fazê-lo logo!

Eduarda Menezes disse...

Oi Mari,
Compartilho da sua admiração pelo livro. O Stephen Rebello apresentou um trabalho muito completo e bem pesquisado, abordando todos os lados.
A gente se sente meio íntima de todo mundo quando termina, né? Eu já tinha visto o filme várias vezes, mas depois que terminei de ler o livro fui correndo assistir novamente.
O Hitchcock certamente era único e brilhante, ainda que como pessoa o seu caráter não fosse dos melhores. Você já assistiu o filme A Garota? Se não, é também inspirado nos bastidores só que aborda a relação nada saudável que ele tinha com a Tippi Hedren, protagonista de Os Pássaros. Ele era super problemático. Não é a toa aquele ar todo esquisitão.
Beijos!

Nardonio disse...

Ainda não assisti "Psicose" (pois é, estou com vergonha, sim! Rsrsr). Mas essa cena do chuveiro é realmente MEMORÁVEL, uma das melhores cenas que já assisti. O livro me parece ser bem legal mesmo, mas vou seguir seu conselho e assistir o filme e depois lê-lo.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Rossana Batista disse...

Tenho que confessar envergonhadamente que não assisti Psicose, rsrs. Mas é um filme que está na minha lista de filmes para assistir, pois sou muito fã de filmes antigos.
Ah, lembro de quando vi o trailer do filme do Hitchcock e não queria de jeito nenhum vê-lo, mas depois de ler a sinopse do livro e ter informações das quais eu não sabia, agora verei o filme e lerei o livro :D


Seguidora: Rossana Batista
@rooohbatista

Roberta Moraes disse...

"Psicose"... Clássico! Quem não gosta de clássicos de cinema realmente não sabe o que perde! Você disse que esse livro parece um pouco uma biografia... não costumo ler biografias, sem preconceitos, rsrsrs. Mas parece ser bom o livro, interessante.

GFC: Roberta Moraes

Thielen Costa disse...

Não sou fã de biografias e sinceramente não seria um livro de tanto interesse meu, mas seria bom fazer isso. E estou completamente envergonhado por não ter assistido o filme. Vou fazer isso já!
O livro parece um prato cheio para os fãs. :)
Ah, e eu vou ter que procurar Hitchcock no filme. hehe

Thielen Costa disse...

Não sou fã de biografias e sinceramente não seria um livro de tanto interesse meu, mas seria bom fazer isso. E estou completamente envergonhado por não ter assistido o filme. Vou fazer isso já!
O livro parece um prato cheio para os fãs. :)
Ah, e eu vou ter que procurar Hitchcock no filme. hehe

GFC Thielen Costa

Gladys Sena disse...

Recentemente assisti a um filme que tratava dos bastidores do filme Pássaros e pude perceber como Hitchcock era sinistro. Ele fez a atriz sofrer horrores...
Nunca assisti ao filme acredita? rsrs. Então se decidir ler esse livro, seguirei sua orientação e verei o filme e depois sim desfrutarei do livro, :)

GFC: Gladys.

Elis Paulina disse...

Não gosto muito de ler biografias e nem tanto suspense. Mas, esse livro é bem chamativo para a leitura de quem gosta do gênero.
Elis Elger

franfernands disse...

Não é o livro que chama minha atenção, nem o título, nem o tipo de livro, nem mesmo a capa me conquistou, mas a resenha está ótima!

Clara Beatriz disse...

Estou bem curiosa e ansiosa para ler este livro, só ler comentários positivos da nisso. Quero muito ver o filme também, parece ser ótimo.

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