sexta-feira, 16 de agosto de 2013

RESENHA: Maigret e o Matador

“Inclinada sobre o corredor da escada, a sra. Maigret o olhou descer com um passo pesado (...). Ela não sabia muito mais do que diziam os jornais, mas o que os jornais ignoravam é com que energia ele tentava compreender e o quanto se concentrava durante alguns inquéritos. É como se ele se identificasse com aqueles que perseguia, sofrendo as mesmas angustias que eles.” (SIMENON, p. 143, 2011)

Já ficou claro para mim que George Simenon é um escritor que nunca decepciona. Os casos do Comissário Maigret são sempre um prato cheio para os amantes da literatura policial ao melhor estilo Agatha Christie.

Em “Maigret e o matador”, o comissário se vê diante do assassinato de um jovem de 21 anos morto a facadas em uma noite chuvosa. O assassinato foi testemunhado por um casal que voltava para casa ao final do dia e que relata uma atitude pouco comum por parte do assassino: após golpear a vítima diversas vezes e se afastar do corpo, o criminoso volta para dar mais três facadas (totalizando sete), mesmo correndo o risco de ser reconhecido pelos que se aproximavam e aparentemente sem nenhum motivo. Nada foi levado da vítima, nem mesmo o seu gravador. Logo Maigret descobre que o jovem é filho de uma família rica, mas que é um rapaz inexpressivo. Não tem amigos, não fala muito, vive uma vida quase isolada e sua única diversão é gravar conversas de desconhecidos em lugares muitas vezes perigosos. Terá sido alguma dessas gravações que levou a sua morte? Terá sido seu assassinato premeditado ou ele estava apenas no lugar errado e na hora errada? Quando a investigação começa a enveredar para um lado que inclui um grupo de assaltantes que vem atacando os arredores de Paris, o comissário começa a receber telefonemas e cartas do assassino que quer evitar que um inocente seja condenado em seu lugar.

Eu gosto muito do comissário Maigret. Acredito ser seguro dizer que, dos detetives clássicos da literatura policial, ele seja o mais humano e até mais normal de todos. Maigret é extremamente centrado e se importa com as pessoas envolvidas nos casos em que trabalha, até mesmo com os criminosos. Por ser um comissário de polícia, ele não é um detetive solitário como os que costumamos ver. Maigret trabalha com uma equipe e segue horários convencionais de trabalho, tendo ainda que se reportar a autoridades, não podendo agir sempre como bem entende.

As tramas de Simenon normalmente são simples e os casos giram em torno de poucos suspeitos. Em “Maigret e o matador” o autor arrisca um desfecho normalmente criticados em livros policiais, mas que funciona bem e mesmo tendo tudo para fazer o leitor se sentir enganado, não o faz. Como todos os livros do autor, é uma leitura rápida que pode tranquilamente ser feita em um único dia, não apenas por ser curto, mas também por arrastar o leitor com facilidade pelos caminhos da trama de forma que ele mal percebe quantas páginas já leu.

“Maigret e o Matador” não é o tipo de livro policial que vai deixar você fissurado (em geral os livros protagonizados pelo personagem não tem essa característica – o que nem combinaria com a personalidade do comissário, arrisco dizer), mas é uma leitura que agrada sem erro.


Título: Maigret e o Matador
Autor: Georges Simenon
Nº de páginas: 171
Editora: L&PM

11 comentários:

Ana Paula Barreto disse...

Adorei esta história e a caracterização do personagem. Realmente os detetives são meio esquisitos e não muito normais, então este é um ponto alto deste livro. E gosto bastante de casos mais simples e com poucos suspeitos, acho que isso dá margem para mais detalhes na trama.
Se tiver a oportunidade, não deixarei de ler!
bjs
GFC: Ana Paula Barreto

Sabrina Castro disse...

Oi, Mari.
Nossa, que interessante. COnfesso que não conhecia esse "detetive". Mas adoro o gênero. Ele é estilo Sherlock, hum?
Se for, vou anotar a dica. =D

Adoro livros policiais.

xoxo

Fernando Pacman disse...

Olá Mari,
Confesso que não me interessei muito pelo livro e também não gostei nada da capa, mas gostei muito do seu blog, parabéns.

Abraços

reaprendendoaartedaleitura.blogspot.com.br

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

O enredo parece bom mesmo, mas não posso dizer que me interessei pelo livro. Gosto de coisas mais fora do comum. [rs]

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Fran disse...

Eu adorei ler Agatha Christie e gosto do estilo "detetives clássicos". Acho que eu gostaria desse livro =)

Cristiane Dornelas disse...

Deixou curiosa. Gosto de livros desse gênero e sempre acaba sendo bom ler. Esse parece ser bem satisfatório. Só fiquei encucada com a parte de se sentir enganado sem se sentir. Como assim? Hummm...

cristiane dornelas

Thaynara ribeiro disse...

Fiquei muito curiosa!! Mais um de mistério q eu quero!
Parece ser muito, muito bom!! Gostei muito da resenha e espero ler em breve!
GFC: Thaynara Ribeiro

Rayssa Gimenes disse...

AMOOOOOOOO livros policiais, tenho vários do Poirot e do Sherlock. Mas nunca li esse autor, agora você me deixou curiosa rs. Espero comprar em breve pra conhecer :)

GFC: Rayssa Gimenes

Jessica Lisboa disse...

Bem pro autor ser comparado com a Agatha tem que ser muito bom mesmo! Gostei da ideia dele no enredo do livro, fiquei curiosa para ler o livro, ainda nao li nada dele espero nao me decepcionar.

Jessica Lisboa
xx

Ana de Cassia Oliveira disse...

Então a trama parece boa, gosto da ideia de desvendar o assassino antes do livro acabar se bem que eu nunca acerto, mas acho que no momento estou numa fase de romances.

beijos

Ana de Cassia Oliveira

Nardonio disse...

Realmente esse comissário foge completamente da maioria dos detetives dos romances policiais. Esse me parece ser mais "gente como a gente". Como gosto de romances policiais, esse vai pra minha listinha de próximas aquisições.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

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