segunda-feira, 21 de abril de 2014

RESENHA: O Crime do Padre Amaro

O Crime do Padre Amaro Eça de Queirós
Eça de Queirós é um dos autores mais renomados da literatura portuguesa, de modo que sempre tive vontade de ler algum de seus livros. Considerando que descobri alguns spoilers das demais obras que me interessavam, acabei escolhendo O Crime do Padre Amaro, uma obra que parecia promissora, mas que não conseguiu explorar todo seu potencial.

Amaro é um jovem padre que, com auxílio de seus protetores, é designado para a paróquia de Leiria. Ao chegar na cidade, se torna hospede de S. Joaneira, e vem a conhecer sua filha, Amélia. Quando a paixão entre eles começa a aumentar, nem mesmo o voto de celibato é um obstáculo ao seu relacionamento. 

Descritiva em excesso. Estas são as melhores palavras para caracterizar a narrativa de Queirós. Para se ter uma ideia, nenhum detalhe, por mais insignificante que fosse, passou batido. Assim, o uso exagerado de adjetivos logo me incomodou, me deixando com a sensação de que autor estava andando em círculos, sem saber que caminho seguir. 

Além disso, a obra apresenta um ritmo lento e a estória parece não evoluir. A título exemplificativo, cito que foram necessárias mais de duzentas páginas para Amaro e Amélia finalmente se envolverem, sendo que esta é a premissa do livro, que consta inclusive na sinopse. Até faria sentido este envolvimento ser mais lento considerando que Amaro é padre e, para sincero, minha expectativa era vê-lo em uma crise existencial, questionando seus valores e sem saber o que fazer. Todavia, me pareceu que Amaro era sacerdote por profissão, e não por vocação. É claro que o romance deles não deveria ter ocorrido rapidamente, como se fosse um romance hot e inverossímil, mas a forma como autor conduziu o relacionamento afetou diretamente meu envolvimento com a leitura.

“Mas na sua paixão havia às vezes grandes impaciências. Quando tinha estado, durante três horas da noite, recebendo seu olhar, absorvendo a voluptuosidade que se exalava de todos os seus movimentos, - ficava tão carregado de desejos que necessitava conter-se 'para não fazer um disparate ali mesmo na sala, ao pé da mãe'. Mas depois, em casa, só, torcia os braços de desespero, queria-a ali de repente, oferecendo-se ao seu desejo, […].” (QUEIRÓS, 2012, p. 142).

Os diálogos igualmente deixaram a desejar, tendo em vista que soaram superficiais e vazios. Creio que não se pode atribuir tal defeito a época em que a obra foi escrita, visto que nunca tive problemas com diálogos de outros livros clássicos.

Os protagonistas não conquistaram minha empatia, pois além de serem insossos, o romance deles não me convenceu, nem me cativou. A linguagem, apesar de rebuscada em certos momentos, é compreensível. O vocabulário estranho ao português brasileiro recebeu notas de rodapé explicativas. No que toca ao desfecho da obra, é suficiente dizer que este é previsível, o que acaba por não empolgar.

O Crime do Padre Amaro foi o primeiro livro de Eça de Queirós. Talvez suas obras subsequentes teriam me agradado mais. Mas isto é algo que não tenho mais interesse em descobrir. 

Título: O Crime do Padre Amaro
Autor: Eça de Queirós
N.º de páginas: 454 
Editora: Martin Claret
Exemplar cedido pela editora

8 comentários:

Caline disse...

Oi Alê

Já li O Crime do Padre Amaro e mais dois livros do Eça. O autor tem essa característica de detalhar bastante a história. Na verdade encontrei esse ponto em comum com autores brasileiros da mesma época.
Você já leu O Guarani? Inocência?
Uma boa leva de clássicos nacionais exigem paciência do leitor porque eles nos testam bastante. Li esses livros na adolescência, mas não acho que repetiria a experiência salvo algumas exceções.


Mundo de Papel

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Vou confessar que Eça de Queiroz é um dos poucos atores renomados que nunca chamou minha atenção. Até por saber de spoilers de alguns de seus livros que não são do meu agrado. E saber que a narrativa é descritiva demais e os diálogos vazios me fazem desistir de vez. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Julia G disse...

Oi Ale, eu ainda não li nenhuma obra de Eça de Queiroz, apesar de adorar clássicos. Estou dando um tempo deles, mas acho que tenho que, pelo menos, conhecer como funcionam as obras do autor. Geralmente romances dele são categorizados como você cita, descritivos demais, e talvez por isso mesmo ainda não tive tanta vontade de ler.

Beijos

Nardonio disse...

Nunca cheguei a ler uma obra do Eça de Queirós, mas estudei sobre sua vida e obra pra fazer vestibular. Só posso dizer que é quase impossível gostar dessa obra, pois não sou fã de narrativas descritivas em excesso. Mas ainda quero ler algo dele.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Laura Zardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Laura Zardo disse...

Eu sempre tive curiosidade em relação a este livro, mas depois desta resenha não fiquei mais tão curiosa. Ainda não li nada do Eça de Queirós, mas tenho que estudá-lo para fazer o vestibular. Confesso que já estive mais animada em relação a sua vida e obra, mas ao longo do caminho fui descobrindo coisas que não me agradaram. Não vou julgá-lo ainda, mas gostaria de não me decepcionar. D:

Lais Cavalcante disse...

O melhor é saber que minha escola está pedindo para lermos esse livro nesse bimestre e você ter essa impressão tão do livro ): já li algum livro do Eça, mas curti tanto que nem lembro do título hahah vamos ver se funciona comigo.

MsBrown disse...

Olá, Alê. Tenho grande interesse em ler esta obra. Do Eça, só li A Cidade e as Serras, que gostei muito, apesar de ter cenas bem extensas e às vezes cansativas.

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