segunda-feira, 2 de março de 2015

RESENHA: O Diário de Anne Frank

“E, quanto a nós, somos bastante felizardos. Temos mais sorte do que milhões de pessoas. Aqui é calmo e seguro, e estamos usando nosso dinheiro para comprar comida. Somos tão egoístas que falamos sobre ‘depois da guerra’ e ficamos ansiosos por roupas e sapatos novos, quando deveríamos estar economizando cada centavo para ajudar os outros quando a guerra terminar, para salvar o que pudermos.” (FRANK, 2014, p. 91). 

***

Em Amsterdã, a perseguição aos judeus aumenta a cada dia. A eles são negados direitos como andar de bonde ou de carro (mesmo que fosse seu próprio carro), e até mesmo a possibilidade de sair de casa entre às 20h e às 06h. Mas o pior cenário é quando membros da S.S. (organização paramilitar ligada ao partido nazista) notificavam alguém: era sinônimo de que esta pessoa seria enviada para um campo de concentração ou que ficaria trancada em uma cela. É por isso que a família Frank decide se esconder no sótão de uma fábrica enquanto aguardam o fim da guerra. 

Anne fornece sua visão sobre como era a vida quando enclausurada no Anexo Secreto. Além da família de Anne, outras cinco pessoas também estavam escondidas no sótão, e como se pode imaginar, oito pessoas confinadas e vivendo em um período de tensões e desânimo, brigas eram muito comuns. Boa parte das anotações de Anne se resumem as constantes discussões que ocorriam no Anexo. 

Em sendo Anne uma adolescente — fase já conturbada e cheia de transformações e descobertas — em uma situação estressante, fica claro desde o início que suas emoções estão a flor da pele. Seus pensamentos, anseios e julgamentos, são tipicamente adolescentes, mas evidentemente mais intensos pelo contexto. Chama atenção que Anne revisou e fez algumas alterações no diário, e em determinados momentos ela mesma se surpreende com seus comentários tão emotivos. 

O ponto alto da obra é a amizade desenvolvida entre Anne e Peter, e os sentimentos que começam a aflorar entre jovens que não poderiam ser mais diferentes um do outro, mas que encontram apoio, conforto e consolo nos braços do outro. 

Admito que esperava que O Diário de Anne Frank fosse um relato histórico sobre a perseguição empreendida por Hitler contra os judeus. E embora Anne forneça algumas informações de cunho histórico, a obra ainda é, essencialmente, um diário. Ou seja, era onde Anne divagava sobre os últimos acontecimentos ocorridos no Anexo Secreto, bem como sobre seus sonhos e sentimentos. 

Apesar de enfadonho em alguns momentos, O Diário de Anne Frank é um relato que mostra a “sorte” dos judeus que tiveram onde se esconder no período do Holocausto. A verdade é que não temos a menor noção do sofrimento que este período representou, e Anne, com suas palavras simples, nos mostra um lampejo do que era ser judeu durante a Segunda Guerra Mundial. Um livro que, acima de tudo, faz o leitor refletir. 

Título: O Diário de Anne Frank (exemplar cedido pela editora)
Autor: Anne Frank 
N.º de páginas: 351
Editora: Record

24 comentários:

Thales Soares disse...

Ah eu sou doido pra ler esse livro mas não tive a oportunidade ainda, e essa capa é umas das mais bonitas que já vi, o livro parece ser bem legal, do jeito que eu gosto haha

http://criativosounao.blogspot.com.br/

Hangover at 16 (contato) disse...

Foi ela mesma que escreveu? Não sabia! Eu adoro todo o ambiente da segunda guerra mundial (pelo menos pra estudar sobre kk) mas ainda assim nunca tinha me interessado muito pela história dela. Adorei mesmo sua resenha, abriu minha mente e me fez ver que entre as palavras das páginas existe mais tensão do que imaginava

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
Tem resenha nova no blog de "GATACA", vem conferir!

Milena Soares disse...

Eu tenho muita vontade de ler esse livro, curto muito esse tipo de leitura, deve ser super emocionante.

Samantha Culceag disse...

Oi, tudo bem?
Como eu amo História, necessito ler esse livro, acho a história de Anne muito tocante e certamente esse livro merece ser lido, espero gostar!
Beijos... Samantha Culceag.
Só pra Menores

Patricia Caroline disse...

Tenho bastante vontade de ler esse livro, mesmo não tendo o costume de ler livros do gênero. Deve ser bem triste acompanhar o relato da Anne, reviver tudo o que ela passou, que com certeza não foi nada fácil...
Parabéns pela resenha :) Beijos!

Camilla Lobianco disse...

Morro de vontade desse livro! Estou querendo aquela edição linda e acolchoada... mas sinceramente tenho medo dele :( é triste saber tudo que aconteceu por lá... enfim, mas acho que precisamos de uma dose de realidade, ne? bjo

ssentrelivros.blogspot.com.br

Ana Caroline disse...

Esse foi um dos livros mais lindo e emocionante que eu já li, a conexão que o leitor tem com a Anne é muito grande. Fiquei bem triste com o final, queria que ela tivesse sobrevivido para contar mais um pouco de sua história para nós.
Beijo,
http://pactoliterario.blogspot.com.br/

Anelise santana disse...

Meu pai é professor de história, então ele fala muito sobre esses acontecimentos históricos. A história dos Judeus é algo que eu gosto muito de ler e aumentar o conhecimento. Em O Menino do Pijama Listrado eu chorei rios. Apesar do livro resenhado ser um diário, deve ser bem emocionante. A edição em capa dura que a editora lançou de O Diário de Anne Frank é maravilhosa, ainda quero adquirir um exemplar daquele :)

Gabriela CZ disse...

Já deve fazer uns quatro ou cinco anos que o li, mas concordo com boa parte do seus comentários, Alê. Como a pessoa que me deu tinha me dado uma boa noção do conteúdo, não fui esperando grandes fatos sobre a Guerra. Mas como relatos de alguém que passou por tais situações é mesmo emocionante. Só é triste pensar que ela passou por tanto e ainda morreu uma semana antes do fim da Guerra. Enfim, quero reler um dia. Ótima resenha.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Markus Andrez disse...

Oi, Alexandre.
Caramba, que resenha... *-*
até hoje não li esse livro e tipo, preciso ler!!!

mundoemcartas.blogspot.com.br

Amanda Almeida disse...

Oi Alê, tudo bem?
Eu li há alguns anos, e fiquei tocada com o que ela relatou. Infelizmente não dava pra ter um panorama geral do que estava acontecendo, já que ela era só uma criança, mas acho que a magica do livro é saber justamente saber como ela se sentia.
Abraços,
Amanda Almeida
http://amanda-almeida.com.br

Iris Pereira disse...

Oi,
Esse é um livro que sou doida p/ler, mas nunca consegui tempo p/isso. Depois da resenha fiquei ainda mais curiosa! Preciso arrumar um "vira tempo" para ler tudo o que quero! Rsrs
Bjs!
Viciados Pela Leitura

Estante Diagonal disse...

Oi Alê ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas todos que leem são todos elogios. Quero muito a edição em tecido, chegou a dar uma olhada?? Eu adorei!

Beijos,
Joi Cardoso
Estante Diagonal

Kétrin Galvagni disse...

Oi Alê, tenho tanta vontade de ler esse livro, tanto por conhecer mais da história de Anne, e quanto porque eu amo diários, adoro livros que são diários! Em especial estou doida pela edição nova que foi lançada!

Beijos

http://www.oteoremadaleitura.com

Criticando por aí - Caroline disse...

Oi Alê, como vai?

Este é um dos livros que estão categorizados como "tenho, mas ainda não e morro de vontade de ler". É um clássico, só ouço falar bem dele, ainda mais que faz parte da história do mundo! Espero ler em breve!

Beijos,
Caroline, do criticandoporai.com.br

Sil disse...

Eu li esse livro quando tinha uns doze anos e foi meu primeiro contato com algum livro dessa época. O livro é mesmo enfadonho em algumas partes, mas eu gostei bastante dele. Queria até conhecer o local.

Blog Prefácio

Alessandra Tapias disse...

Eu li este livro há tempos. Na verdade era uma pré-adolescente, rs.
Me lembro que chorei, me coloquei no lugar dela, sofri horrores, sonhei com aquele quartinho. AFFF. Nem gosto de me lembrar.
Queria ler de novo agora, talvez eu o visse com outros olhos.
Amei a resenha!!!

Bjkssssssss

Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

Ana Clara disse...

Oi Alê!

Eu li esse livro há tanto tempo que quase não me lembro mais o conteúdo. Eu sei que é muito sofrido e que senti um vazio gigante após terminar a leitura. Morro de vontade de reler o livro, mas ele é bem complicadinho de encontrar, mesmo tendo sido relançado.

Beijo!
http://www.roendolivros.com/

Teca Machado disse...

Alê, apesar de o meu pai ter um exemplar dos anos 1960 desse livro, super antigo, nunca li, acredita?
Gosto muito do tema II Guerra Mundial, mas preciso estar psicologicamente preparada.
Eu também achava que tinha um cunho histórico, mesmo sendo diário.
Um dia eu enfrento esse livro, hehe.

Beijoooos

www.casosacasoselivros.com

Rafaela. disse...

Oi, Alê!

Sempre gostei de estudar a Segunda Guerra Mundial e li "O Diário de Anne Frank" pela primeira vez com 13 anos - me apaixonei, chorei e fiquei absurdamente tocada com a história de Anne. Em suma, o livro realmente mexeu comigo e Anne, através do diário, tornou-se uma amiga distante.
Tenho duas edições antigas, mas sinto-me tentada a comprar essa nova edição rs. Eu a achei muito linda - diferente daquela edição de luxo que não me agradou nem um pouco!

Beijocas.
http://artesaliteraria.blogspot.com.br

Helana Ohara disse...

Um dos meus livros mais desejados master. Acho que todo mundo deveria ler O Diário de Anne Frank, daria mais sentindo na vida.
Li quando estudava na faculdade e nem tinha blog ainda - mais tenho uma vontade louca de compra-lo.


Beijinhos, Helana ♥
In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

RUDYNALVA disse...

Alê!
Sempre achei que todos deveriam ler esse livro, justamente porque mostra a visão infantil/adolescente de uma criança(?), até certo ponto ingênua a princípio que não tem noção real do que acontece, apenas depois percebe o horror do holocausto.
Nem imagino o que ela e outras pessoas passaram naquela época, porém sempre aprecio esse tipo de leitura por ser verídica, arrasadora e forte no sentido de densa.
Desejo uma semana cheinha de energia positiva!
Cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

Mariana Ogawa disse...

eu já tentei ler várias vezes esse livro, mas sempre acabo abandonando. a razão é a mesma coisa que me atrai, mas depois de um tempo me irrita (eu sei que é contraditório) o fato de você não ter ideia do que realmente está acontecendo, por isso que eu preferi um documentário que pegava as parte do diário e encaixava com o todo.
mas definitivamente é uma parte da história que a gente tem q ter conhecimento!

Lettícia Gabriella disse...

Que blog mais lindo! Que resenhas maravilhosas! Como eu não conhecia antes? Eu tenho muita vontade de ler O Diário de Anne Frank, já tive a oportunidade de ver alguns quotes, mas sempre que vou comprar fica aquela dúvida. A história dela é sofrida, mas bonita do seu próprio jeito. Ainda vou ler! Ha, gostei muito da resenha <3 Um beijo : *

fleurdelune.com.br

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