segunda-feira, 17 de agosto de 2015

RESENHA: Pequenas Grandes Mentiras

“Nunca lhe passara pela cabeça que mandar o filho para a escola seria como voltar à escola também.” (MORIARTY, p.111, 2015)

Já dizia Agatha Christie: “Minha especialidade são crimes familiares”. Sua escolha não era à toa, já que poucos relacionamentos podem ser tão cheios de mágoas e segredos (e mentiras) como os vivenciados na intimidade do círculo familiar. É disso que Liane Moriarty se aproveita para fazer seu ótimo “Pequenas Grandes Mentiras”.

Na noite do Concurso de Perguntas do colégio de Pirriwee, regada a coquetéis e desavenças entre os pais das crianças do jardim, uma pessoa morre. Acidente ou assassinato? Não se sabe. O fato é que uma pessoa está morta. Voltando seis meses antes da noite fatídica, será possível acompanhar os eventos que levaram a tal acontecimento.

O foco de “Pequenas Grandes Mentiras” é a noite da morte e a narrativa em terceira pessoa se torna envolvente e intrigante ao intercalar os acontecimentos que a antecederam com comentários posteriores ao evento. Esses comentários são como pequenas frestas por onde o leitor espia na tentativa de desvendar o que aconteceu, ficando cada vez mais curioso. Incrível como sempre tem um comentário que faz você querer continuar lendo mais um pouquinho.

Não que o restante do livro não faça. Na verdade, mesmo que “Pequenas Grandes Mentiras” nos guie a descobrir o que aconteceu naquela noite, sua história é o drama de três personagens principais: Madeleine, uma mulher forte e decidida que adora fazer compras e vive um casamento feliz com o segundo marido e dois filhos pequenos, embora guarde rancor do ex que a abandonou com sua filha recém-nascida (agora uma adolescente que tem uma predileção incompreensível pela madrasta); Celeste, uma mulher linda, mãe de gêmeos, que vive em uma mansão com o marido lindo e riquíssimo, mas cujo casamento não é tão perfeito quanto parece; e Jane, uma jovem de 24 anos, nova na cidade, mãe de um adorável menino fruto de uma noite de bebedeira, que já chegou atraindo a atenção por ter o filho acusado de bullying no primeiro dia de aula. Mesmo tendo personalidades bastante distintas, as três se unem em uma amizade que acaba também sendo um elemento importante da trama.

Moriarty toma seu tempo para nos contar a história e os acontecimentos avançam lentamente porém jamais se tornam monótonos. É preciso tempo para entendermos essas personagens porque é preciso tempo para que elas nos revelem seus problemas (e as camadas que os formam, afinal, nada é tão simples como parece, principalmente quando se trata de questões familiares), da mesma forma como novos amigos fariam. Quando percebemos, já estamos afeiçoados a elas, torcendo para que nenhuma tenha sido a vítima ou precise arcar com seja lá qual for o crime que possa ter cometido.

Existem milhares maneiras de se contar uma mesma história e é a escolha do autor que a transforma em um livro ótimo ou medíocre. No caso de “Pequenas Grandes Mentiras”, ao escolher nos revelar nas primeiras páginas que haverá uma morte e intercalar comentários sobre esse evento com os acontecimentos que levaram a ela, Moriarty transforma em suspense o que poderia ser apenas um drama, nos fazendo encarar aqueles seis meses que antecedem a noite do concurso como causa para um evento. Lemos para descobrir a causa de uma consequência já conhecida. Caso contasse em ordem cronológica, leríamos para saber a consequência daqueles acontecimentos, daqueles dramas e daquelas picuinhas que se somam. O que teria mais impacto? Difícil saber. Para mim a história teria funcionado dos dois jeitos, inclusive porque vejo “Pequenas Grandes Mentiras” mais como um drama do que como um thriller. A verdade é que Liane Moriarty criou uma trama tão bem amarrada que conseguiria fazer a história dessas três mães funcionar mesmo sem o artificio de sabermos que tudo o que estamos lendo culminará em uma morte. Os dramas são interessantes o suficiente para o leitor desligar das perguntas “quem morreu?”, “foi acidente ou assassinato?” e “quem matou?” e apenas acompanhar o desenrolar dos eventos.

Ao associar os dramas familiares a eventos escolares, a autora tem oportunidade de levantar duas questões sérias: o bullying e a violência doméstica. Aliás, quem está de fato praticando bullying também é uma das perguntas que o leitor se faz durante todo o livro. E essa é outra coisa que faz com que “Pequenas Grandes Mentiras” funcione: temos várias subtramas e cada uma guarda um segredo. É por isso que embora eu já desconfiasse de certa revelação desde o começo, o impacto do desfecho se manteve pois também conseguiu ter uma dose de surpresa.

Independente de ser visto como um drama ou um thriller, lido para desvendar a morte misteriosa ou descobrir o que acontecerá com essas mulheres, “Pequenas Grandes Mentiras” não decepciona.

Título: Pequenas Grandes Mentiras (exemplar cedido pela editora)
Autora: Liane Moriarty
N° de páginas: 399
Editora: Intrínseca

24 comentários:

Mariele Antonello disse...

Achei a capa do livro bem interessante, mas não sei se leria, acho que não é aquele tipo de livro que me chama a atenção e me prenderia na leitura, mas quem sabe futuramente eu não mude de ideia e resolva ler.
Sua resenha está muito boa.

Gabriela CZ disse...

Depois do sucesso de O Segredo do Meu Marido a autora já estava na minha lista, e agora você a fez subir algumas posições, Mari. [rs] Me pareceu que ela deu uma abordagem brilhante a uma história que por si só já é incrível. Precisarei conferir. Ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Caverna Literária disse...

Uow, que livro maravilhoso! Só pela resenha já fiquei doida pra ter as respostas, e o fato de o livro ser tão envolvente a ponto de nos desligar das questões mostra como a história consegue prender até a última página!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
Tem resenha nova no blog de "Scarlets", vem conferir!

Luis Carlos disse...

Cada vez que vejo uma resenha de thriller aqui, mais pobre eu vou ficando hahaha Eu ainda não conhecia o livro, e se eu o visse em uma livraria, com certeza passaria direto, pois eu não iria me agradar com a capa. Mas, lendo a resenha, pude perceber que o livro é ótimo! Eu adoro livros de suspense, que contém aquela história que deixa o leitor muito intrigado, e isso fez com que eu me interessasse pelo livro. Adorei a resenha!

Paola Severo disse...

Oi Mari, adorei a resenha, gosto muito desta mistura de drama com suspense, acho que faz uma história muito interessante de ler! :)

Beeijos, Paola
uma-leitora.blogspot.com.br

Sil disse...

Olá Mari.
Essa é a primeira resenha que leio desse livro. Fiquei muito curiosa com ele. Eu gosto das duas maneiras que você citou sobre contar uma história, mas a maioria dos livros contam em ordem cronológica e depois vai para as consequências, são poucos que fazem o contrário, pelo menos os que eu li hehe. Me interessei e vou ler sim.

Blog Prefácio

ludmila cabral disse...

a capa eh bonita e historia realmente me atrai, nunca tinha lido resenha do livro entao nem sabia ao certo o que dizia, amei a sua, muito bem escrita e traz os conceitos e pontos do livro... c certeza dps dela irei ler o livro!
tonsdeleitura.blogspot.com

Luiz Paulo Nunes disse...

Apenas com uma olhada superficial pela capa da pra notar que a autora preza por historias em ciclos familiares, o que se bem contado pode ser bem interessante, mas confesso que fiquei com uma pulga atras da orelha, curioso e incerto a respeito desse livro, quero dizer alguém morre e eles dizem no começo, mas não dão motivo nem nada? Quem morre é criança, certo? Fiquei intrigado...
http://www.interruptedreamer.com/

Jéssica Soares disse...

Oi, Mari! Tudo bem? Estou louca para ler "O segredo do meu marido" da Liane Moriarty, o livro está no topo da minha lista de desejados, mas acredito que o "Pequenas grandes mentiras" também pode ser um início de contato interessante com a autora. Normalmente, sou levada a crer que o melhor é descobrirmos o desfecho em sua ordem cronológica, pouquíssimos livros que li que contam o final foram bacanas, então tenho esse receio, mas também imagino que a autora possa dar conta do recado depois que li várias resenhas positivas. Estou na expectativa! Bjs
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Bárbara Carollo disse...

Oi Mari!
Quero ler esse livro há um bom tempo e ler sua resenha despertou o interesse em mim novamente!!
Sempre vejo comentários positivos sobre a escrita da autora e fiquei curiosa para conferir esse drama!
Beijos :-*

http://versosenotas.blogspot.com.br/

Livros leituras e leitores disse...

Oi Mari!
Eu já estava entusiasmada por ter lido "O Segredo do meu Marido", e essa parece mais uma história incrível da autora, ou até melhor!
Até o momento só vi criticas positivas.
Com certeza já está na minha listinhas de próximas leituras ;)
Beijos
Dri

Alyne Lima disse...

Olá, tudo bem?
Senão me engano já tinha lido outra resenha desse livro,e curti muito!
Curti o blog!
Beijos!

Participe do TOP comentarista no blog: http://meusdespropositos.blogspot.com.br/ ainda dá tempo!

Diane disse...

Olá ...
Quando esse livro foi lançado fiquei bastante interessada na leitura , principalmente pelo sucesso dos livros anteriores da autora .
Ainda pretendo ler :)

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

The Nice Age disse...

Oi Mari!

Que resenha maravilhosa! Quero muito ler os livros dessa autora, todo mundo fala muito bem. Parece mesmo ser uma leitura envolvente e isso só me deixou ainda mais curiosa.

Beijos!

Cintia
http://www.theniceage.blogspot.com.br/

Inês Gabriela A. disse...

Olá,
Eu tenho outro livro dessa autora aqui em casa, versão Portugal, ainda não li, mas minha mãe sim e simplesmente adorou. Ficou falando da obra pra mim durante dias, da complexidade dos personagens e etc. Elogiou tanto a autora que já tenho certo apresso por ela antes mesmo de conhecer, estou curiosa por esse livro, só não curto a capa.
Beijos.
Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

Ycaro Brito disse...

Pra começar, Pequenas Grandes Mentiras é um título instigante e traz uma certa ambiguidade em relação ao livro. A sinopse apresenta quase um conto policial quando o assunto é descobrir, acidente ou assassinato? Acho que essa história prenderia qualquer pessoa que deseja a verdade.

suzana cariri disse...

Oi!
Gostei bastante do livro e como ele mistura o mistério com essas relações família, também gostei dos temas que o livro trás, e achei legal essa combinação de subtramas acaba dado mais movimento a historia nos deixando cada vez mais curiosos !!!

Aguida Sampaio disse...

Achei a capa bem diferente e interessante.
Não me interessei muito pelo livro, mesmo tendo achado a história com uma ideia boa. Só que não consegui sentir a história fluir dentro de mim. Sempre tem aqueles livros que só de ler a sinopse você já pensa: "eu preciso lê-lo" mas, tem uns que isso não ocorre. Foi o caso de "Pequenas grandes mentiras". Fica para uma próxima.

Bjs

RUDYNALVA disse...

Mari!
Dramas familiares pode trazer bons livros, principalmente se os assuntos abordados envolvem bullying e violência doméstica, ainda o tornam mais fortes.
Se há um crime no meio, atiça ainda mais minha curiosidade.
Gostaria muito de ler esse livro.
Desejo uma ótima semana, cheia de luz e paz!
“A alegria evita mil males e prolonga a vida.”(William Shakespeare)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
Participem do nosso Top Comentarista!

Ana I. J. Mercury disse...

Que legaaaaal!! Amei sua resenha! É a primeira que leio desse livro, e estou curiosa para le-lo desde seu lançamento, porque tinha lido várias resenhas do livro anterior dessa autora e fiquei bem curiosa, então agora quero muitoooo ler os dois, rsrsrs
amoooo esses livros de dramas familiares, até porque com eles posso ver que minha família é muitooooo legal mesmo kkkkkkk
A capa desse também é divina!
bjs

Becca Martins disse...

Oi Mari!
Imagina um ser que achava que este livro era de romance kkkkkkk
Nossa me enganei profundamente! Eu não sou muito fã de thrillers, eu tenho este defeito de sempre começar a ler um e nunca chegar a de fato concluí-lo.
Então mesmo a história não tendo te decepcionado e de fato parecer interessante, acho que vou deixar passar justamente por este ''defeito''.
Beijos!!
umlugarparaleresonhar.blogspot.com

Letícia Souza disse...

Oie
Eu já li um livro da escritora e gostei muito da sua narrativa intercalada entre os personagens.E como apreciei demais sua história pretendo ler esse livro também.Adoro como os fatos acabam unindo a vida das protagonistas e acompanhar seus próprios dramas.E capa desse livro está fantástica.

Patrini Viero disse...

Preciso dizer que esse livro me desperta curiosidade faz algum tempo. Sou apaixonada pelos dois gêneros que a autora utilizou em sua trama, e fico muito curiosa para conferir por mim mesma como ela mesclou as características tão diferentes que ele possui. Além disso, o fato de todas as subtramas presentes na obra chamarem atenção, tratarem de temas importantes e ainda por cima terem também segredos a serem desvendados me atrai muito e me deixa instigada já com o enredo. Adorei tua resenha!

Lápis & Livros disse...

Engraçado eu nunca imaginei que esse livro fosse também uma espécie de thriller. Achei que era só um drama familiar. Gostei de saber disso porque acaba dando um toque a mais a história.
Ainda não conheço essa autora. Mas estou com esse e outro livro dela aqui pra ler. Espero conseguir logo porque fiquei curiosa.
Muito boa a sua resenha!
Bjos Carla
Lápis & Livros - http://lapiselivros.blogspot.com/

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