domingo, 13 de setembro de 2015

RESENHA: A Casa das Marés

“Às vezes se perguntava como era possível estar tão longe do mar e ainda assim ter a sensação de que estava se afogando.” (MOYES, p. 314, 2015)

Constantemente vejo os livros de Jojo Moyes serem muitos elogiados, o que despertou minha curiosidade para conferir alguma obra da autora. Infelizmente, não entrei para a sua legião de fãs.

Na década de 50, a cidade litorânea de Merham vive sob rígidas regras sociais. É lá que vive a família Holden com seus filhos Celia, Sylvia e Freddie e a jovem Lottie, acolhida pela família depois da guerra. Celia e Lottie são tão amigas que parecem irmãs, mas as coisas começam a mudar depois que um grupo de artistas se muda para a região, trazendo vida à mansão Arcádia. 50 anos depois, Arcádia será convertida em hotel e a reforma trará à tona sentimentos do passado.

Sempre tive a impressão que os livros de Jojo Moyes eram mais do que meros romances e era isso que me atraia já que dificilmente me interesso por tramas que girem em torno exclusivamente de histórias de amor. Por isso minha leitura de “A Casa das Marés” foi tão desastrosa porque a trama nada mais é do que um desfile de histórias de amor novelescas. Mas, mesmo reconhecendo que não sou o público dos livros de Jojo Moyes acho que o livro apresenta falhas.

Uma delas é o tempo desperdiçado pela autora. Mesmo que a história abranja um período de 50 anos, os acontecimentos narrados não são compatíveis com um livro de quase 500 páginas porque são bastante escassos. Da forma como vejo, as primeiras 80 páginas são absolutamente dispensáveis já que nada acontece, servindo apenas para apresentar os personagens. Isso se torna um problema porque eles são tão unidimensionais que não precisam de todo esse espaço para serem apresentados (Lottie é a menina que sabe que não é parte da família, mas se sente grata e gosta da vida local. Celia é aquela que quer explorar horizontes. A Sra. Holden é a matriarca que zela pelos bons costumes). Essas páginas poderiam ainda se justificar caso fizessem o leitor mergulhar na atmosfera da década de 50, mas isso tampouco acontece. Dessa forma, os costumes e atitudes acabam parecendo tolos aos nossos olhos tantas décadas depois, o que deixa tudo desinteressante. É claro que a verdade do personagem não precisa ser a nossa para que possamos nos interessar e acreditar nele. Lembro de um livro em que o drama da personagem me pareceu exagerado, mas a autora fez um ótimo trabalho mostrando porque a personagem se sentia assim, de forma que fui capaz de acreditar nela e aceitar, coisa que Moyes não faz.

E se a partir do momento em que Celia retorna para a sua cidade natal, trazendo consigo o noivo, a história realmente tem início, mesmo isso não significa o fim dos problemas porque o que e segue é uma sucessão de clichês. Já disse antes e repito: estou disposta a aceitar um clichê de vez em quando desde que se justifique e seja aproveitado para algo interessante. Mas os que Moyes usa nem ao menos fazem sentido. Não bastasse fazer o leitor encarar mais uma história de duas grandes amigas apaixonadas pelo mesmo homem, ainda exige que ele aceite que a paixão de uma delas é um caso exagerado de amor à primeira vista (outro clichê) que mal pode ser considerado amor já que por um longo período de tempo a moça fica trancada no quarto para não precisar ver o homem por quem se apaixonou e não pode ter (clichê de novo). Ora, se nem ao menos ela fala com o homem, é de se supor que ela não o conhece, sendo assim, como é possível amá-lo tão perdidamente? Além disso (e de outros clichês que se seguem), não é dada ao leitor a chance de entender o porquê deste personagem despertar sentimentos tão intensos nessas duas mulheres, fazendo desse triângulo o tipo de história que você precisa acreditar na palavra de alguém para saber que é verdade, mas sem prova nenhuma.

O livro é dividido em três partes e na segunda avançamos 50 anos no tempo, o que inclui novos personagens e elimina quase todos da primeira fase. Mas trazer a história para os nossos tempos parece piorar os problemas já que o novo grupo também enfrenta problemas amorosos do tipo “tempestade em copo d’água”. Além disso, apesar de criar arcos para os protagonistas contemporâneos, a verdade é que essa fase só existe para poder atar as pontas da primeira e transformar a história em um caso de amor capaz de sobreviver ao tempo e a distância. Pensando bem, algo semelhante acontece com os personagens da primeira fase que são praticamente jogados fora, sem ganhar desenvolvimento naquele momento ou permitir que o leitor saiba o que lhes aconteceu depois. Ou seja, a única história que realmente importa é um romance que não convence e que, de fato, nem chega a ser desenvolvido. E aqui chegamos ao cerne do problema do livro: diversos arcos, nenhum bem aproveitado.

“A Casa das Marés” é o segundo livro da autora e seis se seguiram antes que ela escrevesse o aclamado “Como eu era antes de você”, então é possível que seu estilo tenha mudado e suas tramas ficado mais coesas e menos tolas, mas perdi a vontade de descobrir.

Uma das palavras que mais vejo descrevendo os livros de Jojo Moyes é “emocionante”, mas não a uso porque simplesmente não consigo me emocionar com algo em que não consigo acreditar.

Título: A Casa das Marés (exemplar cedido pela editora)
Autora: Jojo Moyes
N° de páginas: 476
Editora: Bertrand Brasil

19 comentários:

Inês Gabriela A. disse...

Olá,
Eu só li um livro da autora, o mais famoso e foi por acaso, confesso ter gostado, mas não cheguei a ter tamanho envolvimento emocional, hoje me pego com Em Busca de Abrigo que a editora me enviou, mas não faço a mínima ideia de quando lerei. Enfim, adorei o quote inicial e lamento pela decepção.
Beijos.
Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

Nana Barcellos disse...

Oi Mari,
Ainda não li nada da autora porque fico exatamente com receio de não gostar.
Prefiro pegar sem muita expectativa.
Uma pena que você tenha decepcionado. Achei estranho esse fato da passagem de tempo, parece deixar a narrativa confusa.

Ótima resenha.

bjs
Nana - Obsession Valley

Suelen Azevedo disse...

Aah, Jojo Moyes! *--*
Antes tinha como a minha escritora preferida a Paula Pimenta, depois de ler "Como Eu Era Antes de Você" me apaixonei pela escrita da Jojo.
Amo as capas dos livros e as histórias que ela escreve e já coloquei "A Casa das Marés" na minha já extensa listinha de leitura. *--* HAHA

Beijos.

oeraumavezdeverdade.blogspot.com

Nathália Lopes disse...

Olá!
Nunca li nada da autora, mas penso um dia em ler Como Eu Era Antes de Você, para dar uma chance haha Não sei se esse livro faz meu estilo. Gostei da sua resenha :) Bem objetiva e clara.
Beijos, Nathália
livrosdagarotavermelha.wordpress.com

Ana Clara disse...

Oi Mari!

Eu só li Como Eu Era Antes de Você da Jojo e sim, assim como todo mundo, morri de amores. Vejo muitas pessoas falando que os primeiros livros dela são realmente muito diferentes (para não dizer ruins, né?). Confesso que eu gosto de um clichêzinho de vez em quando, mas um livro todo composto de clichês não é a minha praia... Fico triste por saber que uma autora que gosto tanto escreveu algo tão... Ruim...

Beijos!
http://www.roendolivros.com/

Ju Goulart disse...

Oi Mari, eu li A Última Carta de Amor da autora, e amei a história. Não deixa de ser, em grande parte, romance, mas vai além, já que conseguimos conhecer os personagens a fundo e sua ambientação também. Tenho Baía da Esperança, também uma das obras iniciais da autora em casa, e imagino que, como essa, deve ser mais rasa também. Porém, acho que vale dar mais uma chance para a autora, já que ela tem muita coisa boa a demonstrar nos outros livros, viu?

Beijos

Diane disse...

Olá ...
Apesar de zilhões de comentários positivos da escrita de Jojo eu nunca li nada dela .
Me desanimei um pouco na leitura pelo fato de avançar muito no tempo .
Beijos

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Camila Monteiro disse...

vc precisa ler "Como eu era antes de você". É de partir o coração. Lindo lindo lindo e vai virar filme! Esse eu não conhecia, vou dar uma pesquisada e talvez de uma chance a obra.

Gabriela CZ disse...

Também vejo diversos elogios à autora que me deixam curiosa, mas seus comentários me deixaram com um pé atrás, Mari. Afinal, também não sou dada a romances água com açúcar. Todavia, pode ser um dos casos de começar pelo livro errado. E certamente não começarei por esse. Enfim, ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Rafaela Hübner disse...

Oie, td bom?

Eu li recentemente o "Como eu era antes de você" da autora, e gostei (mas considerando que eu gosto de romances). A autora até traz alguns temas fora do romance, como paraplegia e eutanásia, mas o plot principal é o romance mesmo.
Pretendo ler outros livros dela, mas sem pressa hehe

Beijos!
Arrastando as Alpargatas

Alice Duarte disse...

Oii Mari

Eu ainda não li nada da Jojo Moyes, mas tenho dois livros dela que ganhei de presente e ainda não comecei a ler. Tenho trauma dessea autores muito festejados, falados, elogiados, seguidos, etc etc, já tive decepções com "modinhas", por isso já aprendi a sempre começar com as expectativas bem baixas, se me surpreender, ótimo...rsrs. Eu amo histórias de amor, mas Só histórias de amor fica cansativo, não sei, acho que há o momento em que sentimos vontade de ler algo aconchegante como um romance e outros momentos que não, estou esperandoe star no meu momento para ler os livros dela...rsrs

Beijokas

naprateleiradealice.blogspot.com.ar

Rízia Castro disse...

Amo a Jojo e estou louca para ler esse livro.
Que pena que você não se identificou. Acontece, leituras melhores virão.
Beijinhos
Rizia - Livroterapias

Teca Machado disse...

Oi, Mari!
Ah, que pena! Os outros livros dela são tão maravilhosos, sabe?
Talvez você não tenha mesmo começado com o melhor.
Como Eu Era Antes de Você e Um Mais Um são incríveis e não giram só em torno do amor, muito pelo contrário.
Dá uma chance para eles. Quem sabe, né?
Comprei o Casa das Marés, mas ainda não li. Acho que não vou deixar ele tão na frente da fila de leituras, então... Hehe.
Só de saber que nas primeiras 80 páginas não acontece nada... ZZzZzzZZz

Beijoooos

www.casosacasoselivros.com

Desbravadores de Livros disse...

Olá, Mari.
Elogios excessivos, principalmente quando se trata de romances românticos, me deixam desconfiados. Eu tinha vontade de ler algo da autora, mas meu pé atrás nunca deixava. Medo de perder tempo, sabe? Agora, lendo a sua resenha, imagino que muito provavelmente eu estava certo. Você tem um gosto literário bem parecido com o meu, então acredito que a minha opinião será relativamente similar a sua.
Apesar da autora ter lançado outros livros e possivelmente ter evoluído, acho que a sua resenha me serviu de prova real.
Dificilmente arriscaria meu tempo com a obra.

Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

Ycaro Brito disse...

Mari, eu estou bem curioso para ler um livro da Jojo Moyes. A Casa das Marés possui uma capa e estória incríveis. O azul na capa é fascinante para mim. Fiquei triste, assim como você, pela estória repleta de amor na trama da Jojo. Vou adiar esta leitura!

Cecília Maria disse...

Oi, Mari,
Eu sou super suspeita para falar da Jojo pois faço parte da legião de fãs. Eu comecei por Como Eu Era Antes de Você e depois li A Garota Que Você Deixou Para Trás, A Última Carta de Amor e Um Mais Um, todos da Intrínseca. Recentemente fiquei sabendo desses livros publicados por outras editoras, mas ainda não tive a oportunidade de ler nenhum.
Pelo que vi na sua resenha, A Casa das Marés segue a mesma linha de A Garota Que Você Deixou Para Trás, em que a autora cruza a história de mais de uma personagem em épocas diferentes e confesso que esses livros tendem a ser mais confusos mesmo. Aliás, achei o enredo bem semelhante com este livro que citei. Ainda assim, gosto bastante da escrita de Jojo e da forma como ela expõe as temáticas. Confesso que sou uma grande amante de romances e me emociono fácil, então posso ter certa facilidade para gostar dos livros da autora.
Não sei bem qual seu estilo de livro, mas se quiser ler mais alguma coisa da Jojo, numa outra tentativa, eu recomendo Como Eu Era Antes de Você. É o mais conhecido por algum motivo, né? As pessoas tendem a gostar bastante dele. E Um Mais Um é bem levinho, divertido e o romance não é tão exagerado assim. Uma das leituras mais agradáveis que já fiz.
No mais, adorei sua resenha. Bem completa e com suas opiniões sobre o livro bem expostas e explicadas :)
Beijo

www.blogrefugio.com

Rafaela. disse...

Oi, Mari!

Até agora tive muito pouco interesse em ler os livros da Jojo - devido ao drama. Um ou outro pode chamar minha atenção, mas não ao ponto de ir correndo comprá-lo.
Uma pena que este livro tenha sido uma decepção para você, é péssimo quando não acreditamos na história e seus personagens.
Ótima resenha.

Beijocas.
http://artesaliteraria.blogspot.com.br

Jéssica Peixoto disse...

Oi Mari!
Ainda não li nada da Jojo, mas confesso que tenho muita curiosidade!
Esse livro dela já ouvi falar realmente que não é dos melhores que ela já escreveu, por isso quero ler de cara o mais famoso pra ver o que acho, hehe. Aí se gostar, continuo lendo as outras obras, apesar de não ser grande fã de romances.

Um beijo,
winterbird.com.br

Gus disse...

N li nenhum livro da autora, mas quero ler Um Mais Um e Como eu era antes de você. Queria ler esse tb, mas n vi mtas criticas positivas, entao nao vo nem tentar :/

www.cidadedosleitores.blogspot.com

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