domingo, 20 de março de 2016

RESENHA: O Constante Correr das Horas

“— O passado e o futuro nunca vão estar com você. — diz ela. — Você só vai ter o que tem agora. Nem mais nem menos.” (GO, 2015, p. 227).

***

Tristan recentemente terminou a graduação quando é contatado por um escritório de advocacia situado em Londres, informando-lhe sobre uma possível herança. É então que ele descobre que sua bisavó, Imogen, nunca teve interesse em receber uma grande fortuna deixada por sua paixão da juventude, Ashley. Porém, para ter direito à herança, Tristan precisa encontrar provas de que Imogen teve uma filha e para isso ele larga sua vida nos Estados Unidos e parte para a Inglaterra. 

A narrativa de O Constante Correr das Horas é dividida em dois momentos: no presente, mostrando o ponto de vista de Tristan na busca de informações que provem seu direito à herança, e no passado, revelando a estória de Ashley e Imogen. Fiquei com a sensação de que os capítulos destinados a Tristan eram mais dinâmicos e ágeis, enquanto os dedicados a Ahsley e Imogen eram mais descritivos e monótonos. 

Apesar do relacionamento entre Ashley e Imogen ter um início rápido e se tornar uma paixão avassaladora, em nenhum momento o romance me pareceu inverossímil. Creio que tanto as circunstâncias quanto a personalidade dos personagens autorizavam um envolvimento explosivo e marcante. Entretanto, devo confessar que não simpatizei com o casal, especialmente com Imogen e seu jeito imaturo de enxergar o mundo. 

Já Tristan é um personagem muito mais fascinante. O jovem sempre sonhara em conhecer a Europa e agora tem em sua frente uma oportunidade muito maior do que seus sonhos mais surreais. Entretanto, logo percebemos que o desprendimento de Tristan não se deve apenas a isso, mas também a uma busca de sua própria identidade. Um recurso interessantíssimo utilizado pelo autor foi criar uma narrativa em primeira pessoa que se foca em fatos externos. Ao não se prender nos sentimentos e pensamentos, o leitor percebe de forma sútil que o protagonista é uma pessoa reservada, que não gosta de falar sobre si mesmo e, sobretudo, que está descobrindo quem realmente é. 

Quanto a investigação levada a cabo por Tristan, devo confessar que houve uma sucessão de golpes de sorte que não me convenceu. Considerando que Ashley havia morrido há quase oitenta anos, seria de se supor que a maior parte das provas documentais teria se perdido. Mas Tristan encontra as trocas de cartas do casal em locais inusitados, a despeito da passagem do tempo. E se fossem episódios isolados até daria para aceitar, mas Tristan encontra documentos inúmeras vezes. E creio que no final do livro, até mesmo o autor percebeu tal detalhe, pois criou uma justificativa para tamanha sorte. 

O desfecho é um pouco frustrante para aqueles que gostam de finais fechados, com todas as explicações. A meu ver, digo que o autor foi ousado em deixar de fora uma resposta crucial, mas considerando-se o contexto, creio que o leitor pode tirar suas próprias conclusões. 

Geralmente gosto de estórias que mesclem presente e passado e que façam com que o leitor tenha a tarefa de ir montando um grande quebra cabeça. Entretanto, a trama de O Constante Correr das Horas era relativamente simples, sendo o único ponto de contato entre presente e passado a necessidade de provar o vínculo sanguíneo entre os protagonistas. Como consequência, minha expectativa voltou-se para a jornada de Tristan. E mesmo sendo ele um personagem complexo, não posso dizer que sua jornada tenha sido empolgante ao ponto que eu esperava. 

Apesar dos pequenos deslizes, O Constante Correr das Horas certamente apresenta o potencial de Justin Go e não tenho dúvidas de que lerei seus próximos livros. 

Título: O Constante Correr das Horas (exemplar cedido pela editora)
Autor: Justin Go
N.º de páginas: 440
Editora: Intrínseca

19 comentários:

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Alê!
O título do livro me chamou bastante atenção, assim como a capa.
Apesar de conter alguns aspectos que me incomodariam, eu leria o livro como forma de sair de uma ressaca. Por isso, anotei a dica.
Beijos
Balaio de Babados
Participe do sorteio Mês das Mulheres em Dobro
Porcelana - Financiamento Coletivo

Gabriela CZ disse...

Lembro que quando o livro foi lançado fiquei curiosa, mas já não lembrava mais da sinopse. É uma premissa interessante, Alê. E apesar dos deslizes que você mencionou acho que conferiria por causa de Tristan. Ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Sozinha Na Biblioteca disse...

Oi Alê, gosto bastante de histórias que intercalam passado e presente. Achei a sinopse do livro bem interessante, não conhecia o autor. Fiquei curiosa pela história, leria o livro se tivesse oportunidade.

Abraços!

http://sozinhanabiblioteca.blogspot.com.br/

Diane disse...

Oi...
Por mais incrível que pareça, eu não conhecia esse livro! Fiquei bem interessada em ler, pois, adoro livros que mesclam passado e futuro. Pelo que você resenhou acho que vou gostar bastante do personagem de Tristan.
Beijos

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Diane disse...

Oi...
Por mais incrível que pareça, eu não conhecia esse livro! Fiquei bem interessada em ler, pois, adoro livros que mesclam passado e futuro. Pelo que você resenhou acho que vou gostar bastante do personagem de Tristan.
Beijos

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Sil disse...

Olá, Alê.
Eu não conhecia esse livro ainda, a não sei se quero ler. Até me interessei porque gosto de livros assim, onde o autor mescla histórias do presente e do passado, mas fiquei na duvida porque você falou que a história do passado é meio monótona e a atual feio meio na sorte. E também não sei sobre o final. De vez em quando, não é sempre, gosto de finais abertos, mas prefiro preto no branco hehe

Blog Prefácio

RUDYNALVA disse...

Alê!
Na ficção tudo pode, né? Mesmo que não seja tão crível para o leitor.
Achei o tema bem interessante, principalmente pelo protagonista ir em busca de quem ele realmente é.
Gosto de passado e presente na leitura também...
“Saber de cor não é saber: é conservar aquilo que se deu a guardar à memória.” (Michel de Montaigne)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
TOP Comentarista de março com 4 livros 3 ganhadores, participem

Desbravador de Mundos disse...

Olá, Alê.
A premissa do livro é bem interessante e me chamou a atenção. Porém, acredito que essa constante sorte do protagonista me irritaria um pouco. Acho esse tipo de situação na literatura bem forçada.
Quanto ao final aberto, não tenho objeções. Muitas vezes até prefiro dessa maneira.

Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de reinauguração. Serão quatro vencedores!

Jess Sena disse...

Oi, tudo bem?
É a primeira vez que leio resenha desse livro. A sinopse chama minha intenção mas ainda não adquiri o livro pra ler. Por sinal, o vi de promoção essa semana haha
Pelo que comentou, acredito que vou gostar da leitura, mesmo com o final não tão fechado. :D
Bj


@saymybook
saymybook.blogspot.com

Vanessa Vieira disse...

Gostei da resenha Alê. Apesar de ter pecado em alguns aspectos - como você próprio descreveu - parece ser uma trama intrincada e interessante. Abraço!

www.newsnessa.com

Minhas Impressões disse...

Olá, Alê.
Gosto bastante das resenhas daqui, vocês sempre fazem uma análise interessante dos livros. Com esse não foi diferente. Eu me interessei por ele, gosto de narrativas em primeira pessoa, ainda mais quando ela revela sobre o personagem.
Abraços.

Cris Setúbal disse...

Também adoro livros que intercalam os capítulos entre o passado e o futuro, e apesar de ter ficado um pouco curiosa em relação ao livro, isso não foi o suficiente para querer lê-lo, pelo menos não agora :/. Achei a premissa do livro bem interessante, e lendo a resenha, fiquei com a impressão de que ela poderia ter sido melhor aproveitada. Beijo!

Ariane Reis. disse...

Oie Alê =)

Sabe que eu nunca dei muita atenção a esse livro. Porém mesmo com os pequenos deslizes que você comentou a premissa me deixou curiosa. É um livro que se eu tiver oportunidade vou dar uma chance sim.

Beijos;***

Ane Reis.
mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
@mydearlibrary

Tony Lucas disse...

Oi, Alê! Tudo bem? Adoro a capa desse livro e a premissa é até interessante, mas não sei... Os pontos negativos que você citou me incomodariam e por isso acho melhor não lê-lo.

Abraço

http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

Gabrielle Batista disse...

Gosto muito de livros que possuem relações entre o passado e o presente. Porém, não curti saber que a história não tem um desfecho bem definido, odeio quando o livro não apresenta as respostas que eu tanto esperava.

Theresa Cavalcanti disse...

Fiquei com um pé atrás para ler esse livro. Mas quem sabe?

Theresa Cavalcanti disse...

Fiquei com um pé atrás para ler esse livro. Mas quem sabe?

suzana cariri disse...

Oi!
Gostei do livro e achei a historia interessante, o Tristan parece ser mesmo um personagem bem interessante, mas acho que esse final ira me incomodar um pouco pois gosto de finais fechados !!

Carolina Garcia disse...

Olá, Alê!
Tudo bem?

Eu gostei muito da sua resenha, mas não fiquei inclinada a procurar esse livro agora. Até porque estou com a prateleira lotada também de livros a serem lidos e espero diminuir um pouco o número até comprar novos. xD

Mas também acho interessante essas histórias que nos obrigam a montar um quebra-cabeças que ligará passado e presente. ;)

Bjs

livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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