quinta-feira, 21 de abril de 2016

RESENHA: Half Bad

“— [...]. O seu verdadeiro eu não tem nada a ver com um Bruxo das Sombras. Você tem alguns dos genes de Marcus e alguns de Saba. Mas isso é físico. E não são o lado físico, os genes, seu dom que fazem você um bruxo das Sombras. Você tem que acreditar nisso. É o modo como pensa e age que mostra quem você é.” (GREEN, 2014, p. 93)

***

Logo que lançado, Half Bad fez um enorme sucesso no exterior e apesar de até ter uma premissa interessante, não me animei a dar início a mais uma série. Entretanto, este ano resolvi dar uma chance ao livro pois desejava uma leitura mais leve e descontraída, e foi exatamente isso que encontrei. 

A sociedade bruxa se divide em dois lados: os Bruxos da Luz e os Bruxos das Sombras. A inimizade entre os grupos é ferrenha, e por isso mesmo Nathan é considerado uma aberração: ele é filho de uma Bruxa da Luz com um Bruxo das Sombras, um dos mais poderosos e temidos que já existiu. E agora que seu aniversário de dezessete anos se aproxima, a tensão apenas aumenta, visto que ele irá passar pelo ritual que irá revelar seu dom e de qual lado da batalha ele pertence. 

Half Bad é narrado em primeira pessoa por Nathan, o que se mostrou uma boa opção. O protagonista cresceu sob um olhar de desconfiança, sendo tratado com desdém e até mesmo com violência, sentindo na pele a sensação de não pertencer a nenhum dos lados. Nathan não passa de um produto deste meio inóspito, de modo que o leitor entende desde o início o que motiva suas ações. Além de revelar todo este lado psicológico, Sally Green ainda apresenta ao leitor uma narrativa ágil somada a capítulos curtos, que tornaram a obra ainda mais dinâmica. 

Apesar de em um primeiro momento a batalha entre o bem versus o mal parecer um grande clichê, a autora não utilizou-se desta visão maniqueísta. Vemos repetidamente Bruxos da Luz agirem de formas cruéis e indecentes, enquanto Nathan, considerado meio luz e meio sombras, revela muito mais humanidade. Os confrontos entre os personagens mostram que nada é tão simples quanto preto no branco e que a linha que divide o bem do mal pode ser extremamente tênue. 

Outro personagem interessante e intrigante é Marcus, pai de Nathan. Mesmo acusado de ter cometido barbáries, não sabemos até que ponto as informações relativas a ele são verdadeiras, afinal, ele é o maior inimigo do Conselho dos Bruxos da Luz, órgão supremo desta sociedade. Creio que decifrar a essência de Marcus será um dos pontos altos da saga. 

O desfecho esbanja adrenalina e emoção, contando não apenas com embates de tirar o fôlego, mas também com uma corrida contra o tempo. Mesmo não sendo surpreendente, o final certamente empolga pelas consequências que serão exploradas nos próximos livros. 

Apesar do livro abordar um tema já batido, não posso deixar de observar que Green criou um mundo próprio, não se limitando a copiar outras estórias. 

Mesmo contanto com alguns clichês, Half Bad se destaca por conta de seus personagens interessantes e de sua narrativa envolvente, tendo potencial de sobra para ser uma saga memorável. 

Título: Half Bad (exemplar cedido pela editora)
Autora: Sally Green
N.º de páginas: 301
Editora: Intrínseca

19 comentários:

Bruna Lago disse...

Oi Ale.. Olha, vou te confessar que fiquei muito curiosa quanto ao livro. Esse estilo não é muito o que eu leio, já li um ou dois. Mas o que eu gostei bastante da sua resenha foi não deixar transparecer quem lado ele fica no final, e isso fez sua resenha ficar mais intrigante. Acredito que Marcus não seja de todo mal, já que se apaixonou por uma da luz. E eu achei interessante também o fato das pessoas da luz fazerem coisas ruins, isso foge um pouquinho daquilo que a gente espera, o que é bom.
Bom dia !

Thalita Branco disse...

Olá Alê!
Na hora que você disse "aos 17 anos..." desanimei. Por que esses livros são sempre assim? rs
Mas continuando a resenha curti muito a premissa. Gostei da temática envolvendo bruxos e já curti o Marcus. Gosto de personagens intrigantes e misteriosos! Não digo que vou começar a ler agora mas entra para a lista de leitura!
Bjs

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Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Alê!
Eu até queria ler esse livro, mas achei a premissa meio parecida com Dezesseis Luas e eu não curti essa série. Porém, sua resenha me deu outra perspectiva da história e quem sabe um dia não dou uma chance.
Beijos
Balaio de Babados

Adriel Christian disse...

oi, oi.

eu não sou tão fã de série, sabe?! evito ao máximo pq não tenho muita paciência pra acompanhar dez mil livros sobre uma única história. sim, eu sei: sou estranho. :)

contudo, eu gostei tanto da tua resenha e do que tu galou do livro. vou dar uma procurar na livraria daqui.

bjs!
Não me venha com desculpas

Maria Fernanda Pinheiro disse...

Livros que apresentam dois grupos inimigos sempre me cativam, ainda mais quando um personagem é filho de dois inimigos e assim causa uma confusão, gostei da escolha do autor de escrever em 1° pessoa assim sabemos o que o personagem principal passou e o acha da situação, quero conferir a obra e ver a adrenalina que percebo que é bastante presente no livro

Caverna Literária disse...

O lançamento desse livro fez um grande barulho mesmo, e até então não tive oportunidade de lê-lo, mas espero fazer isso em breve! Adorei a resenha, saber que a autora não usa dos mesmos artifícios batidos relacionados ao tema é bastante animador!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

Sarah Fernandes disse...

olá! Não conhecia o livro, acredita? Mas parece ser um ótimo, sua resenha ficou maravilhosa *_* com certeza vou procurar o livro para ler ^^

Beijos
http://resenhaatual.blogspot.com.br/

Larissa Dutra disse...

Oi, tudo bem? Comprei este livro apenas porque estava barato (menos de 10 reais em uma loja física da Americanas), mas não sabia que ele era tudo isso. Sua resenha me deixou com muita vontade de lê-lo :)

Beijos,
Duas Livreiras

Leandro de Lira disse...

Oi, Ale!
Eu QUASE comprei este livro há pouco tempo. Encontrei-o por R$ 9,90, mas por temer não gostar, não fiz a compra. Arrependi-me agora após ler sua resenha. Parece ser uma leitura gostosa e interessante.
Quero muito fazer a leitura agora. Vou tentar comprá-lo o quanto antes.
Parabéns pela resenha!
Abraço!

"Palavras ao Vento..."
www.leandro-de-lira.blogspot.com

Gabriela CZ disse...

Honestamente não esperava tanto dessa série, Alê. Seus comentários além de me instigarem me encorajaram a dar uma chance. Pelo visto a autora criou um universo e personagens peculiares. Quero ler. Ótima resenha.

Beijos!

Stephanie Vasques disse...

Acredita que nunca ouvi falar dessa série?? Hahahahahaha. E, apesar do tema não ser mais um dos meus preferidos, eu adorei demais a sua resenha e vou procurar saber mais sobre a série e tentar lê-la :D

Com amor,
Steph • http://naoeberlim.blogspot.com.br/

Vida de Leitor disse...

Oi Ale, gostei da sua resenha. Certamente, não é um livro que eu leria. Mas gosto de finais que tem bastante adrenalina e corre aquela vontade louca de terminar de ler, talvez um dia eu dê uma chance!

Beijos,
Natália

www.doprefacioaoepilogo.blogspot.com

Theresa Cavalcanti disse...

Não tinha visto esse livro, e não fiquei com muita vontade de ler. :/

Guilherme disse...

Oi Ale!
Que bom que curtiu o livro, li ele ha alguns meses e gostei bastante, preciso terminar a sequencia. Adorei a resenha!
Abraço!
http://leituraforadeserie.blogspot.com.br/

Marlene Conceição disse...

Oi...

Eu amei a resenha, Já tinha ouvido falar dessa série não dei muita importância não, a premissa da estória parece ser muito boa, clichê com toda certeza mais Boa.
Não saber a que lado pertence deve ter sido bastante difícil para o personagem, fiquei bastante curiosa para saber o que deu depois da cerimônia.
Boa Tarde

Desbravador de Mundos disse...

Olá, Alê.
Ao ler a premissa, confesso que não gostei. A primeira coisa que pensei: maniqueísmo dos brabos. haha Bom saber que há, de certa forma, uma desconstrução desse ideal, mostrando o lado da luz fazendo crueldades e um protagonista que está no meio termo mostrando humanidade. Isso me anima a desbravar a obra.
Apesar de ainda não ser um livro que leria de cara, ao menos talvez dê uma oportunidade futuramente.

Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de abril. Serão três vencedores!

Carolina Garcia disse...

Olá, Alê!

Fiquei interessada nesse livro no ano passado, mas acabei deixando passar.
Eu gosto muito de sempre manter estocados algumas obras mais leves porque vira e mexe dá aquela vontade de ler algo mais relax.

Gostei muito da sua indicação e ficarei mais atenta para esse livro porque, mesmo sendo clichê, adoro as histórias sobre bruxos. Hahahaha

Bjs

livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Mariana Ogawa disse...

eu fiquei super curiosa para ler esse livro(na verdade a série), mas depois eu achei q era meio muito clichê e deixei de lado. mas pelo jeito ela consegue apesar de trazer clichês e um tema meio batido com personagens cativantes e um mundo novo
acho que agora eu vou dar uma chance a ele, vou preparada para os clichês, sem falar q parece ter muita ação

Micaela Gomes disse...

Ooi!
Esse livro tá na lista de desejados, eu gostei da premissa e capa é muito bonita, porém as opiniões sobre tal são muito divergentes ou seja tenho que ler logo só assim pra tirar minhas próprias conclusões.

http://lendocomela.blogspot.com.br/?m=0

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