sexta-feira, 14 de outubro de 2016

RESENHA: Silêncio

“Imagine que tudo o que já viu, sua vida toda, sempre tivesse sido em tons de cinza. Aí, um dia você pisca os olhos, e, de repente, passa a enxergar o mundo como é, com todas as cores: azul, vermelho, amarelo. Como iria reagir? Como iria lidar com o fato de literalmente não ter palavras para descrever essa experiência nova?” (MEAD, 2016, p. 91).

***

Desde que li a saga Bloodlines, passei a admirar o trabalho de Richelle Mead. Apesar dos clichês e de alguns deslizes na trama, a autora sabe tragar o leitor para dentro da estória fazendo-o esquecer de todo o resto. Esta habilidade da autora, associada a sua criatividade, tornam suas obras o tipo ideal de leitura quando se procura algo mais descontraído e empolgante. E foi nesse estado de espírito que comecei a leitura de Silêncio

Fei e sua irmã, Zhang, são aprendizes no Paço do Pavão e dedicam suas vidas a observar a pacata vila onde habitam e a registrar os fatos em pinturas. Isolados do resto do mundo no alto de uma montanha, os habitantes vivem através do escambo, trocando metais preciosos por comida por um sistema de polias. O problema é que, além de terem perdido a audição há centenas anos, os moradores começam a apresentar sinais de perda da visão, o que afeta sua produtividade nas minas e diminui as remessas de comidas. Mas Fei está inquieta, não apenas com o repentino surgimento de sua audição, mas também com a situação no vilarejo que está cada vez mais crítica, restando apenas uma coisa a ser feita: se arriscar na perigosa descida da montanha e ir até a cidade que lhes fornece suprimentos. 

O primeiro aspecto que me desagradou em Silêncio foi a previsibilidade da trama. Em poucos capítulos já fica claro que tipo de situação a autora criou e os gatilhos que serão utilizados para provocar uma mudança na atitude dos personagens. E não deu outra: do início ao fim Silêncio não empolga, visto que não consegue surpreender o leitor em nenhum momento. 

Outro fator que me incomodou foi a falta de um maior desenvolvimento dos personagens. Todos eles me pareceram meros nomes, a quem foram atribuídas funções e que agem de forma programada. Faltou profundidade, faltou vida, faltou cor. Creio que Richelle pode ser o tipo de autora que faz um melhor trabalho no desenvolvimento dos personagens quando escreve uma série, como foi o caso de Bloodlines, em que vemos personagens bem definidos e que possuem vida própria. 

Já mencionei em outras resenhas que Mead sabe como fazer clichês funcionarem, de modo que o leitor não se importava com sua utilização. Entretanto, em Silêncio a autora não conseguiu repetir tal proeza. Os muitos clichês saltam aos olhos, não surtem o efeito desejado e apenas causam a indignação do leitor. 

A parte mais interessante da obra certamente reside no mundo criado pela autora. Partindo de uma forma viver silenciosa — com as inúmeras alterações que a surdez provoca na vida pessoal e da comunidade — e chegando a um mundo de sons, o estranhamento da protagonista é palpável e traz consigo várias reflexões. Mead também fez um interessante trabalho no tocante a cultura e mitologia deste povoado, entretanto, gostaria de ter conhecido melhor alguns aspectos.

Cheguei ao final da leitura com a sensação de que Mead tinha uma estória potencialmente boa em mãos, mas que faltou vontade em desenvolvê-la. A verdade é que Silêncio me pareceu um livro de uma autora iniciante, que não tinha certeza do que estava fazendo, e que acabou se limitando a fazer mais do mesmo. 

Título: Silêncio
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 279
Editora: Galera Record

19 comentários:

Helena Machado disse...

Oi, Alê. Concordo com tudo.
Esse foi o primeiro livro da autora que eu li e o fiz com alguma expectativa, já que muita gente me disse que as séries que ela escreveu são muito boas etc etc.. Me pareceu mais que essa foi a estreia da autora se me dissessem que foi o primeiro livro que ela escreveu eu acreditaria. O livro se salva pelo modo como ela se aprofundou nas questões linguísticas e, como você citou, o modo como a protagonista lida com o fato de voltar a ouvir, que ficou muito verossímil. Ademais, são personagens meio bobinhos.

Beijos, Hel
leiturasegatices.blogspot.com.br

Marília Leocádio disse...

Olá!!
Bom se eu tivesse visto esse livro na vida antes certamente eu teria comprado porque a capa ilude bastante.
Sobre a história eu ainda contínuo sem entender muito o que a autora realmente queria se focar e realmente achei meio complicado de entender o real toque da história, mas a protagonista também me interessou com os acontecimentos em sua vida mas só isso.
Até mais

Gabriela CZ disse...

Fiquei com um sentimento de frustração agora, Alê. Queria muito ler esse livro porque a premissa soa maravilhosa, mas quando você disse que é bastante previsível e que não empolga murchei totalmente. Mas ainda quero conferir algo da autora, Tabuleiros dos Deuses é o que mais me instiga. Enfim, ótima resenha.

Beijos!

Caverna Literária disse...

Poxa, que pena que a obra deixa tanto a desejar, eu tinha achado a premissa bem interessante e até original, principalmente pra autora que passou tantos anos escrevendo um assunto totalmente diferente. Adorei a sua resenha, Alê, super sincera e explicativa!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

Tony Lucas disse...

Oi, Mari! Tudo bem? A única coisa que consegui dizer ao ler sua resenha foi: "Vish" KKK eu odeio quando os autores enchem os livros de clichês e criam uma trama muito previsível. Então devido a isso não leria "Silêncio"...

Abraço

https://tonylucasblog.blogspot.com.br/

RUDYNALVA disse...

Alê!
Nossa! Que pena ver um enredo tão bom ser desperdiçado, sem desenvolvimento das personagens e totalmente previsível.
Quanto aos clichês, nem faria questão porque até gosto deles.
Apenas fiquei triste...
“Prefiro os erros do entusiasmo à indiferença da sabedoria.” (Anatole France)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

Cristiane Dornelas disse...

Olha, adoro aqueles livros da série de Academia, as duas séries. E ela tem outros livros muito bons por aí que nunca li e gostaria de ler. Mas esse não é um deles. Não me animou em nada pra ler e só vejo coisas bem pra baixo sobre ele. Não empolga mesmo, acho que ficou meio forçado ou sem grandes reviravoltas, sei lá. Não é uma história que gostaria de ler e se ler vai ser só por curiosidade mesmo =/

Adriana Holanda Tavares disse...

Gosto muito dessas temáticas de quando um dos sentidos de um povoado ou população é restrito ou inexistente, porque dependendo da escrita o autor consegue exatamente passar essa sensação para quem lê. Eu me senti completamente cega no livro Caixa de pássaros, e espero que essa sensação de sentir que não se escuta como é descrito na narrativa possa ser tão profunda quanto o outro livro que já mencionei aqui. Achei o livro de uma premissa muito legal e já quero ler!

-Lunii † disse...

Olá, tudo bom?
Cara, eu quero muito ler esse livro, ele até estava na minha listinha de leituras para o ano que vem, mas agora que li a sua resenha eu desanimei bastante.
Vi que várias pessoas concordam com você, quem sabe um dia eu possa tirar minha própria conclusão sobre ele, certo?

Sessão Proibida

Ariane Reis. disse...

Oie Alê =)

Eu de verdade não consegui me envolver com a história desse livro. A premissa dele é maravilhosa, mas fiquei com a sensação que a Richelle se perdeu em detalhes que não agregavam em nada na história. O final foi corrido e sem emoção também.

Uma pena realmente, pois a autora como você mesmo comentou, sabe trabalhar bem os clichês.

Beijos;***

Ane Reis.
mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
@mydearlibrary

Michele Lima disse...

Oi Alê

Lá no blog uma colunista leu, mas eu ainda não li. Que pena que a autora não desenvolveu bem, a protagonista parece ser super interessante e realmente tem uma premissa muito boa. Uma pena.

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Márcia Saltão disse...

Oi, tudo bem?
Não conheço a escrita da autora, mas por tudo que você mencionou, na sua ótima resenha, já fiquei decepcionada com o livro. Que pena essa falta de maior desenvolvimento dos personagens/enredo. Deixo passar a dica, pois tenho uma lista de leitura, me aguardando, imensa! Então, procuro não perder meu tempo. Obrigada. Resenha muito bem elaborada. Beijos.

Alice Duarte disse...

Oiii Ale

Ja tinha lido criticas bem negativas sobre esse livro no Goodreads e infelizmente pela sua resenha deu pra ver que realmente e bem verdade. Uma pena pois a premissa parecia interessante, alem da capa simplesmente linda

Beijos

unbloglitteraire.blogspot.com.ar

Priscilla Frasnelli Rocha disse...

Oi Alê, tudo bem?
Poxa, que pena que a autora decepcionou. Admito que a premissa não me chamou muito a atenção, então provavelmente vou passar esse título.
Beijos,

Priscilla
Infinitas Vidas

Carolina Garcia disse...

Oi, Alê!!

Confesso que brochei agora! Hahahahahaha
Concordo com tudo o que disse sobre a Richelle Mead acima. Acho ela uma ótima autora e estava bem empolgada para pegar esse livro, fora o fato que é um volume único.
Mas que pena que a história é previsível e os personagens não têm profundidade. Pelo menos é bom saber de antemão porque já não vou colocar esse título como prioridade na minha lista, né?

Ainda vou querer ler porque gosto muito da autora, mas tenho outros títulos para colocar na frente pelo menos.

Bjs!!!

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Eduarda Rozemberg disse...

É uma lástima quando os autores tem uma boa ideia e não consegue desenvolvê-la da maneira que cative completamente o leitor. Os clichês eu não me importo, mas pelo jeito que você falou, percebe-se que não foi utilizado de uma maneira correta. Gostaria de conhecer a obra ainda assim.
Um abraço!

http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

Stephany Santim disse...

A premissa não tinha me chamado muito a atenção e agora já tenho certeza que terei que passar esse livro. Espero um dia ler algo da autora mas por enquanto.. Realmente uma pena. Beijos!

Fernanda Mendonça disse...

Eu gosto bastante da Mead e estou um pouco decepcionada com vc ter dito que ela não desenvolveu todo o potencial da história, pq eu tava imaginando uma coisa muito sensacional. Eu ainda desejo ler, mas minhas expectativas foram lá no chinelo :(

Ana I. J. Mercury disse...

Eu sempre tive vontade de ler os livros vampirescos da Mead, mas ainda não tive a oportunidade, mas daí ganhei Silêncio no lançamento.
E amei!!!
Achei também bem previsível e clichê, e aquele final faltou mais soluções. Porém, gostei demais. Muito gostoso de ler e acompanhar,bem rápido.
Preciso ler mais da Mead o quanto antes!
rs
bjs

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