segunda-feira, 17 de julho de 2017

RESENHA: O Bazar dos Sonhos Ruins

“- Você pode atingir a pessoa, mas não pode atingir o mal. (...) O mal sempre sobrevive. Sai voando como um pássaro enorme e pousa em outra pessoa. É essa a merda, não acha? A merda dessa situação toda.” (KING, 2017, p. 278)

Estou ansiosa para conferir “O Bazar dos Sonhos Ruins” desde antes do anuncio da sua publicação no Brasil. O motivo é simples: não se trata apenas de um livro de Stephen King e sim de um livro de histórias curtas de Stephen King e eu costumo ter ótimas experiências quando o Mestre escreve nesse formato.

Nesse caso, temos os mais diversos temas. Há histórias mais longas, outras mais curtas (há até mesmo dois poemas narrativos – os únicos textos que, diga-se de passagem, não me agradaram). A temática também difere bastante, mostrando um pouquinho de tudo que costumamos encontrar nas obras do autor. Há histórias sobrenaturais, outras que são apenas bons dramas, outras temperadas com um humor macabro que King sempre sabe fazer funcionar muito bem. De certa forma, “O Bazar dos Sonhos Ruins” poderia ser considerado uma espécie de portfólio do autor, dando de uma vez só para o leitor um gostinho do que é o Universo Stephen King.

Como é de se esperar em um livro que reúne 20 histórias, nem todas vão envolver o leitor da mesma forma, embora todas sejam bem elaboradas e interessantes. No meu caso, destaco aqui “Garotinho Malvado”, em que um homem no corredor da morte conta sobre a perturbadora presença de um menino na sua vida e porque ele finalmente assassinou esse menino; “UR”, em que um professor é capaz de acessar mundos paralelos através do seu Kindle e descobrir obras nunca publicadas/escritas por alguns dos maiores nomes da literatura; “Indisposta”, protagonizada por um homem dedicado à sua esposa (aqui há ecos de uma história lendária, mas com o jeitinho Stephen King de manipular o leitor); “Aquele ônibus é outro mundo”, breves oito páginas nas quais um homem no trânsito testemunha um assassinato no ônibus que pára por alguns segundos ao seu lado; e “Obituários”, em que um jornalista descobre que consegue matar pessoas através dos obituários debochados que escreve, caso faça isso com alguém que ainda está vivo.

Cada conto ganhou uma introdução na qual o autor revela como surgiu a ideia da história em questão (aliás, King é tão envolvente que até mesmo os seus prefácios parecem mini-contos). Ao ler esses comentários do autor, a sensação que temos é que King se permite escrever sobre tudo que passa em sua mente. Com uma carreira extensa como a dele, é claro que alguns temas acabam sendo revisitados (o último conto, “Trovão de Verão”, por exemplo, tem como temática o fim do mundo, ou seja, a mesma do romance “Dança da Morte”, como o próprio autor comenta na introdução. O conto que abre a coletânea, “Milha 81”, gira em torno de um carro assassino, algo que também já foi utilizado anteriormente pelo autor), mas em nenhum momento King parece estar sendo repetitivo, isso porque seu foco está sempre nos personagens, sejam eles um velho casal de namorados em um piquenique, mulheres que bebem para fugir das frustrações de suas vidas, um casal necessitado de dinheiro que descobre ser capaz de coisas que não imaginou que seria, um filho e seu pai senil e até mesmo crianças testemunhando um carro assassino devorar todos os que se aproximam dele (no que é, obviamente, o tipo de premissa absurda que só um talento como o de Stephen King é capaz de fazer funcionar).

Escrevendo com a narrativa que lhe é característica, Stephen King leva seu Leitor Fiel aos mais diversos universos e o faz testemunhar o melhor e o pior do ser humano em situações por vezes banais, por outras totalmente fora da realidade, mas o fisgando para dentro da história e o fazendo acreditar, mesmo no absurdo, sempre.

No prefácio, o autor diz que nunca sente tanto as limitações do seu talento como quando escreve contos, já que esses são um exercício “acrobático”. Ah King...se todos os talentos limitados da literatura fossem como o seu...

Título: O Bazar dos Sonhos Ruins
Autor: Stephen King
N° de páginas: 527
Editora: Suma de Letras
Exemplar cedido pela editora

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12 comentários:

Lana Silva disse...

Este e um dos poucos livros deste autora que me despertam interesse de leitura, já que nunca li nenhuma de suas obras esta eu pretendo com certeza dar uma chance. Li muitas resenhas positivas em relação a este livro que me levaram a pensar desta maneira, outro ponto e que alguns de seus contos me pareceram ter uma premissa do qual me interesso.

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Teca Machado disse...

Oi, Mari!
Acho que finalmente achei o meu livro do King para ler!
Muita gente fala que os livros longos dele às vezes se tornam um pouco cansativos, mas posso me aventurar por pequenas histórias sem morrer de medo, hahaha.
Dica anotadíssima!

Beijooos

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www.livrosdateca.com

Estranhos Como Eu disse...

Oiee!

Nossa, esse cara é demais!! Um dos melhores autores da atualidade, senão EVER haha Adoro o King! Consigo entender quando você fala da diversidade dele, pois li Joyland e não parece ser dele, no final de contas... Enfim, eu abri o blog e fiquei feliz demais por ver que tinha essa resenha! É a primeira que leio desse livro dele. Bjs,

www.estranhoscomoeu.com

Gabriela CZ disse...

Posso estar me repetindo aqui, mas preciso me dedicar mais ao King. Ainda não li nenhuma coletânea de contos dele, Mari, mas estou realmente tentada por essa. Claro que também quero ler Quatro Estações e Escuridão Total sem Estrelas, mas seus comentários me deixaram intrigada. Ótima resenha.

Beijos!

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Nunca li nenhum livro do King, porém tenho vários na minha lista de desejados.
Ganhei recentemente dois livros dele e estão na minha lista de próximas leituras.

Caverna Literária disse...

Admito que gosto das histórias do King, mas tenho pouca paciência pra elas hahha a maioria tem uma narração complexa e arrastada, proposital pro mistério, mas que infelizmente pouco me envolve. Se nem todos os contos te agradaram, imagino que pra mim seria pior, então por enquanto não lerei a coletânea, apesar da capa ser maravilhosa e convidativa. Achei bem bacana ele ter escrito um pouco sobre a ideia que fez surgir os contos, faz com que o leitor se sinta mais próximo dele!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

Sil disse...

Olá, Mari.
Eu não sou tão fã do autor como gostaria, mas não posso deixar de reconhecer seu talento. Como não sou tão fã, quando vejo lançamentos dele nem me interesso tanto, por isso não sabia que esse era um livro de histórias curtas. Mas agora sabendo disso me interessei porque os livros dele que me cativaram eram assim. E achei bem legal ele dar uma explicação antes das histórias. Se der eu vou ler.

Prefácio

Anya Carvalho disse...

Hey, Mari!
Infelizmente esse não é o meu estilo de leitura. Admiro de longe o mestre King, mas sempre fico com medo de ler seus livros! haha.
Mil beijokas - Entre um Livro e Outro

Caroline Waschburger disse...

Eu estou simplesmente DOIDA pra ler esse livro. Vi uma resenha dele uns dias atrás e agora ver essa me deixou ainda mais empolgada pra ler. Amo o King!

Beijo!
CONTROVÉRSIAS.

RUDYNALVA disse...

Mari!
King tem uma versatilidade em sua escrita que consquista o leitor a cada novo livro.
Adoro contos e ver o mestre do terror trazer contos diversificados em assunto, porem intensos da mesma forma em relação ao conteúdo, é maravilhoso.
“Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.” (Augusto Cury)
Cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!
Gostei muito desse livro por reunir vários contos do autor!! Sem dúvida King e um excelente escritor com arsenal de estórias incríveis!! Quero muito conferir esse livro maravilhoso dele!!
Beijoss

Márcia Saltão disse...

Olá!
O que dizer desse livro? Eu, como fã da escrita do autor, independente da linha e estilo que ele conduza o enredo, já quero ler!
A proposta do livro, com histórias curtas, ficou muito interessante. Estou curiosa!
Excelente resenha. Dica super anotada.
Beijos.

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