sábado, 21 de outubro de 2017

RESENHA: Tartarugas Até Lá Embaixo

Tartarugas Até Lá Embaixo John Green
Quem acompanha o blog já sabe que somos fãs assumidos e incondicionais de John Green. E considerando que o último livro do autor publicado no Brasil foi lançado há três anos, estávamos contando os dias para a chegada de Tartarugas Até Lá Embaixo. 

Aza Holmes é uma jovem de 16 anos diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo e por isso ela muitas vezes sente que não está no controle de seus pensamentos. É então que Daisy, sua melhor amiga, insiste que as duas investiguem o desaparecimento de um bilionário acusado de corrupção a fim de botarem a mão na polpuda recompensa. Mesmo a contragosto, Aza aceita participar da investigação e para isso precisará entrar em contato com um velho amigo: Davis, o filho do bilionário desaparecido. 

Tartarugas Até Lá Embaixo é narrado em primeira pessoa pela protagonista e Green fez um trabalho incrível em colocar o leitor na pele dela. Assim, sentimos de perto a ansiedade de Aza e vemos o que acontece quando ela é dominada por pensamentos intrusivos, tais como: Você trocou o band-aid? Tem certeza? Passou antisséptico? É melhor passar um pouco mais. O que você está esperando? Testemunhando a luta entre Aza e estes pensamentos é que percebemos o quanto é fácil julgar alguém quando não sabemos o que se passa na vida e na mente da pessoa. 

Registro aqui que eu tinha um conhecimento irrisório sobre este transtorno e fiquei apavorado ao mergulhar na mente de Aza e perceber como os pensamentos intrusivos se instalam e se recusam a ir embora. Em certo ponto a protagonista descreve essa sensação como uma prisão e este aprisionamento é sentido até mesmo pelo leitor. Para quem não sabe, o autor também foi diagnosticado com TOC, sendo cristalino que ele descreve tudo com conhecimento de causa.

“Em teoria, todo mundo tem pensamentos assim. Você está cruzando uma ponte, digamos, e, quando olha lá de cima, do nada lhe ocorre que poderia simplesmente pular. Se for como a maioria das pessoas, vai pensar: cruzes, que troço macabro e seguir sua vida, mas para algumas pessoas o invasor pode assumir o controle, expulsando todos os outros pensamentos até ser o único a ocupar sua mente, de tal modo que você estará perpetuamente presa àquela ideia — seja pensando naquilo, seja tentando não pensar naquilo.” (GREEN, 2017, p. 50) 

Além da própria Aza ter que lidar com as consequências do TOC, vemos como seus próprios relacionamentos são afetados pelo transtorno. Aliás, este é outro aspecto importante do livro, pois mostra que até mesmo pessoas próximas não compreendem por completo o transtorno, de modo que não sabem lidar a situação. 

Os outros arcos da trama — como o relacionamento entre mãe e filha, a amizade com Daisy e a investigação pelo bilionário desaparecido — são bem desenvolvidos e vemos que todos eles exercem uma função na estória, não sendo utilizados apenas para “encher linguiça”. 

Como era esperado, John Green mais uma vez entrega um prato cheio para reflexões abordando assuntos como empatia, injustiça e amizade. Mas creio que a reflexão de maior destaque no livro seja a temática da identidade, pois vemos Aza se debater com questões existenciais. Isso por que a protagonista se sente refém de pensamentos que não são seus, mas que ocupam tanto espaço e lhe sugam tanta energia que fazem com que ela se sinta perdida e sem rumo. 

O texto de Green continua maravilhoso como sempre. Além da fluidez e da agilidade da narrativa, somos cativados por Aza logo nos primeiros capítulos e tragados para dentro da estória, de modo que interromper a leitura se torna uma tarefa impossível. Aliás, registro aqui que li o livro em apenas um dia. 

Apesar de não ter se tornado meu livro preferido do autor, Tartarugas Até Lá Embaixo foi uma excelente leitura e que, além de provocar reflexões, também tem um importante papel de conscientização quanto ao transtorno obsessivo-compulsivo. Encerro dizendo mais uma vez que, quando se trata se John Green, basta ver seu nome impresso na capa, pois é sinal de uma leitura enriquecedora. 

Título: Tartarugas Até Lá Embaixo
Autor: John Green
N.º de páginas: 269
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon - Saraiva - Submarino
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17 comentários:

Alessandra Salvia disse...

Oi Ale,
Eu acabei de comprar esse livro na Amazon.
Já ouvi maravilhas dele e tem tudo para ser uma ótima experiência para mim.
Beijos
http://estante-da-ale.blogspot.com.br

Vanessa Vieira disse...

Gostei da resenha Alê. Até o momento só li dois livros do John Green e já deu pra perceber o quanto o autor possui uma escrita tocante e cativante. Com certeza quero ler o novo livro do autor. Abraço!

www.newsnessa.com

Karol Nascimento disse...

Oiii....
Eu quero muito ler esse livro pra dar mais uma chance para o John G. nunca li um livro sobre essa doença e eu estou bastante curiosa...e pelo que parece vc gostou muito da leitura...otima resenha..
Bjs

Gabriela CZ disse...

Estou doida pra ler esse livro, Alê. Sinto saudades de ler John Green e seus comentários só me lembraram o quanto a escrita dele é incrível. E não sabia que ele tem TOC, mas isso deve mesmo ter dado um tom especial ao livro. Espero arranjar logo. Ótima resenha.

Beijos!

Sil disse...

Olá, Alê.
Infelizmente depois de quatro livro eu acabei desistindo de tentar gostar do autor. Por isso não vou ler esse livro. Mesmo sendo com um tema tão importante. Tem gente que acha que quem sofre disso é que tem frescura. Por isso é interessante essa abordagem na mente da pessoa que está com a doença.

Prefácio

Ariane Reis. disse...

Oie Ale =)

Acredita que depois de ACEDE eu não tive mais curiosidade de ler nada do Green? Tanto que nem sabia desse lançamento. Fui saber dele através de resenhas que comecei a ler nos blogs que acompanho.

O tema abordado neste livro é importante, até por que ainda tem gente que acha que é frescura ou falta de fé. Quem sabe eu não de uma chance para o Green dessa vez ^^

Beijos e uma ótima semana para você;***
Ane Reis | Blog My Dear Library.

RUDYNALVA disse...

Alê!
Não sabia que o John Green tinha sido diagnosticado com TOC.
Deve ser muito complicado sentir pensamentos intrusivos constantemente 'entrarem' na nosa mente e tornarem a vida bem complicada.
Gostei de ver que além do mistério do desaparecimento, outros temas foram aborados, como a injustiça e questões existenciais.
Claro que quero fazer essa leitura.
Semaninha de muita luz e paz!
“Todo o nosso saber se reduz a isto: renunciar à nossa existência para podermos existir.” (Johann Goethe)
Cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

Caverna Literária disse...

Não sabia que o autor havia sido diagnosticado com o transtorno! É compreensível então que a personagem demonstre bem as dificuldades em lidar com o TOC, já que o próprio autor tem de conviver com isso. Gostei da trama usada de pano de fundo também, envolvendo as investigações, e pela resenha dá pra perceber que mais uma vez John Green acertou em cheio! Com certeza lerei o livro!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Alê, tudo bem? Confesso que não sou fã do Green, mas estou com muita curiosidade sobre o livro, o tema TOC me chama bastante atenção e fico feliz que a trama tenha sido bem desenvolvida, detesto quando os atores enchem linguiça rsrsrs Quero conferir em breve!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Mariele Antonello disse...

Já tinha visto este livro entre os lançamentos, mas não tinha lido nada além da sinopse sobre ele; Que bom que John Green consegue fazer o leitor se sentir na pele da personagem que tem TOC, que bom que este livro foi uma excelente leitura para você, após ler sua resenha fiquei bem curiosa e ansiosa para ler Tartarugas Até Lá Embaixo, pretendo ler este livro em breve.

Diego França disse...

Oi, Ale! Tudo bem?
Eu fiquei bem curioso para ler esse livro mais pelo título que por qualquer outra coisa. Bem curioso "Tartarugas até lá em baixo". O único livro que li e me conectei forte foi ACEDE... Os demais para mim foram OK. Sua resenha e animou.

Abraço, Di.
www.blogvidaeletras.blogspot.com

Priscilla Frasnelli Rocha disse...

Oi Alê, tudo bem?
Apesar de ter lido e curtido ACÉDE, eu não li mais nada do autor.
Fiquei com o "medo Nicholas Sparks" em relação a ele: tramas feitas especialmente pra te fazer chorar e com finais tristes. :( É o caso desse livro?
Beijos,

Priih
Infinitas Vidas

Nicole Longhi disse...

Sou apaixonada pela escrita do autor, a leitura flui de um modo incrível!
Tinha visto o lançamento do livro e não tinha me chamado muito a atenção, porém não sabia que havia sido diagnosticado com TOC também.
Agora fiquei empolgada para ler, porque deve ser uma experiência muito grande escrever sobre algo que você convive.
Adorei resenha.

beijos

Paula disse...

Oi Alê,
John Green... confesso que achei a sinopse um tanto exagerada, que envolve investigação do bilionário... mas ao ler sua resenha vi que o foco do Green não decepciona. Por ele ter toc achei maravilhoso ele falar sobre isso. Pretendo ler. Bela resenha
Um beijo
Paulinha S

Monique Fonseca. disse...

EU fico meio dividida quando se trata do Jonh Green porque ao mesmo tempo em que os livros dele abordam temas tão relevantes e existenciais,alguns são simplesmente monótonos,eu amo "Quem é você Alasca" e 'A culpa é das estrelas",mas não consigo gostar dos outros apesar de tentar ler,mas esse livro resenhado me parece muito interessante.

https://euhumanaefinita.blogspot.com.br

Marta Izabel disse...

Oi, Alê!!
Gostei bastante da estória do livro, mas infelizmente ainda não consegui ler nada do John Green. Só assisti mesmo as adaptações dos seu livros para o cinema. Mesmo assim estou bem curiosa para ler esse livro.
Bjoss

Ana I. J. Mercury disse...

Adorei a resenha, Alê!
Ai amoooooo John Green também!
E já comprei o meu, estou ansiosa pra começar a ler.
Provavelmente começarei esta semana ainda!
Eu sempre desconfiei que tenho TOC lendo essas resenhas sobre a Aza, tenho quase certeza! kk =/
bjss

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