quarta-feira, 28 de março de 2018

RESENHA: O Detetive Parker Pyne

O Detetive Parker Pyne - Agatha Christie“Você é feliz? Se não for, consulte o Sr. Parker Pyne”. Esse é o anúncio que atrai clientes para o escritório deste aposentado que após anos compilando estatísticas em uma repartição pública decidiu usar os seus conhecimentos para devolver a satisfação à vida de pessoas infelizes. Parker Pyne salva casamentos, proporciona aventuras, resolve problemas e, até mesmo, desvenda alguns crimes quando está de férias.

Uma coleção de pequenas histórias, todas protagonizadas por Parker Pyne, o revelam como um misto de Hercule Poirot e Miss Marple. De Poirot, Pyne herda a experiência profissional, o conhecimento técnico, a atenção aos detalhes e as estratégias para comprovar suas teorias. De Miss Marple, o conhecimento da alma humana. Mas nem por isso Parker Pyne soa reaproveitado e sim uma ferramenta para que a Dama do Crime possa criar casos que não giram em torno de crimes. Aliás, ao contrário do que o título sugere, Parker Pyne não é um detetive e sim alguém que resolve casos, mas não necessariamente os investiga.

Pode-se dividir o livro em duas etapas: na primeira, Pyne está em seu escritório e é abordado por clientes. Uma moça que precisa devolver algo que roubou, um homem simplesmente entediado, um homem que está prestes a ser abandonado pela esposa que tanto ama, entre outros. Nesses casos, Pyne encontra soluções criativas para resolver os problemas dos clientes e Agatha sempre consegue uma forma de surpreender o leitor, seja com uma reviravolta inesperada ou com uma informação que muda tudo. O interessante nesses casos é que sabemos que o que está acontecendo não é 100% real e sim tramado por Pyne para que o cliente atinja seu objetivo. Isso dá uma sensação de cumplicidade para o leitor. Os contos neste estilo foram os que mais me agradaram pois me pareceram bastante diferentes das histórias tradicionais de Agatha. Cito como favoritos “O Caso do Marido Descontente” e “O Caso do Soldado Descontente” (sim, há muita gente descontente na vida de Parker Pyne).

“Às vezes as palavras não surtem efeito no momento em que são ouvidas – apenas mais tarde, quando tornamos a nos lembrar delas.” (CHRISTIE, 2012, p.20)

No que eu considero a segunda parte do livro, Pyne está em viagem de férias, mas, assim como acontece com o nosso detetive Belga favorito, seus planos são constantemente frustrados já que a todo momento um caso o encontra. Esses casos têm um caráter diferente dos primeiros, pois Pyne não está sendo procurado para resolver um problema específico e sim ajudando a dar um jeito nos problemas que surgem no caminho. Casos como uma mulher que desconfia que seu marido a está envenenando e morre envenenada durante a viagem. Confesso que esses não me agradaram tanto, pois me pareceu que neles Agatha desperdiçou a oportunidade de aproveitar o que Pyne oferecia de único, dando a ele histórias que outros personagens poderiam ter vivido (a própria Miss Marple, por exemplo) e não é à toa que a autora escolha dois contos da primeira etapa como os seus favoritos do livro.

“O Detetive Parker Pyne” é um livro diferente de Agatha Christie por não girar em torno de resolver um mistério ou desvendar um crime. Com 14 histórias curtas (em média de 20 páginas cada), a Dama do Crime consegue entreter o seu leitor mais uma vez.

Título: O Detetive Parker Pyne
Autora: Agatha Christie
N° de páginas: 272
Editora: L&PM

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11 comentários:

Daiane Araújo disse...

Oi, Mari.

Bom, a Agatha introduziu um detetive nada convencional, né? Que soluciona problemas relacionados ao coração, aos relacionamentos das demais pessoas. A ideia é ótima, foge dos padrões.

Adriana Holanda Tavares disse...

Olha eu amo a escrita da Agatha. O romance policial que ele escreve é sempre completo, complexo e cheio de vida. Li recentemente Elefantes não esquecem e amei. Tenho certeza de que esse deve ser legal vou adicionar a minha lista. Beijos

Gabriela CZ disse...

Acho que preciso do próprio Parker Pyne, Mari. Brincadeiras a parte, gostei da ideia do personagem e do livro. E fiquei com ainda mais vontade de conferir algo da Agatha Christie. Ótima resenha.

Beijos!

RUDYNALVA disse...

Mari!
Esse é um dos poucos livros da autora que ainda não li e confesso que gostei muito dessa abordagem mais psicológica nos contos, e, trazendo uma mistura dos dois maiores detetives dela, construindo um 'investigador' da alma humana na figura de Parker Pyne.
Como estou fazendo releituras da Agatha, vou incluir essa leitura.
“Não cruze os braços diante de uma dificuldade, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos!” (Desconhecido)
BOA PÁSCOA!
cheirinhos
Rudy
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O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Mari, tudo bem? Acho que sempre fico muito concentrada no Poirot que acaba não conhecendo as outras obras da autora. Gostei do fato de ser histórias curtas e já quero conferir!

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

Catarina Pinheiro disse...

Oi Mari!
Nossa, eu leio muito Agatha Christie mas confesso que não conhecia a obra, e nem o detetive Parker Pyne.
Realmente a autora consegue nos surpreender em todas as obras.
Gostei da dica, vou procurar mais sobre o livro.
Bjs

Ana I. J. Mercury disse...

Não tô gostando muito dos últimos livros da Agatha que li, mas, fiquei curiosa por esse. Ainda mais pelos casos serem curtinhos e o Pyne bem diferente dos outros dois detetives famosos dela.
Vou anotar aqui.
bjssss

Sora Seishin disse...

Oi Mari!
Eu amo Agatha Christie, mas ainda não conhecia esse livro. Agora quero muito ler!

Beijos,
Sora | Meu Jardim de Livros

suzana cariri disse...

Oi!
Comecei esse ano descobrindo a escrita de Agatha Christie, já tinha visto falar muito da autora, estava com vários livros dela na minha lista de leitura, mas nunca tinha parado para ler, mas um amigo meu acabou ganhando o box de livros dela e me emprestou, já li dois livros dela ido para o terceiro e acabei de colocar esse livro dela como o próximo na lista para ler, pois fiquei curiosa para conhecer um outro lado da sua escrita !!

Carolina Santos disse...

Ja conhecia vários livros da Agatha mas sinceramente nunca tinha ouvido falar nesse livro. Mas mesmo assim ja adicionei ele na lista de desejos. Gente do ceu que detetive mais peculiar

jady santos disse...

Quero muito ler algo da Agatha, os livros dela parecem ser incríveis, e depois de ter assistido ao filme O assassinato no expresso Oriente, me fez amar ainda mais.

Garota, Era uma vez
http://garotaeraumavez.blogspot.com.br/

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