quinta-feira, 21 de junho de 2018

A diferença entre um bom livro e uma boa leitura

Tenho um hábito que provavelmente muitos bookholics compartilham comigo: anoto em um caderninho os livros que leio. Minha lista é simples: coloco o título do livro e o dia que iniciei. Ao finalizar, registro a data, contabilizo os dias que levei para concluir a leitura e, se for o caso, faço um sinal de destaque que indica que o livro será levado em consideração no momento de montar o post “Retrospectiva Literária”, no qual elegemos as melhores leituras do ano. Porém, às vezes, mesmo o livro merecendo destaque, sei de antemão que ele não será considerado para o post porque mesmo sendo uma ótima leitura, não é um livro que irá me marcar.

Recentemente isso aconteceu com “Depois da Queda”, um livro envolvente e eletrizante, cujas páginas não senti passarem e para o qual eu tinha muita expectativa, afinal se tratava do mais recente livro de um dos meus autores favoritos. “Depois da Queda” foi uma ótima leitura, sim. Mas está longe de ser um ótimo livro como “Sobre Meninos e Lobos” (também do autor) que, por sua vez, é mais lento e pesado. Um livro que levei mais tempo para terminar e que sentia necessidade de parar de quando em quando. Mas um livro que, mesmo três anos após a leitura, ainda trago a história comigo. Ainda lembro dos personagens, seus dramas e suas tragédias. Lembro do meu sentimento durante e ao concluir a leitura. Três anos depois, a história permanece comigo. Claro, são histórias diferentes e o impacto de cada uma é diferente, mas isso me fez pensar.

Quantas vezes devorei livros e na hora de resenhá-los sentia que não tinha nada para falar sobre eles? Ou o oposto, quando o livro se revelou ainda melhor no momento em que parei para esmiuçá-lo a fim de escrever sobre ele? Isso aconteceu recentemente com “O Colecionador”. Durante a leitura eu estava gostando do livro, mas foi ao resenhá-lo que vi o quanto era brilhante. Quanto mais eu pensava sobre os personagens e sobre a situação que vivem, mais via o quão perturbadora e complexa era a trama. Após a resenha, eu ainda continuei resenhando o livro na minha cabeça porque a análise não havia terminado, embora eu não pudesse colocar mais nada no papel porque algumas coisas seriam spoilers e meu texto já havia se estendido bastante. “É o melhor livro do ano até agora!”, pensei. “Mas é engraçado que eu não tenha sentido isso durante a leitura”. Parece contraditório, mas, pensando bem, não é, porque nem sempre uma excelente leitura é sinônimo de um excelente livro, da mesma forma que nem sempre os melhores livros nos dão as mais prazerosas leituras.

Isso é algum problema? Isso torna uma coisa melhor do que a outra? Isso torna uma coisa excludente da outra? Claro que não. Há livros difíceis de engolir que ao final se revelam geniais e há livros dos quais não conseguimos nos separar, mas que acabam sendo vazios. Há momentos em que precisamos de um tipo e há momentos em que precisamos de outro. Não é questão de ser melhor ou ser pior. É apenas questão de ser diferente. É questão de escolher o livro certo para o momento certo e aproveitar tudo o que ele pode oferecer. Seja por poucos dias, seja para a vida inteira.


12 comentários:

Daiane Araújo disse...

Oi, Mari.

Você falou e definiu tudo. Há diversos efeitos que um livro é capaz de causar, e mesmo assim, ainda há uma boa diferenciação entre o mesmo e uma boa leitura realizada.

Ludyanne Carvalho disse...

Gostei do post e concordo com você.
Eu já fiz isso de anotar, mas eu acaba esquecendo.
Tem livros que li e amei, mas ao olhar para todos que li esse ano sei que alguns não entrariam como melhores leituras.
Mas o que importa é a sensação que o livro nos proporciona no momento.

Beijos

Gabriela CZ disse...

Concordo em gênero, número e grau, Mari. Por isso que quando me dizem que "quando o livro é bom a gente lê rápido" sou obrigada argumentar, pois não é bem assim. Ótimo post.

Beijos!

RUDYNALVA disse...

Mari!
Concordo muito com tudo que disse, é bem assim mesmo.
Anoto também as leituras feitas, data e acrescento notas e pequenas observações, para não esquecer a que se refere, é quase um outro livro só com os lidos...kkkkk
Adorei a postagem.
“.Aquilo que eu não sei é a minha melhor parte! “ (Clarice Lispector)
cheirinhos
Rudy

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!!
Gostei bastante com a sua colocação. Realmente existe livros que são difíceis de ler é são espetaculares e livros que devoramos em pouco tempo e não são assim tão marcantes.
Bjos

Helena Carvalho disse...

Olá Mari!
Também tenho o costume de anotar minhas leituras em um caderninho, apesar de usar bastante o skoob e goodreads. Enfim, concordo completamente com esse seu raciocínio, isso acontece bastante comigo quando leio uns livros mais simples no meio de outros que são mais complexos, esses mais simples acabo lendo rápido e curtindo demais a leitura, além de tudo eles dão ânimo pra continuar em ritmo legal.
Amei o post, me identifiquei bastante, seria interessante fazer mais coisas assim em meio as resenhas.

Beijos.

Espiral de Livros disse...

Oi Mari, adorei o post e falou tudo mesmo. Recentemente passei por uma experiência dessas... li um livro que ao longo da leitura não foi tão prazerosa quanto outros, não me conectei tanto com os personagens e me sentia perdida, mas ao final... UAU, virou um dos meus livros favoritos da vida!

Beijos
http://espiraldelivros.blogspot.com/

Carolina Santos disse...

Me identifiquei com aquela questão de você ler o livro e não consegui falar nada sobre ele Acontece muito quando eu dei uma história e quero compartilhar com alguém

Luana Martins disse...

Oi, Mari
Concordo plenamente com você.
Gosto muito quando não tenho expectativas de livro e no fim ele acaba me surpreendendo.
Mas cada livro nos faz viajar, refletir, cada um tem a sua mensagem.
Beijos.

Monique Fonseca. disse...

Eu também costumo pensar sobre isso, porque certos livros me marcam e outros que eu adoro durante a leitura depois de um tempo a história se esvai, achei o post muito esclarecedor,e eu também acredito que há leituras para cada momento da vida,as vezes você está com um estado de espírito pra ler determinado livro,as vezes não.

https://euhumanaefinita.blogspot.com.br

Vitória Pantielly disse...

Oi Mari,
Tirando os gêneros que não leio de forma alguma (como auto ajuda), é difícil um livro não me conquistar, mesmo os romances mais bobos tem um lugar no meu coração; mas sim, há os bons, e os que levaremos para sempre.
Citando um caso parecido com o seu, eu amo todos os livros do Sidney Sheldon, mas O outro lado da meia noite me marcou demais, lembro até mesmo de detalhes que me esqueço em outras histórias...
Bem, seu texto defini o que muitos leitores vivem.
Beijos

Ana I. J. Mercury disse...

Texto maravilhoso, Mari!
Disse tudo!
Isso acontece comigo também. As vezes as leituras mais demoradas são as que mais curti e aquelas rápidas, ao fechar o livro, não sei mais o que li, o que aprendi com essa nova experiência de leitura...
O mais importante, acho, que é lermos o que nos faz bem. Parei de ler livros rápidos só porque queria ler mais. E tô aproveitando pra ler, mesmo que demore, os que quero muito.
bjs

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