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sábado, 29 de julho de 2017

RESENHA: Leviatã Desperta

“— As pessoas falam sobre a guerra? — Miller perguntou.
— Com frequência — o missionário respondeu.
— Alguém vê sentido nela?
— Não. Não acredito que a guerra faça sentido. É uma loucura que está na nossa natureza. Às vezes ela persiste; outras, desaparece.” (COREY, 2017, p. 268)

Duzentos anos depois de sua expansão para o universo, a humanidade não habita apenas a Terra, mas colonizou a Lua, Marte e o Cinturão de Asteróides. Porém, as desavenças políticas e culturais criam atritos constantes entre os três centros de poder. Os ânimos se acirram quando a nave Canterburry, uma transportadora de gelo, é violentamente atacada a caminho do Cinturão. Caberá ao capitão Jim Holden e ao detetive Miller descobrir a verdade e tentar impedir uma catastrófica guerra interplanetária. 

Leviatã Desperta é o primeiro volume da série The Expanse e, como esperado, conta com um teor introdutório, apresentando ao leitor as informações deste novo e complexo mundo. Apesar deste cenário altamente tecnológico e avançado, todos os aspectos da vida no espaço são verossímeis e convincentes. 

A narrativa é extremamente fluida, o que é um aspecto vital para livros extensos. Uma de minhas preocupações era o fato de o livro ter sido escrito por dois autores — James S. A. Corey é o pseudônimo de Daniel Abraham e Ty Franck —, porém, o texto é uniforme e mantém um mesmo estilo do início ao fim. 

Outro acerto dos autores foi escolher uma dupla de protagonistas tão diferente. Holden é impulsivo, emotivo e, em certo ponto, ingênuo, enquanto Miller é racional e cético. Os choques entre estes diferentes pontos de vista são vistos durante todo o desenvolver da estória, sendo que o leitor consegue entender ambos os lados. 

Um dos fatores que mais me chamou atenção foi a complexidade da trama. O que os autores criaram, a meu ver, foi uma espécie de xadrez espacial e vemos a cada capítulo as peças se moverem e, eventualmente, caírem no gigantesco tabuleiro. Apesar dessa complexidade, em nenhum momento a leitura se tornou monótona ou cansativa. 

Também merece destaque é a mistura de diversos elementos, alguns até mesmo inusitados, mas que compõe uma estória harmônica. Quanto ao gênero, diria que a estória é uma mistura de ficção-científica e investigação policial. Apesar do texto fluído, não achei que o ritmo da estória fosse intenso o suficiente para considera-lo um thriller. 

Preciso admitir que Leviatã Desperta não me deixou com aquela empolgação que sempre espero do primeiro livro de uma série. Não me entenda mal, pois eu me envolvi com a estória e com seus personagens, sendo que a leitura foi bastante agradável. Mas fiquei com a sensação de que, ao encerrar a leitura, não senti aquele “desespero” por continuar a leitura da saga. 

Além disso, também me pareceu que o livro foi extenso demais. Ao contrário de muitos livros que já li, Leviatã Desperta não deixa o leitor com a impressão de que está sendo enrolado. Entretanto, quando encerrei a leitura, senti que a estória não era tão densa a ponto de necessitar quase setecentas páginas para ser desenvolvida. 

Somente depois que termine de ler fui pesquisar quantos livros compõe a série e me surpreendi ao descobrir que já foram lançados seis livros no exterior, sendo que o sétimo será publicado no final do ano e mais dois volumes já foram comprados. Assim, confesso que tenho dúvidas se continuarei a ler a série, pois não sei se tenho fôlego para ler mais oito livros extensos, ainda mais quando o primeiro não empolgou tanto quanto poderia. 

Título: Leviatã Desperta
Autor: James S. A. Corey
N.º de páginas: 671
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora.

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