terça-feira, 8 de maio de 2012

RESENHA: The O.C. - O Forasteiro

"À media que se distanciavam, o cinza de Chino ia se transformando no dourado de Newport Beach. Chevrolets e Fords iam se transformando em Mercedes e Range Rovers. Gramados sujos viravam campos de golfe perfeitamente aparados. Estradas de concreto davam espaço à areia quente e dourada." (MARTIN, 2006, p. 41)

***

Aos fãs da finada série The O.C. (leia-se: a melhor série teen que já existiu), deixo um alerta: FUJA deste livro e não macule suas boas lembranças do seriado com esta heresia. Imagino que alguém deve ter dito para Cory Martin que ele tinha capacidade para fazer uma adaptação de The O.C., e a única explicação razoável para um livro tão ruim é que o coitado acreditou.

Se você não viu a série, vamos a um breve relato da trama. Ryan Atwood e seu irmão são presos em flagrante ao tentarem furtar um carro. Ryan, por ser menor de idade, é encaminhado para um centro de recuperação de jovens vindo a conhecer Sandy Cohen, defensor público designado para o seu caso. Sandy acaba por se identificar com Ryan, e por isso tenta ajudá-lo. Entre idas e vindas a família Cohen adota Ryan, o qual é introduzido ao mundo de aparências e segredos de Orange County.

O livro é uma adaptação do roteiro dos sete primeiros episódios da primeira temporada da série, o que me parecia uma idéia bem interessante e prometedora. Porém, Cory Martin, mesmo sendo um dos roteiristas do seriado, não teve habilidade o suficiente sequer para descrever as cenas.

A narrativa do livro se limita a pensamentos e sentimentos que são repetidos inúmeras vezes: “Ryan sonhava com uma família”, “Ryan sentia-se deslocado”, “Ryan achava Marissa linda”, “Ryan não podia acreditar que agora tinha uma família”, “Ryan estava deslocado naquela festa”, “Ryan estava inebriado com a beleza de Marissa”. Sim, o autor não sabe o que é sujeito oculto, pois a cada vinte palavras, uma delas tinha que ser o nome de um dos personagens. E sim, a minha vontade, ao ler estas frases, era de arrancar meus cabelos.

Já que estamos mencionando os personagens, devo dizer que eles se tornaram a personificação do clichê, sendo banalizados ao limite. Marissa era a pobre menina rica, que não agüentava mais a monotonia de sua vida. Ryan era o pobre menino pobre, que sonhava com uma família e um lar na praia. Quando eles se conhecem é amor a primeira vista, cada um deles é tudo o que o outro precisa. Ryan queria salvá-la. Para Marissa, ele era o vestido Pucci.

Isso mesmo, você leu corretamente: Ryan é comparado a um vestido! E cada vez que ela falava do tal vestido Pucci meu estômago se revirava. Deixe-me explicar: para acabar com a monotonia do dia, Marissa encontra um vestido que é a sua válvula de escape. Mas quando ela conhece Ryan, o vestido não é mais necessário. Afinal, ele é muito melhor que qualquer vestido Pucci. Céus! Só para constar, a série não possui menção alguma ao vestido Pucci.

Mesmo sendo uma adaptação, creio que o final deveria ter tido um encerramento decente, até mesmo em respeito a possíveis leitores que não viram a série. Mas é óbvio que esta não foi a opção do autor. O livro terminou de uma forma apelativa, deixando a estória cortada e com várias pontas soltas para “forçar” o leitor a ler os próximos volumes. Isso mesmo, a heresia não parou por aqui. Nos EUA foram lançados outros sete livros neste estilo (The O.C. Novelization).

Por fim, devo tecer alguns comentários acerca da tradução. Me desculpe, mas a única palavra cabível é medíocre. Traduções erradas e traduções que não precisavam ter sido feitas recheiam as páginas da obra. Me permita dar-lhe um exemplo: “high” (alto), dependendo do contexto, pode significar sob o efeito de álcool ou substância de efeitos análogos. Em linguagem vulgar: bêbado, tonto, doidão. Agora leia esta citação:

[...]; mas quando começou a beber foi percebendo que a cerveja a fazia perder o controle. A sensação de libertação a deixou eufórica. Ela tinha passado a maior parte da vida se controlando. E quando estava alta não se preocupava com sua aparência ou com sua mãe criticando o seu cabelo ou dizendo que ela ainda não estava pronta para fazer sexo com Luke.” (p. 22)

Quando estava alta? Marissa estava bebendo cerveja, e de repente, ficou alta? Corrija-me se eu estiver errado, mas, até onde sei, ou você é alto ou não é. E certamente a ingestão de bebida alcoólica não irá influenciar sua estatura.

Em suma, o livro é a combinação de uma narrativa tosca, somada a banalização dos personagens e a uma tradução negligente. A única parte fiel foram os diálogos que, pelo menos, trouxeram a minha mente as cenas da série e, conseqüentemente, um sorriso para meus lábios.

Repito: se você era fã da série, mantenha distância do livro e preserve suas recordações. Se você não era fã, sugiro que assista a série e também mantenha distância do livro. E, só para registrar, tenha certeza que minhas singelas palavras não fizeram jus a excelência da série que, muito mais do que um seriado teen, criou a mescla perfeita entre drama, romance, aventura e comédia.

Título: The O.C. – O Forasteiro
Autor: Cory Martin
N.º de páginas: 262
Editora: Prestígio Editorial

7 comentários:

Aione Simões disse...

Oi Alê!
Ótima resenha!
Eu não assistia a série e nem sabia que havia livros baseados nela, bom saber que é bom eu passar longe deles!
Eu ri com essa comparação com o vestido. Totalmente tosca mesmo!
Mas, sobre o "high", eu acho que não há problema em usar "alta" no sentido alcoólico, eu já ouvi a expressão "estou meio altinho" ou "estou meio alto" pra se referir a estar bêbado.
Beijos!

Alexandre Koenig de Freitas disse...

Sério? Alto no sentido de bêbado? Tipo, em português mesmo?
Em inglês, eu já ouvir a expressão inúmeras vezes, mas nunca ouvi ninguém dizer, em português, que estava alto, no sentido de bêbado...
Será que o ignorante fui eu? heheheh
Abraço.

Fernanda Falleiro disse...

oie!!
EStou adorava a série, nem sabia desse livro, agora tb vou fugir correndo dele. a capa ta horrorosa parece que é dos anos 80 kkkk
estou te seguindo bjos

Joana disse...

Cara, acho que desde o segundo parágrafo eu fui amando a sua crítica. Conseguiu me arrancar boas risadas, me deu a certeza de nunca ler este livro e permanecer com boas lembranças de The O.C "Ryan, o pobre menino pobre" KKKKKK muito tenso.

K. Thiago disse...

Cara eu tenho esse livro, só gosto porque amo The OC, o livro é bem chatinha, Gosto das fotos no meio do livro. Prefiro os livro do Gossip girl mil vezes.

João Vitor disse...

Tem razao, o livro não é um dos melhores, mas tambem nao é tao horrivel assim... talvez eles realmente tenham exagerado um pouco, mas pedir pras pessoas correrem esta indo para o mesmo sentido.

Coleções Literárias disse...

Quando eu vi essa capa eu quase gritei, pq AMO essa série e não sabia da existência do livro, mas que pena que não tem nada haver com a série (que é maravilhosa).
Adoreiii sua resenha, vc escreve muito bem.

Aaah finalmente fiz meu primeiro vídeo resenha, gostaria muito que assistisse e avaliasse, se puder se inscrever no canal eu ficaria imensamente feliz.


http://colecoes-literarias.blogspot.com.br/2015/02/video-resenha-uma-vida-para-sempre.html
ou
https://www.youtube.com/watch?v=M25ZsEhXKlE

Beijos

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