terça-feira, 27 de novembro de 2012

RESENHA: O Resgate do Tigre

“Naquela noite sonhei com os dois irmãos. Eles estavam diante de mim e Lokesh me ordenava que escolhesse qual deles viveria e qual morreria. Ren sorriu, triste, e acenou com a cabeça na direção de Kishan. O rosto de Kishan se contraiu e ele desviou o olhar de mim, sabendo que eu não o escolheria. Eu ainda ponderava minha escolha quando a ligação do serviço de despertador do hotel me acordou com um susto” (HOUCK, p.198, 2012)

A sequencia de “A Maldição do Tigre” traz tudo aquilo que conquistou os leitores no primeiro livro: aventura, magia, romance e seres fantásticos, mas não empolga como seu predecessor. Isso porque “O Resgate do Tigre” sofre da mesma sina da maioria dos segundos livros / filmes de uma série: não é bom como o primeiro, mas serve como ponte para o terceiro.

Dessa vez, a missão de Kelsey é ainda mais complicada: Ren - seu amado tigre branco - foi capturado e ela conta com a ajuda de Kishan – o tigre negro e irmão atrevido de Ren – para ajudá-la a resgatá-lo, além de dar mais um passo para quebrar a maldição lançada sobre os dois príncipes há 300 anos.

Costurando os eventos do final do primeiro livro à história central do segundo, “O Resgate do Tigre” é enrolado no início, mas a autora é bastante feliz em fazer pequenas recapitulações, o que vem a ser extremamente útil para desmemoriados (como eu).

Embora a trama apresente essencialmente os elementos imaginados pelos leitores, o desenvolvimento dos personagens deixa a desejar. Kelsey continua sendo a narradora da história, mas, ao contrário do que se poderia esperar, não amadureceu em nada. Pelo contrário. A imaturidade da personagem atinge níveis inimagináveis nesse livro, o que a torna irritante em boa parte da história. Mesmo seu amor por Ren por vezes se parece mais com teimosia do que com amor verdadeiro e seu senso de humor, que rendia momentos divertidos no primeiro livro, some por completo. Ela pode até ser a preferida da Deusa Durga e coisa e tal, mas ao longo da leitura não pude deixar de pensar que ela não tem nada demais (para ser sincera, é até difícil entender porque dois belíssimos príncipes indianos são tão apaixonados por ela – sem contar os três caras “do mundo real” que queriam sair com ela). Dentre personagens queridos como Ren e o Sr.Kadam, Kelsey é, sem dúvida, a personagem mais sem graça.

Quando fiz a resenha de “A Maldição” mencionei que tinha grandes expectativas a respeito de Kishan e de Lokesh, o feiticeiro que lançou a maldição nos dois irmãos. Para mim, Kishan deveria ser o ponto alto de “O Resgate”, livro no qual teria chance de brilhar. O irmão atrevido, mas solitário, corroído pelo remorso e pela culpa, e que se vê prestes a cometer novamente o erro de se apaixonar pela garota de seu irmão, poderia render ótimos momentos, devido à sua intensa bagagem emocional, mas isso não acontece. Kisham se torna, simplesmente, o companheiro de aventuras de Kelsey e a terceira ponta de um triangulo amoroso um tanto forçado.

Quanto a Lokesh - o perverso feiticeiro - eu também esperava mais, tanto dele (como personagem), e também da sua primeira aparição, seu primeiro combate (algo intenso e cheio de emoção como o retorno de Lord Voldemort em “O Cálice de Fogo”), o que também não aconteceu.

Mas mesmo deixando a desejar em termos de desenvolvimento dos personagens, “O Resgate” é recheado de aventuras, perigos e novos desafios, fazendo o seu papel de ponte entre o primeiro e o terceiro livros e possibilitando que os protagonistas adquiram novas perspectivas, o que é bastante promissor e aumenta a ansiedade pelo próximo livro, “A Viagem do Tigre”. Acredito que a autora tenha várias cartas na manga e boas surpresas reservadas para os leitores. Gostei do final de “O Resgate” e das possibilidades que ele sugere. Ansiosa pela continuação e por ver os personagens renderem tudo o que podem render.

Título: O Resgate do Tigre
Autora: Colleen Houck
Nº de Páginas: 432
Editora: Arqueiro

7 comentários:

Francielle Couto Santos disse...

Mari, quando o primeiro livro da série foi lançado, vi um enredo diferente que talvez poderia dar muito certo. E deu! Embora na época eu não estivesse instigada pela leitura, vi uma aceitação extrema por parte do público leitor... isso me deixou feliz e me deu um leque de pensamentos para enfim dar uma chance a série. Até o momento não o fiz, talvez por falta de oportunidade mesmo. Embora, pelo que pude entender, o ritmo do enredo tenha caído um pouco, a curiosidade é inevitável... gostei do seu ponto de vista e sinceridade, inclusive.
Pelo que pude entender são 5 livros ao total. Agora é torcer para que a trama tome um rumo bacana e que seu nível possa aumentar. :)

Um abraço!
http://universoliterario.blogspot.com/

Eduarda Menezes disse...

Oi, Mari!
Eu sou completamente revoltada em relação a esse livro kkkkk. Eu AMEI A Maldição do Tigre e posso dizer que quase cheguei a odiar O Resgate haha Reconheço a parte legal do livro, as aventuras, a pesquisa que a Colleen sempre faz muito bem, pra tornar tudo ainda mais crível e etc. Mas várias coisas me irritaram a tal ponto que demorei mais de um mês pra terminá-lo - eu simplesmente ficava com tanta raiva pelo rumo que as coisas tomavam que me recusava a prosseguir com a leitura e a terminei apenas por pura teimosia, sabe?
O Kishan é um chato, que tinha tudo para ser ótimo, caso o personagem demonstrasse algum tipo de remorso ou amadurecimento por todo o mal que já trouxe e causou a tanta gente. Só que não, ele apenas repete os mesmo erros do passado, e enquanto o irmão está sendo torturado de todas as formas possíveis, só quer saber de paquerar a Kelsey sem o menor remorso, como se estivessem apenas em uma viagem de prazeres. Fiquei com a impressão que a autora tentou, forçadamente, criar o anti-herói incompreendido, mas que funcionou apenas como uma pessoa inconsequente e nem um pouco nobre. Quanto a Kelsey, concordo plenamente com você, ela virou uma chata atingindo níveis astronômicos de tédio; fora que ela é tao 100% boazinha que chega a dar nos nervos porque ninguém é assim "vamos fazer biscoitos e colher flores e dizer a todos que tudo é lindo é maravilhoso" kkkkkk Ela é muito estranhamente perfeitinha, só que isso só a torna mais chata e extremamente imatura. Fora que enquanto o Ren estava lá sofrendo, ela ficava flertando com o irmão dele, e eu achei isso completamente inconcebível para alguém que diz amar outro tão profundamente.
Eu achei tudo muito forçado, o triângulo é absurdo. Até porque todo mundo sabe com quem ela vai terminar no final, então parece mais uma encheção de assunto, sabe? Apenas enrolação para vender mais livros e realmente me decepcionei demais com a autora nesse aspecto. Ela não soube criar coisas novas e interessantes, caiu no pior clichê de todos. Andei pesquisando e pude perceber que a indignação não é apenas dos fãs brasileiros, mas de muitos fãs americanos que ficaram decepcionados com o triângulo forçado que apenas irá se alastrar mais ainda pelos próximos volumes.
Enfim, desculpa pelo desabafo, mas realmente esse livro me traz uns sentimentos conflitantes de amor e ódio, e sempre me empolgo ao falar dele (a doida hauhaua).
Só discordo com você em um sentindo: eu odiei mais ainda o final de O Resgate. Achei o ápice do clichê-clichê, como se ela não pudesse conseguir manter a tensão de outra forma, então buscou a mais simples possível. No mais, concordo com absolutamente tudo e achei a sua resenha ótima.
Mais uma vez, desculpa pela tagarelice kkkkk
Beijão!

Ceile disse...

Ai, Mari, gostei só do começo deste livro rs.
Eu sou apaixonada pelo Ren e um livro praticamente inteiro sem ele, me fez abandonar várias vezes a leitura.
Até as aventuras não foram tão "vívidas" para mim quanto em A Maldição.
Estou esperando ansiosa por A Viagem, ao mesmo tempo em que estou com medo depois daquele final de arrancar todas as lágrimas que eu tinha disponível rs.

Beijo!

Um louco a mais disse...

Eu li a pouco tempo o primeiro livro e confesso, realmente o livro não fica atrás de nenhum clássico, como Harry Potter (na MINHA OPINIÃO, entretanto o segundo tem recebido menos elogios que o primeiro, mas como qualquer leitor de séries (Jogos Vorazes, Percy Jackson e os Olimpianos)
já estou acostumado com a baixa recepção dos segundos livros. Contudo estou empolgado em dar continuidade a leitura. Abraço :)

Letícia Valle disse...

Oi, Mari!! Sou fascinada pela saga, também adoro tigres *--* principalmente os brancos. Adorei a parte da ação, a busca, mas o Kishan é chatinho, coitado. E com certeza não tem sentido ele se apaixonar mais uma vez pela namorada do irmão, até porque a Kelsey ama o Ren, não é como era Yesubai. Imaginava que o Lokesh ia agir o tempo todo contra os 3, como é o normal em qualquer história que tenha algum antagonista que se preze:) Ele só vem aparecer no Destiny! Mas, verdade seja dita, nenhum livro de saga é tão empolgante quanto o primeiro!! Amei Tiger's Curse. >:) hahaha #ForaCrepúsculo #TigersCurse2015! #vamosquevamos Beijo!

Nardonio disse...

Eu, como grande fã do gênero, fiquei bastante interessado em ler essa série desde que li a sinopse do primeiro livro. Essa "queda" de rendimento nos segundos volumes das trilogias e/ou sagas me parece um pré-requisito. Rsrsrs
O bom é que as partes de aventura e magia não sofreram grandes problemas. Outra parte boa é que a editora está lançando os volumes bem próximos um dos outros, e isso também é muito positivo. Assim que estiver com todas as partes em mãos, lerei, sim!

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Anônimo disse...

Estou lendo este livro e estou tendo vontade de vomitar a cada página... É meloso demais.. Não que não goste de romances românticos, mas tanto este como o primeiro, são muito melosos e fantasiosos....

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