terça-feira, 4 de dezembro de 2012

RESENHA: O Hipnotista


“Há duas coisas que ele odeia, pensa, olhando para a pasta. Uma é desistir de um caso, se afastar de corpos não identificados, estupros e roubos não solucionados, casos de agressão e assassinato. A outra coisa que ele odeia, embora de uma forma inteiramente diferente, é quando esses casos são resolvidos, porque quando velhas perguntas são respondidas, raramente é da forma que se desejaria.” (KEPLER, 2011, p. 417).

***

Sabe quando você encontra um livro que tem tudo para lhe agradar? É do seu gênero favorito, tem uma sinopse intrigante, uma capa atraente, e foi recebido pela crítica com entusiasmo? Foi com esse espírito que adquiri o livro e quando dei início à leitura tinha certeza de que não iria me decepcionar com a obra. Doce ilusão.

Diz a sinopse que após o massacre de uma família, o detetive encarregado do caso, Joona Linna, contata o médico Erik Bark, para que este hipnotize o único sobrevivente do crime, um garoto de quinze anos, e assim descubra a identidade do assassino.

Interessante, não? Se você, assim como eu, esperaria por uma caçada eletrizante a um serial killer sanguinário e cruel, sinto em lhe dizer que você está redondamente enganado. Evidentemente, não vou falar qual é a verdadeira trama do livro, limitando-me a informar que esta não é tão atraente quanto a “premissa falsa” descrita na sinopse.

Ainda assim, mesmo estando com a sensação de ter sido enganado, eu queria gostar do livro. Os personagens eram interessantes e a “premissa verdadeira” até que tinha potencial para uma boa estória. E qual foi o problema? Acho que a melhor resposta é que não houve química. Entre vários motivos, destaco apenas dois:

Primeiramente, devo reconhecer que os autores escrevem bem, mas a narrativa deles não serve para livros policias. Uma das regras básicas deste gênero é o uso moderado de descrições. Não que elas não possam ser utilizadas, mas seu uso excessivo obstrui o ritmo inerente a tais livros. Alexander e Alexandra descreviam absolutamente tudo. Para se ter uma idéia, até mesmo a pétala da flor que cai na janela é descrita. Além disso, as sessões de hipnose foram descritas com minúcias de detalhes irrelevantes. Confesso que, em alguns momentos, eu pulava parágrafos inteiros por não agüentar tantas descrições.

Por outro lado, os autores se mostraram incapazes de fazer um bom suspense. Quando o leitor entende o que está acontecendo, e são apresentados os possíveis responsáveis pelo “caso paralelo-principal”, a resposta é evidente. Sem surpresas, sem reviravoltas, tudo é completamente previsível.

No fim da leitura, a impressão que tive era de que os autores foram escrevendo o livro sem ter uma ideia clara do que iria acontecer e de onde queriam chegar. A sensação era de em alguns momentos eles estavam tão perdidos quanto os leitores, e não tinham domínio sobre os fatos. Acrescente-se que algumas tramas paralelas serviram apenas para confundir o leitor, sendo que ao final sequer tiveram uma resposta adequada.

Assim, resta-me dizer que nem mesmo uma premissa com potencial ou personagens interessantes são suficientes para fazer um livro. As descrições exageradas somadas a diálogos artificiais criaram uma narrativa lenta, entediante e enrolada. Por isso, creio que se o livro tivesse sido revisado e reduzido para, no máximo, trezentas páginas, a estória principal teria sido melhor contada. E seria mais do que suficiente para criar um bom livro. Sim, às vezes, menos é mais. Acredite.

Título: O Hipnotista
Autor: Lars Kepler (pseudônimo de Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril)
N.º de páginas: 477
Editora: Intrinseca

9 comentários:

Natalia Dantas disse...

Olá, Alê!
Parabéns pela resenha.
Eu possuía conjeturas semelhantes as suas sobre a narrativa deste livro. Minha prima ficou louca por ele justamente pela sinopse. Ainda não li esse livro, mas pretendo em breve.

Abraços.
Entre Livros e Livros.
musicaselivros.blogspot.com

Ariane Fernandes disse...

Nossa, que pena que a história, aparentemente, deixa a desejar..porque a ideia inicial parece que era boa e teria tudo pra ser bem desenvolvida.

Eu adoooro³ livros policiais e, de fato, detalhar demais as coisas não apenas atrasa o andamento da história, como também distrai a atenção do que realmente importa.

Detesto ver ideias boas desperdiçadas! =/

Beijos, Annie
Praticamente Inofensivo

Nardonio disse...

Que pena que o livro não te agradou. Assim como você, achei a sinopse e a capa super atraentes e instigantes, mas essa parada de descrições demais atrapalham mesmo. E não apenas em livros desse gênero, qualquer outro se torna menos atraente pra mim se tiver muitas descrições.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Aione Simões disse...

Oi Alê!
Poxa, que pena que o livro te desagradou.
Sempre ouvi falarem tão bem da história...
Mas eu entendo seus pontos de vista e concordo com você, livros policiais precisam ter adrenalina, não podem ser monótonos.
Enfim, uma pena mesmo! Meu interesse pela leitura acaba de diminuir e muito!
Beijos!

Rick disse...

Pelo visto eu tinha uma impressão igual à sua do livro, uma pena que o livro não seja bom. Eu não tenho certeza se esse livro é uma série mas eu já vi uma capa bem parecida mas não lembro direito.

Ariana Alves disse...

Bom... Já não gosto muito de livros policiais um que não é eletrizante e envolvente definitivamente não vai para a minha lista de leitura.

Uma pena pois tinha ouvido falar muito bem desse livro =/

Ariana Alves

jean souza disse...

Eu tbm pesquisei sobre o livro e adorei a capa, mas pela sua resenha o livro nao parece tao bom, tbm nao gosto de muitas descrições em livros policiais, mas pra min parece bom!

O pai do Mário disse...

Nunca havia visto/ouvido nada a respeito do livro e de seu(s) autor(es), até ler, naõ me lembro onde, uma resenha favorável de "O pesadelo". Pesquisei na internet, e, meio no escuro, confiando na resenha, acabei comprando os dois livros do fictício Lars Kepler, "O hipnotista" e "O pesadelo".
Mais uma vez, fiquei decepcionado: "O hipnotista" é apenas um livro regular, que situa-se a anos-luz de distância da trilogia Millenium, do também sueco Stieg Larsson, com a qual é (muito injustamente) comparada. Aliás, os elogios da contra-capa são, no mínimo, exagerados, além de muito questionáveis.
O que mais me incomodou foi o fato do livro ter sido escrito no tempo presente, muito provavelmente já pensando numa futura filmagem. Frases do tipo:"Simone acorda e olha pela janela","Erik atende ao telefone" e "Joona conversa com o policial" aparecem o tempo todo, revelando o estilo pobre dos autores/roteiristas.
A trama é, em muitos pontos e aspectos, inverossímil, os diálogos são ruins, os vilões são absurdamente fortes, quase sobrenaturais, e os protagonistas não cativam o leitor (principalmente o insosso detetive Joona, que desempenha papel secundário na história).
Infelizmente, a nova safra de livros policiais tem se revelado bem ruim e, sinceramente, não entendo como "O hipnotista"(assim como os italianos "O aliciador" e "Eu mato") possa ter feito tanto sucesso.

Itzel Aguilar disse...

A verdade é que eu só encontrei divertido. Ultimamente eu tenho interesse em filmes e séries hipnose como este, ele vai fazer-me muito interessante, embora o quanto depende da história e não se torna tedioso e chato.

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