sábado, 8 de dezembro de 2012

RESENHA: Punhalada no Escuro

“Havia pessoas com quem conversar, e bourbon para beber, bastante café para manter o cansaço ao largo. Não abusei, apenas relaxei, me acomodei para suportar melhor a vida. Você se surpreenderia com tudo o que um ser humano é capaz de suportar.” (BLOCK, 2001, p.27)

O que dizer de um livro que mal me deu tempo para pensar e que, quando percebi, já estava terminando de ler? Até me deparar com “Punhalada no Escuro” no sebo, eu não conhecia Lawrence Block. Não só nunca havia lido seus livros, como nunca havia ouvido falar no seu nome. Mas com sucintas 193 páginas o autor causou uma ótima primeira impressão em mim.

Tudo começa quando Matt Scudder, um ex-policial com tendências alcoólatras que agora mesmo sem ser oficialmente um detetive particular por vezes ataca como um, é abordado pelo pai de uma jovem assassinada há nove anos, supostamente por um serial killer conhecido como “O Assassino do Furador de Gelo”. Eis que o assassino confessou sua série de crimes, mas nega veemente ter assassinado esta mulher em específico. O que o pai dela quer é que Scudder descubra quem então foi o responsável pela morte de sua filha. Seria o caso de um imitador – outro louco psicopata - ou alguém teria motivos pessoais para matá-la?

A premissa não é de virar a cabeça e o autor não tem intenção de enganar o leitor fingindo que é. Alias, fica evidente desde a primeira página que o autor não tem a menor intenção de enganar ou enrolar o leitor. A história começa imediatamente nas primeiras linhas, sem precisar de tempo para engrenar. Trata-se da investigação de Scudder. Pois bem, então tudo que o autor mostra para o leitor é a abordagem que o ex-tira sofre, como é convencido a aceitar o “caso” e já parte para a investigação. A narrativa é seca, sem muitas descrições, o que contribui muito para a agilidade da história. Vejo neste estilo um reflexo do próprio protagonista: alguém que se atém aos fatos e não perde tempo com o que não parece relevante, embora faça questão de ver tudo com seus próprios olhos. Scudder me pareceu um bom personagem, mas senti que terminei o livro ainda sem conhecê-lo. Pesquisando, descobri que o personagem participa de outros livros do autor, então é provável que exista mais dele para ser descoberto, mas ainda assim senti que faltou algo a mais para fazer deste mais que um mero detetive - o cara que vai descobrir quem é o assassino da história – e torná-lo um personagem cativante, porque a meu ver, quando temos um personagem assim, que se repete em várias histórias (como Poirot, Marlowe e Maigret, para citar alguns dos meus preferidos) estar em sua companhia deve ser tão prazeroso quanto a descoberta do mistério. Com Sudder isso não aconteceu para mim, mas isso não tira o mérito do livro.

Mesmo com uma história aparentemente sem nada de extraordinário, o autor conseguiu criar um desfecho surpreendente, apresentando circunstancias inusitadas para o crime e fornecendo respostas mais que satisfatórias. Um ótimo exemplo de uma história bem aproveitada. A premissa era simples, mas o autor tirou dela o máximo, entregando ao leitor um livro ágil e surpreendente. Já estou curiosa para ler outros livros de Lawrence Block.


Título: Punhalada no Escuro
Autor: Lawrence Block
Nº de Páginas: 193
Editora: Companhia das Letras

6 comentários:

MsBrown disse...

Resenha interessante, Mari! Também nunca tinha ouvido falar desse autor, e é bom saber agora desse livro.

Aione Simões disse...

Oi Mari!
Não conhecia o livro nem o autor, mas esse título me deixou com uma pulga atrás da orelha, com a sensação de que já havia ouvido falar dele...
De qualquer forma, é ótimo quando a história já prende desde a primeira linha! Apesar de parecer ter faltado um pouco aquilo que transforme o detetive em uma pessoa, parece ser um livro incrível!
Beijão!

Eduarda Menezes disse...

Mari, eu também não conhecia o autor, mas você já conseguiu me deixar na maior vontade de ler um livro dele.
Mesmo o detetive não cativando tanto assim, o autor parece ter criado uma história sólida e convincente e, quem sabe em outros da série, os leitores tenham a chance de conhecer o detetive mais a fundo.
Adoro finais surpreendentes!
Beijos!

Ju disse...

Que pena que o Scudder não tem o menor carisma... faz realmente falta. (a propósito, eu amo o Poirot! *-*)

Pelo nome e pela capa eu achei que não fosse gostar, mas a resenha me mostrou que eu acharia a leitura interessante sim. Quem sabe não dou de cara com esse ou outro dos livros do autor por aí também...

Devoradores de Historias disse...

Esse livro a primeira vista, não parece ser um livro que eu leria, alem da historia ser tipo policial, curto mais, aventura, romance e tal.
Mas a história, se for ver além da capa né ^^, parece ser muito boa e bem estruturada, se fosse pra ler eu com certeza daria uma chance.

Abraços

Nardonio disse...

Assim como você, também nunca tinha ouvido falar nem do livro, nem do autor. Posso dizer que achei esse livro bem interessante. Narrativa mais seca, sem tantas descrições e com muitos mistérios e investigações, são meus pontos fracos. Se tiver oportunidade, lerei, sim!

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

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