domingo, 24 de fevereiro de 2013

RESENHA: O Jogo do Anjo

“Lentamente, a amargura e a raiva daquele dia, daqueles anos, foram se apagando e fui envolvido por uma cálida escuridão cheia de vozes e mãos que me esperavam. Desejei perder-me nela como nunca tinha desejado nada na vida, mas algo me puxou e uma punhalada de luz e dor me arrancou daquele sonho prazeroso que prometia não ter fim. Ainda não – sussurrou a voz -, ainda não.” (ZAFÓN, 2011, pag.162)

Eu preciso confessar de início: essa é uma das resenhas mais difíceis que já fiz. É muito complicado fazer resenha de um livro que você detestou com todas as suas forças. Mais complicado ainda, de um livro que você amou e quer se derreter em elogios. Agora, de um livro que você não sabe exatamente o que achou, bem, devo dizer que é uma tarefa ingrata. Para quem leu as minhas resenhas de “Marina” e “A Sombra do Vento” sabe que eu adoro o estilo de Zafón. A habilidade do autor de transcender um gênero literário, misturando tantos elementos diferentes (como romance, amizade, mistério, e até mesmo o sobrenatural) com sua narrativa quase poética é fascinante para mim. Anteriormente, até arrisquei dizer que devido a esta habilidade Zafón jamais poderia escrever um livro ruim. Porque mesmo que a história não fosse boa sua narrativa compensaria. De fato, após ler “O Jogo do Anjo” devo reconhecer que mesmo com uma história não tão interessante o autor ainda consegue tornar o livro muito fácil de ler. Mas, aproveitando a poesia que Zafón inspira, eu diria que uma luz se apagou sobre o autor quando ele escreveu este livro.

David Martín é um escritor solitário que recebe uma curiosa proposta de trabalho de um editor misterioso. Tentado pelo dinheiro, ele aceita o trabalho, se muda para uma antiga mansão pela qual sempre fora fascinado, e acaba se envolvendo em uma história antiga e perigosa que pode mudar sua vida. Em seu caminho estão ainda Isabela, um protótipo de assistente e aspirante a escritora; Cristina, a mulher que ele ama; Pedro Vidal, um escritor famoso; além de Sempere pai - dono da livraria, grande amigo de Martín e seu bilhete de passagem para o maravilhoso Cemitério dos Livros Esquecidos – e Sempere filho.

Me parece que em todas as pontas do livro faltou algo: Martín não é um protagonista tão carismático como costumamos encontrar nas páginas por Zafón escritas, nem o mistério que cerca o livro tão intrigante. Além disso, os relacionamentos, sempre tão cativantes, não parecem ter tanta força. Não acho que devo ficar comparando “O Jogo do Anjo” a outros livros do autor, especialmente “A Sombra do Vento”, mas me parece inevitável, até por ambos os livros fazerem parte da trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos - completada por “O Prisioneiro do Céu” - e por terem sido essas experiências prévias que fizeram com que eu me decepcionasse.

O destaque dos personagens vai para Isabela. Uma mulher que se revela forte, leal e mais tarde, para nós leitores, quase uma velha conhecida.

Antes de começar a leitura, eu tinha expectativas contraditórias com relação ao livro: de um lado eram altas, por gostar de Zafón, e do outro, baixas porque já tinha ouvido dizer que o livro era ruim e estranho. Acho que eu esperava poder afirmar uma coisa ou outra, mas não consegui. Realmente “O Jogo do Anjo” apresenta um desfecho curioso que, embora eu tenha apreciado a sua – vamos chamar de – poesia, me incomodou. Eu queria mais explicações. Ou queria que, pelo menos, tivesse ficado claro desde o início que se tratava de uma história cujas explicações ficariam no nível – poético, digamos novamente – que ficaram.

“O Jogo do Anjo” não me desencantou com Zafón, mas recomendo que o livro seja lido apenas por aqueles que já leram e gostam do autor porque essa não deve, em hipótese alguma, ser a primeira impressão que se tem dele. Não chego a dizer que é ruim, mas está abaixo do seu talento de cativar e emocionar.


Título: O Jogo do Anjo
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 613
Editora: Ponto de Leitura

16 comentários:

Ana Paula Barreto disse...

Eu gosto do autor, mas não tenho vontade de ler este livro. Assim como você, também li críticas negativas sobre a obra. Aparentemente a qualidade da narrativa, a construção dos personagens e os desfechos em si não são tão bacanas.
bjs

MsBrown disse...

Eu li apenas Marina do autor, e gostei do livro, mas tenho certo receio em ler outros, não sei explicar bem porquê.
Ótima resenha!

Aione Simões disse...

Oi Mari!
Fiquei surpresa com a resenha porque acredito nunca ter lido uma opinião negativa sobre algum livro de Zafón (ainda que a sua não tenha sido de todo negativa).
Pretendo começar a ler algum livro do autor por Marina, que é o que já tenho e, quando começar essa trilogia, pretendo começar por O Jogo do Anjo, exatamente por não ter lido os outros dois a ponto de ter algo para me basear e me decepcionar. E se eu também não gostar desse, pelo menos vou poder me surpreender com os seguintes.
Mas isso acontece, as vezes ficamos mesmo com a sensação de algo ter faltado!
Beijão!

cristiane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mey disse...

Sou apaixonada por Zafón e gostei muito de todos os livros que já li dele. Inclusive esse. Mas faz muito tempo que li, então os detalhes já n estão mais frescos em minha memoria. De qualquer forma, é um livro bem interessante e fico imaginando como deve ter sido dificil mesmo de resenhar. Bjksss

Meyre Christina

nangy@ig.com.br

Clara Beatriz disse...

Bom, ainda não li nada do autor, mas sua resenha me deixou bem curiosa! Realmente espero ter a oportunidade de ler este livro!

Jessica Lisboa disse...

Serio, simplesmente nao sei o que tenho que com esse livro, leio leio resenhas sobre o livro e nao consigo gostar dele de jeito nenhum!!

Nardonio disse...

Nossa, muito complicado mesmo! É muito ruim quando a gente não consegue dizer se gostou do livro ou não. O bom é que como essa não foi sua primeira experiência com o autor, você soube conduzir essa dúvida sem grandes problemas. Como ainda não li nada do Zafón, já sei que não começarei por esse livro.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Gladys Sena disse...

Bem, ainda não li nada do autor, mas tenho curiosidade devido aos mil elogios que já li sobre suas obras.
Pelo jeito não começarei por esse livro, escolherei outro, rsrs.

GFC: Gladys

Manu Hitz disse...

Que coisa... estou surpresa, ninguém me disse que, da trilogia do 'Cemitério dos livros esquecidos', esse não era bom.
Mas eu AMO Zafón! Amei 'A Sombra do Vento' e recomendo aos leitores que não leram Zafón que comecem por ele. Li 'O Prisioneiro do Céu' e tb gostei, mas achei mais resumidinho. 'A Sombra ' é apaixonante!
Concordo inteiramente: não vamos julgar Zafón por este livro. Tenho aqui e ainda não li.

Seguidora: Manu Hitz

cristiane disse...

Ainda vou ler esse livro. Estava vendo ele outro dia e gostei bastante das coisas que vi, resenhas, comentário sobre outros livros do autor... Não li nada do autor ainda e pretendia começar por esse livro. É bem boa essa história.

cristiane dornelas

Layse Hana disse...

Ja li Marina desse mesmo autor e amei, mais não gostei muito desse livro :(

Anônimo disse...

É um livro diferente sim, porém não foge ao estilo poético e sombrio de Zafón. E uma dica; leiam o livro duas vezes, na segunda voce entende melhor o ensejo e consegue identificar determinados fatores que não foram reconhecidos anteriormente.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

De fato zafon é um poeta além de exímio narrador.
Para mim, um dos melhores que tive o privilégio de ler.
Em o jogo do Anjo não foi diferente, para quem gosta de tramas onde apenas no final as coisas ficam claras (ou não) é um prato cheio, me lembra (um pouco) clubr a luta, onde apenas no final as coisas realmente fazem sentido.
Concordo com o comentário acima onde o colega cita que seria bom lê lo duas vezes.
Além disso quando se lê o prisioneiro do céu, outro livro da serie, tuso se encaixa perfeitamente.
Emfim, ha quem o ame...ha quem o odeie... eu o amo...

Unknown disse...

De fato zafon é um poeta além de exímio narrador.
Para mim, um dos melhores que tive o privilégio de ler.
Em o jogo do Anjo não foi diferente, para quem gosta de tramas onde apenas no final as coisas ficam claras (ou não) é um prato cheio, me lembra (um pouco) clubr a luta, onde apenas no final as coisas realmente fazem sentido.
Concordo com o comentário acima onde o colega cita que seria bom lê lo duas vezes.
Além disso quando se lê o prisioneiro do céu, outro livro da serie, tuso se encaixa perfeitamente.
Emfim, ha quem o ame...ha quem o odeie... eu o amo...

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