quinta-feira, 25 de abril de 2013

RESENHA: O Livro do Amanhã

“Desgastada pela noite inteira acordada com minhas amigas, apenas continuei a andar, a cabeça repleta das conversas delas – as coisas que eu descobrira, como saber que Laura passara a tomar a pílula do dia seguinte -, mas nenhuma mais alta que as conversas que tinha comigo mesma na mente. Estas eu jamais conseguia desligar. Não creio que tenha pensado tanto e falado tão pouco na vida até então.” (AHERN, p. 96, 2013)

Após o suicídio de seu pai, Tamara vê sua vida virar de cabeça para baixo. Criada em uma bela casa, acostumada com luxo, ela vê tudo isso desaparecer e de repente a única opção que resta a ela e sua mãe é se mudar para o interior - onde não há amigos, festas ou as lojas com as quais ela estava acostumada – para morar com seu tio Arthur e Rosaleen, a esposa dele. Dia após dia ela sente que está sendo sugada para o fim do mundo, até que encontra um curioso diário que todos os dias – através de sua própria letra - lhe revela o que acontecerá no dia seguinte. Ao final do dia, o registro se apaga e um novo surge em seu lugar. No início ela fica apenas intrigada, mas dia após dia o diário se revela preciso: o que está escrito ali de fato se tornará realidade, a não ser que ela mude os acontecimentos. Mais do que isso, o curioso artefato pode mudar a vida de Tamara e lhe revelar segredos sobre sua família que ela nunca imaginou.

“O Livro do Amanhã” é narrado em primeira pessoa por Tamara que nos conta a história depois que ela já aconteceu. Isso fornece à trama um elemento interessante que é o fato de a protagonista passar o livro inteiro em uma espécie de auto-analise, recriminando seu próprio comportamento muitas vezes. Antes da morte de seu pai, ela era apenas uma adolescente mimada (não se deixe enganar pela foto da capa. A personagem tem apenas 16 anos), mas agora que sua vida mudou tão radicalmente, já não é mais a menina que era, mas também não é uma pessoa nova. Assim ela tenta se encontrar enquanto sua mãe fica cada vez mais apática.

Mesmo achando a premissa da história de uma doçura quase poética e adorável – um diário escrito por você mesmo que conta como será o seu amanhã - confesso que tive vários problemas durante a leitura de “O Livro do Amanhã”. As primeiras páginas têm um ritmo lento e repetitivo que fizeram com que eu me desanimasse e depois disso foi difícil recuperar o interesse. Acredito que as primeiras 100 páginas poderiam facilmente ter sido reduzidas a metade e com isso manter a história mais ágil. Para mim era como se a história estivesse prestes a começar a qualquer momento, mas não começava. Não sei explicar exatamente o porquê dessa sensação. Não era que os personagens não fossem bons – eles apenas não despertavam aquela faísca – ou que nada acontecesse – várias coisas aconteciam, tanto no presente como nas lembranças da protagonista – apenas o que acontecia não era o suficiente para mim.

Foi assim que desenvolvi uma espécie de birra durante mais da metade da leitura, mas devo dizer que me aproximando do final, fiz as pazes com o livro. Se as primeiras páginas careciam de sal, as últimas se revelaram com um tempero bastante satisfatório. Aos poucos você começa a sentir que tem alguma coisa muito errada acontecendo e a partir daí a curiosidade vence. No fim consegui gostar da história, mas continuei acreditando que o livro seria melhor se reduzido a 70%.

Preciso, porém, ressaltar que “O Livro do Amanhã” não é exatamente o meu gênero de livro, então se você gosta desse tipo de história e se interessou pela sinopse - ou até mesmo se gostou de outros livros da autora - não deixe meus comentários pouco favoráveis impedi-lo de ler. Como eu disse, no final a história me envolveu, o único problema é que considerei o caminho muito longo até lá. Para alguém que gosta de uma história leve com direito a drama familiar, amadurecimento pessoal e final feliz acredito que seja uma boa pedida. Mas uma resenha precisa transmitir a experiência de quem leu e a minha foi essa.

Título: O Livro do Amanhã (exemplar cedido pela Editora Novo Conceito)
Autora: Cecelia Ahern
Nº de páginas: 367
Editora: Novo Conceito

14 comentários:

cath´s m. disse...

Eu não dei muito pelo livro vendo a capa, mas a história parece conquistar, acho que deveria dar uma chance a ele.

Manuela Cerqueira disse...

Geralmente gosto dos livros narrados em primeira pessoa, espero ser assim também com este. Mais ... 100 páginas com um ritmo lento?? Como assim?!!!
Isso desanima a leitura... fiquei aqui pensando ler ou não ler..rsrs?! Mais como vc mesma disse pode ser que eu encare o livro de outra forma.. Acho que darei uma chance!


GFC: Manuela Cerqueira

Aione Simões disse...

Oi Mari!
Vi mesmo muitas pessoas que não gostaram do começo, eu acho que fui uma das poucas que ficou encantada e vidrada logo de cara por causa da narrativa da autora - sem contar que adoro esse negócio de auto-análise.
O final me deixou muito curiosa e a partir de certo momento, é mesmo impossível interromper a leitura!
Beijão!

Nardonio disse...

Uma história que se reduzida em 70% poderia ser contada, é de ficar com um pé atrás. Esse também não é meu gênero preferido, e se tiver um ritmo mais lento, aí já era. De qualquer maneira, gostaria de ler, pois sempre leio resenhas positivas em relação aos livros dela.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Francielle Couto Santos disse...

Mari, também já tive essa impressão de ''ritmo lento e repetitivo'' em uma outra narrativa da Cecelia. A leitura de ''Aqui é o melhor lugar'' não me agradou justamente por isso... essa necessidade de enfeitar e escrever demais nem sempre é o melhor caminho. Lembro de ter ficado bem desanimada e perdida na época (e também não me estimulou como eu gostaria)... enfim. Uma pena.

Fiquei meio que com um pé atrás agora... queria tanto ler O LIVRO DO AMANHÃ, mas...
Bem, não vou descartar a possibilidade, mas também não será mais uma prioridade.

Adorei o texto, flor. Um abraço!
http://universoliterario.blogspot.com.br

cristiane disse...

Fofa essa história, eu achei. Gosto dos livros dela e esse foi outro que fiquei querendo ler. Pena que tem essa enrolação pra chegar na parte boa, mas acredito que isso não atrapalhe o livro, é mais um caminho suave pra se acostumar com a história...sei lá.

cristiane dornelas

Rossana Batista disse...

Você tem toda a razão Mari, continue sempre transmitindo o que você achou do livro.
Eu até agora não li nada da autora, mas não pela sinopse e sim pela resenha deu uma vontade de ler, deve ser interessante.
Estórias como essas em que a personagem conta o que já aconteceu, deve ser ótimo!

Roberta Moraes disse...

Nossa, o livro parece ser lento mesmo se você disse que tiraria 20% dele... A estória para mim pareceu boa, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Realmente a garota da capa desse livro não parece ter 16 anos, rsrs.

Gladys Sena disse...

Esse livro causou uma polêmica, alguns gostaram outros nem tanto.
Pretendo lê-lo em breve.
Ainda não conheço a escrita da Cecelia, mas é muito elogiada, :)

GFC: Gladys.

Elis Paulina disse...

Oi Mari, esse livro também não é meu gênero favorito. Para que gosta disso parecer muito bom. Além disso, também não conheço a autora, acredito que seja a segunda resenha que leio sobre livros dela.
Bjos, Elis Elger

Naty disse...

Eu também achei a premissa interessante, mas até agora não li uma resenha em que alguém tenha gostado do começo do livro. Isso me desanima muito a lê-lo pq minha tendencia atual é parar de ler o que não me agrada.

Clara Beatriz disse...

Bom, quero muito ler este livro! Adoro a Cecelia e a escrita dela! Não gosto muito de autores que desenrolam a história só no final, mas como se trata de uma autora muito querida vou deixar. Adorei a resenha e pretendo ler o livro em breve!

camila rosa disse...

Vi muitas resenhas desse livro no começo não me interessei por ele, mas com o passar fui vendo resenhas que me fizeram interessar pelo livro, por isso quero muito lê-lo, pois agora acho que deve valer a pena ler.
camila rosa.

Thielen Costa disse...

Queria muito conhecia a escrita de Cecelia nesse livro.
Pensava que ele seria ótimo, demais, perfeito, mas pelo jeito as opnioes estão bem diversas. Pelo menos ainda estou curiosa e quero lê-lo. hehe
Só não gostei da capa apresentar uma moça mais velha, nada a ver com 16 anos!

GFC: Thielen Costa

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