sexta-feira, 20 de setembro de 2013

RESENHA: Filhos do Jacarandá

“Havia gritos distantes sufocados na dureza daquela voz. Ele lhe disse para ir à prisão apanhar os pertences do marido. Ela desligou o telefone em silêncio e depois chorou tão alto que as janelas tremeram.” (DELIJANI, 2013, p. 131).

***

Contando com o aval de ninguém mais ninguém menos que Khaled Hosseini — autor do aclamado livro O Caçador de Pipas —, imaginei que a leitura de Filhos do Jacarandá seria interessante. Infelizmente, não consegui me conectar com a obra.

O livro de estréia de Sahar Delijani cobre mais de vinte anos da violenta e sangrenta história iraniana, pelo ponto de vista de três gerações. São estórias de amor, encontros e desencontros, mas, sobretudo, de esperança e luta por um futuro melhor.

Em virtude de sua narrativa mais introspectiva, Filhos do Jacarandá tem um ritmo lento. Além desta cadência vagarosa, a obra alcança um nível extremo de descrições, o que contribuiu para torná-lo monótono.

Minha impressão foi que a autora esforçou-se demais em tentar emocionar o leitor e, por isso, cada parágrafo é recheado de adjetivos que descrevem em minúcias de detalhes os sentimentos de cada um dos personagens. Infelizmente, este exagero não produziu em mim a comoção pretendida, mas apenas me irritou. Como leitor, parto da premissa que, muitas vezes, aquilo que o autor deixa subentendido é mais importante — e causa mais impacto — do que um conjunto de simples adjetivos.

Filhos do Jacarandá poderia ser classificado como um livro de contos, visto que cada capítulo traz a estória de um grupo de personagens. De certa forma, todos os personagens estão interligados, mas suas estórias são quase independentes. Assim, acabamos com uma colcha de retalhos, com muitas estórias, mas que parecem não se aprofundar.

Também fiquei com a sensação que a autora não seguiu a “estrutura convencional” de um livro (sucintamente: introdução, ascensão, clímax, declínio e desenlace). Talvez isto tenha ocorrido porque a autora inspirou-se em eventos que aconteceram com sua família para escrever a obra. Ou seja, talvez Sahar Delijani tenha escrito para si mesma em primeiro lugar, como uma espécie de terapia, sem considerar as expectativas do leitor.

Baseado apenas em minha experiência, indicaria o livro somente para aqueles que tenham algum interesse específico na Revolução do Irã. Porém, inúmeras resenhas dizem o quanto o livro é emocionante, sendo a obra foi bem recebida pela crítica. Então, para deixar claro, o problema pode ser eu e não o livro.

Título: Filhos do Jacarandá (exemplar cedido pela Editora Globo)
Autora: Sahar Delijani
N.º de páginas: 229
Editora: Globo

15 comentários:

Ana Paula Barreto disse...

Este livro não me interessou mesmo. Acho que você tem razão: quem se interessa pela Revolução do Irã pode gostar. Mas acho difícil de ser uma leitura amplamente aceita pelos leitores "comuns".
bjs
GFC: Ana Paula Barreto

Fran disse...

Pois é, eu me conectei tanto com a obra do Khaled Hossein em O Caçador de pipas que cheguei a passar mal de tao horrível q achei a história contada, aquela realidade, aquela tristeza... Eu achei o livro bom, mas o odiei por isso. imagino que não me daria bem lendo esse Filhos do jacarandá. Acho q deixa o livro mais leve ser escrito nessa espécie de contos, mas tenho interesse de ler. Vai q eu seja uma dessas pessoas q se emocionam com o livro, passar mal de novo com os acontecimentos revoltantes eu não quero, muito obrigada.

GFC- Franciely

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Eu até tinha vontade de ler, mas se a minúcia de detalhes o deixa monótono já desisto. Também prefiro leituras com ritmo mais acelerado.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

GFC: Gabriela Cerutti Zimmermann

Vanilda disse...

Não gosto de livros descritivos demais ao ponto de se tornarem monótonos e sem ritmo. Não me interessei pela história e por sua resenha tão sincera cheguei à conclusão de que não é um livro pra mim.

GFC: Vanilda Procopio
Comentarista: Vanilda

Sw e Su Bem pra Mente disse...

Realmente essa questão do detalhismo é algo complicado, pois ao mesmo tempo que os detalhes contribuem tanto para o enriquecimento de uma estória, se forem mal dosados podem tornar a leitura bastante monótona mesmo.
Particularmente, eu gosto de detalhes, mas também fico impaciente quando os autores exageram.
Ótima resenha, gostei bastante da sua análise crítica e, principalmente, sincera!

Bjinhos!
Sw ^_^
bempramente.com.br

cristiane disse...

Até gosto desse formado de contos, mas não fiquei muito interessada nesse livro não. Não tenho interesse nenhum na Revolução do Irã, então acha que não entraria para o grupo dos que gostaram da leitura...
GFC: Cristiane

Nardonio disse...

Eu tenho sérios problemas com narrativas muito descritivas, e se esse livro é basicamente isso, tenho quase certeza que não vou me agradar. Fora isso tem a questão de não ser fã de histórias mais dramáticas. Enfim, não me agradei.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Matheus Salera disse...

Sua resenha está fantástica, me interessei pelo livro, quero ler! *-*

Bjs
de-livro-em-livro.blogspot.com.br

Adriana disse...

Eu li algumas resenhas do livro positivas e estava com uma alta expectativa em relação a ele, mas assim como voce, não gosto de nada muito descritivo, que acaba cansando e nos deixando entediados, acho que o tema é forte e seria uma leitura interssante, se a autora não tivesse se perdido nesse caso né, fiquei triste, pois pretendia ler esse livro em breve, mesmo assim, vou le-lo, sem expectativas, vai que eu me surpreendo né, meus parabéns pela resenha!
Adriana

Rossana Batista disse...

Gosto de livros com muito detalhes e daqueles que contam histórias verídicas também, mas eu não me interessei muito por esse livro...
Eu não sei porque... a capa não me chamou atenção... o título...pois é...

GFC: Rossana Batista

Roberta Moraes disse...

Não curto muito livros muito descritivos, justamente pelo fato que você disse, que fica monótono. Talvez leia o livro só por ler, quem sabe mudo de opinião.

Seguidora: Roberta Moraes

Thaynara Koti disse...

Já comecei a ler o livro Jacarandá, mas abandonei porque não gostei do estilo do livro, e como você disse só quem se interessaria é quem está interessado na Revolução do Irã e os leitores comuns que são a maioria não iria gostar como eu.

Beijos
livroscombolinhos.blogspot.com
GFV\: thaynara Koti

mandaa disse...

Eu realmente não estou interessada nesse livro, e saber que é quase que um livro de contos não ajudou para me animar. Não sei se lerei, talvez um dia, mas não em breve. Amei a resenha, bjos.

GFC: Mandaa Nunes

Michelli Santos Prado disse...

Olá Alexandre!! Tudo bem??
Fiquei super interessada pela história! Como sempre vocês vivem trazendo boas indicações. :)
E esta capa é linda , e espero ter a oportunidade de ler em breve =)

MsBrown disse...

Olá, Alexandre!
Não sabia da existência desse livro, mas o título, a capa e um pedaço da história me fizeram ter vontade de lê-lo. Mas você disse que é muito descritivo, com muitos adjetivos... Isso não me atrai muito, porém, se tiver a oportunidade, vou tentar ler.

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